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Barra de Punaú - por Arilza Soares

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

A SANHA HOLANDESA NO RN - I -O MASSACRE DE CUNHAÚ


                         Sobre o Domínio Holandês no RN


Em 12 de dezembro de 1633, após a tomada do Forte  iniciou-se  o domínio holandês no Rio Grande do Norte, seguindo-se até 1654. Os holandeses trocaram o nome de Fortaleza dos Reis Magos por Castelo de Keulen, e a cidade passou a ser chamada de Nova Amsterdã. Por ocasião do domínio holandês o nosso Estado foi governado por 3 capitães: Joris Garstman Bijles, Johans Blaenbeeck, Jan Denniger e um major: Bayert, todos eles flamengos.
Durante esse domínio holandês (1633-1654) aconteceram massacres sanguinários em Ferreiro Torto, Cunhaú, Uruaçu, Extremoz e Guaraíras, quase sempre praticados pelos índios aliados aos novos invasores.


                         O Castelo de Keulen na Nova Amsterdã 
                                           
Existe uma unanimidade entre os historiadores sobre o caráter violento e desnecessário dos massacres promovidos pelos holandeses, e seus aliados os índios janduís, na Capitania do Rio Grande do Norte. Esses massacres não constituem um caso isolado da colonização européia (ingleses, franceses, espanhóis, portugueses e holandeses), nas terras americanas. Os conquistadores não respeitavam nada. Os europeus se julgavam detentores da "civilização" nas terras incultas da América, agiram como se fossem verdadeiros bárbaros...
No Rio Grande, do Norte os flamengos resolveram eliminar duas coisas ao mesmo tempo: os portugueses e a religião católica. Os massacres ocorridos foram lutas do dominador para eliminar o povo subjugado.


O Engenho Cunhaú

                     Engenho Cunhau -Gravura do livro de Gaspar Barleus            


Segundo Câmara Cascudo, "o engenho Cunhau foi construído na sesmaria dada por Jerônimo de Albuquerque em 2 de maio de 1604 aos seus filhos Antônio e Matias. Constava de 500 quadradas na várzea de Cunhau e mais duas léguas em Canguaretama". No início do século, o engenho exportava açúcar para Recife. Possuía um fortim, sob o comando do capitão Álvaro Fragoso de Albuquerque. Foi construído por marinheiros de Dunquerque. Esse fortim foi atacado, vencido e destruído pelo coronel Artichofski, em outubro de 1634. Historiadores afirmam que esse engenho "era a menina dos olhos dos holandeses" por causa da fertilidade se suas terras"

                                                        O Massacre 

              "Quadro do Monsenhor Assis -Os Mártires de Cunhau"


Percorrendo a região canavieira entre Recife e Natal, Jacob Rabbi, alemão à serviço do governo holandês, e um grupo de indios janduís e potiguares, além de soldados holandeses, chegaram ao engenho Cunhaú em 15 de julho de 1645. Se apresentou como emissário do Supremo Conselho Holandês de Recife e convocou a população para uma reunião, após a missa do dia seguinte, um domingo, na capela de Nossa Senhora das Candeias. O domingo amanheceu chuvoso e nem todos os moradores compareceram à missa. Os historiadores estimam em 69 pessoas presentes no lugar. Durante a celebração, após a elevação da hóstia, os soldados holandeses trancaram todas as portas da igreja. A um sinal de Rabbi, os índios invadiram o local e chacinaram os colonos. O Padre André de Soveral, de 73 anos, que celebrava a missa, foi atacado por uma adaga e, depois de morto, feito em pedaços. O Padre André de Soveral é considerado um martir da Igreja Católica e foi Beatificado, junto com os mártires do massacre de Uruaçú.


 
                          Ruínas da Igreja de Nossa Senhora das Candeias
                                                    restaurada posteriormente


Relatos posteriores, alguns deles de emissários do governo holandês que investigaram o episódio, descrevem cenas de violência, atrocidades e certo requinte de crueldade contra os fiéis. Algumas pessoas se refugiaram na casa do engenho, mas tiveram um fim semelhante ao das que estavam na capela. Os flamengos e índios invadiram a casa. Houve certa resistência, três colonos conseguiram escapar pelo telhado, mas a superioridade numérica dos índios e dos holandeses acabou prevalecendo. Depois da chacina, o engenho foi saqueado.                                            
A notícia se espalhou, provocando revolta. Iniciando, pouco depois, a fase das represálias."Depois desse massacre, nunca mais os holandeses tiveram paz em Cunhaú,  Sucessivos atos de vingança foram realizados àquele engenho pelos portugueses". (Câmara Cascudo)

                   Capela de Nossa Senhora das Candeias


                                                 
                            
A capela de Nossa Senhora das Candeias foi reconstruída pela família Albuquerque Maranhão, após a expulsão dos holandeses, em 1645.                                           
Mais de três séculos separam a atual comunidade de Cunhaú dos dias de horrores devido a presença de índios bravios e invasores holandeses sob o comando do alemão Jacob Rabbí. Em 1634, quando os holandeses chegaram, Cunháu era o maior engenho em produção na capitania do Rio Grande. Pertencia a Antônio Albuquerque Maranhão.
O local que foi palco do martírio já não está intacto. A capela passou por várias reformas e, do tempo do morticínio, restam apenas os pilares da pequena Igreja. O engenho também está desativado. A população também diminuiu. Hoje, os moradores da fazenda Cunhaú se dedicam ao gado e a agricultura, plantam feijão e jerimum. No total, são oito famílias, cerca de 30 pessoas, que residem no antigo engenho.


                     Comemoração do dia dos Mártires em Cunhaú                           


Atualmente é grande o movimento de peregrinos para a capelinha. Diferente dos pontos já famosos de romarias, em outros estados brasileiros, em Cunhaú o comércio de lembrancinhas dos mártires ainda não se instalou nem despertou maiores interesses entre os moradores. Maria Barbosa Soares, que há três anos mora na fazenda, vende o livro "Terra de Mártires", escrito por Auricéia Antunes.


  
Fontes: 
                  

História do Rio Grande do Norte -  Luiz da Câmara Cascudo - 1984 -Ministério da Educação e Cultura-RJ
Diário do Rio Grande do Norte - Projeto Ler do Diário de Natal- 1999
História da Fortaleza da Barra do Rio Grande - Conselho Federal de Cultura/RJ
História do RN Colonial  - Luiz Eduardo Brandão Mariz e Marlene Silva -Editora Natal-1997-Natal /RN
Jornal Tribuna do Norte-Natal/RN - História do RN  Fascículo 4 - Os Massacres no Rio Grande do Norte


Fotos:
               Imagens Google
                     Acervo da Professora Elizete Arantes



3 comentários:

  1. Arilza, mais uma vez obrigado por trazer à tona esses episódios tão importantes da nossa história, que acabaram ficando circunscritos ao conhecimento local. Falar disso é resgatar uma saga importante. Valeu. Beijos.

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  2. obrigado mas uma vez pelos meus trabalho de escola

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  3. Obrigada ajudou no meu trabalho da escola.

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