FOTO DE CAPA

Foto de Capa
Barra de Punaú - por Arilza Soares

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

CARNAÚBA - A ÁRVORE DA VIDA, DA PROSPERIDADE E DA BELEZA


Pôr do Sol em Xique-Xique na Bahia
Foto de Juarez Moraes Chaves




Nascida no litoral nordestino, me acostumei a ver palmeiras majestosas balançando ao vento, nos lindos coqueiras à veira mar, o que me fez uma amante desse tipo de planta. Lembro que nos meus desenhos de criança não faltava um coqueiro. Se tivesse nascido no sertão com certeza seria a carnaúba que estaria presente nos meus desenhos. Nessa minha última viagem ao sertão do Rio Grande do Norte, me encantava  ver as carnaubais ao londo da estrada. A carnaúba, como planta isolada , já me era muito familiar. Em Natal, ela é árvore ornamental de ruas e jardins, mas o carnaubal é diferente: ele forma cenários belíssimos na região,  verdadeiros oásis em meio àquela vegetação seca. E, se já gostava  dessa palmeira,  foi pesquisando sobre sua utilidade e importância, que entendi  o real significado do nome como ela é conhecida  Árvore da Vida!







A carnaubeira ( Copernicia  prunifera) é  uma  árvore que pertence à família das palmeiras (família Arecaceae). O nome Carnaúba vem do tupi e significa "árvore que arranha".   A resistência e longevidade da carnaúba sempre foi motivo de orgulho e satisfação para os sertanejos. A  "árvore da vida" como é conhecida consegue suportar às adversidades da caatinga, como exemplo de resistência e poder produtivo. Países como Alemanha, Índia, Japão e Estados Unidos tem investido,  sem sucesso, na tentativa de cultivar a Carnaúba em virtude da importância da  cera extraída de suas folhas.








A Carnaúba que também é chamada de Carandá ou Carnaíba atinge em média 15 metros de altura. Sua copa é formada de leques, o tronco é parcialmente coberto por uma base de sulcos, em forma de hélice. Possui numerosas flores minúsculas e frutos em cachos, com cerca de 3cm de comprimento. As maiores concentrações de carnaubais encontram-se nos estados do Piaui e Ceará, sempre nos vales dos rios e terrenos arenosos. Intimamente ligada a seu habitat, a carnaúba é de grande longevidade, podendo viver até 200 anos.






O aproveitamento dessa palmeira é múltiplo e integral. Como bem diz o sertanejo "na carnaúba nada se perde"! Endêmica do semiárido nordestino, a  árvore da vida, oferece uma infinidade de usos ao homem. È utilizada de forma que não prejudica nem a planta nem  o meio ambiente. Suas palhas são retiradas  e postas para secar ao sol, sem consumo de energia produzida de maneira poluente. Na retirada da cera, o que resta se torna adubo. A Carnaúba é importante para a natureza, e imprescindível para a economia da região.



A CARNAÚBA E SUAS UTILIDADES


1. O TRONCO (LENHO)






O lenho da carnaúba é resistente, podendo ser usado no na construção de edificações rústicas, e como lenha pesada. Inteiro, o estipe da carnaúba costuma ser usado como poste; fragmentado ou serrado, fornece ótimas porções de madeira usadas em construções, podendo também ser aplicada na marcenaria de artefatos torneados, tais como bengalas e objetos de uso doméstico. No Nordeste brasileiro, habitações inteiras são construídas com materiais retirados da carnaúba. O tronco dá o emadeiramento, os esteios, as linhas. as terças. as ripas, os caibros ou seja a ossatura geral da construção. Mais ainda. Todo mobiliário e utensílios são de carnaúba. As prateleiras, as mesas, os bancos, o armário são de taboas de carnaúba, porque essa palmeira fornece taboas sólidas e  resistentes.



2. A FOLHA (PALHA)





Com suas folhas fazem-se telhados e coberturas de casas e abrigos. A palha forte e lisa presta-se para a confecção de acessórios os mais variados. Tecem-se esteiras, urupemas, as peneiras usadas no nordeste, a vassoura, o abanador e até sacos sólidos e duradouros para  o transporte e acondicionamento dos cereais. A palha macerada e batida reduz-se a fibras, e temos uma nova série de produtos - os artefatos de  fibras: as cordas, os trançados e até redes.


3. O FRUTO E RAIZ





A carnaúba produz um fruto comestível, que fornece uma fécula do mesmo valor alimentício que a mandioca. Seus frutos comestíveis e abundantes, quando verdes, constituem boa ração para o gado. Quando seco fornece um óleo fino. Torrados e moídos dão uma bebida semelhante ao café.
As raízes, principalmente da carnaúba conhecida como branca, são tradicionalmente reputadas como de propriedades medicinais no tratamento de algumas doenças. Possui propriedades diuréticas e usadas como chá é indicada para o tratamento do reumatismo e da sífilis.



4. A CERA





A cera de carnaúba já chamava a atenção desde o tempo do Brasil  Colônia. Usada para fazer as velas que iluminava as casas da nobreza européia, tornou-se. já naquela época, em um dos principais produtos de interesse   dos portugueses. O consumo aumentou nos séculos seguintes e atingiu o auge nos anos 50, quando a produção de cera chegou a atingir 100.000 toneladas. Hoje, a cera de carnaúba é um insumo valioso que entra na composição de diversos produtos industriais. Os principais mercados consumidores são os Estados Unidos, a Europa e o Japão. Vale lembrar que a cera de carnaúba, por ser um produto extrativista regional, tem como único país produtor e exportador o Brasil. 





A cera,  principal produto obtido da carnaúba é, ainda hoje, extraída por processos manuais bastantes rudimentares: depois de cortadas, as folhas novas são estendidas pelo chão e postas ao sol, por vários dias, para secar. Quando as folhas secam e a película de cera que as recobre se transforma em um pó esfarinhado, elas são levadas para um quarto escuro, sem janelas. Ali , são rasgadas com grandes garfos e começa a "batedura" até que toda se desprenda, na forma de minúsculas escamas brancas, e possa ser separada da palha. Depois esse pó é recolhido e levado ao fogo com um pouco de água em grandes latões.Essa calda transforma-se em uma pasta esverdeada, que é jogada em uma prensa rústica de madeira, a partir da qual se obtém uma cera líquida que depois é despejada em gamelas de barro ou de madeira até esfriar.




Em 1935, Herbert Johnson, presidente da empresa SC Johnson, fabricante das Ceras Johnson e de outris produtos de limpeza, vaio ao Ceará para pesquisar as potencialidades da carnaúba. A cera produzida aqui era o principal item para os produtos fabricados pela SC Johnson, e Herbert Johnson quis conhecer o potencial de cultivo da carnaubeira a fim de assegurar uma fonte de recursos renováveis e manejáveis.Em 1938, foi a vez de  Sam Johnson, filho de Herbert, vir ao Ceará onde fez várias doações e Entidades do Estado.



APLICAÇÕES DA CERA DE CARNAÚBA





Comercializada há mais de um século, a cera de carnaúba esteve presente na lista dos dez produtos de exportação do Brasil. Esse produto assumiu o seu lugar na indústria contemporânea e o mercado atendido hoje, vem ampliando suas aplicações na industrialização de diversos produtos:
  • Polidores: Utilizados na fabricação de ceras para polimentos de automóveis, assoalhos, sapatos, móveis. 
  • Fundição: Isolantes e moldes
  • Acabamento: Couros para calçados e afins.
  • Cosméticos: Cremes, batons
  • Embalagens de alimentos: Impermeabilizantes para frutas e queijos finos
  • Revestimento: Cola. verniz, esmalte, papel, bombons. goma de mascar r porcelanas.
  • lubrificantes:Graxas e óleos finos
  • Escritórios: Papel carbono, tintas
  • Limpeza: Detergentes e aromatizantes
  • Medicinais: Cápsulas de comprimidos
  • Informática: Chips de computadores e Código de Barra.



UMA ÁRVORE VALIOSA







A Carnaubeira é apontada como uma das árvores mais valiosas, do ponto de vista econômico para o Nordeste do Brasil razão porque é destaque nas bandeiras do Rio Grande do Norte, onde aparece de forma bem evidente, e na bandeira do Ceará, cujo desenho  faz parte do Brasão do Estado presente na bandeira. Encontrada em todo Nordeste, é nos Estados do Piaui, Ceará e Rio Grande do Norte onde ela ganha expressão econômica. Nesses estados representa geração de emprego e renda durante todo o ano, sendo muitas vezes, a única atividade, em muitas localidades.




UMA PLANTA ORNAMENTAL






Imponente, esbelta como a maioria das palmeiras brasileiras e, por isso mesmo, com alto potencial paisagístico, a carnaubeira deixou de ser apenas uma planta de grande beleza do sertão , para fazer parte do cenário urbano, ornamentando ruas, parques e jardins das cidades. Em Natal ela confere uma aparência distinta e um belo cenário em toda extensão da Rua  Potengi, no Bairro de Petrópolis, e na Rota do Sol, uma longa avenida que nos leva ao Litoral Sul do Estado. Em frente ao Centro de Turismo também encontramos exemplares da magnífica carnaúba.


CARNAÚBAS DA RUA POTENGI -NATAL/RN
CARNAÚBAS DA ROTA DO SOL -NATAL/RN
CARNAÚBAS DO CENTRO DE TURISMO - NATAL/RN





FONTES:

  • Antonio Fagundes ( Da Associação dos Professores) - Leitura Potyguares - Edição Fac-similar da Sebo Vermelho- 2009 -Natal/RN.
  • Revista Super-Interessante - Arvore com brilho próprio - escrito por Ivonete D.Lucírio e Rita Célia Faheina (de Fortaleza - CE) - Fevereiro de 1999.
  • Pesquisa Google: Carnaúba - Wikipédia, a enciclopédia livre.
  • www.infoescola.com)...)Reino das Plantas-Carnaúba-Copernica prunifera-Plantas Brasileiras-Info-Escola -Artigo sobre a Carnaúba uma árvore típica do nordeste , em 27/08/2008.
  • http:/www.newtonfreitas.nom.br/artigos.asp?cod=71-Newton Freitas-Cultura da Carnaúba.
  • redecarnauba.blogspot-Carnaúba a Árvore da Vida.

FOTOS:
  • Imagens Google.
  • Acervo de Juarez Moraes Chaves:
  • http://xiquexiquense.blogspot.com.br/2012_03_01_archive.html
  • Acervo do Vento Nordeste
  • Edição de Fotos: Site Pic Monkey





quarta-feira, 19 de setembro de 2012

BOLO DA MOÇA - DELÍCIA QUE VEM DE NATAL





Há quem não goste por causa da sua aparência de bolo solado. Quem nunca experimentou, por simples preconceito, não sabe o que está perdendo! Bolo da Moça, como é conhecido em Natal é delicioso. De consistência quase cremosa, simples de fazer, esse bolo faz parte do cotidiano do natalense, seja para ser consumido no café da manhã ou no lanche da tarde. Eu não dispenso uma fatia quando estou em Natal, principalmente quando é feito por Ceiça, uma amiga muito querida, que faz esse bolo como ninguém. É dela a receita aqui postada.






O Bolo da Moça é uma versão adaptada do Bolo de Leite que chegou até nós pelos portugueses que vieram povoar a região. O Bolo de Leite original leva leite de coco entre os ingredientes. Com o surgimento do Leite Condensado, algumas pessoas acrescentaram à receita, o leite condensado. A alteração foi aceita com sucesso e o bolo passou a ser conhecido como Bolo da Moça em alusão "à moça da latinha"  do Leite Condensado da Nestlé.
Segundo um comentário colocado nessa postagem há uma outra versão para a origem do bolo da moça: esse bolo é sim a nossa versão do bolo de leite português, porém a adição de leite condensado e ovos é uma versão moderna para aumentar a cremosidade e o nome "da moça" não lhe foi atribuído em referência a moça da lata, mas sim por não levar ovos. 


RECEITA DO BOLO


FOTO DE RUBÉLIA MAIA GUEDES ROSA




INGREDIENTES


2 xícaras de farinha de trigo sem fermento
  • 4 ovos
  • 1 lata de leite condensado
  • 1 medida da lata de leite de vaca (usar a a lata de leite condensado como medidor)
  • 1 medida de leite de coco fresco ( ou 1 vidrinho pequeno)
  • 2 colheres de sopa de margarina
  • 2 xícaras de açúcar.



MODO DE PREPARAR


  • Coloque todos ao ingredientes no liquidificador ( primeiro os ingredientes líquidos, depois os secos)
  • Bata por aproximadamente 2 minutos( a massa deve ficar na consistência de um creme)
  • Unte uma forma com furo no meio - passe manteiga para untar e depois polvilhe com farinha de trigo.
  • Despeje a massa na forma e leve ao forno brando por mais ou menos 1 hora. (Esse tempo pode variar dependendo da temperatura do forno)
  • Quando a parte de cima do bolo estiver dourada, enfie um palito para ver se a massa está cozida. Se ao retirá-lo o palito sair sequinho, o bolo já está no ponto.



FOTO DE RUBÉLIA MAIA GUEDES ROSA





                                                    
    DICAS IMPORTANTES

    • Esse bolo requer paciência, não deve ser colocado em forno quente, pois a massa é líquida e ele pode deformar ou estourar.
    • Desenforme com cuidado, depois que esfriar totalmente para evitar que se quebre.






    O Bolo da Moça tem uma textura semelhante ao pudim, porém mais duro. É excelente acompanhamento para Café. Experimente! E bom apetite!




    FONTE:

    • Maria Marluce Gomes - História da Gastronomia do Rio Grande do Norte- Natal/RN - 2004
    • Receita de Ceiça Nunes - Natal/RN
    • Pesquisas Google - Receitas da Internet

    FOTOS:
    • Imagens Google
    • Acervo de Rubélia Maia Guedes Rosa
    • Acervo do Vento Nordeste






    segunda-feira, 17 de setembro de 2012

    DO LAMBEDOR ÀS GARRAFADAS - O PODER MEDICINAL DAS PLANTAS DA CAATINGA!






    Mastruz com Leite, Lambedor de Hortelã-da-Folha-Larga, Chá de Capim Santo, de Cidreira, de Boldo, de Quebra-Pedra, são remédios caseiros que fizeram parte da minha infância no Nordeste. No quintal da casa da minha mãe nunca faltou essas ervas, que ela cultiva até hoje com o maior carinho. Acho que é por isso que tenho mania de chás, e estou sempre recorrendo a eles quando estou com alguma indisposição física.
    A Medicina Popular sempre me interessou. Pesquisar sobre as Ervas Medicinais da Caatinga foi muito prazeroso e mudou o meu olhar sobre as nossas plantas; me fez mais consciente da importância de lutar para a preservação dessa Flora tão rica, mas  pouco cuidada ,do nosso Bioma.







    O comércio de ervas nas ruas, nas feiras livres e os mercados regionais constituem um espaço privilegiado de expressão da cultura de um povo. Nas regiões mais pobres do país e até mesmo nas grandes cidades brasileiras, é lá que plantas medicinais são comercializadas, mas essas plantas podem ser  encontradas e cultivadas nos quintais das casas,  pois elas representam, muitas vezes, o único recurso terapêutico de muitas comunidades.


     O USO PLANTAS MEDICINAIS 


     A utilização de plantas medicinais pelo homem é relatada desde a pré-história. Na caatinga nordestina estas plantas são amplamente utilizadas na medicina popular pelas comunidades locais. O homem sertanejo possui um vasto conhecimento dos recursos terapêuticos de boa parte dos vegetais encontrados. Ele sabe como ninguém,  como onde encontrar a planta, qual a parte que deve ser utilizada  e  principalmente o modo de preparar das espécies nativas, seja sob a forma de chá, lambedor ( xarope caseiro), caldo,  pomadas, tintura,  garrafada, inalação, gargarejo ou compressas.      
       OS RAIZEIROS


     “Para males do espírito só Deus cura, mas para todo o resto, temos ervas” (Sueli Campos-vendedora do Mercado Albano Franco em Aracaju/SE)


    A figura do raizeiro, pessoa já consagrada pela cultura popular, garante o conhecimento sobre o preparo, indicação e comercialização de plantas medicinais. Os produtos comercializados pelos raizeiros são cascas, raízes, folhas, frutos e sementes que  armazenam no próprio local de trabalho (barraca), em caixas de papelão ou em sacos colocados no chão. Na barraca onde vendem as plantas, quando encerra o expediente, eles cobrem os produtos  com uma  lona de plástico e amarram. As condições sanitárias de manutenção e estocagem dos produtos comercializados mostraram-se bem precárias.


    GARRAFADAS: MALES PARA TODAS AS CURAS





    De todos os produtos da medicina popular um chama a atenção: as garrafadas! Tem garrafada praticamente pra tudo, com indicações quase mágicas para todos os males. Garrafadas são produtos  produzidos pela maceração de plantas medicinais em cachaça ou vinho branco. Na composição das garrafadas são utilizados frutos, folhas, cascas, raízes e flores, verdes ou secos. No preparo da garrafadas à base de água, esta é fervida com as  ervas; quando preparada com a cachaça, toda a composição fica algum tempo em infusão; no vinho, também é posta em infusão, havendo os  que deixam a composição enterrada na lama, por alguns dias, por considerarem a temperatura mais adequada.



    VÍDEO 1 - GARRAFADA
    PESQUISA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS



    Sua comercialização e uso compõem o repertório de medicamentos populares presentes em diversas regiões do país e podem ser encontradas em feiras, casas de ervas, barracas de ambulantes, comercializadas por raizeiros e até produzidas por familiares e amigos. Os  raizeiros, receitam as garrafadas para os mais diversos tratamentos. Um exemplo disso são as famosas garrafadas de avelós ou de babosa para tratamento do câncer e as garrafadas de Viagraprodutos estes que ainda não têm comprovação científica, mas que são encontrados facilmente em todos os confins do Nordeste.
    VÍDEO 2 - 
    VENDEDOR DE GARRAFADA NO CEARÁ


    LAMBEDOR - O PODEROSO
    XAROPE CASEIRO




    Outro  medicamentos muito usado  a medicina popular é o Lambedor. Estes xaropes caseiros são ervas cozidas preparadas com muito açúcar, rapadura ou mel, e utilizados geralmente para o tratamento de dores de garganta, tosse e bronquite. Os lambedores apresentam uma grande importância para a população devido seu fácil preparo e a eficácia no tratamento. Geralmente é feito a partir de plantas propícias para problemas respiratórios, como a hortelã da folha larga,  o alecrim-pimenta e a malva entre outras. Em alguns mercados e feiras nordestinas é possível encontrar o lambedor já pronto.


    ALGUMAS PLANTAS MEDICINAIS DA CAATINGA E SUAS INDICAÇÕES





    Folhas e casca de Aroeira - Inflamação
    Casca de Araticunzeiro -  Próstata 
    Folhas de Boldo - Problemas Estomacais
    Fruto da Cabacinha -  Sinusite e Abortivo 
    Casca da Faveleira -  Intestino e Fígado
    Fruto e Raiz da Batata de Purga - Laxante, Gripe e Vermes.



     

    Folha e casca do Mulungu - Nervos, Insônia, Dores de Cabeça, Pressão Alta.
    Frutos do Pau Ferro - Gripe, Asma e Anemia
    Flor e semente de Marcela -  Problemas Estomacais
    Casca do Barbatimão - Inflamação, Gastrite 
    Casca de Pimenta de macaco -  Dores 
    Casca da Jurema preta -  cicatrizante


     

    Flor da Craibeira - Dentição 
    Folha e Casca da Carqueja - Colesterol
    Casca do Pau de leite -  Infertilidade Feminina, Inflamação.
    Casca de Mororó - Diabetes e Colesterol 
    Folha de Orelha de Onça - asma
    Aveloz 


     

    Flor da Catingueira - Útero, Ovário e Próstata
    Folhas de Alecrim-Pimenta - Inflamação na Garganta - Pano Branco - Impigem.
    Casca da Catuaba - Impotência Sexual 
    Cascas de Umburana de Cheiro - Problemas Estomacais, Pressão Alta e Gripe. 
    Casca da Quixabeira - Rins, Inflamação
    Casca da Ameixa - Inflamação, dores 








    O poder medicinal de algumas plantas encontradas na Caatinga, tem provocado a extração descontrolada de algumas espécies. A retirada pode causar a extinção de espécies como a Umburana, muito conhecida e considerada um dos símbolos do Sertão.
    A umburana de Cheiro  é muito procurada por ter grande efeito anti-inflamatório, antioxidante e broncodilatador, indicada para as afecções pulmonares, asma, astenia, bronquite, cólicas intestinais e uterinas, febre, gripe, hemorragias, inflamação. resfriado e tosse.
    Além da semente, a casca é também muito usada,por isso é muito comum encontrar árvores sem casca, o que faz com que a planta morra. Atualmente a Embrapa está com um projeto para diminuir o risco de extinção  da Umburana.


    Alertas Sobre o  Uso de Plantas e Ervas Medicinais:


    1 - As plantas e ervas medicinais, mesmo sendo medicamentos naturais, podem intoxicar, cegar, provocar coma e até matar!
    2 - Todas as plantas têm mais de um princípio ativo. Algum dos princípios ativos pode ser contra indicado para o usuário.
    3 - As informações deste site têm apenas os fins educacional, de pesquisa e de informação. Elas não devem ser usadas para diagnosticar, tratar, curar, mitigar ou prevenir qualquer doença muito menos substituir cuidados médicos adequados.
    4 - Consulte sempre um especialista!
    5 - Tome cuidado especial ao manusear ervas e as mantenha longe das crianças.



    FONTES:

    • Revista Brasileira de Biociências- Os raizeiros e a comercialização de plantas medicinais em São Miguel, Rio Grande do Norte, Brasil.
    • http:/saude.abril.com.br/edicoes/0329/medicina/plantas-curam-604100.
    • http:/ empautafs.wordpress.com/.../a-cura-do-corpo-e-da-alma - Texto deDaniela lapa - A cura do corpo e da alma através de ervas medicinais.
    • II Congresso de Pesquisa e Inovação da Rede Norte Nordeste de Educação Tecnológica-João Pessoa - PB - 2007.
    • plantas da Caatinga de uso terapeutico: Levantamento Etnobotânico- Erbs Cintra de Sousa Gomes -Jusciélio Barbosa-Flavia Cartaxo Ramalho Vilar-Jane Oliveira Perwz - Ricardo Cartaxo Ramalho.
    • Curare - Ciências das Plantas Medicinais - Coletivo de Pesquisadores de Plantas Medicinais - Crônica da Farmacovigilância - Julino Soares.


    FOTOS:
    • Imagens Google
    • Edição de Fotos -Site Pic Monkey

    VÍDEOS:
    1. Garrafada: pesquisa da Universidade Federal de Alagoas - Postado no You Tube por "chrischrisduart" em 22/05/2009
    2. Garrafadas de Ervas Medicinais- Raizeiro vendedorno Ceará´postado no You Tube por " heddye" em 19/08/2007.              







    sábado, 15 de setembro de 2012

    LENDAS E MITOS DO FOLCLORE NORDESTINO: A CIDADE ENCANTADA DE JERICOACOARA -CEARÁ






    A primeira pessoa que me falou dessa cidade  encantada, foi um pescador de  Jericoacoara, quando estive por lá nos idos dos anos 60, mais precisamente em 68. Já não era nenhuma criança para acreditar nessas histórias, mas seu Chico, se não me falha a memória, era esse o seu nome, parecia realmente acreditar  que ali, embaixo daquele farol,  morava uma princesa-serpente, esperando o seu herói para libertá-la. Entusiasmado, ele dizia que lhe faltava coragem para ser sacrificado e salvar a princesa, mas que às vezes sonhava com isso. Por muito tempo  fiquei me perguntado de onde vinham essas histórias tão fantásticas, narradas com tanta convicção! E mesmo que já não acreditasse nelas eu me sentia fascinada por elas. Até hoje, conhecê-las  aguça o  pensamento simbólico que ainda carrego comigo, me traz de volta à infância. 



    PRINCESAS-SERPENTES




    Princesas tornadas serpentes são vestígios do ciclo das Mouras na penísula ibérica. Em Portugal quase a totalidade das Mouras Encantadas vive sob a forma de serpentes. Nas noites de São João ou Natal, antes da meia-noite, voltam à forma humana, tornadas mulheres lindas, cantam, penteando-se com pentes de ouro. Ao seu lado pode-se ver a pele de serpente à espera do corpo para a continuação da maldição. O ferimento, mesmo diminuto, bastando apenas que derrame sangue, quebra o encanto. A  Serpente, é a forma preferida pela alta e velha magia árabe. As tradições orientais estão repletas de rainhas e princesas que vivem como grandes cobras, sujeitas a uma penitência cujo fim depende dum gesto humano e cavalheiresco. 




    A FADA MELUSINA


    Em toda a Europa e Ásia, existem relatos muito antigos de vários povos que falam de cidades encantadas, onde moram reis e princesas. A  Serpente, o animal sem idade, o animal sábio, é a forma preferida pela alta e velha magia árabe. As tradições orientais estão repletas de rainhas e princesas que vivem como grandes cobras, sujeitas a uma penitência cujo fim depende dum gesto humano e cavalheiresco Na Europa, por exemplo, em muitos lugares se conhece a tradição de Melusina, a fada amorosa da casa dos Lusignan, que se tornava serpente todos os sábados.




    SERRA TALHADA/PERNAMBUCO



    No estado de Pernambuco, na cidade de Serra Talhada, antiga Vila Bela, existe uma lenda parecida que também fala de uma gruta encantada onde mora uma princesa serpente.  Outros afirmam que esta gruta, seria na verdade o Reino de Pedra Bonita, que ficava no sítio de Pedra Bonita, na mesma cidade, e onde viveu um povo muito místico e cruel, que para manter o reino encantado e oculto das vistas de curiosos, os habitantes locais sacrificavam crianças cujo sangue puro, mantinha sua invisibilidade. Se isto não fosse feito, o reino se desencantaria e se tornaria visível. Naquele reino existiria uma fabulosa mina encantada de diamantes. 




    FAROL DE JERICOACOARA



    A lenda da Cidade Encantada de Jericoacoara, provavelmente foi introduzida no Brasil pelos portugueses colonizadores. A princesa enfeitiçada é uma "moura", esquecida em seu castelo obscuro, guardando ouro, joias, pedrarias, barras de prata, montões de moedas, para o herói audacioso que resolva lhe  "quebrar" o encanto. 



    A LENDA DE CIDADE ENCANTADA DE JERICOACOARA




    Cidade encantada de Jericoacoara, A Princesa encantada de Jericoacoara,  O Reino Encantado, O Reino de Pedra Bonita, são nomes comuns a essa lenda cearense.


    Segundo reza a tradição, debaixo do serrote do farol local, existe uma cidade encantada, onde mora uma linda princesa. Perto da Praia, quando a maré está baixa, há uma furna onde só se pode entrar agachado.  Só se pode entrar pela boca da caverna, mas não se pode percorrê-la porque está bloqueada por um enorme portão de ferro.
    A cidade encantada e a princesa estariam além daquele portão. A encantadora princesa está transformada, por magia, numa serpente de escamas de ouro, só tendo a cabeça e os braços de mulher.
    A linda princesa só pode ser desencantada com sangue humano. Assim, no dia em que alguém for sacrificado junto do portão, abrir-se-á a entrada para um reino maravilhoso. Com sangue será feita uma cruz no dorso da serpente e então surgirá a princesa com toda sua beleza, cercada de tesouros inimagináveis, e a cidade com suas torres douradas, finalmente poderá ser vista. Então. o felizardo responsável pelo desencantamento, poderá casar com a princesa cuja beleza é sem igual nesse mundo..
    Mas como até hoje não apareceu ninguém disposto a quebrar esse encanto, a princesa, metade mulher, metade serpente, com seus tesouros e sua cidade encantada, continuam na gruta a espera do seu  herói.



    FONTES:


    • Luís da Câmara Cascudo: Geografia dos Mitos Brasileiros -Editora Global - São Paulo-2002
    • Mário Melo: Lendas Pernambucanas - Revista do Instituto Arqueológico de Pernambucano, volume XXIX, Pernambuco - 1930. ( Citação de Câmara Cascudo no livro Geografia dos Mitos Brasileiros)
    • Olavo Dantas: Sob o céu dos Trópicos - Rio de Janeiro, 1938 ( Documentário citado por Câmara Cascudo no livro   Geografia dos Mitos Brasileiros)


    FOTOS:
    • Imagens Google
    • Edição de Fotos: Site PicMonkey






    quarta-feira, 12 de setembro de 2012

    SABOR NORDESTE: A CAJUÍNA QUE VEM LÁ DO PIAUI!





    Conheci a Cajuína quando estive pela primeira vez em Teresina! Foi amor ao primeiro gole! Com o calor da cidade que é grande , mas infinitamente menor que o calor humano dos que residem  nessa terra, uma cajuína bem gelada é  indispensável. Essa bebida aromática, deliciosa, sem aditivos químicos é tão presente na cultura piauiense, que não seria exagero afirmar que a cajuína está para o Piauí, como a coca-cola está para os Estados Unidos. Em qualquer festa, em qualquer comemoração, ou mesmo no dia a dia, a bebida é consumida, seja na hora do almoço, do lanche, no barzinho... A relação do piauiense é tão forte com essa bebida, que  em Teresina a Cajuína ganhou nome de avenida e de uma importante competição esportiva: A Volta da Cajuína. Nada tem mais a cara do Piaui que a Cajuína e que, por isso mesmo, tornou-se Patrimônio Cultural desse Estado.


    AVENIDA CAJUÍNA E A  VOLTA DA CAJUÍNA


    A cajuína é uma bebida, sem álcool, clarificada e esterilizada, preparada a partir do suco de caju. Apresenta uma cor amarelo-âmbar resultante da caramelização dos  açúcares naturais do suco. Preparada de maneira artesanal, é uma bebida típica do Nordeste brasileiro, especificamente do Piauí, com boa penetração nos Estados do Ceará e Rio grande do Norte.




    Para o pesquisador José Lopes  que recebeu do Sebrae a missão de pesquisar a origem da bebida, "cajuína é piauiense, e tem origem indígena. Ela é procedente dos grupos indígenas do Nordeste desde o século XIX, e o Piauí foi o Estado em que ela teve maior aceitação e destaque”. José Lopes acrescenta ainda que a cajucultura no Estado está relacionada também ao aspecto social pela geração de emprego e renda para a população rural, principalmente no período da seca.




    De acordo com as pesquisas realizadas pela Universidade Federal do Ceará, a  cajuína é uma rica fonte de vitamina C. Segundo o estudo, em cada 100 ml de cajuína são encontradas 156 mg de vitamina C, teor três vezes maior do que é apresentado na mesma quantidade do suco de laranja. A bebida não contém aditivos químicos artificiais em sua composição e produção. Em média, 200 ml de cajuína tem 62 kcal.





    O suco do caju é a matéria prima para a produção da cajuína, já que nenhum outro item entra em sua composição natural. A bebida  é obtida através dos seguintes processos:
    Extração do suco do caju - Filtração - Adição de gelatina (para a retirada do tanino, a  substância que dá a sensação de "travamento" na garganta - Separação dos taninos e Clarificação

                                   RECEITA DE CAJUÍNA

       


    UMA FORMA  SIMPLES DE FAZER A CAJUÍNA


                 INGREDIENTES               

    • 5 Kg de caju
    • Gelatina em pó branca ( sem sabor)
                                              
                                  PREPARO
    • Dissolva a gelatina em 100mg de água fervente
    • Lave os cajus com água corrente e extraia o suco
    • Coe em peneira grossa para retirar as fibras mais grosseiras
    • Adicione a solução de gelatina ao suco, aos pouco, e deixe em repouso durante cinco minutos.
    • Filtre em panos de algodão ou feltro.
    • Encha as garrafas e feche.
    • Cozinhe em banho-maria por 30 minutos, contados após o início da fervura.
    • Resfrie as garrafas em água corrente, dentro do próprio recipiente do cozimento.
    • Armazene em lugar fresco e arejado.






    O modo artesanal de produzir a cajuína é considerado como de relevante interesse cultural para o Piauí desde 2008. O reconhecimento foi resultado da atuação da Fundação Cultural do Piauí (Fundac), que realizou - em parceria com o Emater (Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural) – um trabalho de documentação e pesquisa sobre a bebida piauiense. O registro foi enviado ao Ministério da Cultura (MinC), para que a cajuína também se torne um Patrimônio Cultural Brasileiro.






    De acordo com os indicadores da Cajuespi (Cooperativa dos Produtores de Cajuína do Estado do Piauí), o Piauí produz uma média de 4,6 milhões de garrafas de cajuína por ano. As principais áreas destinadas ao cultivo do caju ficam localizadas nas cidades de São Raimundo Nonato, Picos e Paulistana. A Cajuespi estima em cerca de três mil produtores de cajuína no Estado. A bebida é exportada para todo Brasil.




    A CAJUÍNA DE CAETANO VELOSO



    LETRA DA MÚSICA CAJUÍNA


    “A cajuína cristalina em Teresina...” Os versos do cantor Caetano Veloso na música Cajuína ecoam no imaginário local, e tornou a bebida mais conhecida no país. Mas não se trata de  uma homenagem a Teresina, como muitos pensam.- "e éramos olharmo-nos intacta retina/ A cajuína cristalina em Teresina". A letra fala de questões transcendentais: Existirmos, a que será que se destina? É verdade que os primeiros versos dessa música, nasceram em Teresiana, na casa do Dr, Heli, entre antigas fotos de Torquato Neto, poeta piauiense e amigo de Caetano



    CAETANO E TORQUATO NETO


    Em Teresina no fim da década de 70, o cantor Caetano Veloso encontrou o pai do poeta Torquato Neto, que havia se suicidado alguns anos antes. “Na época do acontecido, me senti um tanto amargo e triste, mas pouco sentimental. Quando encontrei doutor Heli, que sempre foi uma pessoa adorável, parecidíssimo com Torquato, essa dureza amarga se desfez. E eu chorei durante horas, sem parar”, relatou Caetano no livro Verdade Tropical.



    CAETANO  E A  CAPA DO LP CINEMA TRANSCENDENTAL 



    O jornalista, poeta e escritor piauiense Paulo José Cunha, sobrinho do Dr. Heli Nunes, pai de Torquato Neto conta com mais detalhes como se deu esse encontro na casa do pai de Torquato Neto, que levou Caetano a compor Cajuína, gravada em 1979, no álbum Cinema Transcendental:
    "Caetano havia chegado a Teresina para um show, estava muito triste. Retornava pela primeira vez à cidade onde havia nascido um dos seus principais parceiros na Tropicália e seu grande amigo, o poeta Torquato Neto, meu primo que havia se suicidado em 1972. Caetano procurou Tio Heli, pai de Torquato. Já se conheciam do tempo em que Tio Heli ia a Salvador ver Torquato, que estudava na mesma escola de Caetano. Levou Caetano pra casa, serviu-lhe uma cajuína, e procurou consolá-lo, pois Caetano chorava muito, convulsivamente, Em determinado instante, Tio Heli saiu da sala e foi até o jardim, onde colheu uma rosa-menina, que deu pra Caetano. 
    “Pois quando tu me deste a rosa pequenina / Vi que és um homem lindo e que se acaso a sina / Do menino infeliz não se nos ilumina / Tampouco turva-se a lágrima nordestina / Apenas a matéria vida era tão fina”...




    CAETANO NO PROGRAMA ALTAS HORAS




    FONTES:

    • EMBRAPA
    • SEBRAE - Meio Norte / Piaui
    • Pesquisas Google - Sites:



    1. www.meionorte.com/.../cajuina-do-piaui-o-sabor-do-piaui - Juarez Oliceira e Sávia barreto - Faces do Piaui: o sabor piauiense com gosto de caju
    2. www.almanaquebrasil.com.br - Almanaque Brasil: Baião sobre Torquato Neto brotou choro de Caetano- Escrito por Natália Pesciotta.



    FOTOS:
    • Imagens Google
    • Acervo do Jornal Meio Norte - Piaui
    • Edição de Fotos: Site Pic Monkey

    VÍDEO:

    • Caetano no Programa Altas Horas - Postado no You Tube poe "mardosom em 18/01/2009.