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Barra de Punaú - por Arilza Soares
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terça-feira, 5 de março de 2013

REDES - NO DOCE EMBALO DA VIDA!






"Tu embalaste, em eras transmontadas, frutos, inda imaturos, de três raças!" 
                                                           (Jayme dos G. Wanderley)



Ela não só embalou muita gente, como foi berço de tantas outras, inclusive  o meu! Não lembro de nenhum outro objeto ou utensílio doméstico que esteja tão enraizado na minha vida como a rede. Nela acalentei meus sonhos, dividi minhas tristezas, cantei minhas mágoas e alegrias. Não consigo viver sem uma rede por perto. É o meu refúgio preferido pra tudo, principalmente pra descansar o corpo cansado do dia a dia. Também não consigo imaginar uma casa, uma varanda sem uma rede - tenho várias! E mesmo morando em apartamento sempre encontro um espaço ter uma ao meu dispor para que eu possa continuar vivendo nesse doce embalo! 






"O leito obriga-nos a tomar seu costume, ajeitando-se nele, procurando o repouso numa sucessão de posições. A rede toma o nosso feito, contamina-se com os nossos hábitos, repete, dócil e macia a forma do nosso corpo. A cama é hirta, parada, definitiva. A rede é acolhedora, compreensiva, coleante, acompanha, tépida e brandamente, todos os caprichos da nossa fadiga e as novidades imprevistas do nosso sossego. Desloca-se, incessantemente renovada, à solicitação física do cansaço. Entre ela e a cama, há a distância da solidariedade à resignação".
            Câmara Cascudo no seu ensaio "Rede de Dormir" 



A ORIGEM DO NOME





Quando Colombo descobriu a América, a "hamaca" como era conhecida a rede, já reinava no México, nas ilhas do Caribe, no Paraguai, na Colômbia. No Brasil os nossos índios chamavam de "ini".






A palavra rede foi empregada pela primeira vez pelo escrivão da frota de Pedro Alvares Cabral — Pero Vaz de Caminha, em carta à Portugal, onde descrevendo a povoação dos Tupiniquins, seus hábitos e costumes daqueles indígenas, escrevia: 
(...) eram de madeira, e das ilhargas de tábuas, e cobertas de palha, de razoável altura; e todas de um só espaço, sem repartição alguma, tinham de dentro muitos esteios; e de esteio a esteio uma rede atada com cabos em cada esteio, altas, em que dormiam. 



            REDE UM IMPORTANTE LEGADO
                                 INDÍGENA    





Por mais de quatro séculos, a rede foi um elemento presente e indispensável na vida dos brasileiros e de suma importância para a sociedade  nos primeiros anos do descobrimento e durante toda a época colonial. O europeu recém-chegado ao Brasil aceitou o costume indígena sem relutância. A presença de redes de dormir ou descansar era comum em quase todas as habitações da época.
Os negros de senzala nunca se adaptaram à rede, dormiam no chão. Senhoras brancas tentavam convencer a negra a usar a rede, principalmente após a maternidade, quando a usavam desde meninos, mas os negros resistiam.Era comum dizer-se que "negro que não zela sua rede, não zela seu amo", além disso acreditava-se que o uso da rede amansava o escravo.




Meio século depois do descobrimento a rede já era usada por colono agricultor e pela maior parte dos jesuítas. No Brasil Colonial a rede foi muito usada também como meio de transporte para longas viagens. Eram colocadas nos ombros dos escravos que a sustentavam, por meio de uma vara. Este tipo de rede era chamada de serpentina.
Fácil de serem transportadas as redes foram cada vez mais usadas nas vilas, povoados e engenhos de  de açúcar. Bastava enrolá-las e colocá-las  às costas, visto que as camas de madeira eram mais pesadas e até então não eram fabricadas no Brasil.
Nas áreas mais pobres da região Nordeste, era costume o morto ser transportado em redes, então chamadas de rede de defunto.


A CONFECÇÃO DAS REDES 






As redes eram feitas, inicialmente, pelas mulheres indígenas -  tecidas em cipó e lianas bem  resistentes, de fiação simples e malhas grandes que faziam lembrar a rede de pescar. As mulheres dos colonos portugueses adaptaram a técnica indígena passando a fazer redes em tecido compacto, substituindo assim o tucum pelo algodão. A vinda dos teares (aparelhos para tecer) possibilitou a confecção de tecidos mais compactos, de redes com franjas, varandas, tornando-as mais confortáveis e ornamentais.


REDES INDÍGENAS





  1.  Detalhe da rede de buriti feita por  índios Waurá
  2.  Detalhe da rede de fibra feita por índios Tikuna
  3.  Detalhe da rede de algodão feita por índios Pareci
  4.  Detalhe da rede de algodão feita por índios Kayabi
  5.  Detalhe da rede de algodão feita por índios Yudjá
  6.  Detalhe da rede de algodão feita por índios Kaxinawá
  7.  Detalhe da rede de tucum feita por  índios Tikuna






  1. Rede feita por índios Parakanã
  2. Rede de fibra de tucum feita por índios Tikuna 
  3. Rede de fibra de buriti e  linha de algodão feita por índios Yawalapiti
  4. Rede de fibra de buriti e linha de algodão feita por índios Kuikuro
  5. Rede feita por índios Tikuna
  6. Rede de fibra de tucum feita por índios Tukuna
  7. Rede feita por índios Waimiri Atroari


COMPOSIÇÃO DE UMA REDE

1 - O TECIDO



2 - AS VARANDAS


3 - OS PUNHOS



4 - O PROTETOR DO PUNHO




A REDE USADA COMO OBJETO DE DECORAÇÃO




Nos grandes centros urbanos a rede é mais um objeto de decoração de residências e serve como ponto de referência aos costumes regionais. São armadas em terraços, alpendres e varandas de casas e apartamentos, casas de praia e de campo, geralmente para descansar, mas quase nunca para dormir à noite.




É na indústria particular que se tecem as redes de encomenda de feitura bem cuidada , bordadas em relevo, franjadas de crochê ou macramê. São obras primas de paciência e acabamento primoroso. O artesanato é o produtor e mantenedor destas redes, chamadas redes de presente.


NOVAS TENDÊNCIAS DA DECORAÇÃO INSPIRADAS NAS REDES



REDES CADEIRAS


MÓVEIS SUSPENSOS


DICAS IMPORTANTES 


1 - SOBRE A INSTALAÇÃO DOS ARMADORES




Os armadores podem ser instalados tanto em paredes opostas, uma de frente  pra outra, como também em paredes vizinhas, uma ao lado da outa, desde que faça um ângulo de pelo menos 90 graus.
As redes deverão ficar armadas mantendo uma distância aproximada de mais ou menos 3,75 m, entre os armada, a uma altura mediana de 2,00 m do solo, de forma que depois de estendida ela forme um arco distando 0,50 cm do chão.
Nem sempre o tamanho da rede é compatível com a distância necessária entre os ganchos. Para garantir o uso adequado da rede, é preciso seguir as recomendações. Elas são importantes pois, se instalados de forma muito diferente do recomendado a rede perde o que ela tem de melhor a oferecer - a sensação de conforto.





Para maior segurança dê preferência aos armadores de rede que sejam chumbados na parede. Os que são apenas aparafusados são menos resistentes. Há também, no mercado, uma variedade de suportes para redes, de madeira, ferro ou aço, que podem ser colocados em terraços, jardins ou outro lugar ao ar livre.



2 - SOBRE O TAMANHO DA REDE E O ESPAÇO 

O NÓ TRADICIONAL E O ANJO DE REDE



Há alguns recursos para adequar as medidas da rede ao local onde se pretende instalá-la. O mais popular, quando se quer reduzir o tamanho da rede  é  o "nó" que de maneira nenhuma deve ser o "nó cego", pois esse além de danificar os punhos, deixa a rede torta, causando desconforto para quem a usa.
Um produto criado pelo designer Jorge Sá tem feito sucesso entre os cearenses - o Anjo de Rede. O designer resolveu investir em um produto para evitar  os famosos "nós" e diminuir as cordas da rede sem problemas, deixando os punhos presos evitando também que a rede fique torta.






Mas, se o que se pretende é aumentar o tamanho, uma variedade de recursos podem ser usados, desde o uso de cordas muito comum no interior do Nordeste  ao uso de correntes,  molas, prolongadores e extensores, todos disponíveis à venda no mercado.



DANDO UM NÓ NA REDE 




3 - SOBRE A LAVAGEM DAS REDES 





É recomendado não utilizar a máquina de lavar. O efeito centrífuga aumenta o atrito das peças entre si, ocasionando desbotamento e desgaste do tecido. No caso das redes, podem danificar as varandas e puir os punhos.
Dê preferência a sabão neutro como o de coco ou o de lanolina. O uso do sabão em pó ou em pedra tradicionais podem provocar manchas em peças com tingimento artesanal.
Lave as peças de cores escuras ou com peças contrastantes com água em abundância, para garantir a eliminação de excesso de corantes que se desprendem naturalmente nas primeiras lavagens. Não é aconselhável deixá-las de molho por tempo prolongado e recomenda-se extrair o máximo de água após o último enxágue.
Vale lembrar que as peças listradas devem ser estendidas nos varais  com as listras no sentido vertical para evitar migração das cores mais escuras para as mais claras durante a secagem.




FONTES:


  • Luis da Câmara Cascudo - Rede de Dormir: Uma Pesquisa Etnográfica Editora Global - São Paulo - 2003
  • Luis da Câmara Cascudo - Dicionário do Folclore Brasileiro - Ediouro Publicações /S.A -São Paulo
  • Enciclopédia Mirador - Rede de dormir- São Paulo - 1995
  • Andrade, Maria do Carmo. Rede de dormir. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em:http//basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar
  • www.assimsefaz.com.br/sabercomo/Como tecer rede de dormir 
  • www.redesvitorias.com - Redes Vitória / Artesanato do Brasil
  • www.land.com.art.br landé - Rede de Dormir Samka / Índios braileiros.
  • http://nataldeontem.blogspot.com/2009/03/rede-de-dormir.html


FOTOS:
  • Imagens Google
  • Edição de Fotos: Site Scrapee.Net

VÍDEO:
  • Nó de Rede - Postado no You Tube por George Leandro em 07 / 09 / 2011


segunda-feira, 17 de setembro de 2012

DO LAMBEDOR ÀS GARRAFADAS - O PODER MEDICINAL DAS PLANTAS DA CAATINGA!






Mastruz com Leite, Lambedor de Hortelã-da-Folha-Larga, Chá de Capim Santo, de Cidreira, de Boldo, de Quebra-Pedra, são remédios caseiros que fizeram parte da minha infância no Nordeste. No quintal da casa da minha mãe nunca faltou essas ervas, que ela cultiva até hoje com o maior carinho. Acho que é por isso que tenho mania de chás, e estou sempre recorrendo a eles quando estou com alguma indisposição física.
A Medicina Popular sempre me interessou. Pesquisar sobre as Ervas Medicinais da Caatinga foi muito prazeroso e mudou o meu olhar sobre as nossas plantas; me fez mais consciente da importância de lutar para a preservação dessa Flora tão rica, mas  pouco cuidada ,do nosso Bioma.







O comércio de ervas nas ruas, nas feiras livres e os mercados regionais constituem um espaço privilegiado de expressão da cultura de um povo. Nas regiões mais pobres do país e até mesmo nas grandes cidades brasileiras, é lá que plantas medicinais são comercializadas, mas essas plantas podem ser  encontradas e cultivadas nos quintais das casas,  pois elas representam, muitas vezes, o único recurso terapêutico de muitas comunidades.


 O USO PLANTAS MEDICINAIS 


 A utilização de plantas medicinais pelo homem é relatada desde a pré-história. Na caatinga nordestina estas plantas são amplamente utilizadas na medicina popular pelas comunidades locais. O homem sertanejo possui um vasto conhecimento dos recursos terapêuticos de boa parte dos vegetais encontrados. Ele sabe como ninguém,  como onde encontrar a planta, qual a parte que deve ser utilizada  e  principalmente o modo de preparar das espécies nativas, seja sob a forma de chá, lambedor ( xarope caseiro), caldo,  pomadas, tintura,  garrafada, inalação, gargarejo ou compressas.      
   OS RAIZEIROS


 “Para males do espírito só Deus cura, mas para todo o resto, temos ervas” (Sueli Campos-vendedora do Mercado Albano Franco em Aracaju/SE)


A figura do raizeiro, pessoa já consagrada pela cultura popular, garante o conhecimento sobre o preparo, indicação e comercialização de plantas medicinais. Os produtos comercializados pelos raizeiros são cascas, raízes, folhas, frutos e sementes que  armazenam no próprio local de trabalho (barraca), em caixas de papelão ou em sacos colocados no chão. Na barraca onde vendem as plantas, quando encerra o expediente, eles cobrem os produtos  com uma  lona de plástico e amarram. As condições sanitárias de manutenção e estocagem dos produtos comercializados mostraram-se bem precárias.


GARRAFADAS: MALES PARA TODAS AS CURAS





De todos os produtos da medicina popular um chama a atenção: as garrafadas! Tem garrafada praticamente pra tudo, com indicações quase mágicas para todos os males. Garrafadas são produtos  produzidos pela maceração de plantas medicinais em cachaça ou vinho branco. Na composição das garrafadas são utilizados frutos, folhas, cascas, raízes e flores, verdes ou secos. No preparo da garrafadas à base de água, esta é fervida com as  ervas; quando preparada com a cachaça, toda a composição fica algum tempo em infusão; no vinho, também é posta em infusão, havendo os  que deixam a composição enterrada na lama, por alguns dias, por considerarem a temperatura mais adequada.



VÍDEO 1 - GARRAFADA
PESQUISA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS



Sua comercialização e uso compõem o repertório de medicamentos populares presentes em diversas regiões do país e podem ser encontradas em feiras, casas de ervas, barracas de ambulantes, comercializadas por raizeiros e até produzidas por familiares e amigos. Os  raizeiros, receitam as garrafadas para os mais diversos tratamentos. Um exemplo disso são as famosas garrafadas de avelós ou de babosa para tratamento do câncer e as garrafadas de Viagra, produtos estes que ainda não têm comprovação científica, mas que são encontrados facilmente em todos os confins do Nordeste.
VÍDEO 2 - 
VENDEDOR DE GARRAFADA NO CEARÁ


LAMBEDOR - O PODEROSO
XAROPE CASEIRO




Outro  medicamentos muito usado  a medicina popular é o Lambedor. Estes xaropes caseiros são ervas cozidas preparadas com muito açúcar, rapadura ou mel, e utilizados geralmente para o tratamento de dores de garganta, tosse e bronquite. Os lambedores apresentam uma grande importância para a população devido seu fácil preparo e a eficácia no tratamento. Geralmente é feito a partir de plantas propícias para problemas respiratórios, como a hortelã da folha larga,  o alecrim-pimenta e a malva entre outras. Em alguns mercados e feiras nordestinas é possível encontrar o lambedor já pronto.


ALGUMAS PLANTAS MEDICINAIS DA CAATINGA E SUAS INDICAÇÕES





Folhas e casca de Aroeira - Inflamação
Casca de Araticunzeiro -  Próstata 
Folhas de Boldo - Problemas Estomacais
Fruto da Cabacinha -  Sinusite e Abortivo 
Casca da Faveleira -  Intestino e Fígado
Fruto e Raiz da Batata de Purga - Laxante, Gripe e Vermes.



 

Folha e casca do Mulungu - Nervos, Insônia, Dores de Cabeça, Pressão Alta.
Frutos do Pau Ferro - Gripe, Asma e Anemia
Flor e semente de Marcela -  Problemas Estomacais
Casca do Barbatimão - Inflamação, Gastrite 
Casca de Pimenta de macaco -  Dores 
Casca da Jurema preta -  cicatrizante


 

Flor da Craibeira - Dentição 
Folha e Casca da Carqueja - Colesterol
Casca do Pau de leite -  Infertilidade Feminina, Inflamação.
Casca de Mororó - Diabetes e Colesterol 
Folha de Orelha de Onça - asma
Aveloz 


 

Flor da Catingueira - Útero, Ovário e Próstata
Folhas de Alecrim-Pimenta - Inflamação na Garganta - Pano Branco - Impigem.
Casca da Catuaba - Impotência Sexual 
Cascas de Umburana de Cheiro - Problemas Estomacais, Pressão Alta e Gripe. 
Casca da Quixabeira - Rins, Inflamação
Casca da Ameixa - Inflamação, dores 








O poder medicinal de algumas plantas encontradas na Caatinga, tem provocado a extração descontrolada de algumas espécies. A retirada pode causar a extinção de espécies como a Umburana, muito conhecida e considerada um dos símbolos do Sertão.
A umburana de Cheiro  é muito procurada por ter grande efeito anti-inflamatório, antioxidante e broncodilatador, indicada para as afecções pulmonares, asma, astenia, bronquite, cólicas intestinais e uterinas, febre, gripe, hemorragias, inflamação. resfriado e tosse.
Além da semente, a casca é também muito usada,por isso é muito comum encontrar árvores sem casca, o que faz com que a planta morra. Atualmente a Embrapa está com um projeto para diminuir o risco de extinção  da Umburana.


Alertas Sobre o  Uso de Plantas e Ervas Medicinais:


1 - As plantas e ervas medicinais, mesmo sendo medicamentos naturais, podem intoxicar, cegar, provocar coma e até matar!
2 - Todas as plantas têm mais de um princípio ativo. Algum dos princípios ativos pode ser contra indicado para o usuário.
3 - As informações deste site têm apenas os fins educacional, de pesquisa e de informação. Elas não devem ser usadas para diagnosticar, tratar, curar, mitigar ou prevenir qualquer doença muito menos substituir cuidados médicos adequados.
4 - Consulte sempre um especialista!
5 - Tome cuidado especial ao manusear ervas e as mantenha longe das crianças.



FONTES:

  • Revista Brasileira de Biociências- Os raizeiros e a comercialização de plantas medicinais em São Miguel, Rio Grande do Norte, Brasil.
  • http:/saude.abril.com.br/edicoes/0329/medicina/plantas-curam-604100.
  • http:/ empautafs.wordpress.com/.../a-cura-do-corpo-e-da-alma - Texto deDaniela lapa - A cura do corpo e da alma através de ervas medicinais.
  • II Congresso de Pesquisa e Inovação da Rede Norte Nordeste de Educação Tecnológica-João Pessoa - PB - 2007.
  • plantas da Caatinga de uso terapeutico: Levantamento Etnobotânico- Erbs Cintra de Sousa Gomes -Jusciélio Barbosa-Flavia Cartaxo Ramalho Vilar-Jane Oliveira Perwz - Ricardo Cartaxo Ramalho.
  • Curare - Ciências das Plantas Medicinais - Coletivo de Pesquisadores de Plantas Medicinais - Crônica da Farmacovigilância - Julino Soares.


FOTOS:
  • Imagens Google
  • Edição de Fotos -Site Pic Monkey

VÍDEOS:
  1. Garrafada: pesquisa da Universidade Federal de Alagoas - Postado no You Tube por "chrischrisduart" em 22/05/2009
  2. Garrafadas de Ervas Medicinais- Raizeiro vendedorno Ceará´postado no You Tube por " heddye" em 19/08/2007.              







segunda-feira, 14 de maio de 2012

NORTE-RIOGRANDENSES : PAPA- JERIMUNS COM MUITO ORGULHO!




"Papa - jerimum com muito orgulho!" É assim que sempre me identifico. As pessoas por aqui estão sempre me perguntando por que ganhamos esse apelido gentílico. Decidi então pesquisar essa origem mas confesso que não encontrei nada muito esclarecedor. A melhor explicação foi dada pelo nosso grande historiador Câmara Cascudo com a qual fundamento a minha postagem. Me diverti bastante  lendo Cleudo Freire no sue livro  "Papo Jerimum" onde ele esclarece: "O apelido papa jerimum, dado aos norte-riograndenses, vem de uma suposição que um tal presidente da província, num momento de grande aperreio, haveria pago ao funcionalismo público com jerimuns. Bem, eu não acredito em moeda-jerimum, mas que ele existe, existe!"






Na verdade não se sabe ao certo a origem do apelido "papa-jerimum" dado aos norte-riodrandenses. Apenas uma suposição baseada na tradição oral, já que não existe documentos que registre o fato. Câmara Cascudo, no seu Dicionário do Folclore Brasileiro, diz que o nome fundamenta-se numa tradição de que o governador da Capitania do Rio Grande do Norte, nos anos de 1802 a 1806, Lopo Joaquim de Almeida Henriques, mandou fazer roçados de mandioca e melancia e que "possivemente" com elas pagara o funcionário publico. Para Cascudo não existe documento que fale nesse pagamento e em  momento algum se faz referência aos famosos jerimuns.


                          


Uma outra explicação encontrada no  "Livro Arte e rituais do fazer, do servir e de comer no Rio Grande do Norte"  fala de uma coluna publicada no Jornal Diário de Natal em 1906. Na coluna intitulada "De meu Canto" o autor sob o pseudônimo "Neto" publicou a pretensão do então governador Pedro Velho de pagar aos funcionários com os salários em atraso, com jerimuns, fazendo alusão ao presidente de província  Lopo Joaquim .



COMEDOR DE JERIMUM




Originária da América Central, a abóbora junto com o feijão e o milho compôs a base da alimentação das civilizações incas, maias e astecas tendo chegado à Europa com os conquistadores espanhóis depois de 1532. Chegou ao Brasil com os portugueses, e no Nordeste possivelmente chegou junto com os  portugueses da Região do Minho - o que explica a origem da palavra entre nós. Somente na Região do Minho em Portugal se conhece a Palavra "jerimu" como sinônimo de "abóbora-menina".
A grande  oferta dessa curcubitácea no nosso estado nos faz também "comedor de jerimum" ou de  "Yurumu" como os indíos chamavam essa legumonosa.



FONTES:
  • Dicionário do Folclore Brasileiro - Luis da Câmara Cascudo - Ediouro Publicações-RJ
  • Papo Jerimum -Dicionário Rimado de Termos Populares- Cleudo Freire - Editora Sebo Vermelho - Natal/RN-2006
  • Livro Arte e rituais do fazer, do servir e do comer no RN - Editado pelo SENAC/Nacional
  • Pesquisas Web-http:/www.ccsa.ufrn.br/5sel/v2/conhecanatal_informe.php
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  • Imagens Google
  • Edição de Fotos: Scrapee.Net / PicMonkey



terça-feira, 6 de março de 2012

FEIRINHA DE PIUM: A COR, O AROMA E O SABOR DO NOSSO NORDESTE




É quase  impossível ir na Rota do Sol, chegar em Pium e não se sentir atraído por essa feirinha. As cores, o cheiro, o sabor das frutas é um convite ao consumo.Com tanto tempo morando fora de Natal, a feirinha de Pium é um deleite para meus os olhos e para as minhas papilas gustativas.Fico atordoada! Quero comprar de tudo e nem sei bem por onde começar: Pitombas, seriguelas, cajás. cajús, graviolas, mangabas, mangas, tem sempre em abundância durante o verão. E para que a minha alegria se estenda semana afora, encho a mala do carro de frutas, macaxeira, feijão verde e outras milongas mais. Chego ao meu destino feliz da vida quase sempre saboreando um bom cacho de pitomba.




Para quem não conhece Natal, a Rota do Sol é belo caminho que nos leva às praias do litoral Sul: Cotovelo, Pirangi, Búzios, Tabatinga...e o Vale do Pium fica localizando, um pouco antes da entrada para a Praia de Pirangi.Portanto quem se dirige a essas praias, passa sempre pela feirinha.Vale a pena  parar  nem que seja para sentir o aroma das frutas e se  hidratar com uma deliciosa água de coco bem geladinha. 



A Feirinha ganhou fama e é conhecida internacionalmente, dada a grande quantidade de turistas estrangeiros que já passaram por ela que se extasiam diante do colorido e diversidade das frutas tropicais.Não consegui saber ao certo desde quando a feirinha existe ( fico devendo essa). Há quem diga ter sido fundada em 1970 por Gonçalo Lira - mas não sei ao certo se essa informação procede. De uma coisa eu tenho certeza: há mais de trinta anos que ela se tornou parada obrigatória para quem gosta de se deliciar com as nossas frutas, nossos legumes, nossas verduras. Há mais de trinta anos que a feirinha de Pium exibe o nosso colorido, o nosso cheiro, o nosso genuíno sabor nordestino!


O QUE COMPRAR NA FEIRINHA


1 - FRUTAS

                                       Mangaba- Cajá- Caju-Pitomba-Carambola-Jaca-Manga Espada

                                     Jambos-Tamarindo-Goiaba-Jenipapo-Azeitona Preta-Pitanga-Banana

                                      Melancia-Siriguela-Pinha-Abacaxi-Manga Rosa-Graviola-Coco Verde

2 - LEGUMES E VERDURAS


                                         Pimenta-Pimentão-Quiabo-Couve-Maxixi-Cebolinha-Coco Seco

                                   Cebola Roxa-Tomate Verde-Coentro-Macaxeira-Feijão Verde
                                                                           Fruta Pão-Jerimum

FONTE:

  • Pesquisas Google - Site de Divulgação da Prefeitura de Parnamirim- Natal /RN
FOTOS;

  • Imagens Google
  • Acervo pessoal - Arilza Pereira
  • Edição e montagens das fotos: Programa Pic-Nic -Yahoo-BR