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Barra de Punaú - por Arilza Soares
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quinta-feira, 18 de julho de 2013

GUAMARÉ - A DESLUMBRANTE BELEZA NATURAL DESSE PEQUENO MUNICÍPIO DO RIO GRANDE DO NORTE






Uma natureza exuberante. Praias paradísícas. Manguezais preservados ao longo de dois  rios tranquilos, com fauna e flora proporcionando cenários encantadores. Dunas e lagoas com trilhas ecológicas naturais para serem apreciadas. Assim é Guamaré! Uma cidade com um grande potencial turístico que, malgrado a falta de estrutura, vale a pena conhecer. A presença dos Parques Eólicos, modificou o cenário natural, mas não sua beleza. A Petrobrás está presente com a Refinaria Clara Camarão, e é responsável pela renda per capita desse município, a maior do estado. O que entristece é comprovar de perto que uma cidade tão rica e tão bonita, seja tão abandonada pelos seus gestores. Dinheiro não falta aos cofres públicos para se investir nessa cidade e transformá-la num dos maiores polos turísticos desse país. Falta vontade política. O resto Guamaré tem!



A ORIGEM DO NOME




Para Câmara Cascudo o topônimo Guamaré é conhecido desde princípios do século XVII. 
O nome Guamaré - da junção dos dois vocábulos "àgua maré" se justifica em razão de sua localização às margens dos rios Miassaba e Aratuá.


GUAMARÉ O MUNICÍPIO








Guamaré é um pequeno município do estado do Rio Grande do Norte localizado na  Central Potiguar e pertencente ao chamado ao Pólo Costa Branca. Com uma área de 278,6 km², tem sua Sede banhada pelos rios Aratuá, Miassaba e Camurupim. Possui praias banhadas pelo oceano Atlântico e as ilhas: Presídio (Oceânica e fluvial), Casqueira (fluvial) e Ema (fluvial), e as lagoas:Doce, Salgada, Cajarana, Miassaba, Seca e Baixo.
Distante  170 km de Natal, Guamaré limita-se ao norte com o Oceano Atlântico. ao sul com o  município de Pedro Avelino, a leste com o município de Galinhos e a oeste com o município de Macau.



HISTÓRIA  POLÍTICA DO MUNICÍPIO




A História do Município remonta ao século XV, mais precisamente em 1605, quando o capitão Pero Coelho, aportou com a sua família e soldados, sobreviventes da tentativa frustrada de colonizar o Ceará. Salvaram-se  da fome comendo aratus e bebendo água do rio. Já no ano de 1612, encontrava-se registro da localidade de Guamaré no mapa de João Teixeira. 
Guamaré já pertenceu a município de Assú, passando por Angicos em 1833, de quem foi Distrito da Paz em 1834, com a população de 201 habitantes. Em 1847 pertencia ao território de Macau, onde permaneceu mesmo quando houve a restauração de Angicos em 1850. 




Solenidade no dia da Emancipação Política



Em 6 de setembro de 1837, os moradores de Guamaré enviaram à Assembléia legislativa uma petição pleiteando a criação da Vila Imperial de Guamaré e respectiva freguesia. A comissão deu parecer contrário por ser um lugar pouco povoado.
A tão sonhada emancipação só veio muito tempo depois, em 7 de maio de 1962, através da Lei n° 2.744, quando foi desmembrado de Macau, tornando-se um novo município do Rio Grande do Norte.




A IGREJA DE NOSSA SENHORA
 DA CONCEIÇÃO





Em 1783, o português Francisco dos Santos, morador de Caiçaras, construiu a Capela de Nossa Senhora da Conceição em gratidão por ter conseguido salvar-se com a sua tripulação, de uma tempestade, aportando em Guamaré







No ano de 1783, durante a construção da capela de Nossa Senhora da Conceição, uma pequena imagem de Nossa Senhora da Conceição,  feita de marfim,  surgiu inesperadamente sobre o altar construído, e ficou conhecida como a "Primeira Santa de Guamaré". Anos mais tade, a capela passou por uma reforma e a imagem foi levada para um a residência localizada nas proximidades. Reza a lenda que, antes da reforma ser concluída a imagem da Primeira Santa de Guamaré, retornou sozinha ao seu santuário - ninguém da cidade tomou pra si o transporte da santa para a capela.



A ECONOMIA DO MUNICÍPIO





A economia do Município de Guamaré  que atualmente possui o maior pib per capita do estado, esteve, durante muito tempo, baseada na pesca e na extração do sal. Porém com a descoberta do petróleo em seu litoral em 1975, quando perfurou o primeiro poço na Plataforma de Ubarana  iniciou-se uma nova fase econômica em Guamaré.
Possui uma agricultura basicamente de subsistência e uma pequena atividade pecuária em expressividade, porém destacando-se a criação de ovinos e caprinos.








A Pesca ainda é uma atividade movimentada em Guamaré. Com o apoio da Colônia de Pescadores, o pescado abastece não só o Município de Guamaré, como também é vendido para outros Municípios. Há abundância de mariscos, siris e caranguejos nos rios de Guamaré. A Carcinicultura também é uma atividade em pleno desenvolvimento, tendo em vista que as antigas salinas estão sendo vendidas ou arrendadas, para projetos de criação de camarões em cativeiro.
O comércio local conta com pequenos supermercados, mercearias e feira livre. Quanto aos Serviços, Guamaré dispõe de alguns restaurantes, lanchonetes bares, sorveterias,  pequenas pousadas e  hotéis, com alguns bares na orla marítima.




A REFINARIA CLARA CAMARÃO





A Refinaria Potiguar Clara Camarão (RPCC) é uma das cinco unidades de refino projetadas pela Petrobras visando transformar o Rio Grande do Norte no único estado do país com autossuficiência na produção, ou seja, visando dá ao  Brasil a capacidade excedente de derivados, principalmente óleo diesel de alta qualidade, para exportação. Todo petróleo processado pela refinaria é o produzido no Rio Grande do Norte.






Com capacidade para processar 30 mil barris de petróleo por dia , além da gasolina o Polo  Industrial de Guamaré  produz também  gás liquefeito de petróleo (GLP), conhecido como gás de cozinha, diesel e querosene de aviação (QAV), atualmente produz também gasolina e diesel com qualidade internacional, além de nafta petroquímico.





A produção terrestre teve início em 7 de janeiro de 1983. A presença da Petrobrás em Guamaré foi fator considerável para seu desenvolvimento. Para o Pólo Industrial de Guamaré, converge todo o óleo e gás produzidos na Plataforma Continental do RN e grande parte da produção terrestre. Atualmente mantém uma unidade de processamento de gás natural e uma planta de produção de diesel, o Pólo de Guamaré abastece o RN e parte de outros estados com esses dois combustíveis e gás de cozinha. 




O PARQUE EÓLICO ALEGRIA






O parque eólico Alegria construído no município de Guamaré foi projetado  para gerar  um total de 151,9 MW. Previsto para ser o maior parque eólico do país, abrange uma área de 1.900 hectares na praia do Minhoto, a aproximadamente 170km de Natal. O parque é composto por duas unidades: Alegria I e Alegria II. O empreendimento é uma iniciativa da News Energyu Options Geração de Energia, uma empresa brasileira, controlada pelo grupo Multiner, sediado no Rio de Janeiro.
A localização do parque é altamente estratégica, já que a região apresenta excelente regime de ventos, com média anual de velocidade de 8.5 metros por segundo.










O aerogerador eólico tem peso total de 300 toneladas e sua torre de concreto e aço mede 108 metros de altura.Possui três pás de fibvra de vidro medindo 42 metros cada.


O MELHOR DE GUAMARÉ




Cercada de Dunas, Praias, Marés e Mangues, a natureza faz toda a diferença em Guamaré. Cercada pelos rios Aratuá e Miassaba. a orla dá cidade pode ser apreciada dos dois lados. Banhada também pelas águas do Oceano Atlântico a Praia do Minhoto e o Recanto do Amaro, proporciona bons momentos de lazer. As dunas entrecortadas de lagoas formam um cenário à parte. Mas nem só de natureza vive o povo de Guamaré: os eventos sociais e religiosos dão o clima de festa à cidade e sua rica culinária, baseada nos frutos do mar e dos manguezais, satisfaz ao paladar mais exigente.



A BELEZA DE SUAS ORLAS


1 - A ORLA MARGEANDO O RIO ARATUÁ



2 - A ORLA MARGEANDO O RIO MIASSABA






A PRAIA DO MINHOTO E O RECANTO DO AMARO






A praia do Minhoto em Guamaré é um lugar paradisáco formado por piscinas naturais e dunas brancas. O mar do Minhoto tem águas limpas e bem salinizadas.Algumas barreiras servem de pequenos miradouros. No interior da praia há  uma colônia de pescadores  um parque eólico e criadores de camarão em cativeiro.
O recanto do Amaro, ainda guarda ares da fundação de Guamaré, como a vila de pescadores. Fica localizado em uma enseada que agora é tomado por parques eólicos. O visual paradisíaco da enseada é apreciado apenas pelos pescadores que resistem em algumas poucas casas, chamadas de ranchos, de madeira, a maioria delas com coberturas de palha seca de coqueiro.
No Canto do Amaro,nas poucas barracas rústicas de pescadores existentes na praia,  é possível se encontrar um cardápio simples mas muito saboroso com pratos de camarão, ensopados e caldos de siri, cação, arraia e otros peixes servidos cozidos ou fritos. Tendo sorte de  chegar na época permitida para a pesca, pode-se saborear uma magnífica lagosta.



AS DUNAS DE MANGUE SECO



As dunas de Guamaré formam um cenário à parte. Quem as visita se encanta  com aa paisagens produzidas pela ação dos ventos. Algumas lagoas são encontradas contribuindo ainda mais para embelezar o local. Para quem gosta de espetáculos da Natureza não pode deixar de apreciar o belíssimo pôr do sol das dunas de Mangue Seco.


O PASSEIO DE BARCO PELO RIO ARATUÁ







A maior atração de Guamaré, além da beleza do litoral, é o passeio ecológico pelo manguezal. Isso é possível devido ao braço de rio que permite uma navegação serena, além de oferecer ao visitante uma praia igualmente bela que os nativos chamam-na de “outro lado”, onde só se chega de barco.
Nesse passeio ecológico de barco  pelo rio Aratuá é possível apreciar as belas praias, as torres eólicas, o porto da Petrobrás, entre outras coisas. Pode-se ir até Galinhos no município vizinho, a Ilha Presídio ou optar para ir até o Recanto do Amaro.



AS FESTAS POPULARES E RELIGIOSAS DA CIDADE





Dos eventos  da cidade destacam-se as festas sociais e religiosas tais como: a Festa da Emancipação Política ( 07 de maio), da Vaquejada ( mês de agosto), Festa dos Navegantes ( datas alteradas) a Festa da Padroeira Nossa Senhora da Conceição (08 de dezembro), do Verão Vivo ( no mês de janeiro), o Carnaval, a Paixão de Cristo (Semana Santa) e as Festas Juninas.



FONTES:

  • Aristides Siqueira Neto - História dos Municípios - 2ª Edição - 2011 - Natal / RN
  • Miguel Dantas cavalcanti Neto - Praias Potiguares - Editora Foco / 2001 - Natal / RN
  • Pesquisas Google - Sites:

  1. http://oguamareense,blogspot.com.br/p/historia-de-guamare.html
  2. http://www.ferias.tur.br/informacoes/7179/guamare-rn.html
  3. http://www.guamare.rn.gov.br/turismo.php



FOTOS:



  • Acervo do Vento Nordeste
  • Imagens dis´poníveis no Google
  • Edição de Fotos:
  1. Site Pic Monkey
  2. Programa Scrapee Net                     





quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

A MACAU DO RIO GRANDE DO NORTE- TERRA DO SOL E DO SAL




Nessa terceira postagem sobre Macau vamos falar um pouco sobre a história desse nosso Porto de Ama que já nasceu sob a proteção da Deusa dos Navegantes. E falar do sal - o Sal de Macau - tão intimamente ligado ao desenvolvimento desse município. Não tem quem não se encante com as paisagens dos parques salineiros, com suas monumentais pirâmides cujos cenários até hoje continuam inspirando poetas e artistas e emocionando a quem se dispõe a apreciá-las. Macau é isso: terra de muito sol, de muito sal, de gente simples e  generosa como a sua estonteante   e rica natureza. Macau é terra de sonho - sonho que embala o seu povo de continuar sendo, às  custas  de muito esforço essa grande potência econômica do nosso estado.







O nome Macau é uma corruptela da palavra chinesa A-ma-ngao, que significa “Abrigo ou Porto da Ama” deusa dos navegantes, o que terminou em Amacau ou Macau. Na verdade o nome é uma alusão à pequena cidade da China, na província de Cantão, na época, possessão lusitana.

"A ilha de Macau já possuía esse nome velho em maio de 1797, mas seria povoada apenas na década de 1820. Anteriormente seria deserta, por não ter água. Desde a barra do Rio Mossoró, pelo interior à Pendência, estendia-se vida pastoril, fazendas, criação bovina e equina, roçarias de mandioca. Pelo litoral, pescarias, exportação de peixe seco, carne-de-sol. couros, sal, muito sal, trabalho de homens livres e negros escravos., movimentadas e fartas" Já não mais viviam os indígenas quando a terra povoou com aldeias, movimentadas e fartas." - Câmara Cascudo.



ILHA DE MACAU - RN - FOTO DE GETÚLIO MOURA


O município de Macau no Rio Grande do Norte originou-se de uma sesmaria doada pelo pai de Jerônimo de Albuquerque, possivelmente no princípio do século XVII. A primeira Macau localizada numa ilha a noroeste da Ponta do Tubarão foi explorada pelo sesmeiro Manoel Gonçalves. Dessa ilha  partiam carregamentos de peixes, couro e sal. Nesse período ocorreram saques por parte de embarcações de corsários, o que levou os representantes da Coroa a construírem um fortim para defesa. No ano de 1925, aproximadamente, as águas do Atlântico começaram a invadir a pequena ilha de Manoel Gonçalves, que nesse tempo era habitada por portugueses dedicados á exploração e ao comércio do sal. Em 1829, tornando-se impossível a permanência desses habitantes na ilha, decidiram eles transferir-se para outro local, escolhendo então a ilha de Alagamar, na foz do rio Açu.


A CIDADE DE MACAU EM 1940



Os fundadores do povoado desse novo povoado foram os portugueses capitão Martins Ferreira, quatro genros deste, José Joaquim Fernandes, Manoel José Fernandes, Manoel Antônio Fernandes  e Antônio Joaquim de Souza, além de João Garcia Valadão e o brasileiro João da hora. os habitantes dedicaram-se inteiramente a exploração do sal que ainda hoje é a base da economia do município. Em 1847 a povoação tornou-se uma Vila pela Lei n. 158 de 2/10/1847. Em 1875 foi elevada à categoria de cidade.  A Comarca de Macau foi criada pela Lei Provincial nº 644 de 14 de dezembro de 1871 A partir de então a cidade começou a crescer tendo a sua evolução econômica ligada à exploração das salinas. 


O SAL  DE MACAU 




A primeira referência que se tem sobre o sal no Rio Grande do Norte, encontra-se registrado no documento que Jerônimo de Albuquerque escreveu aos seus filhos Antônio e Mathias, em 20 de agosto de 1605, onde fala de salinas formadas espontaneamente a aproximadamente 40 léguas ao norte o que corresponde hoje as salinas de Macau.
Em 1844, tem-se o registro de setenta e oito barcos carregando 59.895 alqueires de sal, em Macau. No entanto, embora o sal extraído no Rio Grande do Norte fosse superior em qualidade, perdia em rudeza como era produzido, de modo que nos anos seguintes perdia mercado para o sal europeu que era mais barato e melhor preparado. Em 1888 é criado um imposto protecionista para tributar o sal estrangeiro. Dessa forma o sal produzido aqui passa a ser mais competitivo, e isso impulsiona o desenvolvimento da nossa indústria salineira.
Hoje  com uma produção de sal em torno de 4,8 milhões de toneladas produzidas numa área de aproximadamente 40.000 hectares, espalhados entre os municípios de Areia Branca, Galinhos, Grossos, Guamaré, Mossoró e Macau,  a indústria salineira tem um importante papel econômico no estado, sendo o Rio Grande do Norte responsável por mais de 95% da produção de sal brasileira.



O PARQUE SALINEIRO DE MACAU


1 - AS SALINAS ARTESANAIS



NEWTON NAVARRO



O sol constante  dessa região e praticamente dez meses sem chuva, além do mar com alto grau de salinidade torna essa região do Rio Grande do Norte, onde Macau está situada, muito propícia à produção do sal marinho. Desde o o início da fundação de Macau  que as salinas artesanais se espalharam pela região e ainda hoje podem ser vistas nos arredores da cidade. Nelas a extração do sal  ainda é feita com métodos rústicos, quase primitivos e exige muito sacrifício do trabalhador, que sofre com problemas da pele exposta ao sol escaldante, e com os olhos que sentem o reflexo dos raios solares  nos baldes ou montes sal cristalizado.








Nas salinas, os operários executavam todo o serviço anualmente desde a colheita, ate o embarque nas barcaças.O processo de obtenção do sal, nessas salinas  se dá quando inicialmente  a água do mar é represada e impulsionada por moinhos de vento,  vai sendo transferida de um tanque para outro - os cristalizadores ( esses tanques são popularmente conhecidos como "baldes"). Aquecida pelo sol a água vai mudando de cor, fica densa, uma grande espuma se forma, até ser evaporada, restando o sal. Em seguida, com o auxílio de uma espécie de picareta chamada "chibanca", os trabalhadores começam a picar o sal dos baldes. Para esse tipo de trabalho são necessários 10 homens trabalhando 3 semanas para extrair o sal de um único balde.
Quando se inicia a colheita nos cristalizadores o sal é recolhidos de balaios, e levados para o aterro, onde era depositado, formando-se pirâmides. Posteriormente, adotou-se o uso de carrinho de mão em vez do balaio, que diminuiu um pouco o sofrimento desses trabalhadores.O embarque do sal nas barcaças, muitas vezes era feito à noite. O caminho do aterro até a barcaça, era então, iluminado por "piracas", umas lamparinas de maior dimensão. Visto de longe, esse trabalho era um verdadeiro espetáculo noturno.



2 - A MECANIZAÇÃO DAS SALINAS




O processo de produção de sal no Rio Grande do Norte até a metade do século XX era arcaico e antieconômico.Só a privilegiada localização das salinas é que podia sustentar essa manufatura artesanal. Poucos melhoramentos foram feitos e o  sistema produtivo das salinas potiguares trabalhava na dependência da natureza - as marés e os ventos para mover as pás dos moinhos.Além disso  eram os altos custos de carregamento dos navios, transporte e desembarque nos portos do Centro-Sul, mercado consumidor do produto. A situação era delicada. Na visita que vez ao estado, o então Ministro de Minas e Energia, Mário Thibau, declarou que a industria salineira do Rio Grande do Norte poderia sofrer um grande abalo ou mesmo desaparecer, em virtude do seu baixo rendimento econômico, ao lado dos altos custos de carregamento  e transporte. A solução veio com a Mecanização das Salinas e a criação do Porto- Ilha  na vizinha cidade de Areia Branca.
As salinas mecanizadas contam com grupos de bombas para movimentação da água dentro da salina. tratores, colhedeiras, lavador de sal, esteiras transportadoras para movimentação na área de estocagem e embarque, além de outros equipamentos. Graças a essas novas técnicas implantadas  nas empresas do Rio Grande do Norte é que o estado consegue se manter como o maior produtor de sal do país.



A MECANIZAÇÃO DAS SALINAS E O DESEMPREGO

ANTIGO TRABALHADOR DE SALINA 
UMA ESPÉCIE EM EXTINÇÃO


Se por um lado o processo de mecanização das salinas, possibilitou grandes resultados na produção e comércio do sal, colocando o estado do Rio Grande do Norte como o maior estado produtor de sal do país, por outro lado, essa mecanização  provocou um nível absurdo de desemprego. Um pequeno exemplo pode nos dar a ideia de como o efeito modernizador do processo produtivo do sal atingiu os antigos trabalhadores das salinas: a colhedeira mecânica é uma máquina puxada por um trator de esteira que tem como objetivo afofar e colher o sal dentro dos cristalizadores. Essa máquina é controlada por apenas "um operário". Na salina tradicional essa tarefa era feita por aproximadamente "mil" trabalhadores.
Ficaram desempregados quase dez mil trabalhadores, ligadas principalmente ao transporte do sal: arrumadores, alvarengueiros, conferentes etc. "O incrível desemprego provocado por essa mecanização levou esta população, que se viu repentinamente desempregada, a migrar para outros portos do sul ou a simplesmente manter-se nas cidades quase fantasmas, encostados ao INPS ( Professora Clotilde Tavares )




FONTES:


  • Câmara Cascudo -In Nomes da Terra - Editora Sebo Vermelho - Natal-RN - 2ª Edição / 2012 
  • Aristides Siqueira Neto - História dos Municípios  -  2ª Edição - 2001 - Imprensa Oficial do RN
  • Clotide Tavares - O precário equilíbrio, renda e condições de vida no município de Macau - Cadernos Funpec -ano II  -nºs 2 e 3 maio/1983



Pesquisas Google - Sites: 

  1. www2.uol.com.br/omossoroense/.../ Jornal o Mossoroense.  Macau, tradição de sal, sol e carnaval 
  2. www.grandeponto.blogspot.com -  Grande Ponto: O sal de Macau - Texto do Jornalista Alex Gurgel
  3. www.macauemdia.blogspot.com -Macau em dia. 12 lugares para visitar em Macau - Texto do Jornalista Alex Gurgel
  4. www.chaopotiguar.blogspot.com - Chão Potyguar- Macau -Sal, Sol e Carnaval no Porto de Ama - Texto do Jornalista Alex Gurgel
  5. www.samesame.com.br - Sama Same - A Descoberta da Costa do Sal
  6. www.obaudemacau.com - O Baú de Macau - Das últimas salinas artesanais
  7. www.obaudemacau.com - O Baú de Macau - Salinas Mecanizadas
  8. www.obaudemacau.com - O Baú de Macau - Moinho das salinas...
  9. www.obaudemacau.com - O Baú de Macau - Nas salinas de Macau antes das esteiras...



FOTOS:


  • Arquivo fotográfico do Jornalista Alex Gurgel
  • Arquivo fotográfico do Site -o Baú de Macau
  • Imagens Google não identificadas
  • Edição de fotos: Site Pic-Monkey


sábado, 16 de fevereiro de 2013

MACAU/RN - SOL, SAL, ENCANTO E MAGIA DE UMA CIDADE







Impossível não se apaixonar por Macau - basta um olhar mais atento para se encantar com bela natureza dessa ilha privilegiada. Logo na entrada o Catavento Azul - velho guardião da cidade -símbolo de uma época em que reinava absoluto nas salinas artesanais, parece nos dá  boas vindas. Mais adiante o cenário da ponte sobre o rio Piranhas-Açu, enche as nossas retinas de beleza. E o que dizer da imagem da Virgem da Conceição nos recebendo do alto de sua torre? A cidade cercada por ilhas, praias, mangues, gamboas e salinas realmente encanta - é no mínimo emocionante chegar em Macau.



                                                  O MAJESTOSO CATAVENTO



Com essa natureza generosa, a cidade tem muito a oferecer na área de eco-turismo: passeios de barco, mergulho, manguezais, caminhadas ecológicas e passeio nas dunas. Na rica  gastronomia o destaque vai para a culinária marinha com cardápio a base de camarões, lagostas, sururus, ostras, búzios, siris e uma variedade  de peixes para todos os gostos.



A ENTRADA DA CIDADE E A PONTE 
SOBRE O RIO AÇU



Macau é uma cidade alegre e festiva. Prova maior dessa alegria do macauense é o seu Carnaval, considerado o melhor do estado. Outras atividades festivas comprovam essa vocação do poco dessa cidade para grandes eventos:a Festa de São Sebastião, em janeiro; o Festival de Música Carnavalesca em Fevereiro; a Festa das Flores ( que comemora a coroação de Nossa Senhora dos Navegantes), em maio; a Festa de Nossa Senhora dos Navegantes, em agosto, com sua belíssima procissão de barcos; As Festas do Sal e do Reencontro, no mês de setembro, realizada   durante os festejos comemorativos do aniversário da cidade, e a tradicional Festa da Padroeira, Nossa Senhora da Conceição, no mês de dezembro.


CONHECENDO UM POUCO MAIS DA CIDADE DE MACAU


PRÉDIOS, MONUMENTOS  E RUAS DA CIDADE
O CRUZEIRO


O CRUZEIRO DE MACAU





O cruzeiro de Macau é um marco na história da cidade. Foi fincado pelos fiéis  no  local onde começaria a nova cidade, depois que abandonaram a antiga ilha de Manoel e Joaquim, quando essa foi invadida pelas águas do Atlântico,


A IGREJA MATRIZ DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO





A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição tem o mesmo nome da santa que denominava a capela da extinta ilha de Manoel Gonçalves. Com a transferência dos habitantes para a ilha de macau, por volta de 1825, construiu-se uma capelinha que permaneceu até 1838. Em seu lugar , ergueu-se a igreja atual ( entre 1838/1854), que ainda mantem suas linhas originais em estilo gótico e barroco. A imagem barroca da padroeira é do século XVII, vinda da Itália.


A PRAÇA DA CONCEIÇÃO E O OBELISCO DA INDEPENDÊNCIA




A Praça da Conceição foi inaugurada no início dos anos 20, na gestão do Presidente da Intendência do Município, o Coronel João Gonçalves de Melo. No centro da praça foi colocado o Obelisco para comemorar o primeiro centenário da Independência do Brasil. 


O MUSEU DO CARNAVAL

O CARNAVALESCO CHIQUINHO CATAPIRRA


O Museu Carnavalesco Colô Santana surgiu com o propósito de resgatar e preservar a história do carnaval de Macau, com mais de mil peças no seu acervo entre fotos, fantasias, adereços e troféus. Fundado em 25/05/2000, recebeu o nome de Colô  Santana em homenagem a mais antiga carnavalesca da cidade.Atualmente o museu funciona numa garagem, localizado próximo ao Mercado Público e tem como responsável Chiquinho Catapirra.


O MUSEU JOSÉ ELVIRO




O museu José Elviro, localizado no centro da cidade e funciona na precária  edificação que foi sede da antiga companhia de Navegação, na rua Augusto Severo. Possui um acervo de aproximadamente 6.000 peças. Parte da história de Macau , entre objetos como louças, oratórios pertencentes as antigas famílias,  fósseis milenares, ferros de escravos e documentos que contam a história do município, podem ser encontrados no grande galpão onde funciona o museu. Vale a pena ir até o museu e conhecer um pouco da história do Rio Grande do Norte, e apreciar os  objetos  colecionados por João de Augino  há mais de cinquenta anos.


AS PRINCIPAIS FESTAS DA CIDADE


1 - A FESTA DO SAL E O ANIVERSÁRIO DA CIDADE




Na Festa do Sal  várias atrações são programadas para acontecer no Largo Cultural, no início do mês de setembro, data, em que os macauenses comemoram sua emancipação política. O evento geralmente começa com o hasteamento da Bandeira ao som da alvorada executada pela orquestra Filarmônica da cidade. Outras atrações culturais são destaque como Shows de grupos musicais de renome , Desfile Cívico, Feiras de Negócios etc. A Festa do Reencontro também faz parte  das atrações para comemorar o aniversário da cidade.



2 - A FESTA DO REENCONTRO




A "Festa do Reencontro de Macauenses" é um grande evento na cidade. Seus  organizadores estimam o comparecimento médio de três mil pessoas que podem desfrutar de inúmeras atrações desde Exposições, apresentações  de Cordelistas, Poetas e Shows com artistas da terra e outros convidados. O prazer de encontrar velhos amigos e matar a saudade dos bons momentos vivenciados  na cidade faz da festa do Reencontro um evento com gosto de "ano que vem tem mais"



 3 - A FESTA DE NOSSA SENHORA DOS NAVEGANTES




O dia dedicado a Nossa Senhora dos Navegantes, padroeira dos marítimos é bastante festejado pelos fiéis católicos macauenses e é marcado pela realização das tradicionais procissões marítima e terrestre.



4 - A FESTA DA PADROEIRA - NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO



As comemorações da Festa da Padroeira da Cidade, Nossa Senhora da Conceição, tem início no final do mês de novembro e se estende até o dia 8 de dezembro - dia dedicado a Santa. A programação elaborada pela paróquia, inclui missas, benção do Santíssimo e uma procissão pelas ruas da cidade, encerrando o festejo em grande estilo.


5 - O CARNAVAL DE MACAU



Macau se orgulha de ter o melhor e maior Carnaval do Rio Grande do Norte. Em 2013,a Prefeitura colocou a disposição dos foliões,oito bandas quatro trios elétricos, quatro palcos, 40 camarotes. Com o Com o slogan: “Mais que Paixão. É tradição”, o Carnaval de Macau fez a alegria do macauense e dos turistas que invadiram a cidade nessa época. 



PELOS ARREDORES DA CIDADE


PORTO DE PESCARIA




Porto de Pescaria é uma das comunidades mais antigas de Macau..Essa comunidade pesqueira com seus trapiches é local de embarque e desembarque do pescado. É também ponto de partida para as ilhas da Casqueira, Presídio, Paraíso e Pontal dos Anjos, através do rio Conceição



O PARQUE SALINEIRO - SALINOR




Ele já foi Cirne, Alcalis e hoje é Salinor (Salinas do Nordeste) o maior parque salineiro do Brasil. Tem uma área de aproximadamente 350 hectares de Cristalizadores, e  é controlado pelo Grupo Fragoso Pires desde de 1978.  A produção do sal do parque  Salinor responde por mais de 40% da produção de Sal Marinho do Brasil. Amonumentais pirâmides de sal marinho formam um belíssimo e inesquecível cenário, que encantam turistas e inspiram artistas e poetas.




O PETRÓLEO EM MACAU





A revista Veja, de 10 de abril de 1974, noticiou a descoberta de uma jazida na Bacia Potiguar Marítima, em Macau. "(...) recentemente localizada, poderá, sozinha, dobrar o volume de reservas nacionais conhecidas." O primeiro poço foi o RNS-1, campo de Ubarana, costa de Macau, que naquele mesmo ano, apresentou sinais de óleo e gás, porém em quantidade não comercial. Já em 1975 o poço marítimo funcionava com boa produção.As perfurações de poços terrestres foram intensificadas a partir  da década de 80.
Hoje o campo marítimo de Ubarana apresenta um declínio na produção, mas a Petrobrás planeja novos investimentos para aumentar a produção marítima. Mas apesar dessa queda de produção marítima, o Rio Grande do Norte lidera a produção brasileira de Petróleo em terra. O estado responde por 20% da produção terrestre brasileira.



A USINA EÓLICA NA PRAIA DA SOLEDADE





Fundada em 2004, o parque de Macau é a primeira usina eólica implantada pela Petrobras. O campo de produção dispõe de três aerogeradores com potência de 600 kW cada. A energia total gerada neste empreendimento é de 1.8 MW de potência, suficiente para alimentar uma cidade de 10 mil habitantes. 
A energia produzida é utilizada pela Petrobras em suas unidades operacionais no local, transferida para as duas Plataformas de ARATUM, através de um cabo elétrico submarino. O projeto piloto em Macau é o primeiro de uma série de projetos que estão sendo desenvolvidos pela gerência de energia renovável, da área de Gás e Energia da Petrobras




FONTES:

  • História dos Municípios Aristides Siqueira Neto -  2ª Edição - 2001 - Imprensa Oficial do RN
Pesquisas Google - Sites: 
  1.  www2.uol.com.br/omossoroense/.../regional14.htm - Macau, tradição de sal, sol e carnaval -Jornal o Mossoroense.
  2. www.canindésoares.com/page/10?s=MACAU/ Resultados da pesquisa/Canindé Soares/ page 10
  3. obaúdemacau.com/ - O Baú de Macau 
  4. www.grandeponto.blogspot.com/2010/.../osal-de-macau.ht -  Grande Ponto: O sal de Macau - Texto do Jornalista Alex Gurgel
  5. www.macauemdia.blogspot.com/.../12-lugares-para-visitar - Macau em dia. 12 lugares para visitar em Macau - Texto do Jornalista Alex Gurgel
  6. www.macauemdia.blogspot.com/.../museu-jose-elviro-resiste - Macau em Dia: Em Macau, o Museu José Elviro rrsiste ao tempo -Texto do Jornalista Alex Gurgel.
  7. www.macauemdia.blogspot.com/.../museu-do-carnaval-mac -Macau em Dia: Museu do Carnaval macauense com as portas... Texto do Jornalista Alex Gurgel
  8. www.chaopotiguar.blogspot.com/2008/10/macauhtml - Chão Potyguar-Macau -Sal, Sol e Carnaval no Porto de Ama - Texto do Jornalista Alex Gurgel

FOTOS: 

  • Acervo do Jornalista Alex Gurgel
  • Acervo do Fotógrafo Canindé Soares
  • Imagens Googles não identificadas
  • Edição de Fotos -Site Pic Monkey