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Barra de Punaú - por Arilza Soares

terça-feira, 29 de novembro de 2011

A REDINHA DE ONTEM - PRAIA DE MUITOS CANTOS E ENCANTOS





Ah! A Redinha - quantos momentos maravilhosos passei nessa praia! Não dá pra lembrar da Redinha que conheci na minha adolescência sem suspirar de saudade. Saudade dos pic-nics, dos acampamentos com o grupo da JEC (Juventude estudantil Católica) dos dias festivos de veraneio na casa de amigos. Naquela época tudo tinha sabor de aventura, a começar pela travessia de barco à vela que saía do cais da Tavares de Lira - atravessar o Potengi com o vento jogando o barco de um lado para o outro, muitas vezes com a vela do barco tocando na água, causava medo mas o cenário em volta compensava tudo. E a chegada no  trapiche? Sempre pedia ajuda para descer porque ficava bem mareada na travessia!


                          Antigo cais da Tavares de Lira -Ribeira

Ah! A Redinha das caminhadas pelo Rio Doce e dos mergulhos nas águas salgadas do Rio Potengí. A Redinha do amanhecer dourado, com o sol surgindo iluminando o Forte, enquanto  eu me extasiava diante da pesca do arrastão! A Redinha dos passeios à noite com o céu estrelado. A Redinha das noites enluaradas, dos meus momentos de contemplação, sentada no trapiche,vendo o luar pratear as águas do Potengi - ficava horas alí,sem me preocupar com o tempo nem com a violência que não existia. 






                            
Ah! A Redinha onde tantas vezes assisti apresentações de Bumba meu Boi, Coco de Roda, lapinhas e Pastoril, danças do nosso Folclore que  parecem ter se perdido no tempo. A Redinha do Centro Desportivo, com os torneios de verão, da Copa dos Navegantes. A Redinha da Festa do Caju que se tornou uma tradição da praia por muitas décadas. A Redinha da Procissão de Nossa Senhora dos Navegantes, expressão maior de fé do seu povo.
E haja suspiro! A Redinha de ontem "tão cortejada pelos boêmios, intelectuais e artistas, que viam em suas paisagens. um lugar mágico, fonte de inspiração e descanso" já não existe mais. Mas ela continua lá, no alto dos seus 408 anos, um pouco maltratada é verdade, mas linda, acolhedora e agora cortejada pelo povo que por vocação sempre abrigou.





ORIGEM DO NOME


                                                             

O nome da praia tem suscitado controvérsias ao longo do tempo. Para alguns historiadores o nome teve origem nas diversas redes usadas pelos pescadores que depois da pescaria ficavam estendidas ao longo da praia -"Praia das Redes de pescar" - "Praia da Rede" - "Praia da Redinha". Já  o historiador Câmara Cascudo,relata que o nome Redinha faz referência à região de Pombal, em Portugal, como tantos outros em nossa cultura."Havia a Redinha de fora, como local arruado à margem esquerda, vista de Natal, e a Redinha de dentro, na foz do Rio Doce, também denominado Guajiru,  desaguadouro da lagoa de Extremoz” escreve o Mestre Cascudo em sua obra "Nomes da Terra"




UM POUCO DE HISTÓRIA



A antiga estância balneária no subúrbio da Cidade, foi incorporada ao  Município de Natal, pela Lei n.º 603, de 31 de outubro de 1938, pelo então Prefeito Gentil Ferreira. Redinha teve seus limites definidos pela Lei nº. 4.328, de 05 de abril de 1993, oficializada quando da sua publicação no Diário Oficial do Estado em 07 de setembro de 1994.                                  
Hoje o bairro tem como limites: ao Norte o município de Extremoz, ao Sul, o Rio Potengi e manguezais, ao Leste  o Oceano Atlântico, e a Oeste  a Estrada de Genipabu.                                                                                  







Em 1597, seis anos antes do processo de ocupação, a Redinha pertencia aos índios potiguares, chefiados pelo  índio Potiguaçu. Na Redinha, uma antena de telefonia celular ocupa hoje o local onde outrora foi a taba de Potiguaçu. Mas  história da Redinha tem início mesmo no "Auto da  Repartição das terras do Rio Grande" e a primeira referência existente, sobre o local  figura no texto de sesmaria, concedida ao vigário do Rio Grande, Padre Gaspar Gonçalves Rocha, por João Rodrigues Colaço, em 23 de junho de 1603. O texto declara que "há o melhor porto de pescaria que aqui há e está defronte da Fortaleza". Lá pelos idos de  1731 a viúva Grásia do Rego vendeu a dona Joana de Freitas da Fonseca, viúva do Capitão Manoel Correia Pestana um sitio compreendendo todas as terras do lugar,hoje conhecido como Redinha.


                       PRAIA DE VERANEIO



A Praia da Redinha foi por muitos anos, praticamente, a única praia de veraneio de Nata. Registros do Instituto Histórico e Geográfico marcam  o dia 22 de novembro de 1921 como a data da fundação da Redinha como praia de veraneio, inicialmente habitadas por pescadores e rendeiras. Essa data comemora o desembarque pela manhã, no Porto Velho, das cinco primeiras famílias de veranistas: Dr. Paulo de Abreu, major e médico reformado do exército, e seu genro, Boanerges Leitão, Pedro Fonseca, tesoureiro dos correios e telégrafos, José Luna Freire, gerente da filial das Lojas Paulistas, e Lauro Medeiros, também gerente de lojas.


                                     



Foi o advogado e deputado provincial  Francisco Xavier Pereira de Brito (1818-1880) quem tornou a Redinha conhecida de todos. Segundo o escritor Manuel Onofre Junior, até fins do século XIX, os banhos de mar e temporadas de veraneio eram ignorados nas praias de Natal.Somente nos fins da primeira década do século seguinte é que iniciou-se o movimento de veranistas nas praias potiguares. Mas, o costume iria consolidar-se apenas na década de 20.

                                         
                
 O CEMITÉRIO DOS INGLESES


Uma das referências históricas do bairro é o chamado  Cemitério dos Ingleses. Nos idos de 1869, numa pequena elevação entre o rio Potengi e a gamboa Manibu, foram erguidos túmulos de ingleses e suíços não-católicos, que viviam na cidade e que morreram em conseqüência de epidemias que grassavam na época. Hoje o lugar encontra-se ocupado por coqueiral.


                             O REDINHA CLUBE


Construído no ano de 1922, numa época em que a Redinha já registrava uma vida social intensa.O Redinha Clube passou a animar o verão com suas festas, entre elas a "festa do caju", realizada no mês de janeiro.Por décadas a festa do caju atraiu pessoas de todos os lugares da cidade e  carregou por muito tempo a tradição "a cara da Redinha" mas deixou de existir a partir de 1970.

                                           
                       AS IGREJAS DE
    NOSSA SENHORA DOS NAVEGANTES




Em 1924, os pescadores da Redinha, com ajuda do Dr. Aponan, construíram a capelinha Nossa Senhora dos Navegantes,a padroeira do bairro.


A Igreja de Nossa Senhora dos Navegantes é um templo famoso na cidade pela originalidade da sua construção, toda em pedra preta, retiradas da praia de Genipabu. Essa construção ocorreu em 1954, com ajuda dos veranistas Cunha Lima e Carlos Lima Araújo. O novo templo não teve a aprovação dos pescadores porque foi erguido de costas para o mar. Até hoje os pescadores continuam frequentando a antiga capelinha, bem mais antiga também dedicada a Nossa Senhora dos Navegantes

.

Antigos veranistas contam que a imagem de N. S. dos Navegantes, antes situada na capelinha, foi levada à Igreja, ocasionando revolta por parte dos moradores. "Durante os dois primeiros anos a Igreja de Pedra não celebrou missas em função do desaparecimento da imagem, que segundo a comunidade, teria sido roubada pelos pescadores. Em 1956, a imagem de Nossa Senhora foi encontrada no Canto do Mangue. Numa trégua entre as duas partes, foram doadas duas imagens, dando assim, origem a Procissão de Nossa Senhora dos Navegantes".(Sérgio Vilar -Diário do tempo redinha Velha 3)

FONTES:  
                   
           Vicente Serejo Gomes. Cartas da Redinha. Natal: Amarela, 1996.
           História do Rio Grande do Norte -Diário de Natal, Natal, 1999
           História do Rio Grande do Norte. Tribuna do Norte, Natal 19
           Prefeitura Municipal de Natal Site: Conheça melhor o seu
                                                                  bairro -Redinha
          Luiz da Câmara Cascudo-História da Cidade de Natal
         Site: Diário do tempo- Velha Redinha- Sergio Vilar
         Pesquisas Google-Wikipédia
                                           
Fotos: 
     Acervo de Alexandre Gurge
         Imagens Google



                          

sábado, 26 de novembro de 2011

DOCE DE COCO COM RAPADURA - RECEITA POTIGUAR DE MARILDA NASCIMENTO




A partir de hoje Vento Nordeste fica mais gostoso.Ganhamos uma colaboradora muito especial. A potiguar Marilda Nascimento, residente em São Bernardo do Campo-SP, é exímia quituteira e apaixonada pelo que faz. E como se não bastasse ser Norte-Riograndense é  neta de pernambucanos herdando de sua avó o gosto pela Cozinha Nordestina e  os  "segredos"  na preparação dos pratos.Mesmo morando longe do Nordeste, Marilda continuou a usar receitas originais da sua família, e muito gentilmente colocou essas receitas à disposição do "Vento Nordeste". Obrigada Marilda, com certeza o vento vai exalar o cheiro delicioso da nossa culinária pelo mundo afora.


   
                               Marilda Nascimento e seu doce maravilhoso!


Das várias receitas que a Marilda me enviou escolhi para postar inicialmente a mais simples delas e a que considero a mais representativa entre os nossos doces- o doce de coco com rapadura. Coco e rapadura! Os dois ingredientes predominantes nos nossos doces, não são nacionais. O coco é  de origem asiática e o açúcar das ilhas da Madeira, é o que nos ensina o Mestre Câmara Cascudo.Para ele "a mão da mulher branca iniciou a maravilha das combinações. fazendo valer os recursos do Brasil ainda bravio", tudo aprendido e seguido pelas mucamas e mestiças. 




Provavelmente o  doce de coco com rapadura teve origem nesse Brasil Colônia,com os "doces de tabuleiro" quando os negros percorriam as ruas com seus tabuleiros  vendendo doces. Câmara Cascudo escrevendo sobre esses doces  diz: "as mulheres mais pobres, faziam doces mais pobres, bem simples, rápidos, de vendagem imediata" e a  "cocada" está entre esses doces. Mais na frente conceitua: "Cocada:  Doce de coco com rapadura, ponto grosso... O mais popular de todos os doces populares do Nordeste".





Coco e rapadura! Dependendo do tempo de exposição ao fogo se obtém compotas, geleias e cocadas. Nesse tempo de exposição reside o segredo do doce. Muitas  doceiras  dizem que sabem quando está no ponto "no olho", outras utilizam um recurso muito difundido no Nordeste, que é colocar uma colher do doce ainda no fogo, fervendo, em um recipiente com um pouco d'água; com  os dedos sentem a textura do doce e pela prática sabem se está no ponto ou não.
A abundância dos coqueirais no nosso litoral e a cultura da rapadura, produto bastante consumido nas regiões canavieiras, muito contribuíram  para tornar o doce de coco com rapadura um dos preferidos pela população do nosso estado.






                RECEITA DO DOCE DE COCO
                        COM RAPADURA
                  
            


INGREDIENTES









  • 1 coco seco tamanho médio
  • 1 Rapadura escura de preferência tamanho médio
  • 10 cravos da índia
  • 1 guardanapo limpo para coar
MODO DE PREPARAR
1- Raspe o coco e reserve.
2- Coloque a rapadura para derreter em pedaços e acrescente um pouco de água, para que derreta mais fácil. Depois de derretida pegue um guardanapo limpo para coar tirando as impurezas.
3 - Na panela que for coada acrescente o coco raspado, ponha os cravos e complete com água até cobrir o coco. Leve ao fogo baixo sempre mexendo até dá o ponto de doce. Deixe esfriar e guarde fora da geladeira.






Fontes:  
                 Luiz da Câmara Cascudo
               1- Superstição no Brasil 
                          Capítulo -  Doces de tabuleiro
                           Editora Global-SP -2002
                          2- História da Alimentação no Brasil
                               Editora Global- SP - 2011
                          3- Dicionário do Folclore Brasileiro
                                Ediouro publicações S.A.
                Maria Marluce Gomes
                 História da Gastronomia do RN
                               Editora Alternativa - 2004
                Receita de Marilda Nascimento
                  Natal -RN
Fotos:
          Imagens Google
             Edição de fotos:Programa Pic-Nic - Yahoo/BR

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

A REDINHA HOJE - UM PARAÍSO ENTREGUE A SUA PRÓPRIA SORTE!


                                       
Hoje em dia, não há quem não se encante com a beleza da Redinha vista do alto da ponte Newton Navarro.É um visual estonteante: a foz do rio Potengi, o mar azul banhando toda extensão da praia e as dunas de areias brancas  emoldurando o cenário - é de tirar o fôlego! Mas esse paraíso insiste em se manter ileso ao descaso como é tratado pelos órgãos competentes.Dividida administrativamente  entre duas prefeituras (a de Natal, responsável pela Redinha Velha e Extremoz pela Redinha Nova) o local sofre com problemas básicos de infraestrutura. A revitalização de alguns trechos não foi suficiente. Muito mais precisa ser feito! Urge que se voltem as atenções para essa praia para que ela continue a sua vocação de ser um lugar simples mas paradisíaco e acolhedor. 



                                                                           

A partir de  2007, com a inauguração da Ponte Newton Navarro esperava-se que a praia da Redinha ganhasse movimentação.Mas isso não aconteceu. Ao cruzar a ponte, o acesso rumo ao Norte se faz pela praia de Santa Rita; ir à Redinha exige que se faça um desvio para se chegar lá, motivo pelo qual a praia deixou de ser destino turístico.Mas conhecê-la pode ser de interesse dos turistas que tiverem um pouco mais de tempo: além da bela vista do Potengi e da Fortaleza dos Reis Magos é um bom lugar para se   desfrutar  da praia, do pacato mercado servindo a famosa ginga com tapioca, da cerveja e gelada e das várias barracas com preços honestos.




O quebra-mar é o retrato dos novos tempos na Redinha. Foi construído para evitar que a maré volte a assorear o canal do Porto de Natal, que foi escavado para permitir a entrada de navios de grande porte.Avançando sobre o mar em forma de ponta, serve de mirante para contemplar o belo cenário do encontro das águas , na foz do rio Potengi, tornando-se um novo atrativo para a Redinha.








         A Revitalização da Redinha Antiga


A prefeitura de Natal revitalizou grande parte da praia, construindo 22 novos quiosques,criou um amplo calçadão e recuperou o Mercado Municipal.Os quiosques espalhados pela praia vendem  ginga com tapioca, peixe inteiro ou em posta frito, camarão, caranguejo, ostra e outros petiscos, como isca de peixe, macaxeira frita e carne-de-sol




A área próxima ao mercado ganhou o nome de Largo João Alfredo, uma homenagem ao poeta, historiador, professor, escritor e carnavalesco João Alfredo Pessoa de Lima, mais conhecido pelo apelido de João bolão, um eterno amante da Redinha, que morreu aos 61 anos em 2004. Desde pequeno o professor João Alfredo dedicou parte de sua vida as questões ligadas a praia da Redinha. Era considerado uma espécie de enciclopédia viva da história da Redinha. Freqüentemente abria as portas de sua casa na rua Dr. João Medeiros Filho para receber estudantes interessados em conhecer a história daquela praia. 









                A REDINHA NOVA




A partir da década de 70, surge a Redinha Nova, entre a ponta de Santa Rita e a Redinha. O jornalista Vicente Serejo, admirador apaixonado do lugar, escreveu em suas Cartas da Redinha: “A Redinha nova começa com as edificações feitas depois dos limites da vila. A partir das casas depois do campo de futebol, tudo é Redinha Nova na direção do Norte. Mas, a planície de dunas entre a Redinha  Nova e a Ponta de Santa Rita, mesmo com outras praias nomeadas, é normalmente chamada de Fere-Fogo”






O Aquário de Natal




Considerado o maior aquário da Região  nordeste, o Aquário de Natal, localizado na Redinha Nova, funciona também como um centro de tratamento de animais.Tem cerca de 200 animais de 60 espécies diferentes.Os visitantes podem ver e fotografar  tubarões, moreias, peixes de corais, cavalos marinhos, pirarucu, jacarés, além de tartarugas e pinguins entre outros.Inaugurado em 1999, serve também de apoio ao Projeto Tamar. 
                       
                                                                         

Fontes: 

  • Vicente Serejo Gomes. Cartas da Redinha. Natal: Amarela, 1996.
  • História do Rio Grande do Norte -Diário de Natal, Natal, 1999.
  • História do Rio Grande do Norte. Tribuna do Norte, Natal, 1998.
  • Prefeitura Municipal.de Natal - Site conheça melhor                                                                           o seu bairro - Redinha
  • Luis da Câmara Cascudo-História da Cidade de Natal
  • Site Diário do tempo- Velha Redinha- Sergio Vilar
  • Pesquisas  Google-Wikipédia
  • Site de divulgação do Aquário da Redinha                                

Fotos:

  • Imagens Google






                                                             

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

GALINHA CABIDELA À MODA POTIGUAR- RECEITA DE DONA ANGELITA



                                                                   

Eis um prato que sempre esteve presente na alimentação da nossa família! Na minha infância era um prato pra ser servido nos dias de festa, ou para receber alguma visita importante. Dona Angelita se esmerava - era um dos seus pratos mais  elogiados! Mas eu tinha pavor do ritual que precedia a preparação do prato: a morte da galinha! Primeiro depenavam-lhe o pescoço, e com uma faca bem amolada, dava-se um corte profundo para fazer a sangria; com a  galinha ainda estribuchando, colhia-se o sangue numa vasilha com vinagre; em seguida, muitas vezes com a ave ainda moribunda, mergulhava-se a mesma numa panela com água fervendo para poder depená-la antes de cortá-la em pedaços.




                                                 

Várias vezes presenciei esse ritual macabro e sinistro ,herdado dos costumes africanos do Brasil Colônia, e isso me deixava muito mal a ponto de  não ter coragem de comer nenhum animal que visse matar.E matar para comer nem pensar!   No Nordeste é muito comum se criar animais em casa para o consumo da família como é o caso da galinha caipira.Hoje em dia até arrisco comer uma cabidela desde que eu não esteja presente na hora do abate da ave - sei que faz parte dessa cadeia alimentar onde o homem é o maior predador, o maior algoz.Traumas à parte, uma galinha cabidela tem seu valor e é  um dos nossos pratos mais consumidos e valorizados. Aqui no Sudeste o prato é conhecido como "galinha ao molho pardo" e faz parte da maravilhosa cozinha mineira.




                                          DO ARTESANATO POTIGUAR



Galinhas e outras aves como: patos, gansos e pombos vieram para o Brasil na época do descobrimento, junto com Cabral.Dessas aves a que melhor se adaptou ao nosso clima foi a galinha caipira.Sabe-se que galinhas não eram alimentos bem aceitos entre índios e escravos.Galinha era comida que os portugueses só consumiam em dias de festa ou no domingo,costume herdado e que prevaleceu durante muito tempo entre os Nordestinos. Até hoje a tradição doméstica, em muitas cidades sertanejas, diz que certos pratos à base de galinha é sinônimo de festa.E a galinha cabidela é para ser servida num dia muito especial. 



                                                                                 


No Brasil só conhecemos a cabidela de galinha, mas em Portugal a cabidela se faz também com outras aves, porco e caças. Em todos os casos usam-se o molho do sangue do animal, obtido no momento do abate, misturado com vinagre para não talhar.São famosas as cabidelas de Trás-os Montes e Alto Douro de galinha ou peru, de Beira Alta feita de arroz, .em Beira Litoral as de leitão.entre Douro e Minho as de miúdos e no Alentejo as cabidelas de galinha e caças.


                         ORIGEM DO NOME



                                                       

A origem do nome é polêmica. Para alguns vem de "cabos" denominação que os portugueses davam a comidas preparadas  com miúdos e extremidades dos animais ( perna, asa  e pescoço). Para outros o nome vem de "Kabed" palavra árabe que significa fígado, um  dos ingredientes da receita,  hipótese pouco provável, uma vez que os árabes, pela religião, são proibidos de comer sangue.Para o Mestre Cascudo é um guisado de galinha, pato. peru. ganso, um galináceo doméstico no molho feito com o sangue da ave, dissolvido em vinagre.No Portugal quinhentista, continua Cascudo, era um guisado de miúdos e cabos de aves, de onde vinha o nome Cabo, cabadela, cabedela. Diz-se também galinha de molho pardo".



                      A ORIGEM DA RECEITA



                                                                                     


Herdamos do português a receita da cabidela, mas muito se diz que a origem dessa receita é francesa, tese reforçada pelo sociólogo Gilberto Freire no seu livro "Açúcar" quando afirma: "outros quitutes com aparências de brasileiros, mas que na verdade são franceses e refletem o francesismo que desde o século XVIII invadiu a cozinha portuguesa - a cabidela por exemplo"



                                                                               

Outros pesquisadores defendem a ideia de que não existe uma autoria determinada para a cabidela.Segundo eles cozinhar com sangue foi intuição de muitos povos que consideravam o sangue nutritivo e fortificante. Em outros lugares encontramos iguarias preparadas com sangue como é o caso dos embutidos; a exemplo disso, podemos citar a "morcilla" na Espanha e o "boudin" na França.



GALINHA CABIDELA À MODA POTIGUAR
 RECEITA DE DONA ANGELITA

                                                                                        


Ingredientes



1 galinha caipira gorda
2 tomates sem casca e sem sementes
2 cebolas grandes picadas
4 dentes de alho socados
Hortelã picada
Cebolinha verde picada
Sal, cominho ou pimenta-do-reino a gosto
1/2 xícara de chá de óleo
3 lomões
Sangue da galinha misturado com 3 colheres de sopa de vinagre    

Modo de Preparar


Bata com um garfo o sangue da galinha com o vinagre para não talhar e reserve. 
Corte a galinha em pedaços, esfregue bastante limão e lave em água corrente.
Tempere os pedaços de galinha com todos os temperos e deixe repousar por várias horas. 
Coloque o óleo em uma panela. Leve ao fogo e deixe esquentar bem. Doure bem os pedaços de galinha. Reserve os que forem ficando prontos. 
Junte todos os pedaços na panela e acrescente 1 xícara de água.
Mantenha o fogo baixo até que tudo esteja bem cozido.
Junte o sangue misturado com vinagre, espere ferver por uns 10minutos.
Sirva com arroz branco.



FONTES:
                   Luiz da Câmara Cascudo
                   Dicionário do Folclore Brasileiro
                   Editora Edi Ouro-1998 

                  Luiz da Câmara Cascudo
                  História da Alimentação no Brasil
                  Editora Global -2011

                  Maria Marluce Gomes
                  História da gastronomia do Rio Grande do Norte
                  Editora Alternativa - Natal/RN - 2004

                  Gilberto Freire
                  Açúcar - Editora Global -2007

                  Pesquisas Google
                  Lectícia Cavalcanti
                  Revista Terra Magazine - Fevereiro-2008
             
                   Receita da galinha - Angelita Soares -Natal / RN


FOTOS: 
                 
                Imagens Google

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

ÁRVORES DA CIDADE - I - O BAOBÁ DO POETA - NATAL-RN


                                                    

Sempre fiquei extasiada diante de um baobá, essa árvore imensa, majestosa, imoponente. O primeiro baobá que conheci, ainda criança, foi o de Nísia Floresta. Lembro que fiquei muito impressionada com o porte daquela árvore  e de tudo que falaram a respeito dela. Anos mais tarde, já adolescente, voltei a me interessar por baobás, depois que li o "Pequeno Príncipe" - "O solo do planeta estava infestado, e um baobá, se a gente custa a descobri-lo, nuca mais se livra dele"... escrevia Antoine de Saint- Exupéry. E enquanto lia lembrava daquela árvore enorme, cercada de mistérios e lendas que tanto me impressionou na infância.                                              




                                                                                    
Para minha satisfação descobri que existia um exemplar de baobá em Natal bem pertinho de mim, ali na rua São José, no Bairro de Lagoa Seca, e que o meu mui querido Professor Diógenes da Cunha Lima  havia comprado o terreno onde estava localizado o baobá, a fim de preservar a árvore que estava pretes a ser derrubada. Baobá deve ser mesmo uma árvore muito especial! Mas, mais especial ainda é a sensibilidade desse poeta maior, que num gesto de amor a natureza presentiou a cidade e a todos nós.


O Poeta Diógenes da Cunha Lima e seu Baobá 
                                                                     Natal -RN
                                                                                                                        

Existe uma relação entre o Baobá de Natal e a obra literária de Antoine de Sant-Exupéry, diz o professor Diógenes: "No Rio Grande do Norte, credita-se a esse baobá a inspiração de Saint-Exupéry ao criar desenhos de “O Pequeno Príncipe”,  livro com mais de 230 traduções m todo mundo. Algumas “coincidências” tornam a hipótese verossímil. O baobá exilado em Natal foi visitado pelo autor, quando aqui esteve, nas décadas de 20 e 30 e era hóspede da proprietária do terreno. Os desenhos por ele feitos em seu livro, como o elefante, a estrela, o vulcão, as dunas e falésias lembram o mapa e outros símbolos do Rio Grande do Norte".


     François D'Agray - Sobrinho-Neto de Exupéry
                     no Baobá do Poeta                                  

Em 6 de maio de 2009 o baobá recebeu a visita do sobrinho-neto de Saint-Exupéry, o engenheio François D'Agray, que esteve em Natal, à convite da Prefeitura Municipal.O sobrinho de Exupéry veio ao Brasil para o lançamento dos livros "O Pequeno Príncipe me disse" e "Antoine de Saint-Exupéry - A História de uma História" da escritora paulista Sheila Dryzun.




OS BAOBÁS DO RIO GRANDE DO NORTE


O Baobá do Poeta - Natal - RN


Há um consenso entre os pesquisadores de que sementes de baobá chegaram ao Brasil pelas mãos dos escravos e plantadas para atender seus rituais religiosos.
No Brasil existem poucos baobás catalogados oficialmente. Mas já está comprovado que o número é muito maior do que o que consta nos livros e enciclopédias de pesquisas. No Rio Grande  do Norte, por exemplo, temos catalogados três baobás: O Baobá do Poeta em Natal, um em Nísia Floresta, e o outro em Jundiaí-Macaíba. Mas só na cidade de Assu existem 12  exemplares, sendo que 11 com idade de 300 a 400 anos,localizados na Fazenda Curralinho às margens da lagoa de Piató, e 1 no centro da cidade, com pouco mais de 3 anos.



Baobá de Macaíba - RN
Baobá de Nísia Floresta - RN
                                                                   Baobás de Assu - RN 



SOBRE BAOBÁS

Baobá é um nome comum do gênero Adansônia Digitata, compreendeno oito espécies diferentes de árvores. Em Angola e Moçambique  é conhecido como " Imbondeiro ou Embondeiro". É a árvore Nacional de Madasgascar e o Emblema Nacional do Senegal. Para um africano um imbondeiro nunca deve ser cortado nem arrancado por que é considerado a "árvore da vida".




Baobás tem uma importância muito grande para a África, tornando-se um dos ícones de sua paisagemPara muitos é uma árvore sagrada, ligada a sentimentos religiosos e seu interior abriga espíritos. Em algumas regiões,é considerada um intermediário entre Deus e os homens e são veneradas como representação de entidades humanas. Diante delas são realizadas práticas ritualista.
                                               
                                                                                           

A quem afirme que um baobá pode viver até 6000 anos, mas não há comprovação científica sobre isso , pelo simples fato de que sendo oco interiormente, ele não forma anéis  recurso que a ciência usa  para medir a idade das árvores. Mas sem dúvida é  a árvore mais longeva do planeta.
Pode atingir uma altura de mais de 25m e seu tronco medir 20m de diâmetro. Quando jovem apresenta folhagem diferente daquelas presente na vida adulta. Quando velho adquire uma aparência fossilizada, mas está vivíssimo.



                                                                                
O Baobá floresce apenas uma vez por ano e suas belas flores  sempre de cabeça para baixo, exala um cheiro forte e fétido. Suas flores em forma de sino e têm apenas 24 horas de vida, mas, nesse tempo, mudam de cor, passam do branco para o creme, castanho, vinho, marrom e terminam em violeta.
Seu fruto contém no seu interior um miolo com sementes agridoces. Podem ser comidas verdes ou sob a forma de suco; também podem ser secadas e armazenadas para épocas de necessidade. São ricas em vitaminas e sais minerais. Suas folhas cozidas são comidas como verduras; trituradas com as raízes tem diversas aplicações medicinais.






                                                                               



    FONTES:

                       "Natal - Uma Nova Biografia - Diõgenes da Cunha Lima
                       Jornal Tribuna do Norte - Natal-RN
                       Pesquisas Google -Wikipédia
                       "O Pequeno Príncipe" - Antoine de Saint-Exupéry

        FOTOS:    Imagens Google