FOTO DE CAPA

Foto de Capa
Barra de Punaú - por Arilza Soares
Mostrando postagens com marcador FESTAS TRADICIONAIS E OS RITMOS NORDESTINOS. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador FESTAS TRADICIONAIS E OS RITMOS NORDESTINOS. Mostrar todas as postagens

domingo, 26 de fevereiro de 2012

CARNAVAL EM NATAL - RELEMBRANDO OS BLOCOS DE SUJO E AS MEMORÁVEIS FIGURAS DOS PAPANGUS

                                         
                               


Sou carnavalesca por natureza, e ainda em clima de carnaval quero continuar minhas buscas por esse universo, relembrar um pouco os Carnavais da minha infância, impregnados de papangus e dos blocos de sujo com seus brincantes batendo nas  latas e cantado pelas ruas do bairro: "Olha o bloco de sujo / vai batendo na lata  / alegria barata / carnaval é assim / bate, bate,bate, bate na lata / bate bate, bate, bate na lata /  bate, bate, bate, se não tem tamborim (bis) carnaval é assim". Lembro do bloco fundado pelos meus irmãos  e amigos da vizinhança, " O Bafo do Gato" parodiando o grande "Bafo da Onça" do carnaval carioca.Os gatos da redondeza que se cuidassem pois um mês antes do carnaval não ficava um - viravam tamborins. Coitados dos gatos! E o bloco desfilava animado ao som das latas, dos  tamborins de couro de gato  e da música : Nessa onda que eu vou / Olha a onda iaiá / É o bafo do gato / que acabou de chegar ... e concluíam: é o bafo do gato / Que eu trago guardado no meu coração / Oba, oba, oba( Na marchinha  original leia-se "Bafo da Onça ao invés de "Bafo do Gato).



                                           "Pau na Lata" na Praia da Redinha 
                                        Resgate dos antigos carnavais de rua

                             
OS DIVERTIDOS PAPANGUS





É do "papangu" que mais tenho lembranças. Era impossível sair ás ruas da cidade, lá pelos idos dos anos 50, sem se deparar com essa figura curiosa, mascarada, com o corpo todo coberto, andando sozinho ou em bando. Amado e muitas vezes temido, os papangus faziam a festa, ora assustando, ora divertindo, num misto de palhaço e bicho papão. Na minha rua os papangus eram pessoas conhecidas, geralmente pais de família, ou avós  o que era muito curioso, porque fora do carnaval essas pessoas eram normalmente sisudas. E a meninada, assustadas ou não, saíam atras dos papangus, esses brincantes de indumentária rústica, improvisadores de mímicas e palhaçadas, atraindo as atenções por onde passavam.





Em Natal a figura do Papangu foi aos poucos desaparecendo. Hoje o bloco "Us papangus" tenta resgatar e tirar do ostracismo esse personagem tão marcante no carnaval nordestino. No entanto se adentramos pelo interior do estado, vamos encontrar os papangus fazendo a alegria do carnaval na maioria dos nossos municípios.


                                                 Bloco "Us papangus"-Natal/RN


                                                                                  
                               BUSCANDO AS ORIGENS


As origens dos papangus no Nordeste datam do século XIX em Pernambuco. Nos primórdios, os papangus ajudavam a organizar as procissões  católicas de cinzas.Renan Pimenta Filho escrevendo para a Revista de História Municipal editada em Pernambuco, assim descreve o papangu: "indivíduo que ia na frente da Procissão de Cinzas encarregado de tocar corneta anunciando o cortejo. Vestia uma túnica de tecido escuro, tinha a cabeça e  o rosto coberto por um capuz branco com três buracos um na boca e dois nos olhos. Levava um chicote com o qual batia nos moleques que tentavam perseguir o cortejo religioso".
Em 1831, os papangus foram banidos desses eventos, "pois eram vistos com um quê de morte e tirania', diz a escritora potiguar Goimar Dantas autora do livro "Quem tem medo de Papangu?" Com o tempo os papangus reapareceram como brincantes carnavalescos, completamente dissociados das procissões.


              BEZERROS EM PERNAMBUCO 
A CIDADE DOS PAPANGUS


  Os Papangus de Bezerros

Em Pernambuco,  a cidade de Bezerros é conhecida como a cidade dos Papangus. De tradição centenária, os foliões de Bezerros tem outra explicação para as origens do papangu. Para eles o "papa-angu nasceu de uma brincadeira de familiares dos senhores de engenhos, que saiam mascarados, mal vestidos, para visitar amigos nas festas de entrudo - antigo carnaval do século dezenove, e comiam angu, comida típica do agreste pernambucano. Daí passaram a ser conhecidos como papa-angu. Há outra versões populares, mas essa é a mais conhecida na cidade.

                                         
OUTROS  SIGNIFICADOS DA PALAVRA


No Nordeste a palavra Papangu pode ter também outros significados: para uns o termo identifica uma pessoa desajeitada, que se veste mal: para outros uma pessoa desprovida de beleza; mas pode  identificar também uma pessoa lerda, abobalhada. 



FONTES: 

  • Publicações do Diário de Natal sobre o Carnaval
  • Site de divulgação o carnaval de Bezerros- Pernambuco
  • Site de divulgação do livro "Quem tem medo de Papangu?" da escritora  potiguar Goimar Dantas´
  • Artigo do Professor Renan Pimenta Filho, publicado na Revista de História Municipal - Pernambuco
FOTOS 

  • Imagens Google
  • Edição de fotos: Programa Pic-Nic - Yahoo/BR




terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

CARNAVAL EM NATAL -DAS TRIBOS DE ÍNDIOS ÀS ESCOLAS DE SAMBA - POR QUE NÃO?



Engana-se quem pensa que não temos tradição de carnaval em nossa cidade.O nosso "berço do samba' existe e tá lá, no bairro das  Rocas, lutando por um lugar ao sol, para mostrar tudo que tem de bom. O nosso "Debinha" tá aí, compositor maravilhoso, há mais de trinta anos fazendo e cantando samba da melhor qualidade*.As nossas Escolas de Samba e as Tribos carnavalescas  de Índios sobrevivem ao descaso e ao nariz torcido da nossa elite. Um olhar mais atento por parte da nossa sociedade, e com maiores incentivos,teríamos um belo carnaval, e com certeza nos orgulharíamos muito dele.
*Antonio Carlos Ramos - o Debinha , marcou a história do carnaval de Natal, compondo sambas para  principais agremiações do nosso carnaval.

                           Debinha - Nosso Sambista Maior


A primeira Escola de Samba que se tem conhecimento em Natal é a "Batuque do Morro" surgida em 1930.Tempos depois, em 1950 surge " Asa Branca".  Em 1958, surge nas Rocas a "Malandros do Morro". Nove anos mais tarde, mais precisamente em 1958, um racha na Escola Malandros do Morro, fez surgir a " Balanco do Morro" considerada a mais antiga por permanecer atuando ate os dias de hoje. Atualmente divididas em dois grupos - o Grupo de Acesso e o Grupo Especial,  os natalenses podem assistir e aplaudir: A "Escola de Samba do RN", os "Imperadores do Samba","Águia Dourada","Asas de Ouro "Unidos de Santa Cruz" (pelo grupo de Acesso), e as escolas: "Confiança no Samba", "Em cima da Hora", "Malandros do Samba", "Imperatriz Alecrinense" e "Balanço do Morro" ( pelo grupo Especial)
Em meio as dificuldades financeiras  e despretígios por parte da elite da nossa sociedade, as Escolas de Samba de Natal resistiram bravamente, resistiram sempre. Hoje,  destaque no Polo Carnavalesco da  Ribeira, o circuito do desfile terá arquibancadas para melhor acomodação dos que pretendem ver as escolas.



O Grêmio Recreativo Escola de samba Balanço do Morro foi o grande campeão do Carnaval de 2011. A mais antiga agremiação carnavalesca, tem sede e barracão no bairro das Rocas.A verde e rosa potiguar sagrou-se capeã  na avenida com o enredo "Santa Cruz: Explosão Cultural, Turística e Religiosa".Com essa vitória conseguiu o  24º título de sua história. 


IMAGENS DO DESFILE DAS ESCOLAS DE SAMBA NA LENTE DE CANINDÉ SOARES







BLOCOS DE ÍNDIOS


O surgimento dos  Blocos de Ìndios antecedem ao das Escolas de Samba.Considerados Patrimônio do Carnaval Natalense em 1960, essas Tribos Carnavalescas existem desde 1919, com o aparecimento da Tribo" "Os Potiguares". Atualmente  "Tapuias", "Tabajaras", "Gaviões Amarelos", "Tupy-Guaranys "Guaracys" dividem a atenção na Avenida.Tal como as Escolas de Samba, as Tribos desfilam em dois grupos e esse ano assim se apresentam:"Comanches" "Tupinambás" "Apaches" - pelo grupo de acesso. "Potiguares"," Tapuias" "Tabajaras", "Gaviões Amarelos", Tupy- Guarany" e "Guaracy".É sempre bom ressaltar que esses blocos de índios não tem relação com as tribos que carregam no nome.

 IMAGENS DOS BLOCOS DE ÍNDIOS POR CANINDÉ SOARES


 




CAMPEÃS DO CARNAVAL 2012
                    
             1- Escolas de Samba


A Escola de samba Balanço do Morro foi a grande campeã do carnaval 2012 de Natal do grupo especial (chave A). O resultado foi anunciado por volta das 21 horas desta quinta-feira (23), após a apuração realizada na sede da Fundação Cultural Capitania das Artes (Funcarte). A agremiação homenageou o comunicador Luis Almir, com o enredo “Luis Almir – 30 anos de comunicação”. Em segundo lugar ficou a escola Acadêmicos do Morro e em terceiro lugar a Imperatriz Alecrinense.


                                     A Verde e Rosa Potiguar campeã
                                         do carnaval 2012

                            Baianas da Balanço do Morro


                 2 - Tribos de Índios


Das Tribos de Índíos sagrou- se campeã pela chave A a Tribo Tabajara  e na chave B ficou em primeiro lugar a Tribo Tupinambás.A Tribo tabajara contou a história do folclorista Deífilo Gurgel.



Tribo Tabajara campeã da chave A
Tribo Tupinambás -Campeã da chave B




FONTES:
 Tribuna do Norte - Natal - RN  Site da Prefeitura Municipal de Natal

FOTOS:
Imagens Google
Acervo do Fotógrafo Potiguar Canindé Soares

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

CARNAVAL EM NATAL - QUEM DISSE QUE NÃO? RESGATANDO O CARNAVAL DE RUA



Nos últimos anos a Cidade de Natal vem tentando resgatar o seu Carnaval, acabando com a fama de que aqui não existe tradição nas comemorações desse tipo de evento. Na verdade o que não existia era uma  Programação Oficial e incentivos para a realização da festa no reinado de momo. Durante muito tempo a maioria dos foliões ( diga-se da clássia média) deixava a cidade nesse período, em busca de destinos como as praias de Pirangí no litoral Sul, Barra de Maxaranguape no litoral Norte ou mesmo cidades como Macau e Caicó   e  outros locais onde o Carnaval ganhou fama. Mas o carnaval  nunca deixou de existir para o povo natalense. O carnaval popular com "blocos de sujo", "tribos de índios", "papangus", e até "escolas de samba" continuaram ali, presentes na alma e na alegria do nosso povo, brincando ao som de tambores, latas, e tamborins.
A invasão do "axé" na nossa cidade, após a consagração do famoso carnaval fora de época - o carnatal, descaracterizou  mas não acabou o nosso carnaval, tradicionalmente realizado e embalado ao som de marchinhas, sambas e orquestras de frevo.



                           


Hoje a cidade conta com uma programação diversificada, organizada pela prefeitura, através da Capitanias das Artes, e distribuídas em polos carnavalescos. Dá para se divertir com blocos animados como "Manicacas no Frevo" (na Cidade Alta) "Poetas e Carecas" "Bruxas e lobisomens" (em Ponta Negra) "os Cão" (na Redinha),  brincar à moda antiga no  "Baile de Máscara" (em Petrópolis) , morrer de rir no desfile da Kengas, (no Centro) apreciar o desfile das escolas de sambas e dos nossos blocos representando as tribos indígenas, (na Ribeira) ou ainda participar do animado carnaval no Centro Histórico.


O BAILE DE MÁSCARA


O Baile de Máscaras completa nesse carnaval de 2012,  a sua 19 ª Edição. Realizado ao ar livre, no cruzamento da rua Seridó com Campos Sales, em Petrópolis (largo do Atheneu) o baile revive os carnavais, de antigamente. No palco armado a banda de frevo divide as atenções com apresentações de artistas locais. As pessoas fantasiadas com suas máscaras, que resgatam  as origens carnaval de rua onde as fantasias e a criatividade ditavam as regras.


OS PAPANGUS





O bloco "Us Papangus" resgata a irreverência da festa carnavalesca, revivendo as figuras anônimas e animadas dos "papangus" que faziam a festa nas ruas dos bairros mais populares da cidade. "Us Papangus"  é puxado pelo Projeto Artístico Percussivo Pau e Lata do maestro Danúbio Gomes, com uma parceria da Brinquedoteca Itinerante e Popular. O bloco de tradição na Redinha*, abre o carnaval de 2012, se apresentando no baile de Máscaras. No itinerário, sai da comunidade Alto do Juruá em Petrópolis, passa pelo Mercado Público e chega até o Largo do Atheneu onde se junta aos foliões do Baile de Máscaras.
* Na Redinha  "Us Papangus" é coordenado pelo ativista cultural Edílson Mano.



POETAS, CARECAS, BRUXAS E LOBISOMENS




Animados pela banda Xico no Frevo os foliões do bloco "Poetas, Carecas, Bruxas e Lobisomens", saem às ruas de Ponta negra, com seus bonecos  gigantes. O Bloco tem por tradição valorizar os elementos da cultura popular. Os bonecos gigantes composto por enfeitados (Galantes), mascarados (Birico, Mateus,Catirina) e o Boi. Esse ano um  novo  boneco fez parte do elenco do bloco: O Jaraguá. A concentração do bloco, acontece na Praça da Praia de Ponta Negra, sempre animada com o show da banda "Perfume de Gardênia". O percurso termina no Praia Shopping, esse ano com o show da cantora potiguar Khrystal.
Outros blocos animados tomam conta das ruas de Ponta Negra:,nesse carnaval: "Carnaritmos". "Suvaco do Careca", "Fiquei Porque Quis". "Carnavila", "Resistência da Lata". Na quarta- feira sai o "Bloco da Ressaca"



CARNAVAL NO CENTRO HISTÓRICO






No Centro Histórico os foliões fazem a  festa na sexta-feira e no domingo. Na sexta- feira circularão pelas ruas da Cidade Alta os blocos Cabeça Feita, Big Rider, Bloco da Amizade, Manicacas do Frevo e a Troça do Zé. Um baile à fantasia, no Palácio da Cultura, a partir de 20 horas, encerrará a programação da sexta-feira. No domingo, o carnaval no Centro apresentará o desfile das Kengas, na confluência das ruas Ulisses Caldas e Vigário Bartolomeu.



MANICACA NO FREVO




Há sete anos o Manicaca no Frevo desfila no carnaval do Centro Histórico. O irreverente bloco começou como uma brincadeira. Segundo o jornalista Alex Gurgel, os produtores Júlio Cesar Pimenta e Dorian Lima, com o artista Plástico Fábio Eduardo  sempre precisavam abandonar os serviços etílicos do Beco da Lama para ir pegar os meninos na escola, a mando das esposas. Dai surgiu a ideia de criar o bloco em homenagem a todos os manicacas que conseguem autorização para cair na farra.
Nos primeiros anos o bloco saia junto com a Banda Independente da Ribeira, mas desde 2008 passou a abrir o carnaval do Centro Histórico. Esse ano a concentração será no Bar Reiera, ao lado da UFRN/Centro, de onde partirá o desfile do bloco pelas ruas do Centro ao som de uma Orquestra de Frevo, até a Pinacoteca ( Antigo Palácio Potengi )
"Que ousadia foi sair na sexta-feira / Deixando a louça e a cozinha arrumada / Cai no frevo e só voltei na quarta-feira / Trazendo a minha desculpa esfarrapada / Carro quebrou, fiquei preso no engarrafamento / Mulher não é mentira, pode ligar pra casa do professor Bira / Quem pode manda, obedece quem tem juízo /É melhor ser manicaca, pois a mulher já deu o aviso / Não, não, não, não, não / Não venha com o rolo de macarrão".                                                                                          
                                                                         ( Hino do Manicaca no Frevo )


AS KENGAS

                     Katarina - Rainha das Kengas 2012


A mais irreverente, debochada e ousada banda do carnaval potiguar, "As Kengas", fundada em 1983, desfila nas ruas da cidade, animando o Carnaval por 29 anos. No primeiro ano que foram as ruas elegeram a primeira Rainha das Kengas, ficando tradicional a eleição nos anos seguintes, quando todos usam sua criatividade para conquistar o título máximo da irreverência. Em 1989 realizou seu primeiro baile - o Baile das Kengas. O sucesso do baile foi grande e até hoje se mantém como tradição no carnaval natalense. Esse ano o baile será realizado na boate Vogue e será animado pela Orquestra de Frevo " Dom Cardoso e seus Metais






Além dos Polos Carnavalescos da Redinha, de Ponta Negra.  do Centro Histórico da Cidade e da Ríbeira, a Prefeitura incluiu os bairros das Rocas e do Alecrim como polos Carnavalescos nesse Carnaval 2012.


Polo Carnavalesco das Rocas



Nas Rocas, a animação promete ser contagiante. O carnaval de rua vai tomar o bairro de assalto nos quatro dias de folia com o batuque de troças e blocos. No palco, a galera vai poder curtir o som da Orquestra de Frevo, das bandas Traz a Massa e Nova Sensação e do cantor e músico Kiko Chagas.


Polo Carnavalesco do Alecrim


"Cheiro do Alecrim", "No Kengo Tem", "Piratas do Rifoles", "Caixa D'Água","Recordar é Viver"  e "Psyu" são algumas das atrações programadas para o carnaval de rua do bairro do Alecrim. Careca dos Teclados e Jorge Luiz e banda farão a animação no palco.


FONTE:

  • Jornal Tribuna do Norte - Natal/RN
  • Jornal Diário de Natal - Natal/RN
  • Pesquisas Google - Site de Divulgação do Carnaval  de Natal
FOTOS:
  • Imagens Google
  • Acervo de Canindé Soares - Fotógrafo Potiguar
  • Edição de Foto: programa Pic-Nic- Yahoo/BR

                



sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

O IRREVERENTE CARNAVAL DA REDINHA - DA SÉRIE CARNAVAL EM NATAL


A Praia de Redinha é detentora do título do carnaval popular mais animado de Natal.Território dos blocos mais irreverentes da cidade, a Redinha atrai foliões de outros lugares para brincar na folia dos blocos "Povão da Praia", "Folia Mirim", "Papangu da Redinha", "Visse e Versa", "Cata Corno", "No seu Buraco", "Siri na Lata", "Vai pra Peia", "Caju Maluco", "Tampa de Furico", "Cobra Coral", Banda do Siri", "Zé Perikito", "Perereca da Redinha", "Baiacu na Vara", "Seu Boga" "Redinha dos Meus Amores" e tantos outros que surgem a cada ano.Isso sem contar com os tradicionais "blocos dos Índios"  presenças tão marcantes no carnaval potiguar.







Os blocos de rua da Redinha, com suas orquestras de frevo, atraem centenas de foliões quando saem as ruas, sem cordas ou cordões, resgatando a liberdade e a irreverência do povo com suas bandas de metais e seus músicos, levando o autêntico carnaval aos inúmeros foliões que lotam as ruas e becos da praia, durante os dias de folia.
A Redinha mantém também a cultura dos blocos de índios que desfilam ao som das batidas de tambor.
Além dos desfiles dos blocos de rua que são, sem dúvida alguma, o melhor do carnaval nessa praia, o polo carnavalesco da Redinha, conta com dois locais para apresentação de shows diários: o palco do Cruzeiro e o palco do Buiú.Passam por lá artistas locais e bandas em trios elétricos tocando  axé e outras músicas do gênero.







BLOCO CARNAVALESCO OS "CÃO"



Mas foi com o bloco "Os Cão" que o carnaval da Redinha notabilizou-se na cidade, pela invenção da fantasia de lama, veste do mais irreverente bloco da praia. O Bloco surgiu nos anos 60 quando um grupo de amigos resolveu desfilar pela praia "fantasiado" com a lama do mangue e com adereços consagrados ao "cão" ( o diabo) no imaginário popular. Hoje "os cão" levam mais de dois mil componentes ao mangue, para enlameados desfilarem pelas ruas.






Francisco Ribamar de Brito, seu Dodô, um dos criadores do bloco, conta como surgiu os cão: "tudo começou quando ele, Zé lambreta, Chico Baé e mais dois amigos, resolveram pegar camarão no Porto D'água, para tirar o gosto da aguardente. Estando no mangue, Chico Baé mela o cabelo de lama, querendo estirar o cabelo crespo. Achando engraçado, todos encheram o corpo da lama e saíram para o mercado e ruas da Redinha, assustando quem passava. O povo dizia: lá vem os cão! Naquele tempo era tudo sadio,a gente era respeitado. Hoje em dia todo mundo mela todo mundo" completa seu Dodô.








Em "Natal-Uma Nova Biografia", Diógenes da Cunha Lima transcreve uma nota do "Jornal o Galo- em fevereiro de 1997, que reescrevo aqui:"Quem são eles. os cão? Meros cidadãos de uma comunidade praieira? Com uma definição assim não há como evitar o risco de incorrermos no simplismo. Porque os cão são muito mais: irreverência. originalidade, comunhão com a mãe-terra, alerta em favor do ecossistema e, por extensão, também um momento de pura beleza sob a forma descuidada da efêmera( e preciosa) alegoria do carnaval" E o poeta-escritor complementa: "A mais pobre das fantasias, feita da lama negra dos mangues, supera qualquer fantasia, inclusive a religiosa.



FONTES:  
                   
          Jornais:tribuna do Norte e Diário de Natal
          Diógenes da Cunha Lima- Natal-Uma Nova Biografia
          Editora Infinita Imagem - 2011
          Luiz da Câmara Cascudo-História da Cidade de Natal
          Site: Diário do tempo- Velha Redinha- Sergio Vilar
          Pesquisas Google-Wikipédia
                                           
FOTOS: 
    Acervo do fotógrafo Canindé Soares
         Imagens Google


segunda-feira, 10 de outubro de 2011

A CULTURA DO BODE NO NORDESTE BRASILEIRO - I - SUA MAJESTADE O BODE!



Ele reina por esses sertões nordestinos. Festejado em diferentes lugares é, sem dúvida, um representante notório da nossa identidade cultural. Há uma intimidade do homem nordestino com o bode e a cabra. A lida diária com os rebanhos cria proximidade gerando sentimentos de afetividade que une o bicho e o homem, quase humanizando-os. São incontáveis "os causos" contados pelo sertão afora envolvendo esses animais. Histórias fantásticas são relatadas na literatura de cordel e no folclore nordestino. Mas, os mais famosos  personagens da "Cultura do Bode" que expressam essa afetividade, são  contadas em Fortaleza com a história do Bobe Ioiô  e a do Bode Bito na cidade de Riachão do Dantas em Sergipe.
                                               
A HISTÓRIA DO BODE IOIÔ

                                                 

Popularíssimo por volta de 1920, o Bode Ioiô diariamente se dirigia à Praça do Ferreira, na época centro cultural da cidade. Nessas andanças, tornou-se conhecido e querido por todos. Amigo dos boêmios e escritores de Fortaleza, muitas histórias são contadas sobre o bode que bebia cachaça e tinha preferência pelas moças. Ioiô participou de atos políticos em coretos, praças e saraus literários, comeu a fita inaugural do Cine Moderno, assistiu peça no Teatro José de Alencar, passeou de bonde, perambulou pelas igrejas e até pela Câmara Municipal. Depois de sua morte foi embalsamado e doado ao Museu Histórico e Antropológico do Ceará em 1931.

A HISTÓRIA DO BODE BITO




Se no passado o Bode Ioiô foi um ilustre cidadão da comunidade boêmia de Fortaleza, o Bode Bito foi uma verdadeira celebridade da história mais recente da cidade de Riachão do Dantas, cidade do interior de Sergipe. O animal ficou famoso por acompanhar procissão, desfile de 7 de Setembro e enterro.
Salvo do abate há 13 anos, quando foi comprado por seu dono e escapou de virar buchada, Bito costumava assistir às missas. Quando o sino da igreja soava, anunciando algum falecimento, Bito ficava de prontidão para acompanhar o velório e o enterro. Em qualquer uma destas situações, o caprino estava sempre à frente do desfile ou cortejo. Costumava perambular pela cidade entrando nas casas, onde era recebido como amigo. Gostava de comer milho, balas e doces.
Bode Bito que em outubro do ano passado virou protagonista de um documentário "Deu Bode" feito por Maria de Fátima Fontes de Góes. 
Depois de sua morte, Bode Bito ganhou uma estátua que foi colocada na estrada da cidade.


O BODE EM FESTA


                                        1.Batalha-PI- 2. Mossoró-RN -3.Sertânia-PE- 4.Paulo Afonso-BA


Festivais em homenagem ao animal são realizados por toda a Região Nordeste.Dentre elas destacamos, a Festa do Bode do município de Riachão do Dantas em Sergipe, a Festa do Bode na Cidade de Batalha no Piaui, a Festa em Sertânia, no Sertão de Moxotó, interior de Pernambuco, a Festa no Povoado Riacho Grande em Paulo Afonso, na Bahia, o Bregabode, na cidade de Mossoró no Rio grande do Norte, o Tejubode em Tejuçuoca,no Ceará. Ainda no Ceará, na cidade do Crato, se realiza o Berro do Cariri, feira regional de ovinocaprinocultura, que entre outras atrações, realiza um Festival de Gastronomia à base de carne de ovinos e caprinos. Mas é a Festa do Bode realizada na cidade de Cabeceiras, interior da Paraíba, que vem ganhando destaque no cenário nacional - a Festa do Bode Rei.


1- TEJUBODE NO CEARÁ

Tejuçuoca tem 15 mil habitantes e 15 mil bodes e cabras. Os números não são tão precisos assim, mas a prefeitura garante que a média é de um bode ou cabra para cada habitante.Tudo gira em torno do animal. Os bares, a prefeitura, a antena de celular... tudo tem bode no meio. A principal festa da cidade é a festa do bode - a Feira de ovinos e caprinos de Tejuçuoca. Criadores de animais, fabricantes de derivados de carne e de leite de cabra são mobilizados. Artesãos, educadores e a comunidade se misturam na defesa da "cultura do bode" .









A FESTA DO BODE REI



A cidade de Cabaceiras, carinhosamente chamada de Roliude Nordestina, por ter sido palco de vários filmes nacionais. Está localizada na região do Cariri oriental paraibano. A cidade, um grande centro de caprinocultura do Nordeste, realiza anualmente a Festa do Bode Rei, que atrai não só criadores, como uma grande quantidade de turistas. O evento já esta consolidado no calendário sócio-cultural da Paraiba e faz parte do roteiro turístico que antecedem o São João.






                                              
                                         
Na festa que dura três dias, Sua Majestade, o Bode desfila pela cidade em carro aberto com seu séquito: a Cabra Rainha, o Príncipe, a  Princesa e a Guarda Real Bodística. A festa conta com iguarias gastronômicas singulares onde o Bode é o ingrediente principal. Churrasquinhos de carne de Bode (pedaços de filé de bode), Pizza de Bode (feita de queijo de cabra e pedaços de filé de bode),Linguiça de Bode, Buchada de Bode, Bode na Telha, Bodioca ( tapioca recheada de carne de bode) Mc Bode (hambúrguer de carne de bode) e Xixi de Cabrita - coquetel feito de leite de cabra, cachaça, canela, baunilha e açúcar, são algumas das atrações dessa culinária de festa.



                                                

                                                                                                     
Durante a  Festa do Bode Rei, são realizados concursos gastronômicos, como por exemplo, escolher a melhor buchada de bode, e competições como a corrida "Fórmula Bode" realizada na pista de vaquejada chamada de Bodródomo. Palestras e exposições de animais além de produtos e serviços voltados para a  ovinocaprinocultura fazem parte desse grande evento.







      Record News - Festa do Bode em Cabaceiras - 2011



                                         Enviado ao You Tube por  britosilva em 13/08/2011                       

FONTES:
    
  "Culinária Caprina - do alto sertão à alta gastronomia - SENAC - DN - RJ 2005
  "Bode Bito"- Reportagens da TV Record -Programa Domingo Espetacular
                   Priscila Andrade e Renata Alves-Exibido em 05/08/2007

        
FOTOS: Imagens Google