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Barra de Punaú - por Arilza Soares
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quarta-feira, 11 de novembro de 2020

CARLOS ZENS - PESCADOR DE SONS DO BRASIL




Carlos Zens não é um artista comum.Cantor, compositor, arranjador e multi-instrumentista é daqueles músicos natos que nasceu para tocar. Mas ele vai muito além da intuição. É um estudioso e pesquisador não só da técnica do seu instrumento de trabalho (a flauta que domina com perfeição) mas dos rítmos e melodias do nosso povo. É um observador do cotidiano e tudo que o cerca faz sentido e pode se transformar em música. Faz releituras musicais incríveis, navegando entre o erudito e o popular e essa  CDs, mas um considero sua obra prima: Pescador de Sons do Brasil! Um título por sinal muito feliz que resume exatamente o que Carlos Zens é, e o que faz como músico. 




 

Pescador de Sons não sai do meu toca-disco. Nessa pandemia Zens tem sido um grande companheiro. Enquanto mergulho nos meus afazeres domésticos me inundo desses sons maravilhosos que ele pescou e que tão generosamente nos presenteia. É lindo demais esse Cd!
Viajo e canto com ele esses ritmos fantásticos, do clássico ao popular, numa mistura genial que só um grande músico é capaz de criar. Pego Calando na praia, Afugento Ararunas, Toco Viola de Papo Pro Ar. Pego Siri de Jereré na companhia de Beethoven e me imagino dançando Ciranda numa roda com Lia em Itamaracá. Me extasio diante das Xanaxas essa flor tão bonita de se ver.Costuro sonhos com um Ponto em baixo um Ponto em Cima. Subo nas Dunas Brancas enquanto faço uma declaração de amor para minha cidade. Piso na Fulô ao som de Habañera para me esbaldar depois no Coco de São Gonçalo. Me encho de amor no coração cantando Rosas e Espinhos. Cantarolo baixinho o Choro para Dominguinhos e aumento o tom para cantar Samba porque sou feliz! Quero saber quem criou o Paraíso e encontro resposta na Praia do Amor. Olho na janela e vejo os Gaviões da Cidade mas prefiro continuar cantando e dançando Ciranda.Chamo os Cirandeiros para entrar na roda e me ensinar os passos da dança! A Gia Canta anunciando chuva. É hora de diminuir o ritmo frenético e respitar fundo! É tempo de Semear e Colher, pra mim quase um Mantra. Perfeito!
Obrigada Carlos Zens pela companhia. Obrigada principalmente por me permitir fazer essa viagem pescando sons com vc.




É grande a diversidade de ritmos regionais contidos nas  faixas do CD.
Carlos Zens realiza viagens sonoras onde " vislumbra um Brasil imaginário, caboclo, caiçara, sertanejo, jangadeiro e de repentistas representanres da nossa alma brasileira. Traz o canto natural da terra com a flauta e o sax soprano, numa maneira faceira de um Pescador de Sons.
Cavaquinho, rabeca, viola nordestina, sanfona, zabumba,triângulo, ganzá, caxixi, caixa, alfaia e berimbau completam o jereré nusical que ora pode o levar à cidade, ora para o mar ou ainda mais para o infinito do sertão sem fim.
( Natal Notícias - Jornal On Line em 26 de fevereiro de 2015)


SHOW PARA O LANÇAMENTO DO CD


O CD Pescador de Sons foi gravado no período de 2012 á 2014. Em 27 de fevereiro de 2015, no Teatro Alberto Maranhão, Carlos Zens faz o show, com o mesmo título para o lançamento do CD.Um show carregado de alegrias com interpretação de clássicos da música popular potiguar brasileira e da música universal.


REPERTÓRIO MUSICAL DE PESCADOR DE SONS


Pescador de Sons tem dezessete faixas, na sua maioria músicas autorais. Com maestria Zens faz leituras e releituras inspiradas nas raízes e matizes do nosso povo.
São elas:

  1. “Calango da Praia/Araruna” (Carlos Zens e Domínio Público)
  2. “De Papo Pro Á” (Joubert de Carvalho e Olegário Mariano)
  3.  “Ciranda do Sossego/Tema 5ª Sinfonia” (Carlos Zens e Beethoven)
  4. Flor Xanana” (Carlos Zens)
  5. “Um Ponto em Baixo, Um Ponto em Cima” (Tico da Costa)
  6.  “Natal das Dunas Brancas” (Carlos Zens)
  7.  “Habañera/Pisa na Fulô” (Bizet e João do Vale/Silveira Jr e Ernesto Pires)
  8.  “Coco São Gonçalo” (Adap. Carlos Zens)
  9.  “Rosas e Espinhos” (Dudu Santos)
  10.  “Choro, Adagio para Dominguinhos (Carlos Zens, Tomaso Albinon
  11. “Sr. Samba ‘Samba do Rosário” (Carlos Zens)´
  12.  “Me Diz” (Petrônio Aguiar)
  13.  “Praia da Pipa, Praia do Amor” (Carlos Zens)
  14.  “Gavião na Cidade” (Carlos Zens)
  15. “Ciranda da Vida/Cirandeiros/Bolero” (Carlos Zens, Petrônio Aguiar e Maurice Ravel)
  16. “A Gia Canta” (Mestre Cícero da Rabeca. Adap. Carlos Zens)
  17. “É Tempo de Semear e Colher” (Calos Zens e Petrônio Aguiar.

VAMOS CANTAR COM O ZENS?



1 - Calango da Praia/Araruna (Carlos Zens e Domínio Público)



2- De Papo Pro Á (Joubert de Carvalho e Olegário Mariano)
 


 3- Ciranda do Sossego/Tema 5ª Sinfonia
                    (Carlos Zens e Beethoven)



                   4 - Flor Xanana (Carlos Zens)




 5 - Um Ponto em Baixo, Um Ponto em Cima (Tico da Costa)





 6 - Natal das Dunas Brancas (Carlos Zens)





7 - Habañera/Pisa na Fulô (Bizet e João do Vale/Silveira Jr e Ernesto Pires)




8 - Coco São Gonçalo (Adap. Carlos Zens)





9 - Rosas e Espinhos (Dudu Santos)


 
10 - Choro, Adagio para Dominguinhos (Carlos Zens, Tomaso Albinon




11 - Sr. Samba ‘Samba do Rosário (Carlos Zens)




12 - Me Diz (Petrônio Aguiar)




13 - Praia da Pipa, Praia do Amor (Carlos Zens)




14 - Gavião na Cidade (Carlos Zens)




15 - Ciranda da Vida/Cirandeiros/Bolero (Carlos Zens, Petrônio Aguiar e Maurice Ravel)


 

16 - A Gia Canta (Mestre Cícero da Rabeca. Adap. Carlos Zens)




17 - É Tempo de Semear e Colher (Calos Zens e Petrônio Aguiar.




CARLOS ZENS - UM POUCO DO NOSSO ARTISTA




Nascido no Bairro de Santos Reis em Natal, Carlos Alberto de Freitas,Carlos Zens ou Carlinhos para os mais íntimos, iniciou sua formação musical aos 15 anos, quando entrou para a Escola de Música da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Posteriormente fez o Curso de Bacharelado no Instituto de Artes da Universidade Estadual de São Paulo.
Sua trajetória como artista já consagrado em Natal, inclui apresentações em várias cidades brasileiras e em programas de TV. Recentemente esteve em Cuba.
Além de Pescador de Sons, Zens tem outros ótimos CDs:
  • Ouvindo coração (2010)
  • Arapuá no cabelo (2008 - 2ª edição) 
  • O menino da paz ( 2007 - Trilha do Auto de Natal)
  • Fuxico de feira (2004 - 3ª edição)
  • Carlos Zens, o tocador de flautas ( 2001) 
  • Potyguara (1995 e 1997)


 Atualmente Pescador de Sons está disponível nas principais plataformas digitais junto com outros três CDs: Arapuá no Cabelo, Fuxico de Feira e Ouvindo o Coração. Estão inteirinhos e prontos para serem adicionados em sua #playlist. É só escolher o #streaming.

FONTES
  • Site Oficial de Carlos Zens 
  • http://www.natalpress.com.br/site/cidadania/29-home/destaques/6728-carlos-zens-lanca-cd-em-seu-novo-show-pescador-de-sons
  • http://www.tribunadonorte.com.br/noticia/carlos-zens-em-pescador-de-sons/307051
  • https://ladyfthedestiny.wordpress.com/2015/02/26/carlos-zens-lanca-nesta-sexta-cd-em-seu-novo-show-pescador-de-sons/

                                                                       FOTOS
  • Imagens Google dos Sites acima relacionados
  • Acervo pessoal de Arilza Soares


terça-feira, 18 de junho de 2013

O A ARTE DE LUZIA DANTAS - UMA DAS MAIS IMPORTANTES ARTESÃS DO NORDESTE BRASILEIRO







No ano passado ganhei de uma grande amiga, uma imagem de Santana feita por Luzia Dantas. Não sei que outro presente poderia me deixar mais feliz! Sempre fui apaixonada pelos trabalhos de Luzia. Suas figuras são ricas em detalhes e o movimento que ela imprime em suas peças é perfeito. Mas, o que mais me impressionou na Santana que Mariazinha me presenteou foi que, mesmo depois de ter sofrido mais de um acidente vascular, Luzia ainda consegue fazer, de cada peça sua uma obra de arte, tal minuciosidade de detalhes gravados na madeiracom muito esmero e requinte, coisas que só uma grande artista é capaz se fazer.



Eis a minha Santana





A seridoense Luzia Dantas é a santeira mais importante do Rio Grande do Norte. Desde criança dedica-se a produzir obras que retratam tipos populares e a vida dos nordestinos: casas de farinha, vaquejadas, carros de boi, retirantes. No entanto foi fazendo santos que se tornou famosa. Suas peças de Arte Sacra como a Santana, Santa  Luzia, Nossa Senhora da Conceição e São Francisco são consideradas obras primas.






Luzia faz suas esculturas com a madeira da umburana, pequena árvore da caatinga e usa como instrumentos de trabalho: canivete, sovela, escopo, serrote, lixa, faca e facão.
Suas esculturas em estilo barroco impressiona pela riqueza de detalhes sempre minuciosos, delicados  e muito bem acabados - perfeitos! Em cada peça por ela produzida observa-se a habilidade da artesã, nessa arte de esculpir em madeira.




 





Luzia Dantas nasceu em Rio da Cachoeira, município de São Vicente, região do Seridó, Rio Grande do Norte,  em 27 de fevereiro de 1937. Morando numa fazenda, alguns quilômetros distantes da pequena cidade de São Vicente, Luzia não sofreu influência de qualquer outro artista popular. Começou a talhar na madeira o que gostava desde criança. E quando recebeu sua primeira encomenda não parou mais. Mudou-se, ainda menina, para Currais Novos, onde mora até hoje.








Luzia sobrevive da sua arte. À medida que os anos passam, mais chegam encomendas a seu modesto atelier, a ponto de Luzia precisar estabelecer prazos para atender os clientes de todo mundo. Já não dá conta de quantas peças já fez, nem para onde foram levada. Sabe apenas, que estão espalhadas em várias cidades do Brasil, dos Estados Unidos e em alguns países Europeus.
Na Capela do Marco de Touros no Rio Grande do Norte , se encontra a maior escultura que já fez: uma Nossa Senhora dos Navegantes de 1.10m, encomendada pelo professor  Oswaldo de Souza.




VAQUEJADA


OS RETIRANTES




O CASAMENTO





LUZIA DANTAS POR ELA MESMA




"Aqui em Currais Novos fui a primeira a fazer essas coisas, Uma vez, faz muito tempo, vi uma peça do Chico Santeiro, que já faleceu, Minha irmã Ana Dantas, que também já se foi, fazia esse trabalho em madeira. Mas fui a primeira. Minha mãe fazia bonecos ded casca de melancia pra gente brincar. Eu comecei a fazer bonecas de madeira, Logo os vizinhos encomendavam para os filhos deles e a coisa foi aumentando. Eu pegava pedaços de lenha de imburana e fazia meus bichos. Eu assistia a vaquejada, as corridas de boi e cavalo e corria para casa e fazia o que via. E assim foi. As pessoas pediam e eu fazia. Sei que a arrte da madeira não é todo mundo que tem, A talha (ou entalhe) é mais fácil, mas fazer a figura inteira é difícil."







"Eu gosto de fazer as coisas bem detalhadas. Acho que coloco nas peças as feições que me são familiares. Faço cada parte e depois monto com cola branca. Cada um tem um rosto. Ás vezes a pessoa traz uma foto para eu  me inspirar pro rosto do santo encomendado e às vezes a  foto é feia. Quando eu faço meu rosto, deixo todos bonitos."




 LUZIA DANTAS  PELOS APRECIADORES DA SUA ARTE






" há um halo visível nos santos de madeira que ela constroi com a delicadeza de suas mãos, com  a pureza de sua alma.Luzia Dantas é a mais inspirada  artesã do Rio Grande do Norte, se não do país." Luiz Carlos Guimarães - poeta seridoense.








" quando alude sobre temas do cotidiano, como vaquejadas, casas de farinha, retirantes, seu estilo é fundamentalmente realista. Contudo quando trabalha a madeira, em função das imagens sacras, seu estilo é fundamentalmente barroco" - Antônio Marques - Professor de História da Arte da UFRN.








" À maneira de alguns grandes mestres ( que ela jamais conheceu) costuma colocar nos santos que esculpe o rosto de parentes, amigos, visinhos." Iaperi Araújo - Artista Plástico e Crítico de Arte.







O RECONHECIMENTO OFICIAL DO TALENTO DE LUZIA DANTAS








Em 2012, Luzia Dantas, que figura no catálogo  brasileiro de artesãos,  foi homenageada na 17ª edição de Fiart. Aos 75 anos, a artesã comemorou a presença em cada uma das edições da Fiart desde a primeira. "Perdi apenas uma por problema de saúde, mas acompanhei todo evento", afirmou Luzia.
Na foto, a artesã recebeu das mãos da governadora Rosalba Ciarlini uma obra do mestre Edvaldo Santiago que retrarta o ofício exercido pelos expositores presentes no evento.


ENDEREÇO DO ATELIER DE LUZIA DANTAS




Rua Dona Germana, 72 – Centro
59380-000 Currais Novos, RN
(84) 3412-1126




FONTES:

  • A Mulher Potiguar - Cinco Séculos de Presença - Fundação José Augusto - Governo do Estado do Rio Grande do Norte - Governador - Garibaldi Alves Filho
  • Pesquisas Google - Sites:
  1. http://artesanatopotiguar.com.br
  2. http://tribunadonorte.com.br/print.php?not_is=238788
  3. http://www.onordeste.com/enciclopediaNordeste/index.php?titulo=Luzia+Dantas&ltr=i&id_perso=1282
  4. ttp://marcosdantas.com/blog/artesa-de-currais-novos-homenageada-na 17a-edicao-da-fiart

FOTOS:

  • Acervo do Fotógrafo Potiguar Alex Gurgel
  • Acervo do Vento Nordeste
  • Imagens disponíveis no Google
  • Edição de Fotos:ite PicMonkey



quinta-feira, 16 de maio de 2013

PADRE JOÃO MARIA - O SANTO DE NATAL




"PARA UNS MITO; PARA OUTROS, SANTO; PARA TODOS, 
UM EXEMPLO DE VIDA"



Para mim sempre foi Santo, ou foi assim que sempre ouvi falar dele. Canonizado, ou não, a fé e devoção ao Padre João Maria esteve sempre presente na vida de quem, como eu, nasceu e viveu nas proximidades do Alto do Juruá em Petrópolis. Lembro do Padre Eymar pedindo doações para construir a Igreja do Padre João Maria. Quantas quermesses, rifas e leilões eu participei empenhada na campanha para erguer a Igreja! 
Até hoje o dobrar  dos sinos da Igreja, chamando os fiéis para a missa, me emociona e me faz voltar ao tempo em que,  grande parte da minha vida girava em torno dela, seja nas missas dominicais, nas reuinões do Clube de Jovens, nas novenas do mês de maio, nas procissões, nos batizados de irmãos, sobrinhos e afilhados ou nos casamentos de amigos.
Atualmente a igreja é  conhecida como Igreja Matriz da Paróquia Nossa Senhora de Lourdes; contudo, mesmo com todo respeito e devoção que tenho por Nossa Senhora de Lourdes , a igreja do Alto do Juruá será  sempre a minha igreja, a Igreja que, de certa forma, ajudei a construir -  será sempre a Igreja de Padre João Maria.


SOBRE PADRE JOÃO MARIA 





"João de Deus", "Pastor dos pobres", "Apóstolo de Natal" "Anjo da Cidade de Natal", são alguns nomes atribuidos ao Padre João Maria pela população da cidade.Todos os seus contemporâneos são unânimes em afirmar que o Padre João Maria era mais que um sacerdote. Era também médico e assistente social dos necessitados, a quem sempre atendia com presteza e solicitude. Desprendido escolheu a pobreza como regra de vida. Conta-se que até as suas batinas ele as repartia para agasalhar o pobre doente nas madrugadas frias. Era visto sempre percorrendo a pé, ou montado num jumento os bairros mais pobres de Natal, transmitindo mensagens de esperança aos miseráveis, levando aos doentes medicamentos homeopáticos preparados por ele mesmo ou prestando conforto espiritual aos moribundos, a quem era comum, naquela época, conceder extrema unção na hora final. Tinha um lema, que cumpriu a risca: "Ser tudo para todos".






João Maria Cavalcanti de Brito nasceu 23 de junho de 1848, na fazenda Logradouro do Barro, zona rural de Caicó, uma localidade que hoje pertence ao município de Jardim de Piranhas, onde desde cedo, acompanhou o drama das vítimas da estiagem que ainda hoje assola a região. 
Seu pai Amaro Soares Cavalcanti de Brito era professor primário e lhe ensinou as primeiras letras. Sua mãe, Ana de Barros Cavalcanti teve mais quatro filhos, além dele, que era o mais velho: Militana, Ana, Josefina e Amaro Cavalcanti. Este último, o caçula, tornou-se renomado jurista, chegando a ocupar os Ministérios da Justiça e da Fazenda. Foi, também, seu protetor, enviando-lhe mesada que era, quase sempre, repassada aos pobres.
O jovem João Maria deu continuidade aos estudos em Vila Nova do Príncipe, hoje Caicó. Cresceu em ambiente católico o que contribuiu para lhe despertar a vocação religiosa.    Oriundo de família pobre, mas respeitada na vizinhança, contou com a ajuda financeira de fazendeiros amigos para custear seus estudos no Seminário de Olinda (PE), para onde viajou a cavalo aos 13 anos, acompanhado do pai, para fazer o curso eclesiástico.






Seus estudos de Teologia foram concluídos no Seminário Maior de Prainha em Fortaleza/CE, onde recebeu as ordens sacras, conferidas por Dom Luís Antônio dos Santos, bispo da diocese do Ceará, em novembro de 1871. Ordenou-se aos 23 anos, rezando sua primeira missa no domingo dia 10 de agosto de 1871, em Caicó, onde ficou trabalhando como auxiliar dovigário. Depois foi vigário em Jardim de Piranhas, Santa Luzia do Sabugi (PB), Acari, Papari (hoje Nísia Floresta) e, por fim, Natal, onde tomou posse da paróquia de Nossa Senhora da Apresentação em 7 de agosto de 1881, substituindo o padre José Hermínio.






Sacerdote, médico e assistente social. Sua fama já era conhecida de todos quando chegou a Natal, principalmente pelo trabalho que realizou em Papari, numa época de grande seca. O padre  Improvisou palhoças para abrigar os flagelados, a quem dava de comer, ministrava medicação natural para os enfermos e cuidava das crianças. Tinha uma preocupação especial com a higiene destas pessoas, orientando sobre os modos de como prevenir as doenças. Seu prestígio levou o governo a enviar roupa, dinheiro e comida para suprir as necessidades do seu rebanho. 



  
Casa onde morou o Padre João Maria em Natal
FOTO DE TITO GARCEZ

Foi na capital, porém, que seu trabalho ganhou mais visibilidade. Residiu na esquina da praça que hoje tem seu nome. Foi vigário de Natal durante 24 anos - de 1881 até a sua morte, ocorrida, em 1905. Naquela época, esta paróquia era imensa: estendia-se da foz do Potengi até o atual município de Bom Jesus, compreendendo ainda grande parte das povoações do litoral Norte, d'além Potengi, assim como as povoações do litoral Sul, indo até Pirangi. Toda esta extensão, o Padre João Maria percorria, rezando missa e levando-lhes a sua caridade e o conforto da palavra de Deus.





Sensível aos apelos do Papa Leão XIII e consciente da importância da imprensa para a evangelização, ele fundou o jornal "8 DE SETEMBRO", - primeiro jornal católico da cidade, cujo primeiro número circulou no dia 8 de setembro de 1897.
Visionário para o seu tempo, o Padre João Maria idealizou o projeto da nova catedral. Conseguiu com a dona Sofia Roselli a doação de um grande terreno no então bairro Cidade Nova, para a construção de uma nova catedral., e deu início a campanha para a sua construção. Diariamente, mobilizava o povo para, em procissão, rezando e cantando, transportar pedras da praia de Areia Preta para a construção do novo templo, situado onde, hoje, foi erguida a Nova Catedral. Algumas paredes ficaram numa altura de um metro e meio, mais ou menos. Com o seu falecimento, a construção parou.
Laborioso em sua luta pelos mais necessitados, em 1888, foi eleito presidente da Sociedade Libertadora Norte-Riograndense, objetivando a libertação dos escravos do Estado. Com essa finalidade,também publicou o Boletim da Libertadora Norte-riograndense.








Ao redobrar esforços para atender as vítimas de uma peste de varíola que se propagou na cidade, entre 1904/1905 começou a demonstrar, ele mesmo, os primeiros sinais de debilidade orgânica. Provavelmente resultado das noites mal dormidas, passadas em claro nos casebres onde velava pelos doentes. O médico diagnosticou diabetes, em estado avançado. Por recomendação médica, teve que procurar clima sadio e puro para ajudar no tratamento, sendo removido, por isso, para um sítio de propriedade da família Moreira Brandão, no Alto Juruá, hoje Petrópolis. Foi ali que ele viveu seus últimos dias.









Foi para lá  que o povo acorreu para rezar pelo seu restabelecimento. Às 8 horas do dia 16 de outubro daquele ano, aos 57 anos, padre João Maria faleceu na casa onde posteriormente foi erguida, em sua homenagem, a Igreja Nossa Senhora de Lourdes.
Seu velório reuniu cerca de 5.000 pessoas, mais da metade da população da cidade. No cortejo até o cemitério do Alecrim, onde foi sepultado juntaram-se pessoas de todas as camadas sociais.



Mausoléu do Pe. João Maria no Cemitério do Alecrim


No local da casa onde faleceu o Padre João Maria, no Alto do Juruá em Petrópolis, hoje bairro de Areia Preta, os católicos construíram a igreja de Nossa Senhora de Lourdes, uma iniciativa do Padre Emerson Negreiros, concluida pelo Monsenhor Eymard L'Eraistre Monteiro.A construção da igreja datra de 1956 e consta que o altar foi erguido no mesmo local da cama na qual faleceu o Padre João Maria.








Na igreja foi construido o Mausoléu que abriga restos mortais do Padre João Maria, transladados para esse local no dia 15 de outubro de 1979. Uma multidão estimada em cerca de dez mil pessoas, acompanhou a cerimônia. A exumação dos restos mortais foi feita com a autorização de Dom Nivaldo Monte de maneira que alguns res´duos permanececem no Cemitério do Alecrim e a maioria fosse levada para a Igreja de Nossa Senhora de Lourdes.









O SANTO DE NATAL






Em 22 de fevereiro de 2002, foi aberto o processo de Beatificação do Padre João Maria. No momento esse processo encontra-se na fase diocesana em que realizada a investigação histórica.
Todos os meses, sempre no dia 16, é celebrada uma missa pela beatificação do Padre João Maria e realizada a unção dos enfermos, na Matriz da Paróquia Nossa Senhora de Lourdes, em Areia Preta.




MONUMENTOS EM HOMENAGEM AO PADRE JOÃO MARIA








No centro da cidade de Natal, na praça que também homenageia o Padre - Praça Padre João Maria, uma herma foi construida e inaugurada en 07 de agosto de 1919. Desde essa data que fiéis devotos do Padre João Maria rezam, acendem velas, fazem promessas, agradecem, colocam flores e ex-votos, sinais inconfundíveis de graças alcançadas.



Em Natal / RN


Um outro monumento construído em homenagem ao Padre João Maria está localizado na cidade onde nasceu, hoje Jardim de Piranhas.


Em Jardim de Piranhas / RN



FONTES
  •  Monsenhor Eymard L'E. Monteiro - "Esboço Biográfico do Pe. João Maria" Natal / RN - 1979.
  • Itamar de Sousa - In DN Educação - Projeto Ler - Diário de Natal - Fascículo Nº 2 - Natal / RN
  • Jeanne Nesi - Caminhos de Natal - Praça Padre João Maria - Natal / RN
  • Pesquisas Google - Sites:
  1. http://tribunadonorte.com.br/notícia/saudosismo-nas-redes/213410
  2. http://pt.wikipedia.org/?wiki/jo%C3%A3o_Maria_Cavalcant_de_Brito
  3. http://blogdetetelescope.blogspot.com.br/2011/08/praca-padre-joao-maria-natal-rn.htrm
  4. http://www.dei.rn.gov.vbr/contentproducao/aplicacao/dei/arquivos/nosdorn/nos1105.pdf

Fotos

  • Acervo de Eduardo Alexandre Garcia
  • Acervo do Fotógrafo Tito Garcez
  • Imagens Google
  • Acervo do Vento Nordeste



sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

E VIVA DOSINHO! O NOSSO COMPOSITOR MAIOR DE TANTOS CARNAVAIS





"Mandei fazer uma linda fantasia / Bem diferente por seu toda de capim / Saí com ela e me descuidei / O jerico comeu toda  E eu fiquei assim"...
"Tu fica aproveitando o vai e vem da multidão / Não se faça de doido não / Não se faça de doido não / Eu já notei que sua loucura é manha / Mas não esqueça que doido também apanha..."
" Eu não vou, vão me levando / Vão me empurrando / E desse jeito eu tenho que ir / Se bato em um, se piso em outro / Vocês vão me desculpando / Eu não vou, vão me levando..."
Ah Dosinho! Suas músicas embalaram os carnavais da minha infância e da minha juventude em Natal. Impossível esquecer. Você era a nossa voz, o nosso representante maior, pra mim tão importante quanto Capiba em Recife.  Vento Nordeste lhe presta hoje todas as homenagens, todos os aplausos,  todo o nosso reconhecimento pelo muito que você faz até hoje pelo canto potiguar. Obrigada por isso!





"Dosinho tem a linguagem musical. Diz todas as suas emoções na linha melódica, doce, clara, fácil, com uma naturalidade de fonte. E uma grandeza espontânea de predestinado" - Câmara Cascudo.

Claudionor Batista de Oliveira -  Dozinho, nasceu na cidade de Campo Grande no Rio grande do Norte. Iniciou sua carreira fazendo composições para campanhas publicitárias e políticas. Foi assistente de orquestra da Rádio Nacional no Rio de Janeiro. Trabalhou na Gravadora Copacabana como agente e na Mocambo como representante. Em Natal, nos anos 60, produziu e apresentou um programa na Rádio Trairy, aos domingos, denominado Fábrica de Melodias, onde tocava os últimos sucessos da gravadora Mocambo, que ele recebia com exclusividade.


DOSINHO ENTREVISTADO POR NEY LOPES


Começou a compor nos anos 40, mas suas primeiras composições gravadas, datam de 1952: o samba choro "Há sinceridade nisso" e o baião "Se tocá eu danço" feitos em parceria com Manezinho Araújo e Carvalhinho e gravados por César de Alencar. No mesmo ano e com a mesma dupla fez o baião "Jica-jica" gravado em dueto por Cesar de Alencar e Heleninha Costa. Por essa época  compôs a música de carnaval "Marta Rocha" em homenagem a então miss Brasil, que visitava a cidade de Natal - essa música permaneceu inédita.






Em 1955, Os Cancioneiros gravara, de sua parceria com Genival Macedo, o Baião "Menino de pobre". No mesmo ano gravou o samba" Peço a Deus", parceria com Sebastião Rosendo. Em 1956, o Trio Puraci gravou dele e Hilário Marcelino a marcha "Vou de Reboque" e o samba-canção "Beco da maldição" dele com Expedito Baracho.. Em 1957, Os Cancioneiros gravaram os frevo-canções "Tempero de pobre" e Fantasia de Capim" que figuram entre seus maiores sucessos. Em 1959, Gilberto Fernandes gravou o samba-canção "Trapo", parceria com Zito Limeira, e o samba "Só depende de você".






Em 1962  suas composições falavam da uma paixão maior do povo natalense - o Futebol. Compôs "O mais querido" - hino do ABC Futebol Clube sucesso até hoje entre a galera do "frasqueirão". Compôs ainda o hino do Alecrim Futebol Clube e um segundo Hino do América Futebol Clube de Natal, já que o primeiro era o mesmo do Ame´rica Futebol Clube do Rio de Janeiro.
Ainda esse ano, Gilberto Fernandes gravou o samba-canção"Maltrapilha" e os Cancioneiros o samba "Sofredor".Em seguida foi a vez do lançamento do LP "Primeiro Ensaio", com o qual obteve grande sucesso e  elogios de Câmara Cascudo.






Em 1963, Roberto Bozzam gravou o bolero "Se alguém me perguntar" e o frevo-canção "Só presta quente". Em 1964, Meyes Gomes gravou o  frevo-canção "Eu quero mais" e José Alves "Me deixa em paz".
Entre seus LPs destaca-se "Carnaval de norte a sul" com 12 composições em parceria com Waldir Minone, interpretadas por Claudionor Germano. Albertinho Fortuna, Expedito Baracho, que cantou solo e como integrante do conjunto Os Cancioneiros e Carminha Mascarenhas.







Em 1965 lançou o compacto simples "A vez do morro" e Ponta negra" como parte da campanha Pró-Frente de trabalho João XXIII. No mesmo ano Gilberto Fernandes gravou "Baião". Teve músicas gravadas,além dos intérpretes  já citados: Blecaute, Trio Guarany com orquesrra Tamandaré e Paulo Marques. 
Dosinho é considerado um dos grandes nomes do Carnaval ao lado de Capiba e Nelson Ferreira. Depois de atuar no Rio de Janeiro e no Recife, voltou pra Natal onde permanece até hoje.



DOSINHO E SUA RELAÇÃO COM 
O FREVO EM PERNAMBUCO



ANTÔNIO NÓBREGA CANTA DOSINHO



Apesar do frevo ser pouco executado nas rádios natalenses, em Recife Dosinho é tratado como merece: “Mesmo se eu fosse dez não daria conta da demanda de shows, eventos, entrevistas...”, garante. Dos antigos compositores, do quilate de Capiba e Nelson Ferreira, Dosinho é o único que permanece em plena atividade. Já teve músicas gravadas por Claudionor Germano, Tri Guarany, Alceu Valença, Antônio Nóbrega e Silvério Pessoa. No repertório de sucessos compostos por Dosinho para o Carnaval pernambucano estão Vão me levando, Doido também apanha, Fantasia de capim, Tempero de pobre, Naquela base. Foi lançado também o CD Carnaval que o povo gosta, com gravações antigas remasterizadas e novas versões de suas músicas. Dosinho mantém um apartamento num flat, em Boa Viagem - Recife “para não se desligar dos amigos e da cidade”.

 

"BLOCO SEM NOME"  


UMA DESPEDIDA DOS ESTÚDIOS? TOMARA QUE NÃO!



 DOSINHO NO PROGRAMA CORES E NOMES



Na Natal dos Carnatais e dos Axés não tem lugar para Dosinho. Infelizmente! Mas ele segue a compor sua historia mesmo sem o prestígio que lhe cabe. Ele é o retrato vivo de um capítulo da nossa história momesca quando as pessoas se reuniam pelas ruas do Alecrim e da Ribeira para brincar e dançar atrás das orquestras de frevo. Aos 83 anos, o compositor se despede das gravações, deixando o último disco, intitulado "Bloco sem nome" que retrata a realidade atual do carnaval natalense, como na música título do disco e também em "Dolar na Cueca"  -  uma crítica aos políticos corruptos do país.
O álbum "Bloco sem nome" tem arranjos de Jubileu Filho e participação de artistas como Paulo Tito, Claudianor Germano, Tânia Talli, Expedito Baracho e Isaque Galvão.  São ao todo 14 músicas, antigas e recentes escolhidas a dedo pelo compositor. Apesar de dizer ser essa a sua última gravação, Dosinho garante que continuará compondo suas marchinhas e frevos para a alegria daqueles que brincam carnaval.



FONTES:

  • Jornal  Tribuna do Norte Natal/RN - Marchinhas renascem na boca do povo. Reportagem de Yuno Silva - Publicação: 04 de Março de 2011
  • Jornal Tribuna do Norte - Natal/RN - Mais um Carnaval - Publicação: 08 de Janeiro de 2010
  • Jornal Tribuna do Norte/ - Natal/RN "  - Bloco sem nome" é a canção de abertura do novo Disco de Dodoinho - Reportagem de Michelle Ferret.
  • Pesquisas Web - Sites:
  1. http:// musicapotiguarvbrasileira. blogspot.com.br
  2. http:// wwwnordesteweb.com - O encanto dos velhos Carnavais
  3. http://orquestrafreciacao.blogspot.com.br - O nosso Capiba Potiguar
  4. http://onordeste.com - Enciclopédia Nordeste - Dosinho


FOTOS:

  • Imagens Google
  • Edição de Fotos: programa Pic Monkey

VÍDEOS:
  • Dosinho participa do Programa de Olho na Cidade da Band -com o Jornalista Ney Lopes - Postado no You tube por "deolhonacidadedaband em 28/02/2012



  • Vão me levando (Dosinho) por Antônio Nóbrega no Agosto da Alegria. Postado no You Tube por ViverTN em 22/08/2011


  • Cores e Nomes - Dosinho.wmv - postado no You Tube por Cores e Nomes em 24/06/2010.