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Barra de Punaú - por Arilza Soares
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quinta-feira, 8 de março de 2012

CLARA CAMARÃO - NOSSA PRIMEIRA GUERREIRA A CONQUISTAR SEU ESPAÇO NA SOCIEDADE


                                                   
                            
Vento Nordeste aproveita as comemorações do Dia Internacional da Mulher para reverenciar todas  mulheres do nosso estado, que ignorando os preconceitos, quebrando tabus, ultrapassando obstáculos, abriram caminho para que a mulher de hoje possa exercer as funções no mundo do trabalho, da política, do judiciário.
Difícil foi escolher uma que pudesse representar todas elas. São tantas que com coragem, ousadia e determinação, lutaram para encontrar seu espaço na sociedade, seja através da literatura, da poesia, da educação, da arte, da aviação, da política... Poderia escolher entre tantas outras pioneiras! Mas decidi optar pela primeira delas, uma  índia guerreira potiguar que, já na época da colonização, rompia tabus e entrava para  a história - está nela o embrião da luta pela emancipação da mulher. Como potiguar louvo a todas nós acreditando  que  carregamos um pouco  do DNA  da nossa Clara Camarão, o que nos faz guerreiras por tradição cultural  e herança genética.

AS PIONEIRAS - MULHERES GUEREIRAS 
DO RN



Fotos no sentido horário começando no alto do canto esquerdo: Alzira Soreano (Primeira Prefeita do Brasil) -  Auta de Souza ( Uma ds maiores expressões  poéticas do Brasil no seculo XIX ) - Palmira Wanderley (Poetisa , que além de poesias escreveu para peças de teatro e novelas radiofônicas) - Zila Mamede  (Outro grande nome da Poesia brasileira - paraibana que viveu e morreu em terras potiguares) Júlia Alves Barbosa e Celina Guimarães (as primeiras eleitoras brasileiras) - Nísia Floresta (Educadora, Escritora e Poetisa e Precusora do Feminismo no Brasil) - Maria do Santíssimo (Importante Pintora de Arte Primitiva do século XIX)  - Isabel Gondim (Historiadora, Poetisa e Educadora) - Maria do Céu Fernandes (Primeira Deputada do RN e uma das nove primeiras do Brasil) - Lucy Garcia ( Primeira mulher a receber o "brevê" de aviadora no RN) -Miriam Coeli ( Jornalista, Professora e Poetisa) - e no centro Clara Camarão - a nossa índia guerreira, primeira mulher a receber o título de Heroína  do Brasil)


A POTIGUAR CLARA CAMARÃO

                         
                                Clara Camarão e seu marido Felipe Camarão 


Clara Camarão nasceu provavelmente em Aldeia Velha, situada nos arredores de natal, na segunda metade do século XVIII. Não há registro do local e data da sua morte. Pertencia  a tribo Potiguar, que habitava a margem esquerda do rio Potengi.Recebeu o nome de Clara Camarão ao se batizar e casar com  Antônio Felipe Camarão, o índio Poti, da nação potiguar, herói da guerra contra os holandeses. Guerreira, Clara Camarão rompeu a secular divisão de trabalho da tribo ao se afastar dos afazeres domésticos,para participar de batalhas. Dominava o arco e a flecha, a lança e o tacape.
Por seus feitos corajosos, foi-lhe dado o direito de ser chamada de dona e de receber o "Hábito de Cristo" junto com seu marido, concedido pelo rei Felipe IV. Pela primeira vez, uma mulher, e ainda por cima índia, foi considerada heroína brasileira.




                                             Clara Guerreira e o Índio Poti

Depois de casada, Clara acompanha o marido em todos os combates.Montada a cavalo, investia contra as espadas e os arcabuzes do inimigo. Como não podia lutar lado a lado com o marido, proibição imposta pelos costumes tribais, formava um pelotão de índias potiguares sob o seu comando. Segundo Abreu e Lima, Clara Camarão, de uma valentia incrível, afrontou "todos os perigos, castigou por muitas vezes o inimigo e penetrou nos mais cerrados batalhões. Ao passo que combatia, exortava os soldados a cumprir os seus deveres, prometendo´lhes vitória, dando assim o exemplo a muitas outras mulheres que procuravam imitá-la." Clara e Felipe Camarão tiveram participação heroica em vários confrontos contra o domínio holandês.



CLARA CAMARÃO E "AS HEROÍNAS DE TEJUCUPAPO"

Encenação da Peça !as mulheres de Tejucupapo
Goiana/Pernambuco

A histórica Vila de São Lourenço de Tejucupapo, é uma das mais antigas de Pernambuco. A vila pertencia a então Capitania de Itamaracá, hoje, pertencente ao distrito do Município de Goiana. Palco da luta contra os holandeses, entrou na história depois do episódio conhecido como "As Heroínas de Tejucupapo."
Conta a história que os holandeses se encontravam sitiados, sem ter o que comer e obrigados a avançar pelo litoral. Comandados pelo Almirante Lichthant, cerca de  600 holandeses partiram, pelo mar, em  direção a  Tejucupapo. Para se defenderem os homens do vilarejo montaram uma trincheira para a luta contra os invasores. Durante o confronto alguns holandeses foram mortos, despertando a  fúria dos inimigos. Percebendo a superioridade do inimigo, Clara Camarão, de crucifixo em punho, percorreu a vila convocando as mulheres a pegarem em armas e ajudarem na luta contra as tropas inimigas. No dia 24 de abril de 1646, munidas de paus, pedras, panelas, pimenta e água fervente, as mulheres de Tejucupapo venceram os holandeses.


CLARA GUERREIRA E A BATALHAS CONTRA O DOMÍNIO HOLANDÊS 


                              Cena da Batalha de Porto Calvo em Alagoas


Outra batalha memorável com a participação da guerreira Clara Camarão foi a de Porto Calvo em Alagoas, no ano de 1937, portanto bem anterior ao combate de Tejucupapo.Nessa batalha as tropas do príncipe Maurício de Nassau já haviam incendiado Olinda, quando Clara Camarão à frente de índias potiguares, combateu os holandeses com uma bravura que não conhecia limites.Já no ano de 1948, na primeira Batalha dos Guararapes, batalha essa decisiva para a vitória das tropas luso-brasileiras contra os holandeses, Clara Camarão fez sua última participação em combates, lutando ao lado do marido.Meses depois dessa batalha o bravo guerreiro Poti, capitão-mor dos índios do Brasil, morreu de malária em Pernambuco. Clara Camarão recolheu-se ao anonimato. É possível que tenha voltado para Aldeia Velha, hoje Igapó, onde viveu mais alguns anos - é o que nos conta Garibaldi Alves, no livro "A Mulher Potiguar- Cinco Séculos de Presença".


FONTES:

  • Garibaldi Alves Filho - " A Mulher Potiguar-Cinco Séculos de Presença -  Fundação José Augusto - Governo do Estado do Rio Grande do Norte.
  • Pesquisas Web - Site de divulgação da Prefeitura de Goiana Município do Estado de Pernambuco. 
FOTOS: Imagens Google

  • Imagens Google
  • Edição das fotos - Programa Pic-Noc - Yahoo/BR





quinta-feira, 1 de março de 2012

A CONQUISTA DO VOTO FEMININO NO BRASIL E A POTIGUARES CELINA GUIMARÃES E JÚLIA BARBOSA-

                                                       
                                                             

Há oitenta anos a mulher brasileira ganhou o direito de votar nas eleições nacionais. Vento Nordeste não podia deixa passar  essa data, não só pela grande conquista feminina em si, mas para aproveitar o ensejo e homenagear as potiguares Celina Guimarães e Júlia Barbosa as primeiras mulheres a conquistar o direito de voto nesse país.O Rio Grande do Norte é detentor do honroso título de ter sido aqui, na cidade de Mossoró o primeiro voto feminino da América do Sul.
Nessa luta pelo direito civil da mulher o Rio Grande do Norte saiu na frente. Vale ressaltar que a lei 660, que deu a mulher igualdade cívica era Estadual, e que somente na década seguinte é que essa liberdade se estendeu aos demais estados da Federação.



Desde o início do Século XX que o movimento sufragista ganhava força no Rio Grande do Norte. O Senador Juvenal Lamartine, candidato ao Governo do Estado, incluía na sua plataforma eleitoral a igualdade de direitos cívicos para homens e mulheres. O incansável batalhador pela emancipação política feminina, juntou-se a outros políticos, entre os quais o então governador, José Augusto Bezerra de Medeiros, que permitiu a promulgação da lei que dava à mulher o direito ao alistamento eleitoral - Lei nº 660, do Estado do Rio Grande do Norte.
Nesse contexto surge Celina Guimarães. Aos 29 anos de idade, Celina faz um requerimento para obter registro como eleitora na cidade de Mossoró. Na mesma data, em 25 de novembro de 1927 o  despacho do Juiz Israel Ferreira Nunes, defere o pleito e ela se torna a primeira mulher brasileira com direito a votar e ser votada.




Nascida em Natal/RN, no dia 15 de novembro de  1898, Celina Guimarães Viana, formou-se em professora pela Escola Normal de Natal e, em 1911, casou com o advogado e professor Elyseu de Oliveira Viana. O casal foi morar em Acari, região do Seridó, onde ensinou no Grupo escolar do Município. Em 1922 Celina e o marido foram morar em Mossoró, onde ensinou desenho na Escola Normal.
Como professora Celina demonstrou ser uma mulher acima do deu tempo. "Em uma época em que a disciplina dos alunos era regida à palmatória, ela aboliu tal mecanismo e passou a usar o teatro como forma de atrair a atenção dos alunos. Redigiu textos de peças, montou figurinos e realizou apresentações na escola.Por essas iniciativas foi incluída no Livro de Honra da Instrução Pública, um reconhecimento dos bons serviços prestados ao Estado" - é o que nos conta a pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco de Pernambuco, Semira Adler Vainsencher.
Celina faleceu no ano de 1972, na cidade de Belo Horizonte.


Telegrama enviado por Celina ao Presidente do Senado

Antes da promulgação da lei que dava às mulheres direitos políticos e civis, não se conhece a atuação de Celina na luta pelo voto feminino. Mas a partir do momento que tomou conhecimento dessa lei, ela passou a conscientizar as mulheres sobre a importância do voto: elaborou um documento e distribuiu entre as mulheres, solicitando que fossem votar. É de conhecimento de todos o telegrama que mandou ao Presidente do Senado assim que recebeu do Juiz o parecer favorável para se tornar eleitora, num apelo para que todas as mulheres tivessem o mesmo direito. No telegrama lia-se: " Peço nome mulher brasileira seja aprovado projeto institui voto feminino amparando seus direitos políticos reconhecidos Constituição Federal - Saudações Celina Guimarães Viana- Escola Normal de Mossoró".


                 JÚLIA BARBOSA
          PIONEIRISMO ABORTADO


                            Júlia Barbosa assinando seu foto diante do juiz
                                   Foto publicada na Revista  "A Cigarra"

É importante lembrar que a primeira mulher a requerer a inclusão no alistamento eleitoral, não foi a Celina Guimarães. Esse pioneirismo coube à professora Júlia Alves Barbosa, catedrática da Escola Normal de Natal, em 24 de novembro de 1927. No entanto, dada à sua condição de solteira, o Juiz da primeira vara da capital retardou o deferimento do pleito de Júlia, e este só foi publicado em dezembro. O despacho de Celina foi rapidamente aprovado por ela ser casada e a Júlia não.  O Código Eleitoral Provisório, de 24 de fevereiro  de 1932 foi aprovado com restrições quanto a participação da mulher nas eleições. Apenas as mulheres casadas, viúvas e solteiras com renda própria poderiam votar. Por essa razão Celina  se torna a primeira mulher com direito no Estado e a Júlia a segunda. Posteriormente Júlia Barbosa ingressa na política e se elege vereadora na cidade de Natal




Júlia Alves Barbosa esteve sempre à frente na luta política quebrando barreiras e enfrentando preconceitos. Foi uma das fundadoras da Associação de Eleitoras do RN que, sob a direção de Francisca Dantas teve um papel pioneirono Estado, para a conscientização da mulher como cidadã. Casada com o professor Ivo Cavalcanti, foi a primeira mullher a ensinar Matemática na Escola Normal do Estado. Nasceu em Natal no ano de 1898 e faleceu nessa mesma cidade, em 1943.


Fontes:

  • A mulher Potiguar - Cinco Séculos de Presença- Fundação José Augusto - Governo do Estado do Rio Grande do Norte
  • Pesquisa Web -  O Voto Feminino no Brasil - Fundação Joaquim Nabuco /Pesquisas de Semira Adler Vainsencher.
Fotos

  • Imagens Google
  • Edição das Fotos : Programa Pic-Nic - Yahoo/Brasil



sábado, 22 de outubro de 2011

A SANHA HOLANDESA NO RN - II - O MASSACRE DE URUAÇU




Sobre o Povoado de Uruaçu
São Gonçalo do Amarante
                                    

O povoado surgiu por volta de 1609 e teve sua origem no arraial de Uruaçu, um sítio isolado e deserto, onde as pessoas da província se uniram em resistência aos flamengos (holandeses). Foi em Uruaçu que os moradores do engenho Potengi se reuniram para lutar contra os abusos da ocupação holandesa. Em virtude dessa resistência o arraial foi arrasado na manhã de 03 de outubro de 1645, no acontecimento histórico chamado “Massacre de Uruaçu”.






O local exato do segundo massacre de colonos no Rio Grande do Norte, o antigo porto de Uruaçu, ainda é uma incognita e motivo de controvérsias entre pesquisadores e historiadores. A dificuldade está no fato de que Uruaçu não tinha propriamente um local de moradia, como em Cunhaú. Era apenas um porto às margens do rio Potengi-Jundiaí, para quem ia ao engenho Potengi. Aponta-se que o  lugar do morticínio ficava a aproximadamente 1 km de distância do povoado e era denominado “Tinguijada”, área onde hoje abriga o Monumento dos Mártires de Uruaçu.
Tempos depois do massacre foi originado no local o povoado atual.

Sobre o Massacre de Uruaçu



Depois do massacre em Cunhaú alguns moradores influentes, liderados pelo padre Ambrósio Francisco Ferro, pediram abrigo no Castelo de Keulen. Os que não foram ao Castelo construíram uma paliçada para proteger  a localidade conhecida como Potengi. O número de moradores refugiados na paliçada é incerto. Para os cronistas portuguese eram 70 homens, mas documentos holandeses citam 232 pessoas.
As notícias de que uma marcha de índios, tapuias e potiguares, liderados por Jacob Rabbi se aproximavam, aumentava o terror dos colonos, que juntaram armas e mantimentos para resistirem a um possível ataque e cerco dos índios e holandeses. "Espantados com o que aconteceu em Cunhaú  alguns colonos "refugiaram-se nas margens do Rio Potengi, três léguas de Natal, erguendo uma defesa murada de madeira rústica" (Cascudo: 1955, p.83)


                            Cruzeiro no Santuário dos Mártires            


É provável que o próprio conselho holandês quem determinou o ataque ao Arraial do Potengi, para eliminar a resistência e evitar que um levante chegasse ao Rio Grande do Norte. Alguns cronistas  atribuem à vontade pessoal de Jacob Rabbi a ordem do ataque ao Arraial. Pesquisas em documentos holandeses e portugueses mostram que o cerco a paliçada do Potengi durou 16 dias. Foi iniciada em setembro pelo grupo de Jacob Rabbi e, depois, contou com reforços enviados pelo Castelo de Keulen, incluindo duas peças de artilharia. O bombardeio forçou a rendição dos luso-brasileiros.
Ocupada a paliçada do Potengi, os holandeses levaram cinco reféns para o Castelo de Keulen. Os demais colonos ficaram confinados na paliçada. No dia 2 de outubro uma lancha chegou ao castelo, com uma ordem do conselho holandês para executar os principais líderes dos colonos, desestimulando a revolta em terras do Rio Grande.


                           Capela de Uruaçu, erguida em 1921
                     Homenagem aos fiéis massacrados pelos holandeses



Não há comprovação dessa ordem, mas o fato é que no dia seguinte - 03 de outubro foram levados para Uruaçu: Antônio Vilela, Cid, seu filho, Antônio Vilela Júnior, João Lostau Navarro, Francisco de Bastos, José do Porto, Diogo Pereira, Estevão Machado de Miranda, Francisco Mendes Pereira, Vicente de Souza Pereira, João da Silveira, Simão Correia e o padre Ambrósio Francisco Ferro, que exercia as funções de vigário de Natal.- foram todos executados.
À morte deles, segue-se a chacina dos que estavam refugiados em Potengi, depois de terem sido retirados da paliçada e levados para o mesmo porto.


                                        
     
As atrocidades dessa chacina foi narrada por diversos cronistas da época. Exemplo disso é a carta de Lopo Curaro Garro de 1645. Segue trecho da carta, transcrito com adaptações ortográfica:
"Em particular aviso a Vossas  Senhorias do memorável sucesso do Rio Grande, depois de duas matanças que fizeram os tiranos Flamengos, acompanhados de bárbaros Tapuias e Potiguares e nesta derradeira ( a de Uruaçu) certo que é incrível a tirania, no qual servirá de exemplo(...) memória que haverá enquanto durar o dito; pois o sangue derramado de tantos inocentes clama aos Céus justiça e aos príncipes da terra favor, a tornar vingança de tais tiranos (...) Lançaram os prisioneiros fora do porto do dito rio, chamado Uruaçu (...)na qual achavam (...) duzentos brasilianos bem armados com Antônio Paraupaba escaramuçando em um cavalo, e tanto que estiveram em terra, os Flamengos despiram nus aos ditos moradores, e os mandaram por de joelhos ( o que eles receberam com muita paciência, e os olhos em Deus ) e logo nos corpos desses mártires, tais mutilações, que são incríveis; e não contentes com elas, os ditos Flamengos os ajudaram a matar, assim arrancando os olhos a uns, e tirando as línguas a outros, e cortando as partes vergonhosas, e metendo-lhas nas bocas (...)"

            
               Santuário do Mártires em Uruaçu


                                                  Comemoração Dia dos mártires
                                               Santuário de Uruaçu



  O Fim de Jacob Rabbi

                                      Cena do Filme " A nova Amsterdã"


                          Uma carreira marcada pelo ódio


Jacob Rabbi chegou ao Brasil junto com o conde João Maurício de Nassau-Siegen, em 23 de janeiro de 1637, desembarcnado no Recife. Em território brasileiro, a missão do alemão era de intérprete junto aos indios aliados, no meio dos quais passou a viver. Casou com uma índia janduí-a  Domingas e adotou alguns dos costumes indígenas. No comando das tropas de janduís e potiguares, e de aventureiros foi responsável por massacres e saques a engenhos entre nas capitanias do Rio Grande, Paraíba e Pernambuco.
Por conta da morte de João Lostau Navarro, em Uruaçu, Rabbi foi morto em emboscada na noite de 4 de abril de 1646. As investigações apontaram como mandante do crime o tenente-coronel Joris Garstman, genro de João Lostau. Garstman chegou a ser punido e enviado de volta à Holanda, mas acabou anistiado e voltou ao Brasil, permancendo até 1654. 



Fontes:
História do Rio Grande do Norte -  Luiz da Câmara Cascudo - 1984 -Ministério da Educação e Cultura-RJ
Diário do Rio Grande do Norte - Projeto Ler do Diário de Natal- 1999
História da Fortaleza da Barra do Rio Grande - Conselho Federal de Cultura/RJ
História do RN Colonial  - Luiz Eduardo Brandão Mariz e Marlene Silva -Editora Natal-1997-Natal /RN
Jornal Tribuna do Norte-Natal/RN - História do RN  Fascículo 4 - Os Massacres no Rio Grande do Norte
Fotos:
             Imagens Google
             Imagens do Site da Prefeitura de São Gonçalo do Amarante





quinta-feira, 20 de outubro de 2011

A SANHA HOLANDESA NO RN - I -O MASSACRE DE CUNHAÚ


                         Sobre o Domínio Holandês no RN


Em 12 de dezembro de 1633, após a tomada do Forte  iniciou-se  o domínio holandês no Rio Grande do Norte, seguindo-se até 1654. Os holandeses trocaram o nome de Fortaleza dos Reis Magos por Castelo de Keulen, e a cidade passou a ser chamada de Nova Amsterdã. Por ocasião do domínio holandês o nosso Estado foi governado por 3 capitães: Joris Garstman Bijles, Johans Blaenbeeck, Jan Denniger e um major: Bayert, todos eles flamengos.
Durante esse domínio holandês (1633-1654) aconteceram massacres sanguinários em Ferreiro Torto, Cunhaú, Uruaçu, Extremoz e Guaraíras, quase sempre praticados pelos índios aliados aos novos invasores.


                         O Castelo de Keulen na Nova Amsterdã 
                                           
Existe uma unanimidade entre os historiadores sobre o caráter violento e desnecessário dos massacres promovidos pelos holandeses, e seus aliados os índios janduís, na Capitania do Rio Grande do Norte. Esses massacres não constituem um caso isolado da colonização européia (ingleses, franceses, espanhóis, portugueses e holandeses), nas terras americanas. Os conquistadores não respeitavam nada. Os europeus se julgavam detentores da "civilização" nas terras incultas da América, agiram como se fossem verdadeiros bárbaros...
No Rio Grande, do Norte os flamengos resolveram eliminar duas coisas ao mesmo tempo: os portugueses e a religião católica. Os massacres ocorridos foram lutas do dominador para eliminar o povo subjugado.


O Engenho Cunhaú

                     Engenho Cunhau -Gravura do livro de Gaspar Barleus            


Segundo Câmara Cascudo, "o engenho Cunhau foi construído na sesmaria dada por Jerônimo de Albuquerque em 2 de maio de 1604 aos seus filhos Antônio e Matias. Constava de 500 quadradas na várzea de Cunhau e mais duas léguas em Canguaretama". No início do século, o engenho exportava açúcar para Recife. Possuía um fortim, sob o comando do capitão Álvaro Fragoso de Albuquerque. Foi construído por marinheiros de Dunquerque. Esse fortim foi atacado, vencido e destruído pelo coronel Artichofski, em outubro de 1634. Historiadores afirmam que esse engenho "era a menina dos olhos dos holandeses" por causa da fertilidade se suas terras"

                                                        O Massacre 

              "Quadro do Monsenhor Assis -Os Mártires de Cunhau"


Percorrendo a região canavieira entre Recife e Natal, Jacob Rabbi, alemão à serviço do governo holandês, e um grupo de indios janduís e potiguares, além de soldados holandeses, chegaram ao engenho Cunhaú em 15 de julho de 1645. Se apresentou como emissário do Supremo Conselho Holandês de Recife e convocou a população para uma reunião, após a missa do dia seguinte, um domingo, na capela de Nossa Senhora das Candeias. O domingo amanheceu chuvoso e nem todos os moradores compareceram à missa. Os historiadores estimam em 69 pessoas presentes no lugar. Durante a celebração, após a elevação da hóstia, os soldados holandeses trancaram todas as portas da igreja. A um sinal de Rabbi, os índios invadiram o local e chacinaram os colonos. O Padre André de Soveral, de 73 anos, que celebrava a missa, foi atacado por uma adaga e, depois de morto, feito em pedaços. O Padre André de Soveral é considerado um martir da Igreja Católica e foi Beatificado, junto com os mártires do massacre de Uruaçú.


 
                          Ruínas da Igreja de Nossa Senhora das Candeias
                                                    restaurada posteriormente


Relatos posteriores, alguns deles de emissários do governo holandês que investigaram o episódio, descrevem cenas de violência, atrocidades e certo requinte de crueldade contra os fiéis. Algumas pessoas se refugiaram na casa do engenho, mas tiveram um fim semelhante ao das que estavam na capela. Os flamengos e índios invadiram a casa. Houve certa resistência, três colonos conseguiram escapar pelo telhado, mas a superioridade numérica dos índios e dos holandeses acabou prevalecendo. Depois da chacina, o engenho foi saqueado.                                            
A notícia se espalhou, provocando revolta. Iniciando, pouco depois, a fase das represálias."Depois desse massacre, nunca mais os holandeses tiveram paz em Cunhaú,  Sucessivos atos de vingança foram realizados àquele engenho pelos portugueses". (Câmara Cascudo)

                   Capela de Nossa Senhora das Candeias


                                                 
                            
A capela de Nossa Senhora das Candeias foi reconstruída pela família Albuquerque Maranhão, após a expulsão dos holandeses, em 1645.                                           
Mais de três séculos separam a atual comunidade de Cunhaú dos dias de horrores devido a presença de índios bravios e invasores holandeses sob o comando do alemão Jacob Rabbí. Em 1634, quando os holandeses chegaram, Cunháu era o maior engenho em produção na capitania do Rio Grande. Pertencia a Antônio Albuquerque Maranhão.
O local que foi palco do martírio já não está intacto. A capela passou por várias reformas e, do tempo do morticínio, restam apenas os pilares da pequena Igreja. O engenho também está desativado. A população também diminuiu. Hoje, os moradores da fazenda Cunhaú se dedicam ao gado e a agricultura, plantam feijão e jerimum. No total, são oito famílias, cerca de 30 pessoas, que residem no antigo engenho.


                     Comemoração do dia dos Mártires em Cunhaú                           


Atualmente é grande o movimento de peregrinos para a capelinha. Diferente dos pontos já famosos de romarias, em outros estados brasileiros, em Cunhaú o comércio de lembrancinhas dos mártires ainda não se instalou nem despertou maiores interesses entre os moradores. Maria Barbosa Soares, que há três anos mora na fazenda, vende o livro "Terra de Mártires", escrito por Auricéia Antunes.


  
Fontes: 
                  

História do Rio Grande do Norte -  Luiz da Câmara Cascudo - 1984 -Ministério da Educação e Cultura-RJ
Diário do Rio Grande do Norte - Projeto Ler do Diário de Natal- 1999
História da Fortaleza da Barra do Rio Grande - Conselho Federal de Cultura/RJ
História do RN Colonial  - Luiz Eduardo Brandão Mariz e Marlene Silva -Editora Natal-1997-Natal /RN
Jornal Tribuna do Norte-Natal/RN - História do RN  Fascículo 4 - Os Massacres no Rio Grande do Norte


Fotos:
               Imagens Google
                     Acervo da Professora Elizete Arantes



quinta-feira, 15 de setembro de 2011

NATAL NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL - PARTE III - CHICLETE EU MISTURO COM BANANA




A instalação da Base de Parnamirim trouxe avanços e mudanças tanto para as tropas americanas quanto para Natal. A maior contribuição da presença americana se efetivou nos costumes e serviços. A formalidade predominante até então, deu lugar aos shorts, camisetas, chicletes e óculos escuros.Também foram inseridos ao cotidiano do natalense os ritmos do foxtrot e do swing, que embalaram as noites dos jovens da época. Pena que nesse embalo, deixamos nossa cultura de lado. Para muitos era cafona (brega) gostar das nossas manifestações culturais. Participar delas nem pensar! Pelo menos era assim que pensava a maioria das minhas amigas, mesmo no período do pós-guerra. Lembro do esforço do Prefeito Djalma Maranhão para resgatar nossas  tradições, que ficaram tão distantes dos jovens da cidade quanto os americanos que se foram.



                                                    Base de Parnamirim



Durante todo período da Segunda Guerra  Parnamirim Field era muito movimentada. Estima-se que pelo menos 100 pousos e decolagem ocorressem diariamente, com relatos de até 300 em dias de pico, resultando numa média de 3 minutos a cada decolagem. Um dado curioso é que a dificuldade de navegação entre o Brasil e a África e a deficiência tecnológica à época, exigia a decolagem apenas à noite, pois a navegação seguia as estrelas, a exemplo dos primeiros navegadores.


                                                          
                                             Desfile das tropas militares                                  



O entrosamento das jovens natalenses com os americanos, resultou em alguns casamentos. A historiadora Flávia Pedreira faz o seguinte relato: "Consultando-se os cartórios da cidade, pode-se ver que a quantidade de casamentos entre estrangeiros e brasileiras nesse período foi bastante expressiva;entre os anos de 1942 e 1946, houve um acréscimo nos registros de nomes em línguas estrangeiras eprincipalmente em inglês, como por exemplo: David Eugene Reynolds e Josefa Miranda Reynolds, Darci Hoffmann e Eva Baraúna Moura Hoffmann, Frank Willian Knabb e Thais Vieira Knabb, entre outros".






Apesar do clima de suposta cordialidade entre brasileiros e estrangeiros que a imprensa tentava passar, nem tudo eram flores nessa convivência. Atos de violência e tensão entre os nativos e gringos eram frequentes nos bares e cabarés da Ribeira e Cidade Alta. À respeito a Professora Flávia Pedreira escreve: "Nem tudo era um mar de rosas. Se por um lado, o relacionamento entre os americanos e moças natalenses fluía dentro de grande harmonia, ocorria o oposto com a população masculina. As disputas pelas damas comumente terminavam em brigas que só paravam com a chegada das polícias brasileira e americana". Vale registrar que nem só pelas "moças de família"  os desentendimentos aconteciam.


                        Wonder Bar - Secos e molhados e "meninas" 



Na zona do baixo meretrício, localizada no bairro da Ribeira,  não era diferente; No Wonder Bar o mais famoso ponto de encontro local, as querelas advindas pelas preferências das prostitutas levavam a brigas e confusões. O antigo Wanderbar ou Wonder Bar era de propriedade do Dr.Lettieri, Vice-Cônsul da Itália. No andar térreo funcionava uma casa de secos e molhados,e a entrada do bar. No primeiro andar ficava o salão de festas do bar com direito a bandas de músicas americanas, muitas bebidas e muitas "meninas". No último andar ficavam os quartos onde as meninas atendiam seus clientes.



MARIA BOA - A PRIMEIRA DAMA DA NOITE





Não dá para falar na passagem dos americanos em Natal, e esquecer um personagem que fez parte ativa da cidade naquela época: Maria Boa - primeira grande dama da noite da cidade.
Natal, década de 40. A cidade fervilhava de militares americanos e brasileiros. Aviões, Hidroaviões, Catalinas e Jeeps patrulhavam a vida dos natalenses. Nessa ocasião, Instalava-se na cidade a paraibana de Campina Grande, Maria de Oliveira Bastos ( 24/06/1920 - 22/07/1997). Começava assim a história da mais conhecida casa de tolerância da cidade e do Nordeste brasileiro.
O cabaré foi  passagem importante na vida sexual  dos homens natalenses. Jovens, militares e figurões da cidade costumavam frequentar a casa. Muitas mães e esposas, tiveram que amargar, em silêncio, a presença de Maria Boa, em uma época de evidente repressão sexual. A fama do Night club ultrapassava as fronteiras do Rio Grande do Norte. Maria fazia questão de manter seu negócio longe dos olhos indiscretos. A boa qualidade era prioridade na boate. Encantando a todos que frequentavam sua casa, inclusive dos americanos, era muito elogiada pelo seu comportamento fino, gentil e educado. Chegou a receber uma homenagem feita pelos americanos - um dos piloto dos famosos B-25 pintou seu nome em uma das aeronaves.





Cachaça produzida hoje, no RN, leva o nome de Maria Boa



Vídeo Produzido pela TV Bandeirantes

  Boa Tarde RN - Programa Telejornalístico Apresentado por Geider Henrique
                                                             

Americanos em Natal
                                                                                                   
                                                                           
E para finalizar que tal ouvir a música que inspirou o título dessa postagem? Embora não tenha sido feita para falar desse período da nossa história, tem um título muito sugestivo, e uma letra que não deixa se ser uma crítica à influência americana nos nossos costumes. Isso sem contar com a maravilhosa interpretação do nosso grande Jackson do Pandeiro.
                       
                                      
      
    
                                                     
Fontes:
CASCUDO, Luís da Câmara. História da cidade do Natal. Natal: Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, 1999.
Flávia de Sá Pedreira. Chiclete eu misturo com banana: Carnaval e cotidiano de guerra em Natal (1920-1945), Natal: Editora da UFRN, 2005
 Fotos: 
                 Fundação Rampa
                 Imagens  Google

Vídeo:

  1.  Enviado ao You Tube por bandrede em 26/08/201
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