"Olê muié rendeira / Olê muié rendá
Tu me ensina a fazê renda / Que eu te ensino a namorá..."
Sempre tive paixão por rendas. Quando criança passava horas a fio vendo a minha vó fazendo "bicos de almofadas". Achava tudo incrível! Aquelas mãos ágeis, trançando fios com os bilros, num movimento acelerado que mal dava para acompanhar com os olhos; em seguida, prendia a trama de fios com alfinetes no desenho sobre a almofada, e assim ia dando vida a rendas maravilhosas. Detalhe: minha avó, como toda boa sertaneja, usava espinhos de cardeiro ou de palmatória ao invés de alfinetes. Dessa parte eu não gostava, porque era sempre eu que tinha e colher os espinhos nos pés das plantas que ficavam no fundo do quintal, e quase sempre saia muito arranhada. A recompensa vinha depois em forma de renda para colocar num vestido ou numa blusa, e isso eu amava! Até que ela tentou me ensinar sua arte, mas eu não levava o menor jeito! Saudades vó!
A renda de bilros ou renda de almofada, como é conhecida em Natal é uma das mais ricas e bonitas manifestações de arte do nosso povo. Chegou ao Brasil junto com as mulheres portuguesas que se estabeleceram na região do Nordeste e na região Sul principalmente no estado de Santa Catarina. Inicialmente o trabalho das rendeiras se destinava a enfeitar trajes e peças da Igreja, além de toalhas, cortinas, e vestuário da nobreza.
Acredita-se que os Fenícios tenham sido agentes divulgadores dessa arte, através do comércio de trocas ao longo da costa marítima.
Elementos necessários para fazer renda de bilros
1. Almofada- 2.Cartão com o desenho da renda- 3. A linha- 4. Os bilros .
Os bilros que deram nome a esse tipo de renda são uma espécie de haste de madeira provida de uma cabeçinha numa das extremidades:Na outra ponta enrola-se a linha para fazer a renda. São sempre utilizados aos pares pelas rendeiras que imprime um movimento rotativo e alternado a cada um, orientando-se pelos alfinetes,O número de bilros varia conforme a complexidade do desenho .
Rendeiras de Natal
Durante muito tempo a Vila de Ponta Negra foi referência quando o assunto era renda se almofada. Hoje esse ofício é exercido apenas por algumas rendeiras antigas, que se reunem todas as tardes numa sala da Cooperativa das artesãs da Vila à espera dos turistas para vender seus trabalhos. A maioria tem outros afazeres e só produzem sob encomenda.
Amostra dos trabalhos das rendeiras da Vila de Ponta Negra

Rendeiras de Alcaçuz
È no pequeno povoado de Alcaçuz que se encontram a maior concentração das rendeiras responsáveis pelo abastecimento de rendas nas lojas de artesanato da Capital. Fazem praticamente de tudo com seus bilros mágicos: blusas, boleros, vestidos, centros e toalhas de mesa e até colchas de cama. É impossível ficar indiferente ao trabalho dessas mulheres.
O ótimo vídeo postado no You Tube pelo músico e compositor Fred Cruz em dezembro de 2007, sob o titulo de "As rendeiras de Alcaçuz" merece ser visto e divulgado. Nele o músico que diz fotógrafo amador (que de amador não tem nada! ) mostra toda beleza e encanto dos trabalhos dessas rendeiras e as enormes dificuldades que encontram para sobreviver fazendo renda, mas que por ironia não conseguem a renda que necessitam para viver.
Com essa postagem "Vento Nordeste" presta uma homenagem a essas mulheres maravilhosas,que no anonimato tecem a arte de fazer o belo. Faz também uma homenagem especial a Dona Maria José, minha avó, que a sua maneira, me ensinou a amar e valorizar as rendas de almofadas.Vida longa para essa arte que através de suas rendeiras luta para não desaparecer!
FONTES:
- Jornal Tribuna do Norte - Natal / RN
- Pesquisas Google - Wikipédia
- Visita "In loco" à Vila de Ponta-Negra - Natal-RN
FOTOS:
- Imagens Google
- Acervo pessoal de Arilza Soares
- Edição de Fotos: Programa Pic-Nic - Yahoo/BR
VÍDEO:
- Produzido por Fred Cruz em dezembro de 2007












































