FOTO DE CAPA

Foto de Capa
Barra de Punaú - por Arilza Soares

domingo, 19 de junho de 2011

MULHER RENDEIRA - A ARTE DE TECER O BELO




"Olê muié rendeira / Olê muié rendá

Tu me ensina a fazê renda / Que eu te ensino a namorá..."



Sempre tive paixão por rendas. Quando criança passava horas a fio vendo a minha vó fazendo "bicos de almofadas". Achava tudo incrível! Aquelas mãos ágeis, trançando fios com os bilros, num movimento acelerado que mal dava para acompanhar com os olhos; em seguida, prendia a trama de fios com alfinetes no desenho sobre a almofada, e assim ia dando vida a rendas maravilhosas. Detalhe: minha avó, como toda boa sertaneja, usava espinhos de cardeiro ou de  palmatória  ao invés de alfinetes. Dessa parte eu não gostava, porque era sempre eu que tinha e colher os espinhos nos pés das plantas que ficavam no fundo do quintal, e quase sempre saia muito arranhada. A recompensa vinha depois em forma de renda  para colocar num vestido ou numa blusa, e isso eu amava!  Até que ela tentou me ensinar sua arte, mas eu não levava o menor jeito!  Saudades vó!                        


                                                


A renda de  bilros ou renda de almofada, como é conhecida em Natal é uma das mais ricas  e bonitas manifestações de  arte do nosso povo. Chegou ao Brasil junto com as mulheres portuguesas que se estabeleceram na região do Nordeste e na região Sul principalmente no estado de Santa Catarina. Inicialmente o trabalho das rendeiras se destinava a  enfeitar trajes e peças da Igreja, além de toalhas, cortinas, e vestuário da nobreza.





                                                 

Não se sabe ao certo a origem da renda de bilro. Alguns pesquisadores afirmam que surgiu em Flandres na Bélgica, no século XV e de lá se espalhou pela Europa até chegar em Portugal no arquipélago de Açores. Outra corrente assegura que teve origem no Oriente tendo chegado a Portugal através da Itália no século XV.
Acredita-se que os Fenícios tenham sido agentes divulgadores dessa arte, através do comércio de trocas ao longo da costa marítima.






          Elementos necessários para fazer renda de bilros

1. Almofada- 2.Cartão com o desenho da renda- 3. A linha- 4. Os bilros .




Os bilros que deram nome a esse tipo de renda são uma espécie de haste de madeira provida de uma cabeçinha numa das extremidades:Na outra ponta  enrola-se a linha para fazer a renda. São sempre utilizados aos pares pelas rendeiras que imprime um movimento rotativo e alternado a cada um, orientando-se pelos alfinetes,O número de bilros varia conforme a complexidade do desenho .




                                                                                 
                                                                                  

Rendeiras  de Natal


Durante muito tempo a Vila de Ponta Negra foi referência quando o assunto era renda se almofada. Hoje esse ofício é exercido apenas por algumas rendeiras antigas, que se reunem todas as tardes numa sala da Cooperativa das artesãs da Vila à espera dos turistas para vender seus trabalhos. A maioria tem outros afazeres e só produzem sob encomenda.


Amostra dos trabalhos das rendeiras da Vila de Ponta Negra






Rendeiras de Alcaçuz


È no pequeno povoado de Alcaçuz que se encontram a maior concentração das rendeiras responsáveis pelo abastecimento de rendas nas lojas de artesanato da Capital. Fazem praticamente de tudo com seus bilros mágicos: blusas, boleros, vestidos, centros e toalhas de mesa e até colchas de cama. É impossível ficar indiferente ao trabalho dessas mulheres.





O ótimo vídeo postado no You Tube pelo músico e compositor Fred Cruz em dezembro de 2007, sob o  titulo de "As rendeiras de Alcaçuz" merece ser visto e divulgado. Nele o músico que diz fotógrafo amador  (que de amador não tem nada! ) mostra toda beleza e encanto dos trabalhos dessas rendeiras e as enormes dificuldades que encontram para sobreviver fazendo renda, mas que por ironia não conseguem a renda que necessitam para viver. 



AS RENDEIRAS DE ALCAÇUZ




Com essa postagem "Vento Nordeste" presta uma homenagem a essas mulheres maravilhosas,que no anonimato tecem a arte de fazer o belo. Faz também uma homenagem especial a Dona Maria José, minha avó, que a sua maneira, me ensinou a amar e valorizar as rendas de almofadas.Vida longa para essa arte que através de suas rendeiras luta para não desaparecer!


FONTES:

  • Jornal Tribuna do Norte - Natal / RN
  • Pesquisas Google - Wikipédia
  • Visita "In loco" à Vila de Ponta-Negra - Natal-RN
FOTOS:
  • Imagens Google
  • Acervo pessoal de Arilza Soares
  • Edição de Fotos: Programa Pic-Nic - Yahoo/BR
VÍDEO:
  • Produzido por Fred Cruz em dezembro de 2007



7 comentários:

  1. Quantas histórias de amor já não inspiraram essas rendas que encantam, principalmente,as mulheres mais românticas? Esta é uma manifestação artística que precisa ser venerada e, com certeza, conservada!

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  2. Que mesa não fica bonita com um caminho de mesa de renda de almofada!A minha fica linda!Que roupa não fica bonita com um detalhe dessa renda!E as echarpes, os bolerinhos, as saídas de praia! Acho tudo um luxo só!

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  3. Arilza da próxima vez prometo que a gente vai a Alcacuz, comprar todas essas rendas maravilhosa.Esse bolerinho é lindo!

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  4. Ana Iris Almeida

    Minha avó fazia, mas eu não aprendi!

    Núbia Cecília Restini

    A minha também fazia.

    Há 3 horas no facebook

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  5. como comprar on line as rendas? E o frete para 30240130?
    Obrigada e parabéns!

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  6. sou amante das rendas e de tudo que a natureza oferece gostaria que me indicasse um lugar singelo onde pudesse me hospedar com o meu marido gostamos da simplicidade e você destaca o que realmente é belo santosgimenez05@gmail.com obrigada e parabéns pela publicação

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