Retalhos, tesoura, linha e agulha era só o que se precisava para fazer as "bruxinhas de pano" e muita imaginação para brincar com elas. Lembro com carinho das minhas bonecas. Elas tinham o poder de transformar a minha realidade, eram capazes de realizar os meus sonhos. Nesse jogo simbólico, eu era a mãe protetora, a professora exigente, a menina que se vestia bem, que viajava muito sempre com uma mala cheia de roupas. Os relatos são de uma tia minha, que gostava de me observar brincando. Não lembro de muita coisa, só que gostava muito de fazer roupas para as bonecas.
As minhas bonecas a minha mãe fazia, eram bem feitas e tinham um rosto bonito, mas eu gostava de comprar as "bruxas" vendidas por uma senhora, que já não lembro o nome, que morava no fim da minha rua; não eram bonitas como as da minha mãe, mas dentro de um balaio que havia na sala de sua casa, tinha bonecas de todos tamanhos. E eu ma encantava com as bruxinhas!
As bonecas estiveram presentes em todas as civilizações. Em cavernas pré-históricas de diversas partes do mundo, foram encontradas pequenas bonecas esculpidas em pedra.
No Brasil, enquanto as crianças da corte, brincavam com bonecas europeias, a bruxinha de pano,adquiriu forma entre as filhas dos escravos. Câmara Cascudo aponta a boneca de pano como um dos principais documentos de informação do povo brasileiro. Ela atua como elemento constitutivo da cultura lúdica infantil, especialmente das crianças desprovidas de poder aquisitivo. AS mulheres a fabricavam e ainda fabricam para o uso das crianças da família.
Vale lembrar que a produção de bonecas de pano não se restringe ao nordeste brasileiro. Em quase todo país é possível encontrar a produção dessas bonecas, com características próprias de cada região.
A boneca de pano parece ser um dos poucos brinquedos, ditos populares, construídos de maneira artesanal (com corpinhos costurados à mão com enchimento de algodão, que ganham olhos , boca e nariz num ponto de agulha e linha, cabelos de sobras de lã e roupinhas de retalhos coloridos) que ainda consegue resistir aos intensos “golpes” da indústria de brinquedos, que tem nos meios de comunicação de massa um forte aliado para a venda de brinquedos que seduzem crianças e adultos, mas nem sempre condizentes com o contexto brasileiro.
Hoje em dia as bruxinhas de pano ganharam muitos outros espaços, dentro e fora de casa. Existem vários projetos de decoração que as incluem na ambientação de restaurantes e hotéis, Muitos artesãos possuem peças interessantes para quem quer decorar e dar esse toque mágico de infância ao seu ambiente de casa ou trabalho.
MÓBILE
PAINEL
EMÍLIA
A BONECA DE PANO QUE VIROU GENTE
Não podemos falar em bonecas de pano sem prestar uma homenagem a mais famosa de todas, a nossa Emília do Sítio do Pica Pau Amarelo, genial criação de Monteiro Lobato. A relação qie havia entre Narizinho e Emília é o melhor exemplo do quanto é importante essa ponte que o brinquedo faz entre o real e o imaginário e de quanto esse jogo simbólico é fundamental para o desenvolvimento da criança e construção da sua inteligência.
1982




































