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Foto de Capa
Barra de Punaú - por Arilza Soares

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

CARNAVAL EM NATAL - QUEM DISSE QUE NÃO? RESGATANDO O CARNAVAL DE RUA



Nos últimos anos a Cidade de Natal vem tentando resgatar o seu Carnaval, acabando com a fama de que aqui não existe tradição nas comemorações desse tipo de evento. Na verdade o que não existia era uma  Programação Oficial e incentivos para a realização da festa no reinado de momo. Durante muito tempo a maioria dos foliões ( diga-se da clássia média) deixava a cidade nesse período, em busca de destinos como as praias de Pirangí no litoral Sul, Barra de Maxaranguape no litoral Norte ou mesmo cidades como Macau e Caicó   e  outros locais onde o Carnaval ganhou fama. Mas o carnaval  nunca deixou de existir para o povo natalense. O carnaval popular com "blocos de sujo", "tribos de índios", "papangus", e até "escolas de samba" continuaram ali, presentes na alma e na alegria do nosso povo, brincando ao som de tambores, latas, e tamborins.
A invasão do "axé" na nossa cidade, após a consagração do famoso carnaval fora de época - o carnatal, descaracterizou  mas não acabou o nosso carnaval, tradicionalmente realizado e embalado ao som de marchinhas, sambas e orquestras de frevo.



                           


Hoje a cidade conta com uma programação diversificada, organizada pela prefeitura, através da Capitanias das Artes, e distribuídas em polos carnavalescos. Dá para se divertir com blocos animados como "Manicacas no Frevo" (na Cidade Alta) "Poetas e Carecas" "Bruxas e lobisomens" (em Ponta Negra) "os Cão" (na Redinha),  brincar à moda antiga no  "Baile de Máscara" (em Petrópolis) , morrer de rir no desfile da Kengas, (no Centro) apreciar o desfile das escolas de sambas e dos nossos blocos representando as tribos indígenas, (na Ribeira) ou ainda participar do animado carnaval no Centro Histórico.


O BAILE DE MÁSCARA


O Baile de Máscaras completa nesse carnaval de 2012,  a sua 19 ª Edição. Realizado ao ar livre, no cruzamento da rua Seridó com Campos Sales, em Petrópolis (largo do Atheneu) o baile revive os carnavais, de antigamente. No palco armado a banda de frevo divide as atenções com apresentações de artistas locais. As pessoas fantasiadas com suas máscaras, que resgatam  as origens carnaval de rua onde as fantasias e a criatividade ditavam as regras.


OS PAPANGUS





O bloco "Us Papangus" resgata a irreverência da festa carnavalesca, revivendo as figuras anônimas e animadas dos "papangus" que faziam a festa nas ruas dos bairros mais populares da cidade. "Us Papangus"  é puxado pelo Projeto Artístico Percussivo Pau e Lata do maestro Danúbio Gomes, com uma parceria da Brinquedoteca Itinerante e Popular. O bloco de tradição na Redinha*, abre o carnaval de 2012, se apresentando no baile de Máscaras. No itinerário, sai da comunidade Alto do Juruá em Petrópolis, passa pelo Mercado Público e chega até o Largo do Atheneu onde se junta aos foliões do Baile de Máscaras.
* Na Redinha  "Us Papangus" é coordenado pelo ativista cultural Edílson Mano.



POETAS, CARECAS, BRUXAS E LOBISOMENS




Animados pela banda Xico no Frevo os foliões do bloco "Poetas, Carecas, Bruxas e Lobisomens", saem às ruas de Ponta negra, com seus bonecos  gigantes. O Bloco tem por tradição valorizar os elementos da cultura popular. Os bonecos gigantes composto por enfeitados (Galantes), mascarados (Birico, Mateus,Catirina) e o Boi. Esse ano um  novo  boneco fez parte do elenco do bloco: O Jaraguá. A concentração do bloco, acontece na Praça da Praia de Ponta Negra, sempre animada com o show da banda "Perfume de Gardênia". O percurso termina no Praia Shopping, esse ano com o show da cantora potiguar Khrystal.
Outros blocos animados tomam conta das ruas de Ponta Negra:,nesse carnaval: "Carnaritmos". "Suvaco do Careca", "Fiquei Porque Quis". "Carnavila", "Resistência da Lata". Na quarta- feira sai o "Bloco da Ressaca"



CARNAVAL NO CENTRO HISTÓRICO






No Centro Histórico os foliões fazem a  festa na sexta-feira e no domingo. Na sexta- feira circularão pelas ruas da Cidade Alta os blocos Cabeça Feita, Big Rider, Bloco da Amizade, Manicacas do Frevo e a Troça do Zé. Um baile à fantasia, no Palácio da Cultura, a partir de 20 horas, encerrará a programação da sexta-feira. No domingo, o carnaval no Centro apresentará o desfile das Kengas, na confluência das ruas Ulisses Caldas e Vigário Bartolomeu.



MANICACA NO FREVO




Há sete anos o Manicaca no Frevo desfila no carnaval do Centro Histórico. O irreverente bloco começou como uma brincadeira. Segundo o jornalista Alex Gurgel, os produtores Júlio Cesar Pimenta e Dorian Lima, com o artista Plástico Fábio Eduardo  sempre precisavam abandonar os serviços etílicos do Beco da Lama para ir pegar os meninos na escola, a mando das esposas. Dai surgiu a ideia de criar o bloco em homenagem a todos os manicacas que conseguem autorização para cair na farra.
Nos primeiros anos o bloco saia junto com a Banda Independente da Ribeira, mas desde 2008 passou a abrir o carnaval do Centro Histórico. Esse ano a concentração será no Bar Reiera, ao lado da UFRN/Centro, de onde partirá o desfile do bloco pelas ruas do Centro ao som de uma Orquestra de Frevo, até a Pinacoteca ( Antigo Palácio Potengi )
"Que ousadia foi sair na sexta-feira / Deixando a louça e a cozinha arrumada / Cai no frevo e só voltei na quarta-feira / Trazendo a minha desculpa esfarrapada / Carro quebrou, fiquei preso no engarrafamento / Mulher não é mentira, pode ligar pra casa do professor Bira / Quem pode manda, obedece quem tem juízo /É melhor ser manicaca, pois a mulher já deu o aviso / Não, não, não, não, não / Não venha com o rolo de macarrão".                                                                                          
                                                                         ( Hino do Manicaca no Frevo )


AS KENGAS

                     Katarina - Rainha das Kengas 2012


A mais irreverente, debochada e ousada banda do carnaval potiguar, "As Kengas", fundada em 1983, desfila nas ruas da cidade, animando o Carnaval por 29 anos. No primeiro ano que foram as ruas elegeram a primeira Rainha das Kengas, ficando tradicional a eleição nos anos seguintes, quando todos usam sua criatividade para conquistar o título máximo da irreverência. Em 1989 realizou seu primeiro baile - o Baile das Kengas. O sucesso do baile foi grande e até hoje se mantém como tradição no carnaval natalense. Esse ano o baile será realizado na boate Vogue e será animado pela Orquestra de Frevo " Dom Cardoso e seus Metais






Além dos Polos Carnavalescos da Redinha, de Ponta Negra.  do Centro Histórico da Cidade e da Ríbeira, a Prefeitura incluiu os bairros das Rocas e do Alecrim como polos Carnavalescos nesse Carnaval 2012.


Polo Carnavalesco das Rocas



Nas Rocas, a animação promete ser contagiante. O carnaval de rua vai tomar o bairro de assalto nos quatro dias de folia com o batuque de troças e blocos. No palco, a galera vai poder curtir o som da Orquestra de Frevo, das bandas Traz a Massa e Nova Sensação e do cantor e músico Kiko Chagas.


Polo Carnavalesco do Alecrim


"Cheiro do Alecrim", "No Kengo Tem", "Piratas do Rifoles", "Caixa D'Água","Recordar é Viver"  e "Psyu" são algumas das atrações programadas para o carnaval de rua do bairro do Alecrim. Careca dos Teclados e Jorge Luiz e banda farão a animação no palco.


FONTE:

  • Jornal Tribuna do Norte - Natal/RN
  • Jornal Diário de Natal - Natal/RN
  • Pesquisas Google - Site de Divulgação do Carnaval  de Natal
FOTOS:
  • Imagens Google
  • Acervo de Canindé Soares - Fotógrafo Potiguar
  • Edição de Foto: programa Pic-Nic- Yahoo/BR

                



sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

O IRREVERENTE CARNAVAL DA REDINHA - DA SÉRIE CARNAVAL EM NATAL


A Praia de Redinha é detentora do título do carnaval popular mais animado de Natal.Território dos blocos mais irreverentes da cidade, a Redinha atrai foliões de outros lugares para brincar na folia dos blocos "Povão da Praia", "Folia Mirim", "Papangu da Redinha", "Visse e Versa", "Cata Corno", "No seu Buraco", "Siri na Lata", "Vai pra Peia", "Caju Maluco", "Tampa de Furico", "Cobra Coral", Banda do Siri", "Zé Perikito", "Perereca da Redinha", "Baiacu na Vara", "Seu Boga" "Redinha dos Meus Amores" e tantos outros que surgem a cada ano.Isso sem contar com os tradicionais "blocos dos Índios"  presenças tão marcantes no carnaval potiguar.







Os blocos de rua da Redinha, com suas orquestras de frevo, atraem centenas de foliões quando saem as ruas, sem cordas ou cordões, resgatando a liberdade e a irreverência do povo com suas bandas de metais e seus músicos, levando o autêntico carnaval aos inúmeros foliões que lotam as ruas e becos da praia, durante os dias de folia.
A Redinha mantém também a cultura dos blocos de índios que desfilam ao som das batidas de tambor.
Além dos desfiles dos blocos de rua que são, sem dúvida alguma, o melhor do carnaval nessa praia, o polo carnavalesco da Redinha, conta com dois locais para apresentação de shows diários: o palco do Cruzeiro e o palco do Buiú.Passam por lá artistas locais e bandas em trios elétricos tocando  axé e outras músicas do gênero.







BLOCO CARNAVALESCO OS "CÃO"



Mas foi com o bloco "Os Cão" que o carnaval da Redinha notabilizou-se na cidade, pela invenção da fantasia de lama, veste do mais irreverente bloco da praia. O Bloco surgiu nos anos 60 quando um grupo de amigos resolveu desfilar pela praia "fantasiado" com a lama do mangue e com adereços consagrados ao "cão" ( o diabo) no imaginário popular. Hoje "os cão" levam mais de dois mil componentes ao mangue, para enlameados desfilarem pelas ruas.






Francisco Ribamar de Brito, seu Dodô, um dos criadores do bloco, conta como surgiu os cão: "tudo começou quando ele, Zé lambreta, Chico Baé e mais dois amigos, resolveram pegar camarão no Porto D'água, para tirar o gosto da aguardente. Estando no mangue, Chico Baé mela o cabelo de lama, querendo estirar o cabelo crespo. Achando engraçado, todos encheram o corpo da lama e saíram para o mercado e ruas da Redinha, assustando quem passava. O povo dizia: lá vem os cão! Naquele tempo era tudo sadio,a gente era respeitado. Hoje em dia todo mundo mela todo mundo" completa seu Dodô.








Em "Natal-Uma Nova Biografia", Diógenes da Cunha Lima transcreve uma nota do "Jornal o Galo- em fevereiro de 1997, que reescrevo aqui:"Quem são eles. os cão? Meros cidadãos de uma comunidade praieira? Com uma definição assim não há como evitar o risco de incorrermos no simplismo. Porque os cão são muito mais: irreverência. originalidade, comunhão com a mãe-terra, alerta em favor do ecossistema e, por extensão, também um momento de pura beleza sob a forma descuidada da efêmera( e preciosa) alegoria do carnaval" E o poeta-escritor complementa: "A mais pobre das fantasias, feita da lama negra dos mangues, supera qualquer fantasia, inclusive a religiosa.



FONTES:  
                   
          Jornais:tribuna do Norte e Diário de Natal
          Diógenes da Cunha Lima- Natal-Uma Nova Biografia
          Editora Infinita Imagem - 2011
          Luiz da Câmara Cascudo-História da Cidade de Natal
          Site: Diário do tempo- Velha Redinha- Sergio Vilar
          Pesquisas Google-Wikipédia
                                           
FOTOS: 
    Acervo do fotógrafo Canindé Soares
         Imagens Google


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

TEMPERANDO A VIDA - COLORAU / URUCUM - MUITO ALÉM DO QUE UM SIMPLES CORANTE



Não lembro de nenhum outro condimento  usado pela minha família que desse mais realce a um prato. Preparar uma galinha caipira sem colorau nem pensar! Uma canja sem uma pitadinha de colorau, "fica com cara de comida de doente", já dizia a minha avó. O fato é que  em toda cozinha, dessas bandas do Nordeste tem sempre um vidrinho de colorau.Tem quem ache que não tem sabor, que serve apenas como corante, mas quem se acostumou a usá-lo com frequência sabe bem distinguir o sabor que ele confere aos alimentos. Não tem a acidez do molho de tomate e bem dosado, torna os pratos salgados saborosos, de um colorido atraente que  aguça o apetite de quem senta à mesa.





Na nossa culinária, a forma mais comum de encontrar o colorau é em pó, que deve ser bem seco e solto. Mas também pode ser encontrado em forma de óleo. O seu preparo é simples e pode ser feito artesanalmente, basta que se tenha à mão as sementes do urucum. Essas sementes devem ser colhidas nos cachos devem ainda maduros. Em seguida, são postos para secar, diretamente no sol, processo que pode durar de um a três dias, dependendo do sol. Depois, deve-se debulhar os cachos, já secos, colocando os caroços em um recipiente até a hora de usar.
Ao preparar o colorau deve-ser ter cuidado com as sementes mofadas, pois em tempo chuvoso isso pode acontecer.


RECEITA CASEIRA DE COLORAU




A receita é simples. Basta colocar uma porção de sementes do urucum, já secas, em uma panela com duas colheres de sopa de óleo. Quando o urucu começar a manchar a colher de vermelho, acrescente fubá de milho, na mesma quantidade dos caroços ou até um pouco mais, se preferir deixar o colorau menos vermelho.
Mexa a mistura no fogo brando por cerca de cinco minutos. Depois, soque a mistura com um pilão. Vá mexendo com uma colher, dando mais algumas socadinhas. Retire a mistura e passe-a em uma peneira de arame de malha fina para separar o colorau das sementes. Guarde o colorau em vidros secos e bem fechados.


URUCUZEIRO OU URUCUEIRO



I - A PLANTA

Urucum ou urucu é o fruto do urucuzeiro ou urucueiro, cientificamente chamada de Bixa Orellana. Planta originária da América do Sul, mais especificamente da  Região Amazônica, que chega a atingir até seis metros de altura. Apresenta folhas de cor verde-claro e  flores rosadas com muitos estames. Seus frutos são cápsulas armadas poe espinhos maleáveis, que se tornam vermelhas quando ficam maduras: no interior dessas cápsulas se encontram sementes dispostas em série, de trinta a cinquenta por fruto, envoltas em arilo também vermelho.
É uma planta exuberante, seja pela beleza de suas flores, seja pelos seus vistosos cachos de frutos.






II - NOMES POPULARES

  • No Brasil : Urucum - Urucu - Açafroa - Açafroa da Bahia - Açafroa da terra - Açafroa indígena  
  • No Peru:, Colômbia e  Cuba: Atolé - Achiote - Bija
  • Na Venezuela: Achiote - Bija  -  Anoto  
  • No México: Achiote
  • No Paraguai e nas Guianas: Rocou - Recoye



IV USO E APLICAÇÃO

                                      Preparação do urucum para pintura
                                                  do corpo dos índios

O pigmento vermelho extraído das sementes é usado pelas tribos indígenas brasileiras como corante para o corpo, protetor de pele contra os raios solares e picadas de insetos.
É amplamente usado na Industria Alimentícia como condimento e como substituto  de corantes artificiais nas industrias de panificação, bebidas, sorvetes e massas. Na Indústria Textil é usado como pigmento para a fabricação de tintas.Tem grande aplicação na Industria de Cosméticos, para a produção de produtos como óleos de bronzeamento e protetores solar.
O resíduo dos frutos, depois de retiradas as sementes,servem para a alimentação animal e adubo orgânico.

V - PROPRIEDADES TERAPÊUTICAS



Na literatura etnofarmacológica, atribui-se ao urucum , mais precisamente às sementes, algumas propriedades que favorecem a digestão, atuando como tonificante do aparelho gastrointestinal, como antifebril e antigripal. As sementes são indicadas também no tratamento caseiro das palpitações do coração, crises de asma e coqueluche.
Na forma de chá, infusão, maceradas em água fria, ou ainda como xarope são usadas nos casos de faringite e bronquite. 
A massa obtida da maceração das sementes é indicada para ser colocada externamente nas queimaduras a fim de se evitar a formação de bolhas.
O cozimento das folhas (decocto) é aconselhado para atenuar os enjôos da gravidez.
Para enxaqueca: Colocar na fronte.2 folhas untadas com óleo canforado. 
Todas essas propriedades, no entanto, não foram ainda confirmadas pela ciência. Há de se observar também os efeitos colaterais do uso indiscriminado do Urucum. Estudos realizados com a casca indicaram "efeitos tóxicos no fígado, pâncreas acompanhados de hiperglicemia". (Morrison e West, 1985; Morrison e cole, 1987).

FONTES:

  • Lorenzi, H. et al. 2002. Plantas Medicinais no Brasil.
  • Vieira, L. S. 1992. Fitoterapia da Amazônia.
  • Pesquisas Web - Site: Catálogo Rural
  • Pesquisas Web - Site: Brasil Rural

FOTOS:

  • Imagens Google
  • Acervo pessoal

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O FOLCLORE POTIGUAR ESTÁ DE LUTO - MORRE O GRANDE PESQUISADOR DEIFÍLO GURGEL


                                        Deífilo Gurgel na lente de Canindé Soares


O Rio Grande do Norte perdeu ontem um dos seus mais ilustres filhos, um grande representante da nossa Cultura. Com grande parte da sua vida dedicada  as pesquisas das tradições culturais do nosso povo, o Professor, Poeta, e Escritor, Deífilo Gurgel é considerado um dos maiores folcloristas do nosso país.
Natural do Município de Areia Branca, Deífilo Gurgel morava em Natal desde 1944 quando aqui chegou com 18 anos de idade. Aos 25 casou-se com Dona Zoraide, companheira de  sempre, com quem teve nove filhos. Sua paixão pelo folclore começou aos 44 anos. Relembrando sua história de vida disse:" Na minha infância, na minha terra, lá em Areia Branca, havia alguns grupos folclóricos, dos quais eu tive a oportunidade de assistir o Bumba meu Boi e o Pastoril. Então, eu só me interessava pelo divertimento e não imaginava que aquilo fosse tão importante".

O PROFESSOR DEÍFILO




Lecionou durante 12 anos.Segundo ele, não gostava de ser professor." Me empurraram para lá, como um boi vai para o matadouro. Mas foi ótimo porque, além das pesquisas de campo que eu realizava, eu tinha que estudar o assunto para transmitir aos meus alunos. Eu aproveitei a condição de professor para realizar uma importante pesquisa que durou 10 anos, de 1985 a 1995, denominada Romanceiro Potiguar. Com isso eu conheci todo o Rio Grande do Norte. Nela eu estudei os romances ibéricos, que vieram de Portugal para cá ,e os que foram criados no país. Eu descobri coisas que ninguém podia imaginar em uma pesquisa desse tipo."

O PESQUISADOR



Ao longo dos anos o Professor Deífilo promoveu importantes descobertas para o Folclore Nacional. Vários acontecimentos marcaram a vida desse pesquisador. O encontro com o embolador de coco, Chico Antônio "descoberto" por Mário de Andrade, na década de vinte, foi um desses momentos.




Outro grande momento foi a descoberta da maior romanceira do Brasil D.Militana, em São Gonçalo do Amarante. Antes de chegar até ela, o escritor conheceu seu pai, na década de 70, quando realizava pesquisas sobre danças folclóricas do Estado.



O convívio com Câmara Cascudo foi outro momento importante na vida de Deífilo." Eu toda vida fui muito inibido e tinha um relacionamento muito difícil com outras pessoas. Mas mesmo assim, eu convivi um tanto com Cascudo e ele era uma pessoa espetacular. Quando eu lecionei Folclore Brasileiro na Universidade, levei várias turmas para conversarem com ele e meus alunos saiam de lá deslumbrados."



BIBLIOGRAFIA

I - O POETA


  • Cais da Ausência
  • Os Dias e as Noites
  • 7 Sonetos do Rio e Outros Poemas
  • Os Bens Aventurados


II  - O FOLCLORISTA




  • Danças Folclóricas do Rio Grande do Norte
  • João Redondo - Teatros de bonecos do Nordeste
  • Romanceiro de Alcaçuz
  • Manual do boi Calemba
  • Espaço e tempo do Folclore Potiguar

Publicou ainda "Areia Branca - A Terra da Gente" - um ensaio sobre a sua cidade natal e "São Gonçalo - O País do Folclore" sobre as tradições culturais do município de São Gonçalo do Amarante.
Deífilo morreu sem ver publicada sua obra literária mais importante: O Romanceiro Potiguar,fruto de pesquisa de dez anos coletando romances medievais pelos rincões e sertões potiguares.O livro já editado pela Fundação José Augusto seria lançado após o carnaval.


SOBRE DEÍFILO GURGEL



"Eis o  mérito do Prof. Deífilo: buscou as  fontes primárias. Palmilhou os caminhos do Rio Grande do Norte de máquina fotográfica e gravador a tiracolo, ouvindo gente, batendo em portas e sentando-se nos terreiros das casas humildes para ouvir contarem os fragmentos desbotados da tradição popular".

               Iapery Araújo-Poeta e Membro da Academia 
                                                   Norte-Rio-Grandense de Letras


             DEÍFILO POR ELE MESMO



 Fragmentos de uma entrevista dada ao Jornal "O Poti" em 14/08/2011


Esse livro "O Romanceiro" será o seu  último?

- Penso na segunda edição do meu livro de poemas, acrescentando alguns inéditos. E também na segunda edição do Espaço e Tempo do Folclore Potiguar.De repente pela Fundação José Augusto.

E rotina? Faz  exercício?

- Faço exercícios no quarto mesmo, quando acordo: uns exercícios respiratórios, umas flexões nas pernas, nos braços. Inclusive tenho uma bursite no braço - ô nome  feio da p*...né? (risos).

E alimentação:conserva os hábitos interioranos?

- Nos tempos de jovem eu fazia compras naquele mercado da Cidade Alta que pegou fogo. Comprava carne de gado, umas costelas com dois dedos de gordura. Eu cortava  a gordura, parecia um queijo, aí eu comia pura.Isso me rendeu uma ponte de safena e duas mamárias.Mas foi há dez anos.Desde então nunca mais.Hoje como principalmente frutas.Tenho meus cinquenta e poucos quilos.Mas meu peso nunca passou de  70.

A velhice é mesmo a melhor idade?

- Fico admirado de estar vivíssimo aos  85 anos. Meu pai morreu com 64 com câncer no pâncreas. Minha mãe morreu com 77 de velhice. E do jeito que estou vivi e estribuchando, vou durar mais um bocado.(risos) São raros os da família com mais de 80. Só meu avô paterno que durou mais de 90 anos, mas era aquela vida no Sertão, né?

Quais foram os estresses?

- ( Olha para Carlos Gurgel à frente e ri) Foi desobediência. Esses danados ( os filhos)... eu falava o que era certo, mas insistiam em desobedecer. Mas cresci e evolui.Cansei de dizer o que era certo e errado. Não vim ao mundo para julgar mas para tentar entender meus semelhantes. Convencer o outro de que o melhor é o ABC ou América é besteira.

Qual a maior alegria na vida?

- Nem sei lhe dizer. Sou muito frio, sem muitas expansões pra essas coisas: nem para a alegria, nem para a tristeza. Quando meu pai faleceu, fui ao sepultamento em Mossoró. Os outros filhos choravam, mas eu não não sentia vontade. Com a minha mãe também. Mas quando descobri Zoraide pela primeira vez fiquei emocionado, admirando a beleza dela. As amigas diziam que ela era a mulher mais bonita da cidade .E eu, um provinciano que veio do oco do mundo, iria conquistar? Mas depois de muito assédio, conquistei a rainha.

E a maior decepção?

- Sou um cara que me acomodo muito com os percalços da vida. Mas o meu primeiro emprego veio quando passei em primeiro lugar entre 120 candidatos no concurso público para cargo de datilógrafo do Ipase. O gerente Jurandir Cerri, viu  meu interesse no serviço e fui promovido. Quando Getúlio Vargas foi deposto, o gerente eleito foi Eurico Dutra. Ele Esculhambou o Ipase, quando eu já era delegado lá, e me  substituiu por um contínuo do partido político dele. Eu nunca tive partido na vida. Aí fiz uma representação direta para o presidente Alcides Carneiro, da Paraíba. A resposta foi dez dias de suspensão. Não contei conversa e pedi demissão, depois de oito anos no Ipase. Depois fui ser caixa no Banespa, onde passei 17 anos. (nesse período Deífilo se forma em Direito, em 67) Mas lá também pedi para sair. Eu era meio doido nessa época. Eu me vi cinco meses desempregado, casado e com cinco filhos.

Foi quando a cultura o salvou?

- Eu morava em uma casinha humilde em Areia Preta. Estava sentado em um banquinho próximo à  Praia da Jangada conversando com Zoraide sobre a vida, e João Faustino me aparece dizendo que tinha sido nomeado pra Secretário de Cultura na administração de Ubiratan Galvão e me convidou para ser  diretor de promoções culturais, ganhando até mais. Não pensei duas vezes.

Como os trabalhos iniciaram?

Já era 1970. Djalma Maranhão havia sido deportado há oito anos. No governo dele aconteciam grandes festivais de folclore. Nunca me interessei. Quando fui a trabalhar com João,a mulher do governador Cortez Pereira, Aída Cortez, resolveu promover uma festa natalina com várias apresentações dos grupos tradicionais dos antigos festejos promovidos por Djalma. Chamei o senhor Joaquim Caldas Moreira, braço direito de Djalma naquela época, para arregimentar esses grupos. Quando vi a primeira apresentação, do Boi de Reis de São Gonçalo, veio o meu interesse. Me cerquei de uma biografia razoável e me aprofundei no estudo do folclore.

E a ligação com a poesia?

- Trazemos do berço. Em Areia Branca eram aquelas águas desaguando no oceano: uma paisagem muito plana. Eu já sentia alguns pluridos poéticos, mas pela pouca idade e falta de orientação, não me arrisquei. Quando eu ia de férias à casa do meu avô em Caraúbas, já com 10 ou 12 anos, ficava encantado com aquela natureza, aquelas serras .Eu ficava na calçada do meu avô olhando aquilo tudo. E lá não passava automóveis, só carros de boi, jumenteiras. E escrevia meus primeiros poemas: " Da esquina da rua do meu avô / eu via o trem de carga do Patu / que passava por trás do sítio de seu Joaquim Amâncio / lançando na calma tarde sertaneja / o seu apito longo e dolorido / e lançava no meu coração doente de menino / as primeiras sementes de poesia" Muita coisa da minha poesia, até hoje, são evocações de minha época de menino.


FONTES:
                      Jornal "O Poti" - natal RN
                      Jornal "Tribuna do Norte" - Natal-RN


FOTOS: 
                     Imagens Google
                     Edição de fotos: Programa Pic-Nic - Yahoo/BR

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

MATERNIDADE ESCOLA JANUÁRIO CICCO - BERÇO DE MUITOS POTIGUARES




Berço de muitos potiguares, o belíssimo casarão onde funciona a Maternidade Escola Januário Cicco, antiga Maternidade de Natal, teve sua construção iniciada em janeiro de 1932. O terreno foi doado pelo então prefeito O'Grady mas a inauguração só ocorreu em 12 de fevereiro de 1950. No início da década de 40 a Maternidade já estava pronta para funcionar, mas durante a Segunda Guerra Mundial foi ocupada como "Quartel General das Forças Aliadas e Hospital de Campanha".
Com o final da guerra e após intensa campanha, Januário Cicco conseguiu retomar o prédio, restaurá-lo colocá-lo para funcionar.













De características neoclássicas, de elevado valor arquitetônico e histórico, a Maternidade Januário Cicco, como é conhecida pelos natalenses, é uma das raras exceções, nesta cidade, de uma construção que permanece até  os dias atuais desenvolvendo as atividades para as quais foi planejada. Hoje a Maternidade Escola é referência na cidade e funciona como campo de pesquisa, ensino e aplicação prática dessa área de saúde, além de prestar atendimento a população pobre.






A história da primeira maternidade de Natal tem um nome, um idealizador. O médico, escritor e humanista, Januário Cicco, nascido em São José de Mipibu, em  30 de abril de 1881. Falecido em 1952, Januário Cicco foi um pioneiro da Medicina Social.  Seu legado para a Medicina potiguar é incalculável! A Maternidade surgiu graças ao sonho desse homem e as  frequentes campanhas públicas, festas, desfiles, quermesses, sorteios e  rifas para arrecadar dinheiro para a sua construção. Além do seu grande envolvimento com a área de saúde, Januário Cicco escreveu importantes obras científicas e literárias, como " O Destino dos Cadáveres" (1906) "Como se Higienizaria Natal" (1920) " Memórias de um Médico de Província" ( 1928) e "Eutanásia" (!932).
Em  primeiro de novembro de 1952, vítima de um ataque cardíaco, morre o fundador da Saúde Pública do RN




Não poderia terminar essa postagem sem falar da música " Maternidade Januário Cicco" do compositor potiguar, Alínio Rosa. Ninguém melhor que um músico-poeta para prestar uma homenagem tão bonita ao lugar que o viu nascer.
             
             Maternidade Januário Cicco
                         Letra da Música     


                                                Compositor: Alínio Rosa

Dentro da Maternidade Januário Cicco
Quantos filhos potiguares ilustres nasceram lá!
Dentro da Maternidade Januário Cicco
Quantos seios que ficaram 
a seus pequeninos amamentar!

A nossa Maternidade Januário Cicco
Em Natal, é como uma grande mãe...
Mãe de mães que lá estiveram
Ou que ainda hão de estar
Para poderem bebês gerar
II
A Maternidade Januário Cicco,
 tal como um presépio está,
Permanentemente aguardando
 que haja berços para embalar
E a lembrar a manjedoura 
que serviu Maria, ao nascer Jesus
Semelhante minha mãe, 
na Januário Cicco, trouxe à luz,
Um menino que hoje vem
Uma canção oferecer
Ao lugar que um dia o viu nascer.


 FONTES:
Site - "Natal de Ontem"
Livro " Por amor a Natal - Poesia, história e Arte"- Severino Vicente -Ed. RN/Econômico-2010

 FOTOS: Imagens Google
VÍDEO: Enviado por Arilza Soares