FOTO DE CAPA

Foto de Capa
Barra de Punaú - por Arilza Soares

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A ARTE DE BORDAR COM PERFEIÇÃO: OS BORDADOS SERIDOENSES




Sempre que vou a Natal, a primeira coisa que faço é ir a uma loja de artesanato. É quase um ritual, e o Centro de Artesanato da praia dos artistas é um dos meus recantos preferidos, pela proximidade da casa da minha mãe, pela familiaridade com o lugar, pelo visual maravilhoso da orla, e principalmente, pela variedade de peças com bordados de Caicó, que me deixa extasiada! O cuidado, o capricho, a disposição e harmonia das cores faz toda a diferença das bordadeiras seridoenses. Na verdade, os bordados de Caicó não são os únicos, nem originais, mas o o esmero de suas artesãs em trabalhos como "Richelieu" "Matiz" ou "Ponto Cheio" beiram a perfeição!


                                                               
         


ORIGEM E EVOLUÇÃO DO BORDADO

A história do bordado origina-se com o bordado Ponto Cruz, cujos registros históricos remontam na pré-história. No tempo em que os homens moravam em cavernas, o ponto cruz era usado na  costura das vestes, feitas de peles de animais. As agulhas eram feitas de ossos e no lugar das linhas eram usadas  tripas de animais ou fibras vegetais. 
Existem relatos de que o bordado seja  tão antigo quanto a humanidade e de que o bordado com aplicações já era apreciado pelo homem há 30 mil a.C. A base disso seria um fóssil, encontrado na Rússia, que tinha as vestes adornadas com grânulos de marfim.
Como a maioria das outras artes têxteis e dos trabalhos com agulhas, várias técnicas da arte dos bordados surgiram no Oriente Médio. A arte dos bordados manuais com suas variadas técnicas, ainda é bastante utilizada nos dias atuais em todo o mundo.

                                              

                                                

No início do século XX, surgiu o bordado a máquina, feito em máquina de costura doméstica reta a pedal, que ainda é utilizado. Mas, este tipo de bordado requer bastante trabalho por parte do bordador, que tem de movimentar braços e pernas para bordar. Na década de 50 surgiu o bordado em máquina de costura zig-zag industrial, garantindo uma produtividade maior, mas exigindo do bordador mais habilidade e agilidade, pois o movimento do bastidor tem que ser feito de forma manual.
Acompanhando a evolução tecnológica no mundo, na década de 80 surgiram as bordadeiras eletrônicas profissionais e industriais. Acompanhadas de softwares de criação aliaram ao antigo prazer de bordar a facilidade, a praticidade, a produtividade e a elevação da renda. 
                                     
                                                                                          
OS BORDADOS SERIDOENSES




O bordado seridoense teve sua origem baseado no bordado típico da Ilha da Madeira, e sua introdução no Seridó ocorreu do final do século XVIII ao início do século XIX, através das mulheres dos colonizadores portugueses durante a fase de interiorização da província. Esta arte em Portugal foi, por muito tempo, praticada apenas para ornamentar igrejas e vestes eclesiásticas.
As cidades de Caicó e Timbaúba dos Batistas são os locais onde mais se reflete essa tradição.


                                         

Mesmo apresentando características semelhantes ao bordado típico da Ilha da Madeira, em Portugal, as mulheres seridoenses deram características próprias, se utilizando de cores vivas, representando a fauna e a flora locais. O bordado é realizado diretamente sobre o tecido, geralmente utilizando linho, percal ou polialgodão. As técnicas mais utilizadas são o Richelieu, Matiz, ponto Cheio, Turco, Granito, Ponto Reverso, Crivo, Bainha, Ponto Aberto e Pesponto. Em contraste com o bordado do litoral, encontrado na sua maioria totalmente branco, o bordado seridoense apresenta um colorido vibrante formando principalmente flores e arabescos. Originalmente, este artesanato era produzido à mão, apenas com agulha e linha, mas atualmente as bordadeiras já se utilizam de máquinas de costura. São realizadas principalmente sobre caminhos de mesa, panos de bandeja, lençóis de cama, toalhas para lavabo, toalhas de banho, redes, camisetas e blusas de cambraia. Usam-se, também, bordados no enxoval de recém-nascidos se utilizando de linha de seda.


O Bordado Richelieu





Esse tipo de bordado remonta à Idade Média, e atribuí-se ao Cardeal Richelieu, que fazia parte da corte do Rei Luis XIII da França, a origem do nome. Quanto a origem da técnica  se deve muito provavelmente às primeiras investigações no sentido de produzir bordados com linha branca sobre fundos claros e em tecidos leves e transparentes, como tule e musselina. Em seguida,criaram a técnica de cortar certos espaços vazios do tecido entre os motivos bordados vazando-se áreas estratégicas ao redor deste. Os italianos batizaram essa invenção de punto tagliato, os franceses de point coupé, ou seja, ponto cortado. Estava, nesse momento, dado o primeiro passo à criação da renda, e nascia também o que tempos depois ficou conhecido como a técnica para a produção do Richelieu.


                                           
MAIS BORDADOS








Fontes:

  • Jornal Tribuna do Norte - Natal/RN
  • Pesquisas Google:
  • Site de divulgação dos Bordados Seridoenses
  • Wikipédia
Fotos:
  • Imagens Google
  • Site de divulgação dos Bordados Seridoenses
  • Acervo de Thaís Pinto
  • Edição de Fotos: programa Pic-Nic -Yahoo/BR




Essa postagem é para a minha mãe, Dona Angelita, exímia bordadeira, que apesar de não ser seridoense bordava à mão com a mesma perfeição. Como me orgulhava de vestir os vestidos feitos e bordados por ela! Lembro de um vestido vermelho de linho, que ela bordou com o próprio fio do tecido. Era lindo! 
Tenho lembranças da minha mãe bordando à máquina enxovais para noivas, que eram verdadeiras obras se arte. Com ela aprendi a amar e valorizar essa arte. Valeu mãe!






sexta-feira, 5 de agosto de 2011

TABUS, CRENÇAS E COSTUMES ALIMENTARES DO RN

                                         
O livro "História da Gastronomia do Rio Grande do Norte" da seridoense Maria Marluce Gomes, é um convite a uma viagem deliciosa pelos costumes e tradições alimentares do povo do sertão. São poucos os registros sobre o assunto, mas Marluce soube de uma maneira simples resgatar nossas tradições e nos presentear com uma leitura tão deliciosa quanto as receitas que nos oferece.
Esse livro é segundo a autora, de caráter antropológico e teve o objetivo de registrar, através da história, desde o tempo da colonização, a origem de várias receitas, ainda hoje utilizadas, como da carne de sol e dos queijos do Seridó.
     


                                     
Uma curiosidade identificada por Marluce Gomes é que a salada de frutas foi utilizada pela primeira vez, no Brasil, aqui no Rio Grande do Norte. De acordo com suas pesquisas, esse alimento tão comum em todo o país foi introduzido pelo governador Alberto Maranhão, entre os anos de 1910 e 1914.


                                              


Mas é quando a autora fala das crendices e tabus alimentares que mais me identifiquei. Apesar de ter nascido e me criado  litoral sou filha e neta de sertanejos. Quantas e quantas vezes ouvi dos meus avós para "não  misturar leite com manga", "peixe com carne," "não tomar banho depois do almoço," "não  chupar laranja ou limão se estivesse naqueles dias!"...
Hoje muito dessas crendices desapareceram, outras no entanto, continuam no imaginário popular do nosso povo. Transcrevo a seguir, algumas dessas crendices e costumes relatadas por Marluce, e algumas mais que ouvi ao longo da minha vida.


       CRENDICES E TABUS E COSTUMES ALIMENTARES


  • Fruta de manhã é ouro / de tarde prata / de noite mata;
  • melancia quente dá inflamação na garganta;
  • pitomba dá entupimento;
  • laranja provocam ferida na boca;
  • umbu provoca diarreia;
  • comer frutos gêmeos ( principalmente a banana ) é pedir para ter filhos gêmeos;
  • para uma fruta não fazer mal coma com farinha!
  • manga com leite é veneno;
  • pinha é fruta reimosa não deve ser comida por quem está com alguma infecção.


  • Galinha é comida para dia de festa ou do domingo;
  • o ditado "estômago de padre é cemitério de galinha" indicava que ao ilustre visitante deveria ser servido galinha;
  • galinha assada é para os dias de cerimônias,as guisadas ou à cabidela para um dia muito especial;
  • mulher de resguardo ( período de 40 dias após o parto) deve se alimentar basicamente de galinha caipira;
  • caldo de galinha é para doente ou convalescente;
  • canja de galinha é para mulher parida.


  • Comer carne e misturar com peixe cresce as orelhas;
  • comer açúcar dá lombriga;
  • comidas requentadas ofende, faz mal;
  • comer muito queijo ataca a memória;
  • muita manteiga diminui a inteligência;
  • farinha seca,dá dor no fígado e incha a barriga;
  • quem bebe depressa engole vento;
  • tomar banho depois do almoço faz mal;
  • quem come nu ofende ao anjo da guarda;
  • derramar sal é de mal agouro;
  • beber do resto do copo de alguém ( sobejo) faz ficar sabendo dos segredos dessa pessoa;
  • cair farinha no chão é sinal de fartura;
  • moça solteira não senta na cabeceira da mesa para não ficar no caritó;
  • cozinhar com pouca roupa faz a comida esturricar;
  • a penela só deve ser mexida por uma só pessoa para não tirar o sabor." panela que muitos mexem ou sai insossa ou salgada"
  • em dias chuvosos caldo não engrossa;
  • mulher menstruada, se bater bolo o mesmo não cresce;chá é remédio de doente.


  • Não se urina ou cospe no fogo, para não secar a urina ou ficar tuberculoso;
  • não jogar cabelos ao fogo para seu dono não enlouquecer;
  • fogo aceso com papel tira o gosto da comida;
  • dizer palavrão ou espraguejar acendendo fogo, o demônio vem ajudar.
                                                                   
                                                                                 
  • Alho machucado posto na cárie de um dente alivia a dor,serve de analgésico;
  • friccionado sobre os pulmões é bom para tosse;
  • posto no sereno, depois picado e polvilhado com açúcar é usado como calmante para tosse;
  • o odor afasta mau olhado e perigos ocultos.É um amuleto natural.



Fontes:

  • Maria Marluce Gomes - História da Gastronomia do RN - Editora Alternativa -Natal-2004
  • Câmara Cascudo -Superstição no Brasil - Editora global-2002
  • Angelita Soares da Silva -Explosão da memória -Expressões Ditos e Contos - Natal/RN -201
Fotos:
  • Imagens Google
  • Edição de Imagens: Programa Pic-Nic- Yahoo/BR



quarta-feira, 3 de agosto de 2011

CALDO DA CARIDADE OU CABEÇA DE GALO?



Em Natal temos mania de tomar caldos: caldo de peixe, caldo de camarão, caldo de ostra, caldo de feijão... Em quase toda barraca de praia a boa pedida é pedir um caldo. E  não tem nada melhor para acompanhar uma cervejinha gelada! Mas desses caldos falaremos depois. Hoje quero falar  de um muito especial, que a maioria dos nordestinos conhece: o "caldo da caridade", que pode mudar de nome, se for adicionado ovo, à receita básica - aí teremos o conhecido "cabeça de galo".

                                             
                           CALDO DA CARIDADE
                         
De preparo muito simples, com grande poder energético, o caldo da caridade é recomendado para restaurar as energias,sobretudo após um dia de trabalho ou de esforços físicos intensos (dá sustança como se diz em Natal). É recomendado também para se proteger das gripes, e até mesmo para curar ressacas.


                                RECEITA BÁSICA

 

INGREDIENTES

                        1/2 litro de água
                        1 colher de sopa de manteiga
                        1 cebola picada
                        1 tomate picado
                        1/2 pimentão verde picado
                        2 dentes de alho socados
                        1 ramo de coentro picados
                        Sal e pimenta do reino a gosto
                        1 colher de chá de colorau (opcional)
                        1/2 xícara de farinha de mandioca


 MODO DE FAZER
                            
Refogue com fio de azeite a cebola, alho, tomate e o pimentão e depois adicione a água quente.
Em seguida junte  a pimenta-do-reino, o colorau o sal e mexa devagar com uma colher de pau.
Coloque a água para ferver em fogo normal.
Acrescente o coentro picado. Desligue o fogo e tampe a panela para perfumar.
Adicione, com as mãos, aos poucos a farinha de mandioca, mexendo devagar Só coloque a quantidade de farinha quer seja suficiente para engrossar o caldo. A consistência é de um caldo grosso.
Sirva quente e se preferir acrescente mais coentro picado.


    CABEÇA DE GALO

                                                               
                            
O caldo "cabeça de galo" é uma variação do caldo da caridade. Para obtê-lo prepare a receita básica. No memento em que a água começar a ferver, quebre 2 ovos inteiros e deixe cozinhar. Antes de colocar a farinha de mandioca, retire os ovos, um a um, com uma escumadeira e reserve. Depois de engrossar o caldo com a farinha, volte a colocar os ovos na panela, para que esses não fiquem frios. Prove o sal. Sirva quente.  
                                   
                                        Bom Apetite!






FONTE:

  • Receita de Dona Angelita - Natal/RN
FOTOS:
  • Imagens Google
  • Edição de Foto: Programa Pic-Nic- Yahoo/BR




terça-feira, 2 de agosto de 2011

O MARCO DE TOUROS E A OUTRA HISTÓRIA DO DESCOBRIMENTO DO BRASIL





                  Rio Grande do Norte ou Bahia?



Como seria interessante se as nossas Escolas e Universidades promovessem esse debate! Não como dísputa política, mas como uma investigação que nos levasse a pesquisar, pensar, estabelecer hipóteses. Melhor que continuar insistindo em passar para as gerações a fabulosa história de que nossos heróis portugueses nos descobriram por acaso, depois de passar todo tipo de provações no desconhecido caminho que percorreram.








Para Câmara  Cascudo, o Marco de Touros muda a rota do Descobrimento. Suas pesquisas e estudos comprovam que a posse e a propriedade do Brasil se deram, não em Porto Seguro na Bahia, mas na praia de Touros, a 145km de Natal.  O Marco é o mais antigo objeto de presença européia em continente americano. Foi colocado na praia por Américo Vespúcio. Cascudo descobriu o monumento, identificou o Marco e fez um livro sobre o assunto.



                                                                    
                        Câmara Cascudo e o Marco de Touros


O Professor Diógenes da Cunha Lima, confirma que pouca gente sabe que o Brasil nasceu juridicamente no Rio Grande do Norte. Para ele, não existe em Porto Seguro, nada da presença de Pedro Álvares Cabral, ao contrário do que sucede no Rio Grande do Norte, onde a passagem de Vespúcio é confirmada em documentos.
Já o escritor e pesquisador Lenine Pinto autor de uma tese sobre o assunto, assegura que o Brasil foi descoberto em Touros e que o Monte Paschoal era a Serra do Cabugi.Tese polêmica, que tem gerado muitas discussões entre pesquisadores. A tese de que o Brasil nasceu aqui, no Rio Grande do Norte, defendida pelo pesquisador Lenine Pinto, demonstra uma série de dados a serem contestados na história oficial. Entre seus argumentos, a chantagem do Marco de Touros é uma das peças chaves de esclarecimentos. Para ele era normal chantar um marco no ponto onde chegavam e ao alcançarem o mar chantavam o segundo marco. "O Brasil tinha dois padrões (marcos), um em Touros e outro em Cananéia, em São Paulo", ressalta Lenine. Em documentos há relatos de que Cabral percorreu duas mil milhas na costa brasileira. "Duas mil milhas é exatamente a distância entre a ponta do calcanhar (RN) e Cananéia", afirma.








Outros Argumentos que sustentam a tese de Lenine, estão relatados no seu livro "Reinvenção do Descobrimento" lançado pela Editora RN Econômico - Emp. Jornalística -1968. Vale a pena conferir!


                                           







POR QUE PORTO SEGURO E NÃO TOUROS?




Os defensores da tese de que o Brasil foi descoberto em Touros, argumentam que: "Portugal era muito pequeno. Se dissesse qual o verdadeiro caminho, em pouco tempo, navegadores ou "piratas" espanhóis ou italianos estariam lá. Porto Seguro foi uma embromação dos portugueses, para fugir da concorrência! (Gildson Oliveira).
Para o historiador baiano Pedro Calmon, o Marco que Porto Seguro ostenta é apenas um "Comemorativo" do descobrimento, provavelmente posto ao iniciar-se a colonização" o que remeteria a uma data a partir de 1535.
                              


Fontes:

  • Gildson Oliveira - "Câmara Cascudo - Um Homem Chamado Brasil. Ed. Brasília Jurídica - 1999.
  • História do Rio Grande do Norte - Câmara Cascudo  - Livros Raros /1955
  • Lenine Pinto - Reinvenção do Descobrimento - Editora RN Econômico - Emp. Jornalística - 1968.
Fotos:
  • Imagens Google 
  • Edição de Fotos: programa Pic- Nic -Yahoo/BR

.       

O MARCO DE TOUROS E A FUNDAÇÃO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE



Na última visita que fiz a Fortaleza dos Reis Magos em Natal, pude ver de perto, entre o acervo cultural lá exposto,o monumento conhecido como "Marco de Touros". Já tinha lido algo à respeito dele, mas as pessoas que estavam a minha volta, e que eram norte-riograndenses, nada sabiam!  Fiquei pensando porque um marco de tamanha importância histórica era um desconhecido para todos nós! Realmente conhecemos pouco da nossa história e nos contentamos apenas com as informações que nos foram dadas em sala de aula. Vamos pois conhecer melhor essa história que marca, entre outras coisas, o nascimento do estado do Rio Grande do Norte.
                                               

                                                 


Quando os portugueses, na sua política expansionista, chegavam às terras descobertas, deixavam um marco, oficializando a tomada de posse de territórios que descobriam como sendo exclusivamente de Portugal. Eram colunas de pedra, de altura variável, com uma cruz  e inscrições em português, latim e árabe, que os portugueses passaram a usar como prova de suas descobertas e símbolos de sua fé.
O Marco de Touros é uma pedra calcária de granulação fina, provavelmente de mármore português ou lioz, medindo 1,20m de altura; 0,20m de espessura, 0,30m de largura; 1,05m de contorno.
Na parte superior, contém a cruz da Ordem de Cristo (a famosa Cruz de Malta) em relevo e, abaixo, as armas do rei de Portugal e cinco escudetes em aspas com cinco quinas.



                                                                 
                                                                 
Em 7 de agosto de 1501, uma frota de três caravelas portuguesas chegava á costa do Rio Grande do Norte, no local que posteriormente seria o Município de Touros (razão pelo qual o marco ficou conhecido como "Marco de Touros"), entre São Miguel do Gostoso e Pedra Preta. Sob o comando de André Gonçalves, os tripulantes trataram de fincar o Marco de Posse, estabelecendo o símbolo de dominação portuguesa sobre a nova terra. Com André Gonçalves, estavam também Gaspar de Lemos e Américo Vespúcio, que viam com a incumbência recebida do Rei D. Manuel de tomar posse da nova terra recém descoberta - o Brasil.
O registro da descoberta do Marco  foi feita pelo historiador pernambucano José de Vasconcelos, no final do século passado, em seu livro Dantas Célebres e fatos Notáveis da História do Brasil. O historiador Câmara Cascudo esteve no local, identificou o marco e fez um livro inteiro sobre o assunto.                             


                                     RÉPLICA DO MARCO                      
                
O Marco foi levado por Câmara Cascudo para sua residência em Natal porque estava se deteriorando pela maresia e ação do vento, alem de sofrer a ação dos próprios moradores da comunidade. O marco era cultuado como se fosse santo, e o chamam até de “Santo Cruzeiro”. A cruz inserida no Marco levava a comunidade a crer que esse era realmente divino, vindo diretamente de Deus para eles. Os habitantes dessa comunidade acreditavam que tirar algumas lascas de pedra do Marco para fazer chás não se constituía como uma agressão e sim como uma cura para suas doenças. Anualmente milhares de pessoas realizavam procissão em direção ao Marco.
Desde 1976, o Marco encontra-se nas dependências da Fortaleza dos Reis Magos, quando ele foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Cultural. No local foi construido uma réplica e entregue a comunidade. 



                                 MONUMENTO  DO MARCO
                 
O monumento em homenagem a esse episódio, projetado por Oscar Niemeyer, está localizado em Touros no Km-0 da BR-101. Conta com um arco que se assemelha ao da Praça da Apoteose no Rio de Janeiro, uma lâmina d'água e uma réplica do mais antigo monumento colonial de posse portuguesa encontrado no Brasil. 



A FUNDAÇÃO DO ESTADO
DO RIO GRANDE DO NORTE

                             7 de Agosto - Aniversário do RN                         



O dia 7 de agosto data em que aconteceu a fixação do  primeiro Marco no Brasil, foi escolhido para ser a data do aniversário do Rio Grande do Norte. Para muitos historiadores a fixação do Marco representa o registro de nascimento do Brasil  e, como não poderia deixar de ser do Rio Grande do Norte também. 
Mas o Rio Grande do Norte comemora, na próxima semana seus 510 anos de fundação em meio ao de desconhecimento  dos potiguares sobre a sua história. A data foi instituída pela lei 7.831 de 31 de maio de 2000, de autoria do deputado Valério Mesquita, num reconhecimento e alusão à fixação do Marco de Touros.


HINO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE


Letra de José Augusto Meira Dantas e Música de José Domingos Brandão

O Hino do Estado do Rio Grande do Norte tem como autor José Augusto Meira Dantas, compondo a letra e José Domingos Brandão, responsável pela música, ambos naturais da cidade de Ceará-Mirim. Foi oficializado pela Lei Estadual 2161 de 3 de dezembro de 1957 na gestão do Governador Dinarte Mariz. É composto por três estrofes, cada uma contendo doze versos e um estrbilho (refrão)

LETRA DO HINO DO RN
José Augusto Meira Dantas


Rio Grande do Norte esplendente 
Indomado guerreiro e gentil, 
Nem tua alma domina o insolente, 
Nem o alarde o teu peito viril ! 
Na vanguarda, na fúria da guerra 
Já domaste o astuto holandês ! 
E nos pampas distantes quem erra, 
Ninguém ousa afrontar-te outra vez! 
Da tua alma nasceu Miguelinho, 
Nós, como ele, nascemos também, 
Do civismo no rude caminho, 
Sua glória nos leva e sustém!

Estribrilho 
A tua alma transborda de glória! 
No teu peito transborda o valor! 
Nos arcanos revoltos da história 
Potiguares é o povo senhor!

II 
Foi de ti que o caminho encantado 
Da Amazônia Caldeira encontrou, 
Foi contigo o mistério escalado, 
Foi por ti que o Brasil acordou! 
Da conquista formaste a vanguarda, 
Tua glória flutua em Belém! 
Teu esforço o mistério inda guarda 
Mas não pode negá-lo a ninguém! 
É por ti que teus filhos descantam, 
Nem te esquecem, distante, jamais! 
Nem os bravos seus feitos suplantam 
Nem teus filhos respeitam rivais!

III 
Terra filha de sol deslumbrante, 
És o peito da Pátria e de um mundo 
A teus pés derramar trepidante, 
Vem atlante o seu canto profundo! 
Linda aurora que incende o teu seio, 
Se recama florida e sem par, 
Lembra uma harpa, é um salmo, um gorjeio, 
Uma orquestra de luz sobre o mar! 
Tuas noites profundas, tão belas, 
Enchem a alma de funda emoção, 
Quanto sonho na luz das estrelas, 
Quanto adejo no teu coração


FONTES

  • História do Rio Grande do Norte - Luis da Câmara Cascudo - MEC - 1955
  • Gildson Oliveira - "Câmara Cascudo - Um Homem Chamado Brasil. Ed. Brasília Jurídica - 1999.
  •       Pesquisas Google -  Wikipédia
  •      Jornal Tribuna do Norte - Natal/RN

FOTOS:
  • Imagens Google
  • Edição de Fotos: Programa Pic-Nic -Yahoo/BR