FOTO DE CAPA

Foto de Capa
Barra de Punaú - por Arilza Soares

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

PURA NOSTALGIA - ALTO DO JURUÁ



                           
                         
" O futuro mais brilhante é baseado num passado intensamente vivido"
                                                              Clarice Lispector

Essa postagem é pura nostalgia! Nenhum compromisso com a ordem cronológica dos fatos, com a história oficial do bairro ou dos acontecimentos. Só lembranças! Lembranças de uma infância, que hoje me dou conta, foi muito feliz, muito feliz mesmo! Talvez o que vou colocar aqui não interesse muito pois são relatos de vivências muito pessoais. Ou interessa!  Na verdade  são relatos da vida em uma Natal provinciana, de um bairro simples, de um povo amigo e festeiro. São relatos de um pedacinho de Petrópolis ( hoje Areia Preta) que já não existe mais, nem no  nome! Não sei porque, mas o Alto do Juruá, perdeu seu posto desde a década de 50. Só existe na memória de poucos saudosistas, e está retratado no nome de um edifício no luxuoso bairro de Petrópolis.




EDIFÍCIO ALTO DO JURUÁ EM PETRÓPOLIS



ANDARILHA DO ALTO
                                                 
  Amigo eu moro perto do Alto do Juruá
  Eu vivo satisfeito em morar nesse lugar
     Pois se o calor aperta,cedido a coisa certa
                                   Eu desço e tomo um banho à beira mar                                                                              
                                                               (Da música Alto do Juruá de Alínio rosa)



IGREJA NOSSA SENHORA DE LOURDES E  DETALHES DA 
ANTIGA RUA   RUA 2 DE NOVEMBRO  HOJE MAJOR AFONSO MAGALHÃES



Esse lugar já foi Alto do Juruá, Petrópolis e agora, depois do último mapeamento da cidade feito pela prefeitura , é  Areia Preta. Mas não importa o nome! Aqui nasci, me criei e passei grande parte da minha juventude.  Minha mãe ainda mora no mesmo lugar, na mesma casa. Portanto, esse local ainda faz parte da minha vida até hoje. Muita coisa mudou, mas me sinto muito em casa, muito à vontade e muito feliz quando ficou à toa perambulando por essas ruas e becos.  Mais que um encontro com o passado, é um encontro comigo mesma, com as minhas raízes, com tudo que me fez ser o que sou hoje.



                   


Desde menino que sou andarilho do Alto
    Avisto o   mar aberto muito bem do planalto
         do Forte dos Reis Magos à Ponta do Morcego 
                                 A vista proporciona um mar que leva ao sossego                                                                                   
                                                                Alto do Juruá-composição de Alínio Rosa                                                                           
                                      

                                                    
A música do meu irmão me inspirou a fazer essa postagem. Era realmente um privilégio morar no Alto. Para um banho a beira mar só tínhamos que descer uma das ladeiras; era só escolher o melhor atalho. E foi ouvindo essa música que as lembranças foram surgindo,como num filme retrô:



  • Lembrei dos banhos de mar, as cinco horas da manhã, para pegar  o " iodo " dizia meu pai. Geralmente o banho era na Areia Preta, no trecho bem em frente onde hoje  é o Farol Bar. Nessa época, o local era frequentado pelas lavadeiras, que aproveitavam a água doce que jorrava das falésias para lavar as roupas. Eu ficava fascinada e ao mesmo tempo intrigada, como aparecia água doce , no meio daquelas pedras, numa praia de mar tão salgado. Esse ato de ir a praia, foi durante muito tempo um ritual diário.
  • Na volta da praia,outro ritual: entrar no "curral de seu Maia" para tomar leite tirado do peito da vaca. Confesso que isso eu odiava! Enquanto a maioria dos que estavam ali, adoravam aquele leite, eu tinha pavor! Tomava obrigada- "é pra  você ficar forte, diziam, e eu tinha que engolir aquele líquido quente, espumante, e com cheiro de estrumo! Fazia careta, tapava o nariz e engolia, porque "senão você não vai para o jardim de infância, ameaçava meu pai! E para ir para o "jardim" valia qualquer sacrifício!
  • O Jardim de Infância funcionava num anexo do Grupo Escolar Alberto Torres. Lembro que tinha uma forma circular,com janelões que davam para um gramado muito grande (pelo menos na minha visão se criança). O Jardim pertencia a Rede Pública de Educação, numa época em que o Ensino Público era de qualidade. Não lembro do dia a dia no Jardim, apenas de fatos marcantes: Hastear a Bandeira, por exemplo, cantar o Hino Nacional, junto com a turma dos maiores do Grupo era a glória! Regar as plantas, cuidar da pequena horta, participar das brincadeiras no gramado, ajudar na arrumação, fazer parte da "bandinha" e do coral do Jardim, ouvir e contar histórias, foram aprendizados que carrego comigo até hoje.
  • E as "Escolas Reunidas Pedro Mendes Gouveia" da Dois de Novembro? Eu estava lá, no dia da inauguração, para entregar um ramalhete de flores ao Governador de Estado, Dr. Silvio Pedrosa. Fui uma das primeiras alunas matriculadas. Tinha umas coisas meio idiotas: sempre que perguntavam a qualquer aluno dessa escola , onde ele estuda e esse respondia "no Pedro Mendes Gouveia" ouvia do outro: calço sapato sem meia! Eu ficava irada, ninguém ia pra escola sem meia! Desse tempo só recordo de uma professora: Dona Daluz, amiga de minha mãe por quem eu era apaixonada. As outras professoras não lembro. Já de Dona Mariana, uma senhora que morava vizinho à Escola, essa, todo mundo lembra - fazia as melhores tapiocas do bairro -  tapiocas feitas na hora, molhadas no leite de coco, humm! Fazíamos fila para comprar.
  • Fui estudar depois no Grupo escolar Alberto Torres, onde conclui o curso primário. Nessa época o ensino público era de qualidade e estudar no Alberto Torres fazia me sentir importante. Dona Dagmar minha professora querida, dessas que a gente nunca esquece: competente, dedicada, amiga e rigorosa quando preciso. Tenho as melhores lembranças dela e da nossa  nossa classe. E as aulas de Canto Orfeônico com a professora Zuleica? Ela sempre organizava um Coral que eu amava, até porque no final do ano o coral se apresentava em alto estilo no Teatro Alberto Maranhão. Era a a glória!

FOTO DA FORMATURA DO CURSO PRIMÁRIO

NO CANTO ESQUERDO - DONA DAGMAR 
MINHA INESQUECÍVEL PROFESSORA



FONTE: 

  • Memórias do Vento Nordeste


FOTOS:
  • Acervo do Vento Nordeste
  • Imagens Google
  •  Edição de fotos: Programa Pic-Nic - Yahoo/Brasil   

VÍDEO: 
  • Letra e Música "Alto do Juruá" de Alínio Rosa - Compositor Potiguar  - Enviado ao You Tube por Arilza Soares
     



7 comentários:

  1. "Ai que saudades que eu tenho da aurora da minha vida daminha infancia querida"... e por aí vai, Alto do Juruá , Petropólis, Areia Preta, não importa, nosso coração Arilza está lá, naquele miolinho , quem conviveu naquela época alí, lembra das festas em fevereio da Padroeira do Bairro, Nossa Senhora de Lourdes,nome da Igreja, primeiros flertes(na época), depois paquera rsrsrsrs se aquela Pracinha falasse,kkkk quantos namoros naquele tempo, kkkk, enquanto Seu Aprigio não apagava a luz do Poste kkk, depois que apagava alguns casais mais ousados ficavam, outros corriam kkk, tem muita coisa de lembrar, depois da missa aos sábados, era ali a reunião , tudo ali, bailinhos no Clube, e a bela praia do nosso lado, era só correr e mergulhar kkk que saudades.. Arilza, você escreveu e descreveu tudo que nós vivemos nem precisa mais nada , é só lembrar e dar boas risadas..Deus te abençoe..bjus

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  2. Quanta coisa boa aconteceu naquela rua, "colada" com o mar, como gosto de repetir, infancia privilegiada. Subindo para a rua 2 de novembro, para qualquer lado, dava no mar, e que marzão, aquela ladeira fantástica, quando a gente dobra a direita, terminando no mar de Areia Preta, com direito a visão do Farol, a esquerda, a gente ía parar na "balustrada", e bota mar no visual, é ou não um big privilegio?
    Eduardo de Souza - Rio Branco/Acre - Via E-mail

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  3. Como habitantes da beira mar, que fomos, morando na Rua Boa Vista, vc sabe que voltar da praia era sempre um privilégio sentar na mesa para comer, a fome parece que duplicava, ou triplicava, sei lá, depois das nossas estripulias na praia do meio, ou praia do forte. Levei alguns cascudos quando era menino, pois as vezes sentava na mesa sem tomar "banho de água doce", prá "tirar o sal", e almoçar, ou as vezes, uns "petelecos" nas mãos, por furtivamente tentar, antes do banho, pegar um pedaço de batata doce assada na manteiga, ou um naco de carne cozida, que ficavam ali, no prato, "olhando" prá gente, tentadoramente. Divertidíssimo lembrar essas coisas, da nossa terra, da nossa infância super privilegiada

    Eduardo de Souza - Rio Branco Acre - Via E-mail

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  4. Sobre o Alto do Juruá, eu não sabia que tinha tido, ou tem esse nome, a região onde moramos, vc deve saber que tem um predio com esse nome na continuação da Afonso Pena, no mesmo lado do nosso grande "Grupo Escolar Alberto Torres", um pouco mais acima, na subida que vai dar no topo da ladeira do sol

    Eduardo de Souza - Rio Branco/Acre - Via E-mail

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  5. Fatima Pessanha Silva -Campinas/SP

    Aí é as Quatro bocas, que vc tanto falava?? Pra mim já virou ponto turístico pra conhecer quando eu for a Natal... rss
    há 5 horas no facebook

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    1. RSRSRS Não exatamente. Mas fica muito perto. Uma rua por trás dessa!

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  6. Ah que surpresa ao ver essa postagem ! Meu bairro foi ai que nasci e morei por muitos anos, quantas lembranças ,recordações dos vizinhos dos amigos dos meus pais claro enfim uma parte da minha vid...,a Igrejinha que tantas vezes rezei...eu era muitooo feliz e não sabia...Maria Izabel Gomes

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