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Barra de Punaú - por Arilza Soares

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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

A MACAU DO RIO GRANDE DO NORTE- TERRA DO SOL E DO SAL




Nessa terceira postagem sobre Macau vamos falar um pouco sobre a história desse nosso Porto de Ama que já nasceu sob a proteção da Deusa dos Navegantes. E falar do sal - o Sal de Macau - tão intimamente ligado ao desenvolvimento desse município. Não tem quem não se encante com as paisagens dos parques salineiros, com suas monumentais pirâmides cujos cenários até hoje continuam inspirando poetas e artistas e emocionando a quem se dispõe a apreciá-las. Macau é isso: terra de muito sol, de muito sal, de gente simples e  generosa como a sua estonteante   e rica natureza. Macau é terra de sonho - sonho que embala o seu povo de continuar sendo, às  custas  de muito esforço essa grande potência econômica do nosso estado.







O nome Macau é uma corruptela da palavra chinesa A-ma-ngao, que significa “Abrigo ou Porto da Ama” deusa dos navegantes, o que terminou em Amacau ou Macau. Na verdade o nome é uma alusão à pequena cidade da China, na província de Cantão, na época, possessão lusitana.

"A ilha de Macau já possuía esse nome velho em maio de 1797, mas seria povoada apenas na década de 1820. Anteriormente seria deserta, por não ter água. Desde a barra do Rio Mossoró, pelo interior à Pendência, estendia-se vida pastoril, fazendas, criação bovina e equina, roçarias de mandioca. Pelo litoral, pescarias, exportação de peixe seco, carne-de-sol. couros, sal, muito sal, trabalho de homens livres e negros escravos., movimentadas e fartas" Já não mais viviam os indígenas quando a terra povoou com aldeias, movimentadas e fartas." - Câmara Cascudo.



ILHA DE MACAU - RN - FOTO DE GETÚLIO MOURA


O município de Macau no Rio Grande do Norte originou-se de uma sesmaria doada pelo pai de Jerônimo de Albuquerque, possivelmente no princípio do século XVII. A primeira Macau localizada numa ilha a noroeste da Ponta do Tubarão foi explorada pelo sesmeiro Manoel Gonçalves. Dessa ilha  partiam carregamentos de peixes, couro e sal. Nesse período ocorreram saques por parte de embarcações de corsários, o que levou os representantes da Coroa a construírem um fortim para defesa. No ano de 1925, aproximadamente, as águas do Atlântico começaram a invadir a pequena ilha de Manoel Gonçalves, que nesse tempo era habitada por portugueses dedicados á exploração e ao comércio do sal. Em 1829, tornando-se impossível a permanência desses habitantes na ilha, decidiram eles transferir-se para outro local, escolhendo então a ilha de Alagamar, na foz do rio Açu.


A CIDADE DE MACAU EM 1940



Os fundadores do povoado desse novo povoado foram os portugueses capitão Martins Ferreira, quatro genros deste, José Joaquim Fernandes, Manoel José Fernandes, Manoel Antônio Fernandes  e Antônio Joaquim de Souza, além de João Garcia Valadão e o brasileiro João da hora. os habitantes dedicaram-se inteiramente a exploração do sal que ainda hoje é a base da economia do município. Em 1847 a povoação tornou-se uma Vila pela Lei n. 158 de 2/10/1847. Em 1875 foi elevada à categoria de cidade.  A Comarca de Macau foi criada pela Lei Provincial nº 644 de 14 de dezembro de 1871 A partir de então a cidade começou a crescer tendo a sua evolução econômica ligada à exploração das salinas. 


O SAL  DE MACAU 




A primeira referência que se tem sobre o sal no Rio Grande do Norte, encontra-se registrado no documento que Jerônimo de Albuquerque escreveu aos seus filhos Antônio e Mathias, em 20 de agosto de 1605, onde fala de salinas formadas espontaneamente a aproximadamente 40 léguas ao norte o que corresponde hoje as salinas de Macau.
Em 1844, tem-se o registro de setenta e oito barcos carregando 59.895 alqueires de sal, em Macau. No entanto, embora o sal extraído no Rio Grande do Norte fosse superior em qualidade, perdia em rudeza como era produzido, de modo que nos anos seguintes perdia mercado para o sal europeu que era mais barato e melhor preparado. Em 1888 é criado um imposto protecionista para tributar o sal estrangeiro. Dessa forma o sal produzido aqui passa a ser mais competitivo, e isso impulsiona o desenvolvimento da nossa indústria salineira.
Hoje  com uma produção de sal em torno de 4,8 milhões de toneladas produzidas numa área de aproximadamente 40.000 hectares, espalhados entre os municípios de Areia Branca, Galinhos, Grossos, Guamaré, Mossoró e Macau,  a indústria salineira tem um importante papel econômico no estado, sendo o Rio Grande do Norte responsável por mais de 95% da produção de sal brasileira.



O PARQUE SALINEIRO DE MACAU


1 - AS SALINAS ARTESANAIS



NEWTON NAVARRO



O sol constante  dessa região e praticamente dez meses sem chuva, além do mar com alto grau de salinidade torna essa região do Rio Grande do Norte, onde Macau está situada, muito propícia à produção do sal marinho. Desde o o início da fundação de Macau  que as salinas artesanais se espalharam pela região e ainda hoje podem ser vistas nos arredores da cidade. Nelas a extração do sal  ainda é feita com métodos rústicos, quase primitivos e exige muito sacrifício do trabalhador, que sofre com problemas da pele exposta ao sol escaldante, e com os olhos que sentem o reflexo dos raios solares  nos baldes ou montes sal cristalizado.








Nas salinas, os operários executavam todo o serviço anualmente desde a colheita, ate o embarque nas barcaças.O processo de obtenção do sal, nessas salinas  se dá quando inicialmente  a água do mar é represada e impulsionada por moinhos de vento,  vai sendo transferida de um tanque para outro - os cristalizadores ( esses tanques são popularmente conhecidos como "baldes"). Aquecida pelo sol a água vai mudando de cor, fica densa, uma grande espuma se forma, até ser evaporada, restando o sal. Em seguida, com o auxílio de uma espécie de picareta chamada "chibanca", os trabalhadores começam a picar o sal dos baldes. Para esse tipo de trabalho são necessários 10 homens trabalhando 3 semanas para extrair o sal de um único balde.
Quando se inicia a colheita nos cristalizadores o sal é recolhidos de balaios, e levados para o aterro, onde era depositado, formando-se pirâmides. Posteriormente, adotou-se o uso de carrinho de mão em vez do balaio, que diminuiu um pouco o sofrimento desses trabalhadores.O embarque do sal nas barcaças, muitas vezes era feito à noite. O caminho do aterro até a barcaça, era então, iluminado por "piracas", umas lamparinas de maior dimensão. Visto de longe, esse trabalho era um verdadeiro espetáculo noturno.



2 - A MECANIZAÇÃO DAS SALINAS




O processo de produção de sal no Rio Grande do Norte até a metade do século XX era arcaico e antieconômico.Só a privilegiada localização das salinas é que podia sustentar essa manufatura artesanal. Poucos melhoramentos foram feitos e o  sistema produtivo das salinas potiguares trabalhava na dependência da natureza - as marés e os ventos para mover as pás dos moinhos.Além disso  eram os altos custos de carregamento dos navios, transporte e desembarque nos portos do Centro-Sul, mercado consumidor do produto. A situação era delicada. Na visita que vez ao estado, o então Ministro de Minas e Energia, Mário Thibau, declarou que a industria salineira do Rio Grande do Norte poderia sofrer um grande abalo ou mesmo desaparecer, em virtude do seu baixo rendimento econômico, ao lado dos altos custos de carregamento  e transporte. A solução veio com a Mecanização das Salinas e a criação do Porto- Ilha  na vizinha cidade de Areia Branca.
As salinas mecanizadas contam com grupos de bombas para movimentação da água dentro da salina. tratores, colhedeiras, lavador de sal, esteiras transportadoras para movimentação na área de estocagem e embarque, além de outros equipamentos. Graças a essas novas técnicas implantadas  nas empresas do Rio Grande do Norte é que o estado consegue se manter como o maior produtor de sal do país.



A MECANIZAÇÃO DAS SALINAS E O DESEMPREGO

ANTIGO TRABALHADOR DE SALINA 
UMA ESPÉCIE EM EXTINÇÃO


Se por um lado o processo de mecanização das salinas, possibilitou grandes resultados na produção e comércio do sal, colocando o estado do Rio Grande do Norte como o maior estado produtor de sal do país, por outro lado, essa mecanização  provocou um nível absurdo de desemprego. Um pequeno exemplo pode nos dar a ideia de como o efeito modernizador do processo produtivo do sal atingiu os antigos trabalhadores das salinas: a colhedeira mecânica é uma máquina puxada por um trator de esteira que tem como objetivo afofar e colher o sal dentro dos cristalizadores. Essa máquina é controlada por apenas "um operário". Na salina tradicional essa tarefa era feita por aproximadamente "mil" trabalhadores.
Ficaram desempregados quase dez mil trabalhadores, ligadas principalmente ao transporte do sal: arrumadores, alvarengueiros, conferentes etc. "O incrível desemprego provocado por essa mecanização levou esta população, que se viu repentinamente desempregada, a migrar para outros portos do sul ou a simplesmente manter-se nas cidades quase fantasmas, encostados ao INPS ( Professora Clotilde Tavares )




FONTES:


  • Câmara Cascudo -In Nomes da Terra - Editora Sebo Vermelho - Natal-RN - 2ª Edição / 2012 
  • Aristides Siqueira Neto - História dos Municípios  -  2ª Edição - 2001 - Imprensa Oficial do RN
  • Clotide Tavares - O precário equilíbrio, renda e condições de vida no município de Macau - Cadernos Funpec -ano II  -nºs 2 e 3 maio/1983



Pesquisas Google - Sites: 

  1. www2.uol.com.br/omossoroense/.../ Jornal o Mossoroense.  Macau, tradição de sal, sol e carnaval 
  2. www.grandeponto.blogspot.com -  Grande Ponto: O sal de Macau - Texto do Jornalista Alex Gurgel
  3. www.macauemdia.blogspot.com -Macau em dia. 12 lugares para visitar em Macau - Texto do Jornalista Alex Gurgel
  4. www.chaopotiguar.blogspot.com - Chão Potyguar- Macau -Sal, Sol e Carnaval no Porto de Ama - Texto do Jornalista Alex Gurgel
  5. www.samesame.com.br - Sama Same - A Descoberta da Costa do Sal
  6. www.obaudemacau.com - O Baú de Macau - Das últimas salinas artesanais
  7. www.obaudemacau.com - O Baú de Macau - Salinas Mecanizadas
  8. www.obaudemacau.com - O Baú de Macau - Moinho das salinas...
  9. www.obaudemacau.com - O Baú de Macau - Nas salinas de Macau antes das esteiras...



FOTOS:


  • Arquivo fotográfico do Jornalista Alex Gurgel
  • Arquivo fotográfico do Site -o Baú de Macau
  • Imagens Google não identificadas
  • Edição de fotos: Site Pic-Monkey


2 comentários:

  1. Arilza, na condição de PORTA VOZ dos meus conterrâneos (Macauenses)venho externar nossa gratidão por este resgate e verdadeira "TESE" da nossa Cidade(MACAU).
    É muito bom contar com "O auxilio luxuoso"deste Blog,sempre preocupado em detalhar as coisas da nossa Terra e os costumes da nossa gente.O VENTO NORDESTE sempre teve um comportamento Íntegro,Transparente e com "A DIGNIDADE DE UM MESTRE-SALA".rsrsrs....A nivel de registro informo que o meu avô paterno chamava-se "José Ferreira"Macauense da Gema,portanto;ainda devo guardar alguma Ancestralidade com o Ilustre Desbravador,"MARTINS FERREIRA"

    DIOBERTO NASCIMENTO - MACAU / RN

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  2. Boa.tarde tenho 2 quadro óleo sobre telas com as datas de 1971 e 1972 escritos inhoa sobre as salinas de macau, gostatia de ter informações sobre o attista autor
    Obrigado
    João Caliari Vitória es
    Tell.027 997423124

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