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Foto de Capa
Barra de Punaú - por Arilza Soares

terça-feira, 13 de setembro de 2011

NATAL NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL -PARTE II AMERICANOS EM NATAL




O grande contingente de soldados americanos em Natal, alterou profundamente os hábitos da cidade, principalmente no que diz respeito a população feminina. As moças passaram a agir com mais autonomia, incorporando modos e  modismos americanos, costumes muito ousados para a época; assim começaram a fumar cigarros (a marca Chesterfield era a preferida), a beber "Cube Libre" (mistura de rum com coca-cola) a mascar Chicletes e a frequentar bailes no mais completo estilo americano.






A feição da cidade mudou, deixando-a com ares "americanizados". Seus habitantes que até então levavam uma vida modesta e tranquila, passaram a conviver com a passagem pela cidade de pessoas de outras nacionalidades, como o Arcebispo de Nova York, o Príncipe da Holanda, o Presidente do Paraguai, o Embaixador do Reino Unido,o Ministro das Relações Exteriores da China, Anna Eleonor Roosevelt, primeira-dama dos EUA, os atores Humphrey Bogart, Clark Gable, o músico Glenn Miller, o cantor Al Johnson, entre outras Personalidades.




Sem título
                 Grande Hotel- principal ponto de hospedagem da cidade                                    


A influência norte-americana se fez sentir também na linguagem, com a introdução de algumas palavras e expressões inglesas: "change money", "drink beer", "give me a cigarrette", "blackout" etc, passou a fazer parte do vocabulário popular da cidade.
A população de Natal foi a primeira a consumir Coca-Cola na América do Sul, em 1942, quando da chegada das tropas aliadas. Neste contexto, a Coca-Cola, em um primeiro momento trazida pelos próprios soldados e posteriormente, produzida em pequenas fábricas móveis que passaram a acompanhar as tropas. Na época,a política adotada pela empresa em relação à Segunda Guerra Mundial era de apoiar seus combatentes, oferecendo seus produtos onde quer que estejam, sendo comercializada, a um preço de cinco centavos de dólar o copo.   

                          




Com a  A finalidade de promover uma maior integração dos militares norte-americanos com a população natalense, surgiram associações recreativas e, tanto o Aéro Clube como o Clube Hípico, foram alugados para a realização de bailes. Houve, por causa disso, uma invasão de ritmos estrangeiros: "rumba", "conga", "bolero". Na base de Parnamirim, no sábado, os bailes eram realizados só para os americanos, mas no domingo era para todos- For All. Há quem atribua que vem daí a origem da palavra  forró, um dos nossos ritmos mais famosos. Essa tese é contestada pelo historiador Câmara Cascudo. Segundo ele, a versão mais verossímil é a de que "forró é derivado do termo africano, forrobodó e era uma festa transformada em gênero musical pelo fascínio que exercia sobre as pessoas". Da Praça Augusto Severo, na Ribeira, saía o ônibus que transportava as meninas para as festas na base americana de Parnamirim. O ônibus era chamado pejorativamente   de  "marmita".




                                           Baile em  Parnamirim Field - Far All


                     FOR ALL - TRAMPOLIM DA VITÓRIA



O filme For All, Trampolim da Vitória de 1997, dirigido por Luiz Carlos Lacerda e Buza Ferraz, com José Wilker e Betty Faria, retrata o impacto causado pela chegada dos americanos em Natal, na Segunda Guerra Mundial. A base Aérea,  cenário do filme, localiza-se num terreno de mais de 50km de extensão, com 60 prédios, galpões, parque de manutenção de aeronaves, quatro pistas de pouso e decolagem. Essa base, tão importante para a nossa história, guarda algumas construções e aeronaves preservadas,do tempo da Segunda Guerra.





Vídeo Produzido pela Fundação Rampa



                                                     Americanos em Natal



Fontes:
CASCUDO, Luís da Câmara. História da cidade do Natal. Natal: Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, 1999.
Flávia de Sá Pedreira. Chiclete eu misturo com banana: Carnaval e cotidiano de guerra em Natal (1920-1945), Natal: Editora da UFRN, 2005
 Fotos: 
                 Fundação Rampa
                 Imagens  Google


Vídeo:
            Enviado ao You Tube por adorn2003 em 17/12/2009







domingo, 11 de setembro de 2011

SABOR SAUDADE: MAÇARANDUBAS






É de dar água na boca! Basta olhar pra essa foto que ativo todas as minhas papilas gustativas; me dá uma vontade enorme de voltar a Natal, e  me embrenhar pelas matas para colher maçarandubas. Das frutinhas do morro, maçarandubas eram especiais, e no período  de safra tinha em abundância. As maçarandubas eram também vendidas nas portas - o vendedor passava  com dois balaios cheinhas delas (os balaios eram presos por  cordas em um pau resistente, chamado de galão, que o vendedor colocava nas costas); a medida para comprá-las era em litros, geralmente uma lata de óleo vazia servia de medida. Maçarandubas! Olha a  maçaaaaaa...! gritava o vendedor; e eu corria com uma vasilha mão - quero um litro bem cheio! Levei muita bronca do meu pai porque na maioria das vezes nem lavava as frutinhas, o que eu queria mesmo era me deliciar com aquele leite docinho e pegajoso. Doce sabor de infância ! Sabor Saudade.



 
                                  Maçarandubas colhidas na Mata Estrela


Com a ocupação dos morros e, consequentemente, com o grande desmatamento ocorrido na cidade, a partir da década de 60, as frutas da mata já não fazem parte do cotidiano pessoas. As crianças nem as conhecem, e só aqueles que se aventuram a fazer as trilhas do Parque das Dunas podem encontrar  maçarandubeiras ainda preservadas. Felizmente foi criado o Parque das Dunas, e a sua preservação possibilita às gerações presente e futura,  a oportunidade de conhecer a fauna e a flora nativa desse ecossistema e, quem sabe um dia poder saborear as delícias que a Mata Atlântica tem a nos oferecer.




                 Maçarandubas  de tabuleiro -Foto tirada na Mata Estrela -Reserva 
                                      de Mata Atlântica em Baía Formosa- RN



Esse ano quando visitei o Parque Pituaçu em Salvador, meu irmão me fez uma  surpresa: me levou para ver um pé de maçaranduba que tem dentro do parque, (pelo tronco da árvore deve ser uma maçarandubeira centenária) encontrei também alguns frutos caídos no chão, resquícios do período da safra. Nem preciso dizer da minha alegria ao ver aquela árvore! O encontro com aquela maçarandubeira, foi também um encontro comigo mesma, com as minhas raízes, com a minha infância- acho que nas minhas veias corre um pouco do leite de maçaranduba! E com a intimidade de quem está diante de uma velha conhecida, fotografei a árvore de todos os ângulos e vou guardar as fotos como quem guarda uma relíquia. Enquanto fotografava prometia a mim mesma que, ao voltar à Salvador, iria rever aquela árvore, como quem vai rever uma grande amiga de infância.


                        Maçarandubeira do Parque Pituaçu em Salvador - Bahia


Maçarandubas


No Brasil, as maçarandubas do gênero Manilkara consiste de 19 espécies, apresentando registros em formações de floresta Atlântica, Amazônica, Caatinga e Cerrado. Pertencem a família  Sapotaceae, a mesma do sapoti.
As maçarandubas que me refiro são do gênero Manilkara Triflora, conhecidas como Maçarandubas de Tabuleiro, encontradas em quase toda região litorânea, do Pará à Bahia.
A planta, um arbusto que geralmente não ultrapassa 3m de altura, possui folhas verdes, de 15 a 60 mm de comprimento; seus frutos são do tipo baga, pequenos, alongados, vermelhos, alaranjados e pretos quando bem maduros. 
                  

                                                       





Fontes:

Site: Seres Vivos da natureza-Maçarandubas
Renato Braga-Plantas do nordeste, especialmente do Ceará.Fortaleza: coleção Mossoroense
Volume XLII-1996-pag.329
http://www.parquedasdunas.rn,gov.br/flora.asp


Fotos* Imagens Google
            Site: Seres vivos do RN-Maçarandubas
            Tiradas na Mata Estrela, às margens da lagoa Coca-cola-Baía Formosa-RN.
             
            Acervo pessoal - fotos tiradas "in loco" na Mata  Estrela
            Baía Formosa - RN







sábado, 10 de setembro de 2011

NATAL NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL - PARTE I - O TRAMPOLIM DA VITÓRIA




Há 66 anos o mundo respirava aliviado com o fim da Segunda Guerra Mundial. Os natalenses tinham muito o que comemorar, já que mesmo não participando de batalhas, foi o estado brasileiro que mais viveu sob a atmosfera do conflito que assolou o planeta entre os anos de 1939 e 1945.A Base Americana aqui instalada, trouxe mudanças significativas para a população da pequena Capital Nordestina.Natal nunca mais seria a mesma, e teria de conviver com as modificações   econômicas e culturais que a presença dos aliados impôs à cidade.Tenho lembranças do meu pai,reclamando dos "estragos" que os "yanques" fizeram na sua passagem pela cidade;ele se referia ao caos econômico estabelecido - "tempos ruins" que ele como comerciante sentiu na pele. Mas há legados positivos desse período,e talvez o mais importantes deles tenha sido a mudança de paradigma do povo potiguar, que passou a ser um povo mais antenado com os acontecimentos mundiais, mais abertos às mudanças.


Natal - O Trampolim da Vitória


                      Corredor da Vitória -Rota aérea do Nordeste brasileiro
                                servindo de Trampolim para a África                                      


Durante a  Segunda Guerra Mundial o Brasil assumia grande importância estratégica para a defesa do Continente.Por sua proximidade com a África, o Nordeste brasileiro se constituía um alvo provável de uma eventual invasão da América do Sul, e ao mesmo tempo,representava um local ideal para a partida de aeronaves que se dirigissem para a África e União Soviética.A cidade de Natal apresentava grande interesse militar, podendo servir de base de apoio à travessia de aviões do Atlântico Sul, e no caso de uma eventual tentativa de  invasão do continente, num ponto estratégico para um possível ataque ao Canal de Panamá.E assim, quatro dias após a declaração de guerra norte-americana ao Eixo, a cidade recebe os primeiros aviões da US Navy, que se instalam na Rampa. A cidade escreve seu nome no cenário mundial, colocando-se em meio ao maior conflito da história ocidental,e  passou a ser conhecida internacionalmente pelo  nome  de "Trampolim  da Vitória".


                       O MEMORÁVEL ENCONTRO
                   DE GETÚLIO E ROOSEVELT EM NATAL


                      Getúlio Vargas (centro) e Roosevelt (à esquerda)
                                    Ambos de chapéu panamá- Janeiro de 1943
                             


A entrada brasileira na II Guerra Mundial, depois do ataque de submarinos alemães a navios brasileiros, aproximou Getúlio e Roosevelt, que visitou o país em janeiro de 1943.Na  reunião conhecida como a Conferência de Natal, surgiram os acordos que deram origem à Força Expedicionária Brasileira (FEB), que participou do conflito na Europa. Roosevelt também ajudou a construir a Companhia Siderúrgica Nacional em troca de instalação de bases militares no Nordeste.A necessidade americana de obter borracha, cujo fornecimento pela Ásia estava interrompido, também uniu os países-houve forte imigração nordestina para a Amazônia-"os soldados da borracha" para a extração do látex.


                PARNAMIRIM FIELDS- A BASE AMERICANA


Nesse mesmo ano,os Estados Unidos constroem aqui a maior base militar fora de seu território - Parnamirim Field - e mais de 10.000 soldados americanos passam a viver na então pequena e pacata capital potiguar. Altos, louros e de olhos azuis, eles vêm com seus dólares, chicletes,coca-cola, música, festas (muitas festas) e mexem profundamente com o cotidiano local, com consequências  sociais, econômicas e culturais para a cidade.


                               Foto -Fundação Rampa



                                AMERICANOS E POTIGUARES
                                 A CRISE ECONÔMICA



O desembarque dos soldados e oficiais norte-americanos deu-se de forma gradual e em clima de certa tranqüilidade, mas sua permanência na cidade até o final do conflito mundial representou uma série de problemas. 
É inegável que a construção das bases aérea de Natal e Parnamirim Field tenha proporcionado um crescimento econômico nunca antes visto no estado, gerando cerca de 6 mil empregos e atraindo trabalhadores da capital, interior e outros estados, além das empreiteiras, todas nacionais e trabalhando em três turnos, 24 horas por dia. O lado negativo do avanço, com excesso de dinheiro circulando e o inchaço populacional, foi um alto índice inflacionário pois a cidade, com 40 mil habitantes, não estava preparada para receber tanta gente, sem condições de ampliar a produção de comida, aumento dos alugueis e das casas de prostituição. Uma das soluções encontradas pelos americanos, foi a criação de um aviário ou criação de galinhas com horta, no local onde hoje existe a Cidade da Criança, como relatou John Harisson.


                 Soldados americanos antes do embarque para a áfrica


O cotidiano de guerra tornara-se difícil.Entre o glamour de uma cultura hollywoodiana e o medo de bombardeios de aviões nazistas, a população convivia com black-outs, sirenes (sinais de alarmes)racionamentos, carestia,  falta de moradias e de provisões.A gravidade da situação era assunto das manchetes jornalísticas: “Há falta de carne e subiu o preço do leite”; “Está grassando em Natal uma epidemia de Ações de Despejo”; “Aonde vai parar o custo da vida em Natal?” A população sentia na pele todos os problemas, mas todos colaboravam com o exército americano e seguiam à risca as instruções.


                                        A alta injeção do dólar na economia 
                                              inflacionou o mercado local
                                                

A presença dos americanos em Natal é polêmica. Para alguns pesquisadores, "Natal avançou com os americanos" como afirma Minervino Wanderley. Para ele "os americanos não trouxeram nada de negativo para Natal naquele período. Muito ao contrário.A única coisa que poderia ter acontecido de ruim é que a cidade corria o risco de ser bombardeada, mas não foi. Eu digo que a estada dos americanos aqui foi ótima. A cidade avançou, tínhamos características de país desenvolvido". 


                               A CONSTRUÇÃO DA "PISTA"


 

                   A Pista construída pelos americanos 
                      no trecho onde hoje é a Avenida hermes da Fonseca                   
                          


Em meio a crise de combustível foi construída a primeira estrada de asfalto em Natal: Parnamirim Road, um empreendimento norte-americano, mais conhecido pela população local simplesmente por “a pista”. A seu respeito, Câmara Cascudo afirmou em 1947: “articulando Parnamirim a Natal, surgiu uma estrada asfaltada, 20 quilômetros. Pagaram seis milhões de cruzeiros e durou seis semanas sua construção. É Parnamirim Road”, enfatizando o evidente progresso trazido da América à vida de sua província. (Cascudo, 1999, p. 423-424).



Vídeo Produzido pela Fundação Rampa/RN



                                                  Americanos em Natal


Fontes:
CASCUDO, Luís da Câmara. História da cidade do Natal. Natal: Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, 1999.
Flávia de Sá Pedreira. Chiclete eu misturo com banana: Carnaval e cotidiano de guerra em Natal (1920-1945), Natal: Editora da UFRN, 2005
 Fotos: 
                 Fundação Rampa
                 Imagens  Google
                 Edição de Fotos: Programa Pic-Nic -Yahoo/BR


Vídeo: Enviado poe adorn2003 em 17/12/2009







segunda-feira, 5 de setembro de 2011

PURA NOSTALGIA - OS MORROS DO ALTO

                 

"O futuro mais brilhante é baseado num passado intensamente vivido"



                                                               Clarice Lispector



A minha infância foi assim, cercada de dunas, de mar, e da maravilhosa vegetação da Mata Atlântica.Um verdadeiro paraíso para a meninada do lugar! Subir e descer os morros, andar pelas trilhas, colher as frutas da mata,ouvir o canto dos pássaros,era tão importante pra mim quanto ir à praia, ver a pesca do arrastão,catar conchas e pedrinhas, correr atrás da " maria farinha" mergulhar, ou pegar onda naquelas águas mornas do Oceano Atlântico.Tudo o que precisava pra ser feliz estava ali,na frente da minha casa,nos fundos do meu quintal! E mesmo com todas as regras e limites impostos pelos meus pais, e pela educação dada as meninas naquela época, eu aproveitei muito e vivi intensamente tudo que a natureza exuberante da minha cidade me oferecia.                                     


  • Lembro com carinho das caminhadas com meu avô pelos morros para colher lenha para o fogão. Andar por aquelas trilhas na mata, que ele conhecia tão bem,  era fantástico, como fantásticas eram as histórias que ele contava para nos manter junto dele: histórias sinistras sobre a cobra cipó, a onça pintada e pior delas, sobre a existência do "morro do estrondo" com suas "areias movediças" provocadas pelos estrondos do morro..Quem se aventurasse a subi-lo morreria soterrado. O mais intrigante nessa história é que a gente ouvia estrondos ,o que nos levava a acreditar piamente no meu avô. Anos mais tarde descobri que, por trás daquele morro, tinha um centro de treinamento do exército, e que os estrondos eram tiros de verdade.

                                                                                  

  • E que aventura para se chegar no Farol de Mãe Luíza! O caminho era longo, cansativo, subindo e descendo morros, ou andando nas trilhas da mata fechada.Mas compensava! A natureza generosa, repleta de frutos, era uma atração a parte.Os animais da mata não nos amedrontava-bastava ficar atentos e respeitá-los que nada acontecia.E a chegada ao farol era uma festa; eu só precisava arranjar coragem para chegar ao seu topo,mas minhas as pernas fraquejavam só de olhar para as escadarias! Só consegui vencer esse desafio uma vez, levada pela mão do meu avô - uma experiência para mim, inesquecível!

                                                                                       

  • Não dá para falar os morros e esquecer de um deles que ficava na subida, onde hoje é a ladeira de Mãe Luíza-uma duna linda, cercada de vegetação que lembrava o Morro Careca de Ponta Negra.Eu gostava demais daquele morro e sempre que tinha oportunidade ia pra lá me juntar aos meninos da redondeza.Por causa disso levei muita bronca e fiquei de castigo muitas vezes-"isso é coisa de moleque" "menina que se preza não anda em pé de morro". De nada adiantavam essas reclamações, assim que eu podia, estava lá novamente, passando "sebo de carneiro" numa tábua para subir e escorregar no morro.Já brincava de "Skibunda" naquela época.


                                                    
  • Impossível esquecer o pé de maçaranduba, que ficava próximo a esse morro,mais ao lado, para ser mais precisa.No período da safra, senão me engano,no mês de janeiro, o pé ficava repleto de maçarandubas vermelhinhas, deliciosas. Eu comia com casca e tudo para não desperdiçar nada, e voltava para casa com a boca grudando, do leite pegajoso da fruta.Das frutinhas da mata, maçarandubas eram as minhas preferidas. Encontrá-las hoje é raro, o que é uma pena! A meninada nem sabe o que é maçaranduba, e deixa de saborear  esse doce sabor de infância.

            




sexta-feira, 2 de setembro de 2011

PURA NOSTALGIA - ALTO DO JURUÁ



                           
                         
" O futuro mais brilhante é baseado num passado intensamente vivido"
                                                              Clarice Lispector

Essa postagem é pura nostalgia! Nenhum compromisso com a ordem cronológica dos fatos, com a história oficial do bairro ou dos acontecimentos. Só lembranças! Lembranças de uma infância, que hoje me dou conta, foi muito feliz, muito feliz mesmo! Talvez o que vou colocar aqui não interesse muito pois são relatos de vivências muito pessoais. Ou interessa!  Na verdade  são relatos da vida em uma Natal provinciana, de um bairro simples, de um povo amigo e festeiro. São relatos de um pedacinho de Petrópolis ( hoje Areia Preta) que já não existe mais, nem no  nome! Não sei porque, mas o Alto do Juruá, perdeu seu posto desde a década de 50. Só existe na memória de poucos saudosistas, e está retratado no nome de um edifício no luxuoso bairro de Petrópolis.




EDIFÍCIO ALTO DO JURUÁ EM PETRÓPOLIS



ANDARILHA DO ALTO
                                                 
  Amigo eu moro perto do Alto do Juruá
  Eu vivo satisfeito em morar nesse lugar
     Pois se o calor aperta,cedido a coisa certa
                                   Eu desço e tomo um banho à beira mar                                                                              
                                                               (Da música Alto do Juruá de Alínio rosa)



IGREJA NOSSA SENHORA DE LOURDES E  DETALHES DA 
ANTIGA RUA   RUA 2 DE NOVEMBRO  HOJE MAJOR AFONSO MAGALHÃES



Esse lugar já foi Alto do Juruá, Petrópolis e agora, depois do último mapeamento da cidade feito pela prefeitura , é  Areia Preta. Mas não importa o nome! Aqui nasci, me criei e passei grande parte da minha juventude.  Minha mãe ainda mora no mesmo lugar, na mesma casa. Portanto, esse local ainda faz parte da minha vida até hoje. Muita coisa mudou, mas me sinto muito em casa, muito à vontade e muito feliz quando ficou à toa perambulando por essas ruas e becos.  Mais que um encontro com o passado, é um encontro comigo mesma, com as minhas raízes, com tudo que me fez ser o que sou hoje.



                   


Desde menino que sou andarilho do Alto
    Avisto o   mar aberto muito bem do planalto
         do Forte dos Reis Magos à Ponta do Morcego 
                                 A vista proporciona um mar que leva ao sossego                                                                                   
                                                                Alto do Juruá-composição de Alínio Rosa                                                                           
                                      

                                                    
A música do meu irmão me inspirou a fazer essa postagem. Era realmente um privilégio morar no Alto. Para um banho a beira mar só tínhamos que descer uma das ladeiras; era só escolher o melhor atalho. E foi ouvindo essa música que as lembranças foram surgindo,como num filme retrô:



  • Lembrei dos banhos de mar, as cinco horas da manhã, para pegar  o " iodo " dizia meu pai. Geralmente o banho era na Areia Preta, no trecho bem em frente onde hoje  é o Farol Bar. Nessa época, o local era frequentado pelas lavadeiras, que aproveitavam a água doce que jorrava das falésias para lavar as roupas. Eu ficava fascinada e ao mesmo tempo intrigada, como aparecia água doce , no meio daquelas pedras, numa praia de mar tão salgado. Esse ato de ir a praia, foi durante muito tempo um ritual diário.
  • Na volta da praia,outro ritual: entrar no "curral de seu Maia" para tomar leite tirado do peito da vaca. Confesso que isso eu odiava! Enquanto a maioria dos que estavam ali, adoravam aquele leite, eu tinha pavor! Tomava obrigada- "é pra  você ficar forte, diziam, e eu tinha que engolir aquele líquido quente, espumante, e com cheiro de estrumo! Fazia careta, tapava o nariz e engolia, porque "senão você não vai para o jardim de infância, ameaçava meu pai! E para ir para o "jardim" valia qualquer sacrifício!
  • O Jardim de Infância funcionava num anexo do Grupo Escolar Alberto Torres. Lembro que tinha uma forma circular,com janelões que davam para um gramado muito grande (pelo menos na minha visão se criança). O Jardim pertencia a Rede Pública de Educação, numa época em que o Ensino Público era de qualidade. Não lembro do dia a dia no Jardim, apenas de fatos marcantes: Hastear a Bandeira, por exemplo, cantar o Hino Nacional, junto com a turma dos maiores do Grupo era a glória! Regar as plantas, cuidar da pequena horta, participar das brincadeiras no gramado, ajudar na arrumação, fazer parte da "bandinha" e do coral do Jardim, ouvir e contar histórias, foram aprendizados que carrego comigo até hoje.
  • E as "Escolas Reunidas Pedro Mendes Gouveia" da Dois de Novembro? Eu estava lá, no dia da inauguração, para entregar um ramalhete de flores ao Governador de Estado, Dr. Silvio Pedrosa. Fui uma das primeiras alunas matriculadas. Tinha umas coisas meio idiotas: sempre que perguntavam a qualquer aluno dessa escola , onde ele estuda e esse respondia "no Pedro Mendes Gouveia" ouvia do outro: calço sapato sem meia! Eu ficava irada, ninguém ia pra escola sem meia! Desse tempo só recordo de uma professora: Dona Daluz, amiga de minha mãe por quem eu era apaixonada. As outras professoras não lembro. Já de Dona Mariana, uma senhora que morava vizinho à Escola, essa, todo mundo lembra - fazia as melhores tapiocas do bairro -  tapiocas feitas na hora, molhadas no leite de coco, humm! Fazíamos fila para comprar.
  • Fui estudar depois no Grupo escolar Alberto Torres, onde conclui o curso primário. Nessa época o ensino público era de qualidade e estudar no Alberto Torres fazia me sentir importante. Dona Dagmar minha professora querida, dessas que a gente nunca esquece: competente, dedicada, amiga e rigorosa quando preciso. Tenho as melhores lembranças dela e da nossa  nossa classe. E as aulas de Canto Orfeônico com a professora Zuleica? Ela sempre organizava um Coral que eu amava, até porque no final do ano o coral se apresentava em alto estilo no Teatro Alberto Maranhão. Era a a glória!

FOTO DA FORMATURA DO CURSO PRIMÁRIO

NO CANTO ESQUERDO - DONA DAGMAR 
MINHA INESQUECÍVEL PROFESSORA



FONTE: 

  • Memórias do Vento Nordeste


FOTOS:
  • Acervo do Vento Nordeste
  • Imagens Google
  •  Edição de fotos: Programa Pic-Nic - Yahoo/Brasil   

VÍDEO: 
  • Letra e Música "Alto do Juruá" de Alínio Rosa - Compositor Potiguar  - Enviado ao You Tube por Arilza Soares
     



quinta-feira, 1 de setembro de 2011

SABOR SAUDADE:-GELÉ DE COCO


Felizmente um doce que não desapareceu de vez da cidade! É bem verdade que os vendedores ambulantes, aqueles que passavam pelas ruas dos bairros, com um tabuleiro de alumínio na cabeça, apregoando aos quatro ventos: gelé de coco! Olhe o gé...é...lé! esses sumiram das ruas; mas no bairro do Alecrim em Natal, as calçadas estão cheias deles. Fico com água na boca quando vejo, e não resisto, acabo comprando um pedaço.
O gelé de coco é uma espécie de cocada mais endurecida, com pedaços grandes de coco, e um gostinho mais azedo.E não é tão duro quanto o quebra-queixo, conhecido aqui no Sudeste.


Conversei com seu Severo, um vendedor de gelé no Alecrim. Ele me disse que por causa dos turistas muitas pessoas vendem o doce como "quebra-queixo" mas ele me garantiu que, o que ele vende é mesmo gelé, pois faz a mesma receita há de 50 anos, desde quando saía com seu tabuleiro pelas ruas das Quintas. É evidente que comprei do gelé de seu Severo e saí feliz pelo Alecrim afora, adoçando a vida.

GELÉ DE COCO

                                                                              
Para Maria Marluce Gomes, no seu livro História da Gastronomia do Rio Grande do Norte, "esse doce de coco, tão popular, vendido nas feiras livres e calçadas da cidade, armazenado em caixotes de madeira, é conhecido na região do Seridó como Funrumbá.
A receita a seguir é de dona Maria Danta (assim mesmo, não é Dantas) que fazia esse tipo de iguaria para ser vendida no comércio do Alecrim e da Cidade Alta, nas imediações do Banco do Brasil"



RECEITA DO DOCE

Coco, água de coco,açúcar, rapadura
faz-se uma calda com a água do coco, açúcar e rapadura em ponto de fio grosso;
coa-se, junta-se o coco ralado, mexendo sempre até se desprender da panela;
despeja-se essa massa, em caixotes de madeira untado com manteiga; deixa-se esfriar para vender.

Fontes:
  • Maria Marluce  Dantas - História da gastronomia no Rio Grande do Norte.
Fotos:
  • Imagens Google
  • Edição de Fotos: Programa Pic-Nic - Yahoo/BR