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Barra de Punaú - por Arilza Soares

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quarta-feira, 27 de junho de 2012

MELÃO-DE-SÃO- CAETANO OU GALINHA- DE MELÃO COMO FALAM OS POTIGUARES





Há certas coisas cujo encanto, cuja magia, permanece na nossa lembrança indiferente ao passar do tempo. A "galinha-de-melão" é, pra mim, uma dessas coisas. Essa plantinha sempre esteve presente na minha infância. Lembro de um terreno baldio que ficava nos fundos do quintal da casa da minha vó que era coberto por elas. Na vegetação dos morros que hoje formam a Ladeira do Sol, era a erva mais abundante. Quantas vezes  colhíamos bacias delas para brincar de cozinhado! Mas não tínhamos a menor noção do valor fitoterápico dessa erva, muito menos que ela pudesse ser usada na culinária. A nossa brincadeira de "cozinhado" era simbólica, não comíamos a fruta. Hoje, me deparo com pesquisas científicas falando da sua importância para o  combate de doenças e para o controle da dengue, como também me surpreendo com o preparo de pratos considerados deliciosos feitos com a nossa galinha -de-melão.

 



A galinha-de-melão ou melão-de-são-caetano, como é mais conhecido, é uma trepadeira, da família das Curcubitáceas, conhecido cientificamente como Momordica Charantia. É encontrado como cerca viva margeando casas pelo interior ou em terrenos abandonados. Popularmente chamado pelos nomes de: erva-de-lavadeira, melãozinho, fruta-de-negro, erva-de-são-vicente, fruta-de-cobra. Seus frutos são amarelo-ouro, com espinhos moles na superfície, que quando maduros, se abrem em três partes, mostrando as sementes avermelhadas. Suas flores apresentam uma textura fina e delicada, de cor amarelo-claro, com cinco pétalas.





Embora de origem africana, a planta se encontra hoje disseminada por todo o mundo. Ela foi trazida da África ao Brasil pelos escravos, que usavam sua infusão contra febres e em banhos para facilitar os partos. Os primeiros escravos que chegaram ao Brasil tomaram o destino da região aurífera de Minas Gerais, em especial Ouro Preto e Mariana. Trouxeram as primeiras sementes e as plantaram ao redor de uma capelinha existente nas proximidades de Mariana. As sementes germinaram e a planta cresceu e frutificou. O padroeiro da capela era São Caetano, e os frutos eram parecidos com um pequeno melão. Em virtude disso, batizaram definitivamente não só o fruto, como toda a planta, de Melão-de-São-Caetano. Em Natal é conhecido como "galinha-de-melão" mas desconheço a origem desse nome.


A Importância Fitoterápica do 
Melão-de-são-caetano


Estudos científicos publicados nos últimos 10 anos mostram que o  melão-de-são-caetano apresenta propriedades anti-tumorais, anti-cancerígenas e antivirais. Pode ser usado contra todas as doenças de pele.A deccoção das folhas trata as afecções da pele. A polpa do fruto misturada à vaselina torna-se unguento que faz supurar furúnculos e abcessos e trata picada de inseto. O sumo das folhas verdes adicionada ao óleo de amêndoa trata queimaduras.
É ótimo coadjuvante para diabéticos, pois tem propriedades hipoglicêmicas, reduzindo o índice de glicose no sangue. Contém duas vezes a quantidade de potássio de uma banana; é também é rico em vitaminas A e C, além de outros compostos químicos.
Seu uso é contra-indicado para gestantes, mães em fase de aleitamento e crianças. Como todo medicamento, aconselha-se o uso dessa erva com supervisão médica.

 O Melão-de-São-Caetano e os Florais Brasileiros



Como essência floral, é indicada para pessoas com pensamentos ruminantes, indesejáveis e repetitivos, tortura mental, preocupação excessiva que atrapalha o viver cotidiano. É útil ao ser ministrada previamente à tomadas de decisões importantes e nas preparações par provas, testes e situações que necessitem de autocontrole e concentração.Essa essência floral concede clareza  de raciocínio, calma, tranquilidade e paz para a mente. sua indicação corresponde no Sistema de Bach a essência floral White Chestnut.


O Melão-de-São-Caetano na Culinária




O fruto do melão-de-são-caetano é usado na culinária ainda verde e é muito valorizado pelo seu sabor amargo. Geralmente é consumido cru, inteiro ou em fatias, mas pode ser feito pickles, conservado em salmoura. Presta-se também para cozidos e acompanhamentos de carnes.Na cozinha japonesa o fruto é conhecido como "Goia". O "Goya Chanpuru"  é um prato típico da região de Okinawa/Japão, preparado com Tofu. Essa combinação do fruto goya com tofu é considerado muito saudável.

Fontes:
  • Pesquisas Google - Site Wikipédia
  • Pesquisas  Google - Site Receita Natural:Propriedades Medicinais do Melão-de-São-Caetano
  • Rede de Agricultura Sustentável (RAS) - Universidade Federal da Paraíba - Uso do Extrato do Melão-de-São-Caetano.

Fotos:

  • Imagens Google
  • Edição de Fotos: Site Pic Monkey




segunda-feira, 25 de junho de 2012

29 DE JUNHO - DIA DO PESCADOR - À ELES TODA NOSSA HOMENAGEM!


                                                            

Aprendi desde cedo a admirar esses homens corajosos que se aventuravam mar a dentro  em busca do pescado! Antes do nascer do sol, lá vão eles com sua jangada e muita bravura! Eles sabem onde encontrar o peixe, onde a pescaria é boa e  como chegar lá sem grandes surpresas. Conhecem o movimento da maré, a direção do vento, e são capazes de fazer a previsão do tempo com precisão, apenas olhando a direção das nuvens, com sabedoria e simplicidade.
                           


                              Pescaria - Dorival Caymmi

Como nasci e sempre vivi próximo ao mar, me acostumei a ver a chegada da pesca de "arrastão" na praia do Meio ( hoje praia dos artistas) as jangadas na praia de Ponta Negra, a pesca nos "currais" da praia de Pirangi do Norte, e o retorno dos barcos pesqueiros do Canto do mangue. E eles estavam lá, cheios de vigor físico! Nem pareciam recém chegados de uma jornada tão desgastante! Chegavam carregados de cardumes, que variavam dependendo da época da ano: cavala, peixe agulha, arabaiana, dentão, cangulo, sirí e até camarão. Comprar o peixe fresquinho na mão do pescador era a realização de todo amante de um bom pescado.



              


De tudo que presenciei, o que mais me encantava, e me encanta até hoje é a chegada das redes de arrastão. É bonito de ver aqueles homens puxando a rede e os peixes, a maioria de cor prateada, saltitando no seu interior. Em Natal, hoje em dia essa prática já não existe na praia dos Artistas (infelizmente o arrastão que a gente ver por lá é outro) mas ainda é possível vê-la  no amanhecer em Ponta-Negra e na Praia da Redinha. 

PESCA DO ARRASTÃO NAS PRAIAS DE REDINHA E PONTA NEGRA






Fotos de Cláudio Abdon (Redinha)

          Foto de Alex Uchôa (PontaNegra)         

                

O dia 29 de junho, dia de São Pedro, o apóstolo pescador, que também é padroeiro dos pescadores, foi escolhido para se comemorar o dia do pescador. Muitas são as homenagens prestadas a esses homens destemidos  tão presentes nas nossas cidades praianas. Mas foi Dorival Caymmi, um amante do mar, quem melhor cantou a alma e os sentimentos desses nossos heróis anônimos. Sua belíssima Suite dos Pescadores comprova isso!


  "Canção da Partida",  a primeira das quatro canções
  da "Suíte dos Pescadores" de Dorival Caymmi" 



O Bem do Mar - Dorival Caymmi



Não menos importantes são as homenagens dos nossos artistas plásticos que com seu arte, retrataram a vida dura desses trabalhadores.

                                                     Dorian Gray
  Newton Navarro
                                                         Tarsila do Amaral
                                                    Di Cavalcanti
                               Escultura em São Luis/ Maranhão

FOTOS:

  • Imagens Google
  • Acervo de Alex Uchôa
  • Acervo de Cláudio Abdon
  • Edição de Foto: Programa Pic-Nic/Yahoo- BR
VÍDEOS:

  1. Postado no You Tube por NoemiaHime em 20/02/2010
  2. Postado no You Tube por SenhordaVoz em 23/06/2010
  3. Postado no You Tube por yakuzatsu em 13/06/2-11




quarta-feira, 20 de junho de 2012

AS DANÇAS FOLCLÓRICAS DO CICLO JUNINO NO RN: DANÇA DAS BANDEIRINHAS E CAPELINHA DE MELÃO




As danças folclóricas do Rio Grande do Norte sempre foram  motivo de estudo e pesquisas. Na década de 20, Luis da Câmara Cascudo escreveu centenas de livros e artigos nos jornais sobre a beleza de nossas danças. Na década de de 30 Mario de Andrade. veio estudar a cultura potiguar deixando uma obra valiosíssima. Posteriormente pesquisadores como Manoel Rodrigues, Hélio Galvão e Oswaldo Lamartine deixaram um rico acervo. Mais recentemente Deífilo Gurgel nos presenteou com importantes pesquisas sobre as nossas danças folclóricas.
Nessa postagem vamos conhecer um pouco de duas dessas danças, pertencentes ao ciclo junino: a dança das" Bandeirinhas" muito popular na praia de Touros e a dança "Capelinha de melão" que ainda hoje sobrevive na praia de Caraúbas.

1 - A DANÇA DAS BANDEIRINHAS DA PRAIA DE TOUROS/RN





De caráter genuinamente popular, o Folguedo das Bandeirinhas consiste numa alegre reunião festiva de mulheres para festejar com dança, música e foguetório um santo patrono por elas escolhido.A reunião geralmente é feita em casa de uma dessas mulheres, responsável pela função. Em Touros, a festa que surgiu há mais de um século é formada por mulheres idosas, numa saudação a São João, São Pedro e Sant'Ana
Desde 1910, o folguedo se consolidou em Touros sob a direção de Joana Pacheco. Nos anos vinte, Joana Pacheco passou a Francisca Conduru à responsabilidade de conduzir a função. Posteriormente Geracina Alsina do nascimento permaneceu no comando por volta dos anos quarenta, até entregar o estandarte a Josefa Odete de Melo, mais conhecida como Dona Finha. Em 1993, sentindo-se cansada Dona Finha passou o comando das Bandeirinhas para Maria Inês. que atende pelo apelido de "Nega", para dar continuidade a festança.





A turma das bandeirinhas sai às ruas de Touros após a meia noite. Suas participantes usam indumentária colorida e vistosa, e portam bandeiras e estandartes artisticamente bordados e decorados. Percorrem as ruas da cidade cantando toadas tradicionais e outras por elas próprias compostas. Apenas três vezes se apresentam durante o ano: às vésperas de São João, São Pedro e Sant’Ana.
Enquanto esperam a hora para sair à rua levando seus pavilhões engrinaldados, as participantes do folguedo dançam entre si ao som de uma pequena orquestra de pau e corda ou de percussão, enquanto enchem-se de doces, salgados, sucos, refrigerantes e bebidas alcoólicas.
A festa atinge seu ponto máximo quando as mulheres saem às ruas, pós a meia-noite, em cortejo para o rio Maceió, já bastante "alegres", dançando e executando coreografias, se esbaldando em seus louvores e cantorias.






O folguedo das bandeirinhas não admite presença masculina em suas funções. Dessa forma, suas organizadoras e participantes sentem-se à vontade para se divertir, livres da censura de pais, filhos, maridos e conhecidos. Satisfeitas, desfilam empunhando seus estandartes, bandeiras e bandeirolas, cantando toadas de louvor ao santo festejado. Durante o cortejo pelas ruas da cidade, as pastoras se fazem acompanhadas de uma orquestra, que só as abandonam à beira do rio, ao término da função.


2- CAPELINHA DE MELÃO - PRAIA DE CARAÚBAS/RN




A Capelinha de Melão é um Auto popular encontrado na praia de Caraúbas no Rio grande do Norte, com cânticos pastoris e danças, realizado na noite de São João. Acompanhado por orquestra de violão, rabeca e clarineta e por vezes incluem-se  sanfona e pandeiro. A coregrafia imita a Lapinha, na disposição das pastoras em cordões e no elenco das jornadas. Enquanto na Lapinha  se homenageia Jesus Cristo, na Capelinha a homenagem é para S. João.Na dança um grupo de moças, em número par, exibe-se num tablado, ao ar livre, com roupas e sapatos brancos. tendo à cabeça uma capelinha de flores de melão-são-caetano, em torno de um diadema enfeitado com papel crepom. Cada dançarina possui uma tira larga de cetim, ou papel crepom vermelho ou azul, que partindo do ombro esquerdo, termina por um grande laço na cintura. As participantes se dividem em duas alas, entre as quais caminha a Diana, que se apresenta com as faixas azul e vermelha entrecruzadas no busto.Toas cantam e dançam  tendo à mão uma lanterninha com vela acesa e uma bandeirola com a efígie do santo.


     
    CAPELINHA DE MELÃO

           Capelinha de melão / É de São João
              É  de cravo é de rosa /  É de manjericão

                  São João está dormindo / Não acorde não
  Acordai, acordai / Acordai João.

                                                           Música de domínio público
  

O bailado desse folguedo tem de oito a dez partes, com coreografia e cantos próprios, terminando todas com o estribilho da música "Capelinha de melão". No fim da última parte, duas dançarinas retiram o diadema da cabeça e, o substitui por panos enfeitados com canutilhos, ou moedinhas de papelão dourado, assim se transformam em ciganas ( hoje em dia as baianas são comuns). Com uma bandejinha na mão, percorre a platéia masculina pedindo dinheiro, ao som de um canto entoado pelas outras participantes que permaneceram no tablado.


O VERDADEIRO SIGNIFICADO DE CAPELINHA DE MELÃO





A propósito dessa foto que encontrei na internet, vale  registrar  que "capelinha de melão" não é o diminutivo de capela, tampouco é feito com melão. Segundo Câmara Cascudo, o termo capelinha de melão designa um "grupo de foliões dos festejos populares sanjoanenses, ornados de capelas de folhagens, marchando em grupos em demanda do milagroso banho, e de volta em animadoras passeatas. É portanto, um folguedo popular em um pequeno povoado. Em Portugal "capela pode ser uma coroa de flores ou folhas. Como na canção a coroa pode ser de cravo, de rosa ou de manjericão. Em Caraúbas "a capela" é uma pequena coroa de flores feitas com flores do melão-são-caetano, que eram usados como ornamento nesses folguedos.


                             Flor do melão-são-caetano



De origem asiática, esse arbusto do gênero Momordica, foi trazido para o Brasil pelos escravos africanos. È encontrado facilmente em cercas de terrenos abandonados. Seus frutos, quando maduros tem cor amarelo ouro com sementes vermelhas comestíveis apreciado pelas crianças, As folhas eram usadas pelas lavadeiras para clarear a roupa. Os escravos usavam o chá em banhos para facilitar o parto e para baixar a febre. Seu nome foi dado pelos negros mineiros do século XVIII, que o plantavam em volta de uma capelinha em Mariana-MG. A Capelinha tinha como padroeiro São-Caetano.



Fontes:
  • Deífilo Gurgel - Danças Folclóricas do Rio grande do Norte-Deífilo Girgel-Gráfica Sul Editora-Natal/RN - 2003
  • Deífilo Gurgel - Espaço e Tempo do Folclore Potiguar-Departamento Estadual de Imprensa-Natal/RN - 2001
  • Luís da Câmara Cascudo- Dicionário do Folclore Brasileiro- EdiOuro Publicações S.A -São Paulo
  • Pesquisas Google - Site Enciclopédia da Musica Brasileira
  • Pesquisas Google - Site Touros.com
  • Pesquisa Google- Site Wikipédia.

Fotos:
  • Imagens Google
  • Edição de Fotos: Site Pic-Monkey
Vídeo:
  • Postado no You Tube por "forrobodologia" em 30/10/2011- Banda Mastruz com Leite - Música: Capelinha de Melão


sábado, 16 de junho de 2012

LUIZ GONZAGA - AMIGOS E PARCEIROS POTIGUARES NA VIDA DO REI DO BAIÃO



Esse ano nas comemorações do centenário do maior cantor, músico e compositor de alma sertaneja, Luiz Gonzaga, o  Vento Nordeste não poderia estar ausente. Há muito que procurava uma maneira de falar do nosso mestre sem ser muito repetitiva, pois muito já se escreveu sobre ele. A excelente reportagem de Yuno Silva,  do Jornal Tribuna do Norte, me incentivou a fazer essa postagem. "As veias potiguares do Rei do Baião"- Publicada em 26/05/2012- com a colaboração de Leide Câmara, fala das relações de amizades e dos parceiros Norte - Riograndenses com  Luiz Gonzaga. Isso certamente muita gente desconhece. Eis então os nossos artistas potiguares que direta ou indiretamente ajudaram a fazer o sucesso do Rei do Baião.


1 - O POETA ZÉ PRAXÉDI



A primeira biografia sobre Luis Gonzaga  foi escrita pelo poeta potiguar José Praxedes Barreto, nascido em 15 de novembro de 1916 na fazenda ‘Espinheiro’, município de Currais Novos, atualmente Cerro Corá (RN.
Zé Praxédi como era conhecido, publicou em 1952 o livro sob o título de "Luiz Gonzaga e Outras Poesias". O Livro que  tem o prefácio escrito por Luis da Câmara Cascudo, foi  editado pela Continental Artes Gráficas de São Paulo/SP com o apoio do então Presidente da República o Potiguar João Café Filho.
O livro do Zé Praxédi escrito em forma de poesia matuta, é composto de vários poemas, sendo que o principal é  dedicado a Luiz Gonzaga, com 128 estrofes. Zé Praxédi que também publicou “O Sertão é Assim” e  “Meu Siridó”,  apresentou um Recital no Teatro Copacabana, com a presença do próprio Luiz Gonzaga, 




2 - O MÚSICO PAULO PERES TITO


Paulo Tito  conheceu Luiz Gonzaga em 1954. Tito já estava morando no Recife e trabalhava na Rádio Jornal do Commercio quando o Rei do Baião foi participar de um programa na capital pernambucana. “Ele estava com o grupo desfalcado e me ofereci para substituir o zabumbeiro. Como eu também cantava fez o convite para ir para o Rio. Quando dei fé, dias depois, recebi um telegrama reforçando o convite. Cheguei no Rio de Janeiro bem no dia do aniversário dele, 13 de dezembro, e quem foi me buscar no aeroporto foi a esposa Dona Helena, que quando me viu, baixinho e sem pescoço, logo reconheceu”, brinca o senhor de 83 anos e ainda com a voz em plena forma.



                                           Sertão 70 - Produzido por Paulo Tito

Paulo Tito passou uma temporada de dois meses na casa de Luiz Gonzaga e acabou morando por 26 anos no RJ, onde,atuou como produtor musical. Assinou a produção e os arranjos do álbum “Sertão 70″ do mestre. “Não dava para trabalhar com ele, viajava demais: amanhecia no Rio, tomava café no Recife e almoçava no Ceará, o homem não parava no lugar”, lembra o potiguar.

      3 - O MOSSOROENSE CARLOS ANDRÉ




O mossoroense Carlos André trabalhou com Luiz Gonzaga desde 1960, quando o Trio Mossoró acompanhava  Gonzaga nos shows. Os laços de amizade entre os dois foram muito intensos. Em 1963 Luiz Gonzaga foi padrinho de casamento de Carlos André.
Èm 1983, Carlos André foi convidado pelo presidente da gravadora RCA para uma reunião e ficou sabendo que o Luiz Gonzaga iria ser dispensado pois há quase uma década ia mal nas vendas. Carlos André entrou em cena para ajudar o amigo, “Disse que dava para contornar a situação, que ia produzir os discos de Luiz Gonzaga, disse que ele fora da praia dele gravando com orquestras e que deveria voltar às origens. Passei mais de uma hora para convencer o presidente a dar uma nova chance”.




O potiguar produziu os discos “Danado de bom” (1984), “Luiz Gonzaga & Fagner” (1984), “Sanfoneiro macho” (1985), “Forró de Cabo a Rabo” (1986) e “De Fiá Pavi” (1987), álbuns que reúnem sucessos que imortalizaram Luiz Gonzaga. “Foi um sucesso atrás do outro. Era uma honra produzir esses discos, principalmente por que comecei imitando Gonzagão. 
Atualmente Carlos André trabalha com Fagner no relançamento de todo o acervo de Luiz Gonzaga. A previsão é que os discos cheguem às lojas em setembro, junto com CD de outros artistas que também regravaram Gonzagão e um DVD com depoimentos do próprio artista.



4 - O COMPOSITOR  HENRIQUE BRITO






Natalense, o violonista e compositor Henrique Brito mudou-se para o Rio de Janeiro ainda na década de 1920. Com o parceiro Noel Rosa criou a música “Queixumes”, primeira composição de um potiguar gravada por Luiz Gonzaga em 1945 (versão instrumental).
No Rio de Janeiro,em meados dos anos 1920, conheceu Braguinha, seu colega de turma que o levou a seguir o caminho da música. Em 1932, depois de participar como músico da Brazilian Olympic band do maestro Romeu Silva, que acompanhou a delegação brasileira aos Jogos olímpicos de los Angeles, fugiu do navio que o traria de volta ao Brasil, so retornando ao país um ano depois. na ocasião trouxe um violão amplificado, sob a sua orientação,feito por um fabricante de instrumentos musicais americano. A invenção, até então inédita no Brasil, não foi patenteada por ele,mas muitos o considera inventor do violão elétrico.



Queixumes - Henrique Brito

5 - O COMPOSITOR JANDUHY FINIZOLA 





Médico de Jardim do Seridó, Janduhy Finizola da Cunha, conheceu Gonzaga em um hospital de Campina Grande (PB), quando estava de plantão e atendeu o Velho Lua. Gonzaga gravou várias músicas do médico, entre elas “Jesus Sertanejo”, “A Missa do Vaqueiro”, “Ana Maria”, “Cidadão de Caruaru”, “A Nova Jerusalém” e “Frei Damião”
.


 Janduhy Finizola e o Quinteto violado no 
Programa Som Brasil da TV Globo

A Missa do Vaqueiro, que acontece desde 1970, no Município de Serrita, sertão pernambucano, é uma homenagem ao Vaqueiro Raimundo Jacó, primo de Luiz Gonzaga, morto assassinado. O compositor Janduhy Finizola compôs a trilha musical, executada por Luiz Gonzaga. Em 1 976 o Rei do Baião passou a dividir o palco com o Quinteto Violado que, desde então, é o responsável pela execução.


6 - O COMPOSITOR FRANCISCO ELION 




Francisco Elion Caldas Nobre, mais conhecido como Chico Elion, é autor da célebre “Ranchinho de paia”. Composta em 1952, a música foi eternizada pela voz de Luiz Gonzaga em 1981, no disco “A festa”. Nascido em Açu/RN Elion estreou como cantor aos 18 anos no Rio de Janeiro, gravou seu primeiro álbum solo em 1955, “Chico Elion & vozes amigas” (78 rpm), e tem mais de 400 músicas – muitas ainda inéditas.


 
                                         Ranchinho de Paia - Chico Elion

             
  7 - O PARCEIRO ELINO JULIÃO 





Cantor e compositor de Timbaúba dos Batistas, Elino Julião da Silva, está na lista dos compositores gravados por Luiz Gonzaga. Julião começou sua carreira artística na década de 1950, interpretando músicas de Jackson do Pandeiro – de quem foi parceiro na década seguinte. Morou no Rio de Janeiro e fez bastante sucesso nos anos 1960 com a já clássica “O rabo do jumento”, sua primeira gravação solo.
Luiz Gonzaga, que já era conhecido como o “Rei do Baião”, estreava na TV Cultura o show “Chapéu de Couro” e convidou Elino para trabalhar ao seu lado como ritmista. A experiência durou três anos e neste período, Elino morou na casa de Luiz Gonzaga, juntamente com o irmão do “Rei do Baião”, o cantor Zé Gonzaga, conhecido como o “Príncipe do Forró.



8- O PARCEIRO SEVERINO RAMOS







Ovo de Codorna - Severino Ramos

Autor do sucesso “Ovo de codorna”, gravado em 1972 por Luiz Gonzaga no disco “Aquilo bom!”, o caicoense Severino 
Ramos começou sua carreira de compositor aos 28 anos. Embora tenha nascido no RN, foi registrado em Campina Grande (PB). Em 1951 seguiu para o Rio de Janeiro, onde consolidou parcerias com Jackson do Pandeiro, Elino Julião  Luiz Gonzaga. Severino Ramos teve outras músicas gravadas por Luiz Gonzaga, entre elas, O xaxado  "Nega Zefa", o forró "Forró de Zé do Baile" (1964), o côco  "Xeêm" e "Anita Cipó" (1968).


Forró de Zé do Baile - Severino Ramos



FONTES:
  • Jornal Tribuna do Norte - Portagem de Yuno Silva - "As veias potiguares do Rei do Baião"- Publicada em 26/05/2012- com a colaboração de Leide Cãmara ( Informações catalogadas no Dicionário da Música Potiguar)
  • Site "Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira"
  • Site Nordeste.com - "Enciclopédia do Nordeste
FOTOS:
  • Imagens Google
  • Edição de fotos: Site Pic Monkey
VÍDEOS:
  • Vídeo 1 - Música Queixumes com Luiz Gonzaga - Postada no You Tube por apfrezende em 17/03/2012
  • Vídeo 2 - Música A missa do Vaqueiro com Luiz Gonzaga e o Quinteto Violado no Programa Som Brasil da TV Globo - Postado no You Tube por Paulovanderley em 03/05/2009
  • Vídeo 3 - Música Ranchinho de Paia com Luiz Gonzaga postado no You Tube por forropezaum em 29/07/2011
  • Vídeo   4 - Música Forró de Zé do Baile com Luiz Gonzaga - Postado no You Tubr por Crisforroots em 09/12/2011




domingo, 10 de junho de 2012

CASA DO CORDEL EM NATAL/RN - ONDE A ARTE E A CULTURA POPULAR FALAM MAIS ALTO!

             



A minha paixão pela literatura de cordel vem desde a minha infância. Desde cedo embarquei na viagem desses poetas populares. Aprendi com eles a me encantar os nossos costumes e as nossas crenças. Aprendi a  rir das historias narradas de forma tão peculiar, escritas por pessoas "não letradas" como  eram chamados pejorativamente esses poetas e escritores. E as ilustrações dos folhetos? Lindas! Ainda hoje sou fissurada em xilogravuras. Sempre que vou ao Nordeste  procuro me abastecer de folhetos de cordel, que na minha opinião é um retrato muito autêntico da poesia do nordestina.


Minha visita à Casa do Cordel em junho de 2012

Ter encontrado a Casa do Cordel foi portanto motivo de muita alegria, principalmente por saber que o Cordel ainda vive na minha cidade, e por vê-lo valorizado e divulgado. Essa postagem é a minha forma de agradecer ao Poeta Abaeté e ao seu filho Ericy pela brilhante iniciativa. Vida longa para a Casa do Cordel e para todos esses escritores e poetas populares do meu Nordeste que continuam nos presenteando com suas histórias fantásticas dos seus cordéis maravilhosos, onde a  imaginação e a arte são a obra prima.


Com o Poeta Abaeté, na casa do Cordel, em fevereiro de 2015





SOBRE A CASA DO CORDEL EM NATAL



                  
Quem acha então que cordel é coisa do passado precisa conhecer a Casa do Cordel em Natal/RN, fundada no dia 17 de agosto de 2007, por Erivaldo Leite de Lima, o poeta Abaeté. A casa funciona na Rua Vigário Bartolomeu no Centro da cidade, próximo ao Beco da Lama, região muito frequentada por boêmios e artistas potiguares. O local é o primeiro espaço cultural do Rio Grande do Norte totalmente destinado a valorização e divulgação dos artistas populares envolvidos nessa arte de contar histórias. 
No convite para a inauguração do espaço, com direito a sarau e café da manhã, se lia:




A Casa do Cordel não é apenas um ponto de venda de cordéis. É muito mais que isso! É um novo ponto de encontro da cultura popular, com propostas objetivas de promover encontros de cordelistas, realizar feiras, exposições, palestras, lançamentos de livros, tertúlias e saraus nos finais de tarde. O espaço está aberto para todos que se interessam pela cultura popular; a todos que quiserem enriquecer e se enriquecerem  culturalmente, numa troca que que aumenta a cada dia. "Quando a gente colocou a Casa do Cordel aqui muita gente começou a frequentar. Era uma novidade pois aqui e em nenhum outro canto do RN tem uma casa como essa, trabalhando e divulgando a cultura popular"- diz o poeta Abaeté.



                                             O poeta Abaeté e sua casa do Cordel


Abaeté do Cordel é poeta, cordelista, escritor e compositor. Natural de Sertânia, estado de Pernambuco, sertão de Moxotó morando no Rio Grande do Norte há mais de 20 anos.Se considera um "Pernampo" (Pernambuco- Potiguar). Os seus trabalhos se encontram espalhados em vários países como Portugal, França, Espanha e Estados Unidos.
Presidente da Associação de Cordelistas de Natal, Idealizador e organizador da Casa do Cordel, o poeta é autor de mais de 500 títulos de literatura de cordel, entre eles: " O casal que engatou no parque industrial" "Antologia do Peido"" O câncer Infantil" "4 Estrofes" "O Pássaro da Asa Quebrada"... Além disso possui um acervo muito grande de folhetos com versos de grandes nomes da literatura popular como Antônio Francisco, Crispiniano Neto, Paulo Varela, Bob Motta, Manoel Azevedo, e muitos outros.
Por sua intensa atuação em Natal, o poeta pernambucano, recebeu em 2014  o Título de Cidadão Natalense.






                                          Folhetos de Abaeté do Cordel

  


   A XILOGRAVURA NA CASA DO CORDEL






As paisagens do sertão nordestino misturadas aos elementos do imaginário popular, como lobisomens, sereias aladas, cavalos de fogo, são impressos com frequência nos livros de cordel a partir da técnica da xilogravura. A técnica milenar surgiu como recurso de reprodução de impressos e ganhou status de arte nas mãos de  grandes pintores europeus. No Nordeste a xilografia se popularizou e vem sendo preservada or grandes mestres, como o pernambucano J. Borges, considerado o maior gravador popular em atividade no Brasil.Em Natal o jovem potiguar o Erick Lima, produz gravuras para ilustrações de folhetos, livros, discos, camisetas, cerâmicas decorativas, além de trabalhos sob encomenda.


                                 Erick Lima - Xilógrafo da Casa do Cordel



Erick Lima começou a trabalhar com xilogravura em 2007.Desde a infância teve imerso nesse universo a cultura popular nordestina; seu pai, o pernambucano Erivaldo Leite de Lima, conhecido como Peta Abaeté, é um cordelista atuante no estado do Rio Grande do Norte. E foi para ilustrar as histórias de seu pai e de seus amigos que Erick fez as primeiras  maatrizaes em madeira. Além do trabalho no ateliê, ele também ministra oficinas em escolas, universidade, empresas ou oficinas individuais.


ALGUMAS XILOGRAVURAS DE ERICK LIMA






A ATUAL CASA DO CORDEL EM NATAL






Depois de sete anos funcionando no mesmo local na rua Vigário Bartolomeu, a Casa do Cordel mudou, em setembro de 2014, para um prédio próximo ao antigo endereço.
No novo espaço,um prédio de dois andares, funcionam a loja( no andar térreo)onde estão a venda,além dos cordeis, livros,quadros, artesanatos e objetos antigos como rádios, máquinas de costura e outras quinquilharias referentesa cultura popular nordestina. O andar superior, com aceeso pelo lado de fora da loja, é o local destinado para encontros, palestras, eventos e oficinas.



IMAGENS DA LOJA DA CASA DO CORDEL












IMAGENS DA ANTIGA CASA DO CORDEL









Fontes:
  1. Site da casa do Cordel - Blog -casadocordel.blogspot.com
  2. Jornal Tribuna do Norte Edição de 19/05/2010- Reportagem de Maria Betânia Monteiro-" Herdeiro da Xilogravura"
Fotos:

  • Imagens Google
  • Acervo de Arilza Soares
  • Edição de Fotos: Site Pic-Monkey






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