FOTO DE CAPA

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Barra de Punaú - por Arilza Soares

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

CONSULADO - O PRIMEIRO BAR MUSEU - MARCAS NAZISTAS NA CIDADE

  
                             

Toda iniciativa de restauração do nosso patrimônio é sempre motivo de aplauso. Mesmo que essa restauração seja uma iniciativa isolada e que a proposta  seja um bar. O belíssimo projeto que resultou no Consulado Bar é um presente para a cidade.Que os Natalenses possam fazer como o povo baiano,que foram capazes de transformar um lugar de dor e tristeza como o pelourinho,em um palco de alegria. Assim ao se olhar  a bela sala com as suásticas nazistas ,que se  faça um brinde com alegria pelo fato desse símbolo ser apenas um desenho que não representa mais ameaça para a humanidade.
Esse brinde com certeza eu quero fazer na minha próxima viagem a Natal.


Casarão de  Guglielmo Lettieri.



Rua das Virgens, nº 184, na Ribeira. Um sobrado foi  construído para ser residência do imigrante iItaliano Guglielmo Lettieri. Até aí nada de especial, se não fosse o proprietário um simpatizante de Hitler -  um trecho da casa tem piso formado por ladrilhos representando a cruz suástica,  o símbolo nazista. 
O sobrado que abrigou durante um tempo o Consulado da Itália e após a morte do seu proprietário, a "Bolsa de Valores" passou a ser um dos poucos  locais da cidade que lembra esse triste período da humanidade.



                                                                             
                   Sobre Guglielmo Lettieri

Guglielmo Lettieri nasceu em 6 de maio de 1887, no villagio  de Casalleto Spartano, na Itália. Em 1897 visitou o Rio de Janeiro junto com sua família. Fascinado pela terra que conheceu, voltou ao Brasil retornou ao Brasil desembarcando novamente no Rio em 3 de outubro de 1903, com 16 anos de idade. Dirigiu-se inicialmente à Recife, mas logo se mudaria para Natal, cidade que adotou para sempre.
Comerciante, foi proprietário de diversos negócios no Estado. Fundou a famosa Cantina Lettieri e possuiu a única fábrica de gelo de Natal na década de 30.  Líder da comunidade italiana em Natal, recebeu nesta casa em 1928 os aviadores transatlânticos Arturo Ferrarin e Carlo Del Prette, e em 1931 o General Italo Balbo. 





Em 1938 foi nomeado cônsul da Itália no Rio Grande do Norte, estabelecendo o consulado italiano em Natal em sua casa. Preso em 25 de junho de 1942, foi acusado de espionagem e condenado em 22 de dezembro a 14 anos de prisão pelo Tribunal de Segurança Nacional. Foi anistiado ao fim da 2ª Guerra. Como cônsul fez a entrega, na sala principaldo consulado, da Medalha do Rei Vittório, alta condecoração fascista  do governo do 1º ministro Benito Mussolini, ao escritor Luis da Câmara Cascudo
Após a sua morte, a família vendeu o imóvel à Bolsa de Valores do Rio Grande do Norte, que funcionou por muitos anos no local.  Esta é a única casa que se conhece no País que ainda possui o piso original bem preservado com a suástica nazista em um dos seus cômodos. Todas as suas paredes e a laje são reforçadas por grandes vigas de trilhos que foram utilizados no século XIX em vias férreas para o tráfego de trens.


                                        Consulado 
O primeiro Bar Museu da Cidade

      


Por décadas abandonado, o  casarão quase centenário  agora pode ser visto, pelo menos em parte, em toda sua beleza clássica. Foram cinco meses de trabalho entre a reforma de  parte do ambiente e a adaptação cuidadosa à estrutura do bar. O bar ocupa todo o térreo da casa, entre sala, corredor e quintal. A reforma feita  tratou de conservar ao máximo a estrutura. A parte de fiação elétrica foi toda feita externamente, para não esburacar as paredes. As partes em madeira entalhada – arcos, lambris, portas e janelas -   foram lixadas, envernizadas e  receberam cera de carnaúba. Os belos afrescos florais nas paredes foram limpos. A polêmica sala com ladrilhos de suásticas foi isolada, a fim de ser melhor vista pela clientela.




A ambientação do Consulado Bar ainda terá mais ingredientes históricos. Em  breve serão postas à exposição elementos como capacetes da 2ª Guerra, e uniformes como a farda de piloto do Mig 21 (um avião soviético), entre outras preciosidades do vasto acervo de Leonardo Barata.  A decoração geral da casa faz menção à época da guerra, período em que Natal recebeu uma visibilidade nunca experimentada antes. Pelas paredes há painéis com fotos da Ribeira antiga, de ruas a cenas clássicas como  a visita do presidente Roosevelt a Natal, e uma vista área da base de Parnamirim; além de pôsteres de propagandas de guerra americanas, russas, inglesas e alemãs. Cabe bem o clichê “viagem no tempo”.
                                           


Atrelado ao lado histórico, o ambiente conta com os serviços de um bar caprichado. A programação musical é voltada para o jazz, samba e choro. O cardápio é uma boa mostra de petiscos diversos entre carnes, camarões, pastéis, costelinhas suínas, kibes e outros mais, com destaque para o sistema de petiscos volantes, que passam entre a clientela. 



                                            Consulado Bar  na Ribeira
                Aberto de quarta a sábado, a partir das 18hs


                               
Fontes: 
           Jornal Tribuna do Norte -Natal-RN
           Pesquisas Google - Wikipédia
Fotos: Imagens Google - Jornal Tribuna         
                                            do Norte


       

2 comentários:

  1. Oi Tia
    Sua postagem está ótima! Parabéns! Realmente o consulado é um bar bem diferente e que carrega consigo uma história que poucos natalenses conhecem!
    Gostei muito está bem completo seu texto!
    bjos!Comentário de Laysa via e-mail
    em 14/09/2011

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  2. É isso mesmo.Estamos tocando lá; normalmente gente toca na parte de trás do bar, que é aberta. Outro dia que estava chovendo tivemos que tocar na sala da suástica, em cima dos símbolos nazista.
    Um abraço.
    Comentário de Arthur via email
    em 14/09/2011

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