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Barra de Punaú - por Arilza Soares

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terça-feira, 5 de março de 2013

REDES - NO DOCE EMBALO DA VIDA!






"Tu embalaste, em eras transmontadas, frutos, inda imaturos, de três raças!" 
                                                           (Jayme dos G. Wanderley)



Ela não só embalou muita gente, como foi berço de tantas outras, inclusive  o meu! Não lembro de nenhum outro objeto ou utensílio doméstico que esteja tão enraizado na minha vida como a rede. Nela acalentei meus sonhos, dividi minhas tristezas, cantei minhas mágoas e alegrias. Não consigo viver sem uma rede por perto. É o meu refúgio preferido pra tudo, principalmente pra descansar o corpo cansado do dia a dia. Também não consigo imaginar uma casa, uma varanda sem uma rede - tenho várias! E mesmo morando em apartamento sempre encontro um espaço ter uma ao meu dispor para que eu possa continuar vivendo nesse doce embalo! 






"O leito obriga-nos a tomar seu costume, ajeitando-se nele, procurando o repouso numa sucessão de posições. A rede toma o nosso feito, contamina-se com os nossos hábitos, repete, dócil e macia a forma do nosso corpo. A cama é hirta, parada, definitiva. A rede é acolhedora, compreensiva, coleante, acompanha, tépida e brandamente, todos os caprichos da nossa fadiga e as novidades imprevistas do nosso sossego. Desloca-se, incessantemente renovada, à solicitação física do cansaço. Entre ela e a cama, há a distância da solidariedade à resignação".
            Câmara Cascudo no seu ensaio "Rede de Dormir" 



A ORIGEM DO NOME





Quando Colombo descobriu a América, a "hamaca" como era conhecida a rede, já reinava no México, nas ilhas do Caribe, no Paraguai, na Colômbia. No Brasil os nossos índios chamavam de "ini".






A palavra rede foi empregada pela primeira vez pelo escrivão da frota de Pedro Alvares Cabral — Pero Vaz de Caminha, em carta à Portugal, onde descrevendo a povoação dos Tupiniquins, seus hábitos e costumes daqueles indígenas, escrevia: 
(...) eram de madeira, e das ilhargas de tábuas, e cobertas de palha, de razoável altura; e todas de um só espaço, sem repartição alguma, tinham de dentro muitos esteios; e de esteio a esteio uma rede atada com cabos em cada esteio, altas, em que dormiam. 



            REDE UM IMPORTANTE LEGADO
                                 INDÍGENA    





Por mais de quatro séculos, a rede foi um elemento presente e indispensável na vida dos brasileiros e de suma importância para a sociedade  nos primeiros anos do descobrimento e durante toda a época colonial. europeu recém-chegado ao Brasil aceitou o costume indígena sem relutância. A presença de redes de dormir ou descansar era comum em quase todas as habitações da época.
Os negros de senzala nunca se adaptaram à rede, dormiam no chão. Senhoras brancas tentavam convencer a negra a usar a rede, principalmente após a maternidade, quando a usavam desde meninos, mas os negros resistiam.Era comum dizer-se que "negro que não zela sua rede, não zela seu amo", além disso acreditava-se que o uso da rede amansava o escravo.




Meio século depois do descobrimento a rede já era usada por colono agricultor e pela maior parte dos jesuítas. No Brasil Colonial a rede foi muito usada também como meio de transporte para longas viagens. Eram colocadas nos ombros dos escravos que a sustentavam, por meio de uma vara. Este tipo de rede era chamada de serpentina.
Fácil de serem transportadas as redes foram cada vez mais usadas nas vilas, povoados e engenhos de  de açúcar. Bastava enrolá-las e colocá-las  às costas, visto que as camas de madeira eram mais pesadas e até então não eram fabricadas no Brasil.
Nas áreas mais pobres da região Nordeste, era costume o morto ser transportado em redes, então chamadas de rede de defunto.


A CONFECÇÃO DAS REDES 






As redes eram feitas, inicialmente, pelas mulheres indígenas -  tecidas em cipó e lianas bem  resistentes, de fiação simples e malhas grandes que faziam lembrar a rede de pescar. As mulheres dos colonos portugueses adaptaram a técnica indígena passando a fazer redes em tecido compacto, substituindo assim o tucum pelo algodão. A vinda dos teares (aparelhos para tecer) possibilitou a confecção de tecidos mais compactos, de redes com franjas, varandas, tornando-as mais confortáveis e ornamentais.


REDES INDÍGENAS





  1.  Detalhe da rede de buriti feita por  índios Waurá
  2.  Detalhe da rede de fibra feita por índios Tikuna
  3.  Detalhe da rede de algodão feita por índios Pareci
  4.  Detalhe da rede de algodão feita por índios Kayabi
  5.  Detalhe da rede de algodão feita por índios Yudjá
  6.  Detalhe da rede de algodão feita por índios Kaxinawá
  7.  Detalhe da rede de tucum feita por  índios Tikuna






  1. Rede feita por índios Parakanã
  2. Rede de fibra de tucum feita por índios Tikuna 
  3. Rede de fibra de buriti e  linha de algodão feita por índios Yawalapiti
  4. Rede de fibra de buriti e linha de algodão feita por índios Kuikuro
  5. Rede feita por índios Tikuna
  6. Rede de fibra de tucum feita por índios Tukuna
  7. Rede feita por índios Waimiri Atroari


COMPOSIÇÃO DE UMA REDE

1 - O TECIDO



2 - AS VARANDAS


3 - OS PUNHOS



4 - O PROTETOR DO PUNHO




A REDE USADA COMO OBJETO DE DECORAÇÃO




Nos grandes centros urbanos a rede é mais um objeto de decoração de residências e serve como ponto de referência aos costumes regionais. São armadas em terraços, alpendres e varandas de casas e apartamentos, casas de praia e de campo, geralmente para descansar, mas quase nunca para dormir à noite.




É na indústria particular que se tecem as redes de encomenda de feitura bem cuidada , bordadas em relevo, franjadas de crochê ou macramê. São obras primas de paciência e acabamento primoroso. O artesanato é o produtor e mantenedor destas redes, chamadas redes de presente.


NOVAS TENDÊNCIAS DA DECORAÇÃO INSPIRADAS NAS REDES



REDES CADEIRAS


MÓVEIS SUSPENSOS


DICAS IMPORTANTES 


1 - SOBRE A INSTALAÇÃO DOS ARMADORES




Os armadores podem ser instalados tanto em paredes opostas, uma de frente  pra outra, como também em paredes vizinhas, uma ao lado da outa, desde que faça um ângulo de pelo menos 90 graus.
As redes deverão ficar armadas mantendo uma distância aproximada de mais ou menos 3,75 m, entre os armada, a uma altura mediana de 2,00 m do solo, de forma que depois de estendida ela forme um arco distando 0,50 cm do chão.
Nem sempre o tamanho da rede é compatível com a distância necessária entre os ganchos. Para garantir o uso adequado da rede, é preciso seguir as recomendações. Elas são importantes pois, se instalados de forma muito diferente do recomendado a rede perde o que ela tem de melhor a oferecer - a sensação de conforto.





Para maior segurança dê preferência aos armadores de rede que sejam chumbados na parede. Os que são apenas aparafusados são menos resistentes. Há também, no mercado, uma variedade de suportes para redes, de madeira, ferro ou aço, que podem ser colocados em terraços, jardins ou outro lugar ao ar livre.



2 - SOBRE O TAMANHO DA REDE E O ESPAÇO 

O NÓ TRADICIONAL E O ANJO DE REDE



Há alguns recursos para adequar as medidas da rede ao local onde se pretende instalá-la. O mais popular, quando se quer reduzir o tamanho da rede  é  o "nó" que de maneira nenhuma deve ser o "nó cego", pois esse além de danificar os punhos, deixa a rede torta, causando desconforto para quem a usa.
Um produto criado pelo designer Jorge Sá tem feito sucesso entre os cearenses - o Anjo de Rede. O designer resolveu investir em um produto para evitar  os famosos "nós" e diminuir as cordas da rede sem problemas, deixando os punhos presos evitando também que a rede fique torta.






Mas, se o que se pretende é aumentar o tamanho, uma variedade de recursos podem ser usados, desde o uso de cordas muito comum no interior do Nordeste  ao uso de correntes,  molas, prolongadores e extensores, todos disponíveis à venda no mercado.



DANDO UM NÓ NA REDE 




3 - SOBRE A LAVAGEM DAS REDES 





É recomendado não utilizar a máquina de lavar. O efeito centrífuga aumenta o atrito das peças entre si, ocasionando desbotamento e desgaste do tecido. No caso das redes, podem danificar as varandas e puir os punhos.
Dê preferência a sabão neutro como o de coco ou o de lanolina. O uso do sabão em pó ou em pedra tradicionais podem provocar manchas em peças com tingimento artesanal.
Lave as peças de cores escuras ou com peças contrastantes com água em abundância, para garantir a eliminação de excesso de corantes que se desprendem naturalmente nas primeiras lavagens. Não é aconselhável deixá-las de molho por tempo prolongado e recomenda-se extrair o máximo de água após o último enxágue.
Vale lembrar que as peças listradas devem ser estendidas nos varais  com as listras no sentido vertical para evitar migração das cores mais escuras para as mais claras durante a secagem.




FONTES:


  • Luis da Câmara Cascudo - Rede de Dormir: Uma Pesquisa Etnográfica Editora Global - São Paulo - 2003
  • Luis da Câmara Cascudo - Dicionário do Folclore Brasileiro - Ediouro Publicações /S.A -São Paulo
  • Enciclopédia Mirador - Rede de dormir- São Paulo - 1995
  • Andrade, Maria do Carmo. Rede de dormir. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em:http//basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar
  • www.assimsefaz.com.br/sabercomo/Como tecer rede de dormir 
  • www.redesvitorias.com - Redes Vitória / Artesanato do Brasil
  • www.land.com.art.br landé - Rede de Dormir Samka / Índios braileiros.
  • http://nataldeontem.blogspot.com/2009/03/rede-de-dormir.html


FOTOS:
  • Imagens Google
  • Edição de Fotos: Site Scrapee.Net

VÍDEO:
  • Nó de Rede - Postado no You Tube por George Leandro em 07 / 09 / 2011


3 comentários:

  1. Estava tetando encontrar o Anjo da rede, para encutar, mas não encontrei o link aqui. Para quem quiser, basta acessar facebook.com/anjodarede

    Abs!

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  2. Parabéns Vento Nordeste por essa postagem! Amo rede!!!!!!!
    Aldenize Reis

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  3. Aqui no meu cafofo, eu tenho 4 pontos de redes e duas redes. Preciso comprar mais duas. Adoroooooooooooooooooooooo
    Jussiara Hora Melo

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