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Barra de Punaú - por Arilza Soares

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terça-feira, 28 de agosto de 2012

A CARIMBAMBA - UMA LENDA CEARENSE




Amanhã eu vou, amanhã eu vou, amanhã eu vou, amanhã eu vou...


Quando criança cantei muito essa música, composta por Beduíno e Luiz Gonzaga e imortalizada na voz do Rei do Baião. Mas confesso que só há bem pouco tempo, quando pesquisava sobre os mitos e lendas do folclore nordestino,  é que me dei conta de que a letra falava de uma lenda cearense. Eis a letra:
            
                                 Era uma certa vez
                                 Um lago mal assombrado
                                 À noite sempre se ouvia a carimbamba
                                 Cantando assim:
                                 Amanhã eu vou, amanhã eu vou
                                 A carimbamba, ave da noite
                                 Cantava triste lá na taboa
                                 Amanhã eu vou, amanhã eu vou
                                 E Rosabela, linda donzela
                                 Ouviu seu canto e foi pra lagoa
                                 E Rosabela, linda donzela
                                 Ouviu seu canto e foi pra lagoa
                                 A taboa laçou a donzela
                                 Caboclo d´água ela levou
                                 A carimbamba vive cantando
                                 Mas Rosabela nunca mais voltou
                                 Amanhã eu vou, amanhã eu vou 



                                       Lagoa de Opaia - Fortaleza/CR



Segundo a Professora Lourdes Macena, da CEFET/CE, a lenda pertence ao povo da lagoa de Opaia  localizada  no bairro Aeroporto na cidade de Fortaleza. Durante muito tempo essa lagoa era utilizada para lavagem de roupas e banhos de animais. Com uma área de 159.379 m² e uma profundidade média de1,7m, a lagoa de Opaia é hoje utilizada para lazer e pesca, muito embora se encontre bastante poluída. Hoje em dia se a Rosabela, fosse entrar na lagoa, com certeza não sumiria laçada nas taboas, mas se afogaria em meios aos detritos!



A taboa laçou a donzela...





A "taboa" (Typha domengensis) de que fala a música é uma planta  típica dos brejos, manguezais, várzeas e outros espelhos d'água. A sua fibra durável e resistente, é utilizada como matéria prima para papel, pastas, cestas, bolsas e outros itens de artesanato. É uma depuradora de águas poluídas, absorvendo metais pesados.


 A carimbamba, ave da noite...




De acordo com a crença popular a "Carimbamba" é uma ave de rapina, provavelmente uma coruja, que hipnotiza as pessoas com seu canto noturno.
Segundo comentário aqui no Vento Nordeste, de uma pessoa que não se identificou em 20/06/2013), a Carimbamba é uma ave de hábitos noturnos encontrada em quase todo o país, principalmente na região nordeste conhecida como "Bacurau" (Nyctidromus albicollis). Essa ave tem no canto, uma onomatopeia que diz assim: amanhã eu vou, amanhã eu vou...




A CARIMBAMBA E A MÚSICA





Popularizada na voz de Luiz Gonzaga, depois da gravação em 1951 e regravada mais recentemente por Elba Ramalho e Zé Ramalho, a Lenda da Carimbamba foi transformada em livro Infantil com o texto de Elvira Drummond e ilustração de Nice Firmeza.


A CARIMBAMBA - A LENDA





                    Extraído do livro de Elvira Drummond.


Conta na lenda da carimbamba, que toda lua cheia à meia noite um pássaro ia até a lagoa cantar:


"-Amanhã eu vou,amanhã eu vou,amanhã eu vou..."


Perto dessa lagoa morava uma menina muito bonita chamada Rosabela; acontece que Rosabela acordava toda noite para ouvir o canto triste da carimbamba.


A sua familia já estava preocupada com a filha e mandou passar uns dias na casa de sua tia,perto do mar.


Quando voltou para casa,Rosabela conseguia dormir a noite inteira. Mas um dia teve um sonho muito agitado e saiu de casa como uma sonambula em direção a lagoa.


E foi caminhando até sumir dentro da lagoa,até hoje ninguém ouviu falar de Rosabela.


Mas dizem que nas noites de lua cheia,ouvem-se sua voz cantando:


"  Amanhã eu vou,amanhã eu vou,amanhã eu vou" ...



FONTES:

  • Elvira Drummont- A lenda da Carimbamba - Editora Demócrito Rocha - Fortaleza -2006
  • Pesquisa Google: Site Wikipédia
  • Pesquisas Google: Site: Meu Espaço de Rodrigo Silva
FOTOS:
  • Imagens Google
  • Edição de fotos: Site Pic-Monkey
VÍDEO:
  • Música: Amanhã eu vou - Gravação de Luiz Gonzaga - Monumento Nordestino -Volume 3 - Enviada ao You Tube por "Forrobodologia2 - em 01/06/2012.



14 comentários:

  1. Texto muito bom... só tenho uma observação. A carimbamba da música é uma ave caprimulgiforme de hábitos noturnos encontrada em quase todo o pais(principalmente na região nordeste), também conhecida como bacurau (Nyctidromus albicollis). Esta ave tem um canto uma onomatopeia que diz assim Amanhã eu vou, amanhã eu vou.

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    1. Caro amigo,
      antes de mais nada, muito obrigada pela visita ao Vento Nordeste e pelo comentário tão pertinente. Gostaria de acrescentá-la ao texto. Seria interessante que vc se identificasse para que eu possa colocar o devido crédito.Um grande abraço. Arilza Soares / Vento Nordeste

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    2. Eu ouco o canto aqui no sudeste
      Aqui e conhecida como Curianga

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  2. Antonio Roberto de Souza7 de setembro de 2013 21:05

    A música é muito linda, bem como a lenda. Sinceramente, gostei muito, tanto é, que escuto repetidas vezes no meu carro.

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  3. Também gosto e já cantei muito essa música.E muito obrigada pela visita e comentário deixado no Vento Nordeste. Volkte sempre. Arilza Soares/Vento Nordeste.

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  4. Gosto muito dessa música e sua letra. A lenda da carimbamba também achei muito interessante, pois pensava que fosse do sertão. Abraços!

    Texto muito bom.

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  5. Sou aqui de Aracaju, Sergipe e, como boa nordestina, amo a minha terra, sua história, sua cultura. A minha mãe, Dona Maria, hoje moradora da "Lagoa de Deus," adorava contar histórias. Isso, ela o fazia todas as noites, e, lembro-me bem, ela contava a história de Rosabela. Como vê Alzira, essa história perdura, porque muitas Dona Maria (tempo distante e bom), contava, à noite, histórias também ouvidas, quando criança. Amo a boa música nordestina e essa, em especial, é minha preferida, porque me remonta a minha infância embalada pelo fantástico mítico. Um abraço, ou melhor, um cheiro, como dizemos aqui. Neusa V.Lima Steinbach.

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    1. Muito obrigada pela visita ao Vento Nordeste e pelo comentário tão gentil. Fico feliz de saber que as minhas postagens provocam boas lembranças. um cheiro - Arilza

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    2. Arilza, quando criança, uma senhora negra, que trabalhava na minha
      casa, à noite, sentava-se no pilão, e eu gostava de colocar minha cabeça no colo dela e ela cantarolava uma música que era mais ou menos assim: " Dona Neusa, quer ser freira? Não, senhor, quero casar."

      Você conhece essa musica? Ela faz parte de canto africano?
      Quem sabe, não terá uma resposta para mim.

      Obrigada, Um cheiro. Neusa Vieira Steinbach

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    3. Não conheço Neusa e lamento não poder te ajudar. Grrande abraço! Arilza

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  6. Arilza, agradeço seu trabalho!

    Eu me lembro sim dessa canção citada pela Neuza Vieira:
    Óh... (nome da menina), você quer ser freira?
    (resposta: Não, senhora, quero me casar!)
    Óh... (nome da menina), você quer ser freira?
    (resposta: Não, senhora, quero me casar!)
    Uma menina tão bonita
    que só pensa em namorar...
    (Resposta)
    Eu namorei, hei de namorar
    Com a letra (...) quero me casar.
    Era brincadeira de roda! :)
    Um abraço!
    Meire
    meirevalin@yahoo.com.br

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  7. Meu nome é Mailson sou de Caicó RN . Ouvi a música e me deu curiosidade e fui pesquisar. Parabéns seu texto me disse tudo que precisava saber sobre a música!

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  8. Recordações da infância
    Lá na roça, no Recôncavo da Bahia, as crianças não tinham muito o que fazer à noite, pois só existiam a luz do candeeiro de querosene ou a claridade do nosso satélite durante a lua cheia. Quem conseguia frequentar uma escola, na redondeza, saía de casa bem cedinho, tocando nos galhos e folhas ao lado do caminho para ver as gotas de orvalho rolarem. Geralmente as aulas eram pela manhã, só o curso primário e uma única professora. Ah! O garoto começou o primeiro ano em 1948. Um ano após o famoso eclipse total do sol, em 20 de maio de 1947. Com a mudança para Santo Antônio de Jesus, ele não ficou com o histórico escolar dos quatro anos que frequentou nessa escola. Descobriu que iniciou o primeiro ano em 1948, quando o Vice-Consul da Embaixada do Brasil, em Copenhague, olhou com estranheza a data (1948!), em que foi emitida a Certidão de Nascimento solicitada para a entrega do Passaporte. Depois dessa surpresa, ele disse: “Muitas pessoas morrem, em nosso imenso Brasil, sem entrar nas estatísticas. Às vezes, nem são computados como mortos”. Era um senhor afável, naqueles anos duros!
    Durante as noites de lua cheia, observava aquele corpo celeste passeando pelo céu. A imensidão do firmamento! As manchas na lua eram descritas, identificadas, com São Jorge lutando contra o dragão.
    Alternava essa atividade, em alguns dias, descendo pelo lado direito do casarão, até a estrada, para correr atrás do bacurau (carimbamba). O pássaro noturno voava, pousando mais a frente, sempre ao longo do caminho, sem que ele conseguisse alcançá-lo. Em seguida:
    Cantava, lá no meio do caminho;
    Amanhã eu vou, amanhã eu vou
    E a criança perto dele nunca chegou.
    Bacurau, curiango, mariangu, maria-angu e tabaco-bom (Pernambuco).
    Amanhã-eu-Vou (carimbamba).

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  9. Bonita canção. Apesar de ser fã de Luiz Gonzaga, não a conhecia, o que aconteceu recentemente. Conversando com meu irmão, descobri que nosso pai, já falecido, cantava para minha irmã mais velha, embalando-a numa rede. Ouvi a versão do Gonzagão (a música foi gravada em 1951) e do Zé ramalho. Confesso que é muita emoção, ouvir a canção e imaginar a cena de meu pai embalando minha irmã. Obrigado pela postagem com essa informação muito interessante.

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