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Barra de Punaú - por Arilza Soares

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quarta-feira, 20 de junho de 2012

AS DANÇAS FOLCLÓRICAS DO CICLO JUNINO NO RN: DANÇA DAS BANDEIRINHAS E CAPELINHA DE MELÃO




As danças folclóricas do Rio Grande do Norte sempre foram  motivo de estudo e pesquisas. Na década de 20, Luis da Câmara Cascudo escreveu centenas de livros e artigos nos jornais sobre a beleza de nossas danças. Na década de de 30 Mario de Andrade. veio estudar a cultura potiguar deixando uma obra valiosíssima. Posteriormente pesquisadores como Manoel Rodrigues, Hélio Galvão e Oswaldo Lamartine deixaram um rico acervo. Mais recentemente Deífilo Gurgel nos presenteou com importantes pesquisas sobre as nossas danças folclóricas.
Nessa postagem vamos conhecer um pouco de duas dessas danças, pertencentes ao ciclo junino: a dança das" Bandeirinhas" muito popular na praia de Touros e a dança "Capelinha de melão" que ainda hoje sobrevive na praia de Caraúbas.

1 - A DANÇA DAS BANDEIRINHAS DA PRAIA DE TOUROS/RN





De caráter genuinamente popular, o Folguedo das Bandeirinhas consiste numa alegre reunião festiva de mulheres para festejar com dança, música e foguetório um santo patrono por elas escolhido.A reunião geralmente é feita em casa de uma dessas mulheres, responsável pela função. Em Touros, a festa que surgiu há mais de um século é formada por mulheres idosas, numa saudação a São João, São Pedro e Sant'Ana
Desde 1910, o folguedo se consolidou em Touros sob a direção de Joana Pacheco. Nos anos vinte, Joana Pacheco passou a Francisca Conduru à responsabilidade de conduzir a função. Posteriormente Geracina Alsina do nascimento permaneceu no comando por volta dos anos quarenta, até entregar o estandarte a Josefa Odete de Melo, mais conhecida como Dona Finha. Em 1993, sentindo-se cansada Dona Finha passou o comando das Bandeirinhas para Maria Inês. que atende pelo apelido de "Nega", para dar continuidade a festança.





A turma das bandeirinhas sai às ruas de Touros após a meia noite. Suas participantes usam indumentária colorida e vistosa, e portam bandeiras e estandartes artisticamente bordados e decorados. Percorrem as ruas da cidade cantando toadas tradicionais e outras por elas próprias compostas. Apenas três vezes se apresentam durante o ano: às vésperas de São João, São Pedro e Sant’Ana.
Enquanto esperam a hora para sair à rua levando seus pavilhões engrinaldados, as participantes do folguedo dançam entre si ao som de uma pequena orquestra de pau e corda ou de percussão, enquanto enchem-se de doces, salgados, sucos, refrigerantes e bebidas alcoólicas.
A festa atinge seu ponto máximo quando as mulheres saem às ruas, pós a meia-noite, em cortejo para o rio Maceió, já bastante "alegres", dançando e executando coreografias, se esbaldando em seus louvores e cantorias.






O folguedo das bandeirinhas não admite presença masculina em suas funções. Dessa forma, suas organizadoras e participantes sentem-se à vontade para se divertir, livres da censura de pais, filhos, maridos e conhecidos. Satisfeitas, desfilam empunhando seus estandartes, bandeiras e bandeirolas, cantando toadas de louvor ao santo festejado. Durante o cortejo pelas ruas da cidade, as pastoras se fazem acompanhadas de uma orquestra, que só as abandonam à beira do rio, ao término da função.


2- CAPELINHA DE MELÃO - PRAIA DE CARAÚBAS/RN




A Capelinha de Melão é um Auto popular encontrado na praia de Caraúbas no Rio grande do Norte, com cânticos pastoris e danças, realizado na noite de São João. Acompanhado por orquestra de violão, rabeca e clarineta e por vezes incluem-se  sanfona e pandeiro. A coregrafia imita a Lapinha, na disposição das pastoras em cordões e no elenco das jornadas. Enquanto na Lapinha  se homenageia Jesus Cristo, na Capelinha a homenagem é para S. João.Na dança um grupo de moças, em número par, exibe-se num tablado, ao ar livre, com roupas e sapatos brancos. tendo à cabeça uma capelinha de flores de melão-são-caetano, em torno de um diadema enfeitado com papel crepom. Cada dançarina possui uma tira larga de cetim, ou papel crepom vermelho ou azul, que partindo do ombro esquerdo, termina por um grande laço na cintura. As participantes se dividem em duas alas, entre as quais caminha a Diana, que se apresenta com as faixas azul e vermelha entrecruzadas no busto.Toas cantam e dançam  tendo à mão uma lanterninha com vela acesa e uma bandeirola com a efígie do santo.


     
    CAPELINHA DE MELÃO

           Capelinha de melão / É de São João
              É  de cravo é de rosa /  É de manjericão

                  São João está dormindo / Não acorde não
  Acordai, acordai / Acordai João.

                                                           Música de domínio público
  

O bailado desse folguedo tem de oito a dez partes, com coreografia e cantos próprios, terminando todas com o estribilho da música "Capelinha de melão". No fim da última parte, duas dançarinas retiram o diadema da cabeça e, o substitui por panos enfeitados com canutilhos, ou moedinhas de papelão dourado, assim se transformam em ciganas ( hoje em dia as baianas são comuns). Com uma bandejinha na mão, percorre a platéia masculina pedindo dinheiro, ao som de um canto entoado pelas outras participantes que permaneceram no tablado.


O VERDADEIRO SIGNIFICADO DE CAPELINHA DE MELÃO





A propósito dessa foto que encontrei na internet, vale  registrar  que "capelinha de melão" não é o diminutivo de capela, tampouco é feito com melão. Segundo Câmara Cascudo, o termo capelinha de melão designa um "grupo de foliões dos festejos populares sanjoanenses, ornados de capelas de folhagens, marchando em grupos em demanda do milagroso banho, e de volta em animadoras passeatas. É portanto, um folguedo popular em um pequeno povoado. Em Portugal "capela pode ser uma coroa de flores ou folhas. Como na canção a coroa pode ser de cravo, de rosa ou de manjericão. Em Caraúbas "a capela" é uma pequena coroa de flores feitas com flores do melão-são-caetano, que eram usados como ornamento nesses folguedos.


                             Flor do melão-são-caetano



De origem asiática, esse arbusto do gênero Momordica, foi trazido para o Brasil pelos escravos africanos. È encontrado facilmente em cercas de terrenos abandonados. Seus frutos, quando maduros tem cor amarelo ouro com sementes vermelhas comestíveis apreciado pelas crianças, As folhas eram usadas pelas lavadeiras para clarear a roupa. Os escravos usavam o chá em banhos para facilitar o parto e para baixar a febre. Seu nome foi dado pelos negros mineiros do século XVIII, que o plantavam em volta de uma capelinha em Mariana-MG. A Capelinha tinha como padroeiro São-Caetano.



Fontes:
  • Deífilo Gurgel - Danças Folclóricas do Rio grande do Norte-Deífilo Girgel-Gráfica Sul Editora-Natal/RN - 2003
  • Deífilo Gurgel - Espaço e Tempo do Folclore Potiguar-Departamento Estadual de Imprensa-Natal/RN - 2001
  • Luís da Câmara Cascudo- Dicionário do Folclore Brasileiro- EdiOuro Publicações S.A -São Paulo
  • Pesquisas Google - Site Enciclopédia da Musica Brasileira
  • Pesquisas Google - Site Touros.com
  • Pesquisa Google- Site Wikipédia.

Fotos:
  • Imagens Google
  • Edição de Fotos: Site Pic-Monkey
Vídeo:
  • Postado no You Tube por "forrobodologia" em 30/10/2011- Banda Mastruz com Leite - Música: Capelinha de Melão


Um comentário:

  1. Parabéns por trazer de maneira tão clara e amorosa as informações sobre os folguedos e tradições de teu Nordeste. Aprendi mais sobre a Capelinha de São João. Obrigada.

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