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Barra de Punaú - por Arilza Soares

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quinta-feira, 1 de março de 2012

A CONQUISTA DO VOTO FEMININO NO BRASIL E A POTIGUARES CELINA GUIMARÃES E JÚLIA BARBOSA-

                                                       
                                                             

Há oitenta anos a mulher brasileira ganhou o direito de votar nas eleições nacionais. Vento Nordeste não podia deixa passar  essa data, não só pela grande conquista feminina em si, mas para aproveitar o ensejo e homenagear as potiguares Celina Guimarães e Júlia Barbosa as primeiras mulheres a conquistar o direito de voto nesse país.O Rio Grande do Norte é detentor do honroso título de ter sido aqui, na cidade de Mossoró o primeiro voto feminino da América do Sul.
Nessa luta pelo direito civil da mulher o Rio Grande do Norte saiu na frente. Vale ressaltar que a lei 660, que deu a mulher igualdade cívica era Estadual, e que somente na década seguinte é que essa liberdade se estendeu aos demais estados da Federação.



Desde o início do Século XX que o movimento sufragista ganhava força no Rio Grande do Norte. O Senador Juvenal Lamartine, candidato ao Governo do Estado, incluía na sua plataforma eleitoral a igualdade de direitos cívicos para homens e mulheres. O incansável batalhador pela emancipação política feminina, juntou-se a outros políticos, entre os quais o então governador, José Augusto Bezerra de Medeiros, que permitiu a promulgação da lei que dava à mulher o direito ao alistamento eleitoral - Lei nº 660, do Estado do Rio Grande do Norte.
Nesse contexto surge Celina Guimarães. Aos 29 anos de idade, Celina faz um requerimento para obter registro como eleitora na cidade de Mossoró. Na mesma data, em 25 de novembro de 1927 o  despacho do Juiz Israel Ferreira Nunes, defere o pleito e ela se torna a primeira mulher brasileira com direito a votar e ser votada.




Nascida em Natal/RN, no dia 15 de novembro de  1898, Celina Guimarães Viana, formou-se em professora pela Escola Normal de Natal e, em 1911, casou com o advogado e professor Elyseu de Oliveira Viana. O casal foi morar em Acari, região do Seridó, onde ensinou no Grupo escolar do Município. Em 1922 Celina e o marido foram morar em Mossoró, onde ensinou desenho na Escola Normal.
Como professora Celina demonstrou ser uma mulher acima do deu tempo. "Em uma época em que a disciplina dos alunos era regida à palmatória, ela aboliu tal mecanismo e passou a usar o teatro como forma de atrair a atenção dos alunos. Redigiu textos de peças, montou figurinos e realizou apresentações na escola.Por essas iniciativas foi incluída no Livro de Honra da Instrução Pública, um reconhecimento dos bons serviços prestados ao Estado" - é o que nos conta a pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco de Pernambuco, Semira Adler Vainsencher.
Celina faleceu no ano de 1972, na cidade de Belo Horizonte.


Telegrama enviado por Celina ao Presidente do Senado

Antes da promulgação da lei que dava às mulheres direitos políticos e civis, não se conhece a atuação de Celina na luta pelo voto feminino. Mas a partir do momento que tomou conhecimento dessa lei, ela passou a conscientizar as mulheres sobre a importância do voto: elaborou um documento e distribuiu entre as mulheres, solicitando que fossem votar. É de conhecimento de todos o telegrama que mandou ao Presidente do Senado assim que recebeu do Juiz o parecer favorável para se tornar eleitora, num apelo para que todas as mulheres tivessem o mesmo direito. No telegrama lia-se: " Peço nome mulher brasileira seja aprovado projeto institui voto feminino amparando seus direitos políticos reconhecidos Constituição Federal - Saudações Celina Guimarães Viana- Escola Normal de Mossoró".


                 JÚLIA BARBOSA
          PIONEIRISMO ABORTADO


                            Júlia Barbosa assinando seu foto diante do juiz
                                   Foto publicada na Revista  "A Cigarra"

É importante lembrar que a primeira mulher a requerer a inclusão no alistamento eleitoral, não foi a Celina Guimarães. Esse pioneirismo coube à professora Júlia Alves Barbosa, catedrática da Escola Normal de Natal, em 24 de novembro de 1927. No entanto, dada à sua condição de solteira, o Juiz da primeira vara da capital retardou o deferimento do pleito de Júlia, e este só foi publicado em dezembro. O despacho de Celina foi rapidamente aprovado por ela ser casada e a Júlia não.  O Código Eleitoral Provisório, de 24 de fevereiro  de 1932 foi aprovado com restrições quanto a participação da mulher nas eleições. Apenas as mulheres casadas, viúvas e solteiras com renda própria poderiam votar. Por essa razão Celina  se torna a primeira mulher com direito no Estado e a Júlia a segunda. Posteriormente Júlia Barbosa ingressa na política e se elege vereadora na cidade de Natal




Júlia Alves Barbosa esteve sempre à frente na luta política quebrando barreiras e enfrentando preconceitos. Foi uma das fundadoras da Associação de Eleitoras do RN que, sob a direção de Francisca Dantas teve um papel pioneirono Estado, para a conscientização da mulher como cidadã. Casada com o professor Ivo Cavalcanti, foi a primeira mullher a ensinar Matemática na Escola Normal do Estado. Nasceu em Natal no ano de 1898 e faleceu nessa mesma cidade, em 1943.


Fontes:

  • A mulher Potiguar - Cinco Séculos de Presença- Fundação José Augusto - Governo do Estado do Rio Grande do Norte
  • Pesquisa Web -  O Voto Feminino no Brasil - Fundação Joaquim Nabuco /Pesquisas de Semira Adler Vainsencher.
Fotos

  • Imagens Google
  • Edição das Fotos : Programa Pic-Nic - Yahoo/Brasil



3 comentários:

  1. Aldenize Reis
    Se você gosta da cultura nordestina e é curioso leiam os artigos desse blog e vejam logo esse do VOTO FEMININO!
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  2. Gostei muito ,compartilhando!!
    há ± 1 hora no Facebook ·
    Maria Helena Q Cabral- Valença- Bahia

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  3. Adorei a postagem. É bom conhecer um pouco mais da nossa história. As primeiras mulheres que votaram em nosso país deram o pontapé inicial para que as outras começassem a pensar em política e deixassem de lado a alienação a que eram impostas. A evolução feminina nesses oitenta anos foi tão grande que hj temos uma representante na presidência do Brasil. Sem dúvida o direito ao voto foi uma grande conquista feminina e precisamos fazer valer este ato de forma eficiente e competente.

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